Funções do “que”

São diversas as funções do “que”. Esse termo pode exercer a função de pronome, advérbio e conjunção. Ele também pode atuar como substantivo, interjeição e preposição.

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As funções do “que” são várias. Esse termo pode atuar como pronome substantivo, pronome adjetivo, pronome relativo, conjunção coordenativa, conjunção subordinativa, substantivo, advérbio, interjeição, partícula expletiva e preposição. O queísmo consiste na supressão equivocada da preposição “de” antes da palavra “que”. Para evitar tal erro, é preciso conhecer regência verbal e nominal.

Leia também: Funções do “se” na língua portuguesa

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Tópicos deste artigo

Resumo do “que”

  • O termo “que” pode exercer as seguintes funções:
    • pronome substantivo;
    • pronome adjetivo;
    • pronome relativo;
    • conjunção coordenativa;
    • conjunção subordinativa;
    • substantivo;
    • advérbio;
    • interjeição;
    • partícula expletiva;
    • preposição.

Quais são as funções do “que”?

  • Pronome substantivo

A palavra “que” substitui um substantivo:

Que comprou você no supermercado?

Que ocorreu ontem?

  • Pronome adjetivo

A palavra “que” exerce função de adjunto adnominal (acompanha o substantivo) em um enunciado interrogativo ou exclamativo:

Que matéria você está estudando?

Que matéria interessante!

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  • Pronome relativo

A palavra “que” retoma um termo anterior no enunciado:

A amizade que eu perdi faz muita falta.

  • Conjunção coordenativa

A palavra “que” liga orações coordenadas:

Vamos que vamos para o grande nada.
[caráter aditivo]

Fique calmo, que estou aqui.
[caráter explicativo]

A vida, que não a minha, é pura monotonia.
[caráter adversativo]

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  • Conjunção subordinativa

A palavra “que” introduz orações subordinadas substantivas e adverbiais:

Viu que ela estava triste.
[introduz oração subordinada substantiva objetiva direta]

Que impeçam minha entrada, permanecerei na porta.
[introduz oração subordinada adverbial concessiva]

Não como carne que passo mal.
[introduz oração subordinada adverbial causal]

  • Substantivo

O termo “que”, com valor de substantivo, deve ser acentuado, ou seja, “quê”:

A palavra “quilômetro” começa com quê.

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Esta situação tem um quê de romance.

  • Advérbio

O termo “que” expressa circunstância de intensidade e equivale a “quão”:

Que bonito era!

  • Interjeição

O termo “que”, com valor de interjeição, deve ser acentuado, ou seja, “quê”:

Quê! Não acredito!

  • Partícula expletiva

O termo “que” é usado apenas para realçar o discurso, de modo que é dispensável:

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Que medo que tenho do escuro!

  • Preposição

O termo “que” pode ter o mesmo sentido da preposição “de”:

Antes que tudo, preciso me desculpar.

Como evitar o queísmo na redação?

O queísmo se configura na supressão equivocada da preposição “de” antes de “que”. Por desconhecer ou não atentar para a regência verbal e nominal, o enunciador pode acabar cometendo um queísmo. Portanto, para evitar o queísmo na redação, você precisa conhecer a regência de verbos e nomes.

Um exemplo é o uso do verbo “gostar”, que exige a preposição “de”:

Os filmes que gosto nunca estão em cartaz.

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Em vez de, corretamente:

Os filmes de que gosto nunca estão em cartaz.

Outro exemplo é o uso de substantivos como “medo”, que exigem a preposição “de”:

Tinha medo que sua mãe não estivesse lá.

Em vez de, corretamente:

Tinha medo de que sua mãe não estivesse lá.

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O enunciador pode se equivocar às vezes, mas quando ele nunca utiliza a preposição antes do “que”, quando ela é necessária, isso se configura em queísmo. Assim, além dos casos acima mencionados, o queísmo também pode ocorrer após verbo pronominal:

Eu me esqueci que você estava aqui.

Em vez de, corretamente:

Eu me esqueci de que você estava aqui.

E também no uso equivocado de locuções prepositivas ou conjuntivas, como no exemplo:

Defendeu sua ideia, apesar que poucos prestassem atenção.

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Em vez de, corretamente:

Defendeu sua ideia, apesar de que poucos prestassem atenção.

Leia também: Que ou quê: quando usá-los?

Exercícios sobre funções do “que”

Questão 1 (IFPE)

Uma revisão de dados recentes sobre a morte de línguas

Linguistas preveem que metade das mais de 6 mil línguas faladas no mundo desaparecerá em um século — uma taxa de extinção que supera as estimativas mais pessimistas quanto à extinção de espécies biológicas.

