Composição é um processo de formação de palavras. Ele consiste na união de duas ou mais palavras que já existem na língua portuguesa para formar uma nova palavra. Por exemplo, o termo “guarda-chuva” é formado pela união dos vocábulos “guarda” e “chuva”. Já no termo “vinagre”, ocorre a união entre os termos “vinho” e “acre” (azedo).
Quando a união das palavras não altera a estrutura de nenhuma delas, como em “guarda-chuva”, chamamos isso de composição por justaposição. No entanto, se há alteração na estrutura de alguma delas, como em “vinagre” (“vinho” perdeu “-ho” e “acre” tornou-se “agre”), chamamos isso de composição por aglutinação.
Leia também: Derivação — conheça esse outro processo de formação de palavras
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre composição
- 2 - O que é a composição?
- 3 - Composição por justaposição
- 4 - Composição por aglutinação
- 5 - Exemplos de composição
- 6 - Exercícios resolvidos sobre composição
Resumo sobre composição
- A composição é um processo de formação de palavras que consiste na união de duas ou mais palavras já existentes para a formação de uma nova palavra.
- A composição por justaposição é a união de duas ou mais palavras sem alteração na estrutura delas: arco-íris, beija-flor, passatempo etc.
- A composição por aglutinação é a união de duas ou mais palavras com alteração na estrutura delas: aguardente, lobisomem, vinagre etc.
O que é a composição?
A composição é um processo de formação de palavras. Ela ocorre quando duas ou mais palavras se associam ou se combinam para formar outra palavra. É um processo fascinante, não é mesmo? Para deixar mais claro, vou mostrar para você algumas palavras:
|
GUARDA |
VAI |
GIRA |
PERNA |
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VEM |
SOL |
LONGO |
CHUVA |
Você conhece cada uma dessas palavras e sabe que elas fazem sentido isoladamente. Pois algumas delas podem se combinar, formando uma nova palavra:
- girassol;
- guarda-chuva;
- pernilongo;
- vaivém.
Portanto, as palavras acima foram formadas pelo processo de composição. Você também já conhece essas palavras, pois elas já existem na língua portuguesa há muito tempo. Mas, no futuro, outras palavras podem ser formadas por esse processo, pois a língua está sempre viva.
Existem dois tipos de composição, isto é, composição por justaposição e composição por aglutinação. Vou falar sobre elas nos próximos tópicos. Então, vamos lá!
Composição por justaposição
A composição por justaposição é o processo de formação de palavras que ocorre quando você junta (justapõe) duas ou mais palavras já existentes, mas não altera nenhuma delas. Veja só como a justaposição ocorre:
- arco + íris = arco-íris;
- beija + flor = beija-flor;
- bem + me + quer = bem-me-quer.
- para + quedas = paraquedas;
- passa + porte = passaporte;
- passa + tempo = passatempo;
- saca + rolhas = saca-rolhas;
- vara + pau = varapau.
Percebeu como elas foram justapostas sem alteração da estrutura delas? Isso é composição por justaposição. Quanto a usar ou não o hífen (-), isso depende das regras acerca desse sinal gráfico.
Confira também: Quais são as regras de uso do hífen?
Composição por aglutinação
A composição por aglutinação é o processo de formação de palavras que ocorre quando você une duas ou mais palavras já existentes, mas suprime ou altera parte dos termos que compõem a palavra resultante. Veja só como a aglutinação ocorre:
- água + ardente = aguardente (um “a” foi eliminado);
- boca + aberto = boquiaberto (a sílaba “-ca” de “boca” foi alterada para “qui”);
- em + boa + hora = embora (foram suprimidos o “o” e o “a” de “boa”, além do “h” de “hora”);
- filho + de + algo = fidalgo (foram suprimidos a sílaba “-lho” de “filho” e o “e” do termo “de”);
- lobo + homem = lobisomem (o “o” de “lobo” foi alterado para “is” e foi suprimido o “h” de “homem”);
- vinho + acre = vinagre (foram suprimidos o “h” e o “o” de “vinho”, enquanto o “c” de “acre” foi alterado para “g”);
- perna + alta = pernalta (foi suprimido um “a”);
- ponta + agudo = pontiagudo (o “a” de “ponta” foi alterado para “i”).
Você notou como os elementos foram aglutinados (unidos) com alteração da estrutura deles? Isso é composição por aglutinação. Quando isso ocorre, os elementos ficam tão “colados”, que o uso do hífen é impossível.
Exemplos de composição
→ Exemplos de composição por justaposição
- Amor-perfeito
- Couve-flor
- Madrepérola
- Mandachuva
- Meio-dia
- Peixe-espada
- Pontapé
- Segunda-feira
- Sobremesa
- Videoaula
→ Exemplos de composição por aglutinação
- Alvinegro (alvo + negro)
- Artimanha (arte + manha)
- Cabisbaixo (cabeça + baixo)
- Destarte (desta + arte)
- Petróleo (pedra + óleo)
- Planalto (plano + alto)
- Portunhol (português + espanhol)
- Quintessência (quinta + essência)
- Viandante (via + andante)
- Vinicultura (vinho + cultura)
Veja também: Neologismo — conheça esse outro processo de formação de palavras
Exercícios resolvidos sobre composição
Questão 1
(Unicamp)
O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam as notícias boas ou ruins, ele precisa garantir uma experiência esteticamente agradável para o espectador. Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair prestígio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos telejornais: Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, notícias diárias de feminicídios, de valentões armados matando em brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversativas e adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de amenizar as más notícias para garantir o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa notícia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa notícia é que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das más notícias.
Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa notícia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional. Disponível em: https://cinegnose.blogspot.com/2019/02/globo-adota-boa-noticia-e-que-para.html. Acessado em: 01/03/2019.
Para se referir a matérias jornalísticas televisivas que informam e, ao mesmo tempo, entretêm os espectadores, o autor cria um neologismo por meio de
A) derivação prefixal.
B) composição por justaposição.
C) composição por aglutinação.
D) derivação imprópria.
Resolução:
Alternativa C.
O neologismo (palavra nova) é “infotenimento”, composto pelas palavras “informação” e “entretenimento”. Portanto, um processo de composição por aglutinação, já que ocorre modificação ou supressão na estrutura de ambas as palavras.
Questão 2
(Unicamp) Leia, a seguir, o título e subtítulo de uma reportagem.

(Fonte: Correio 24horas. 21/06/2021.)
Ao longo da pandemia da Covid-19 tornou-se cada vez mais recorrente o uso da expressão de língua inglesa home office (em tradução literal, “escritório em casa”) para se referir a trabalho a distância ou a teletrabalho. Indique a alternativa que descreve o processo de composição do neologismo “roça-office”, conforme empregado no título da reportagem.
A) A substituição do vocábulo em inglês “home” por “roça” torna o uso desse estrangeirismo mais adequado à grafia do português.
B) A justaposição de “roça” e “office” produz um efeito cômico pelo contraste entre os meios rural e urbano na formação do neologismo.
C) A justaposição de “roça” e do neologismo “office” baseia-se na similaridade fonético-fonológica entre os vocábulos “home” e “roça”.
D) A aglutinação dos radicais “roça” e “office” adapta o neologismo aos imóveis brasileiros e produz o efeito de humor na manchete.
Resolução:
Alternativa B.
O termo “roça-office” é formado pelo processo de composição por justaposição, já que a palavra brasileira “roça” e a palavra inglesa “office” não sofrem alterações. Por ser uma palavra recém-criada, “roça-office” é considerada um neologismo. O contraste entre o meio rural sugerido pela palavra “roça” e o meio urbano sugerido pela palavra “office” (escritório) produz um efeito cômico, pois ninguém espera ver esses dois termos juntos.
Fontes
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.