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[...]

Um comunicado do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) diz que “o desaparecimento de uma língua e de seu contexto cultural equivale a queimar um livro único sobre a natureza”. Afinal, cada povo tem um modo único de ver a vida. Por exemplo, a palavra russa mir significa igualmente “aldeia”, “mundo” e “paz”. É que, como os aldeões russos da Idade Média tinham de fugir para a floresta em tempos de guerra, a aldeia era para eles o próprio mundo, ao menos enquanto houvesse paz.

Disponível em: http://revistalingua.com.br/textos/116/a-morte-anunciada-355517-1.asp. Acesso em 28 set. 2015.

Na frase “Linguistas preveem que metade das mais de 6 mil línguas faladas no mundo desaparecerá em um século”, que aparece no início do texto, o vocábulo “que” funciona como

A) conjunção integrante e introduz uma nova oração com valor de predicativo do sujeito.

B) pronome relativo e estabelece uma ligação entre o verbo e a palavra “metade”.

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C) conjunção integrante e introduz uma nova oração com valor de sujeito.

D) pronome e estabelece uma relação entre “linguistas” e o que sucede o pronome.

E) conjunção integrante e introduz uma oração com valor de objeto direto.

Resolução:

Alternativa E.

A oração “que metade das mais de 6 mil línguas faladas no mundo desaparecerá em um século” atua como objeto direto do verbo “preveem”.

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Questão 2 (UFJF)

Leia o trecho a seguir:

[...]

Além disso, a legislação brasileira já responsabiliza toda pessoa acima de 12 anos por atos ilegais. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o jovem deve merecer medidas socioeducativas, como advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. A medida é aplicada segundo a gravidade da infração. Enquanto nas penitenciárias o percentual de reincidência no crime é de 70%, no sistema socioeducativo esse número cai para 20%. Com efeito, esses dados mostram gargalos da atuação do Estado nesse âmbito, que a atual proposta parece ignorar.

[…]

MIRANDA, Alan. A juventude merece mais. Disponível em: http://of.org.br/noticias-analises/a-juventude-merece-mais/. Adaptado.

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O pronome relativo QUE, marcado na última sentença, retoma o termo:

A) percentual.

B) sistema.

C) dados.

D) gargalos.

E) proposta.

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Resolução:

Alternativa D.

O pronome relativo retoma o termo imediatamente anterior, ou seja, a expressão “gargalos da atuação do Estado nesse âmbito”, isto é, a atual proposta parece ignorar os “gargalos”.

Fontes

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

MOLLICA, Maria Cecilia. (De)queísmo: variação em conexões intersentenciais. Organon, Porto Alegre, v. 5, n. 18, 1991.

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NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999.

PAIVA, Maria da Conceição de; SCHERRE, Maria Marta Pereira. Retrospectiva sociolinguística: contribuições do PEUL. DELTA, São Paulo, v. 15, n. especial, p. 201-232, 1999.

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática: teoria e prática. 26. ed. São Paulo: Atual Editora, 2001.

Quadro com as funções do “que” e exemplos.
O “que” apresenta diversas funções.
Crédito da Imagem: Gabriel Franco | Brasil Escola
Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Funções do “que”"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/funcoes-sintaticas-palavra-que.htm. Acesso em 06 de maio de 2026.
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Exercício 1

O “que” pode exercer diversas funções na língua portuguesa. Assinale a alternativa que apresenta uma função corretamente descrita dessa palavra.

A) Advérbio, quando indica negação.

B) Conjunção subordinativa, quando introduz orações subordinadas substantivas ou adverbiais.

C) Substantivo, quando equivale a “quão”.

D) Pronome adjetivo, quando substitui um substantivo.

E) Interjeição, quando equivale a “ali”.

Exercício 2

Assinale a alternativa em que o “que” expressa circunstância de intensidade.

A) Que inteligente você foi!

B) O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou...

C) Vamos que vamos para mais um dia de trabalho!

D) Quê?! Não pode ser verdade!

E) O maior medo que eu tenho é de avião.

Exercício 3

Na frase “Havia um quê de suspeito no ar...”, a palavra “quê” deve ser classificada como:

A) pronome substantivo.

B) advérbio.

C) interjeição.

D) partícula expletiva.

E) substantivo.

Exercício 4

Na frase “Que alegria que você me traz!”, cada “que” é classificado, respectivamente, como:

A) advérbio de intensidade e interjeição.

B) substantivo e conjunção subordinativa.

C) pronome substantivo e pronome relativo.

D) pronome adjetivo e partícula expletiva.

E) preposição e conjunção coordenativa.