Guerras

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As guerras são conflitos armados que acontecem por diferentes motivos, como desentendimentos religiosos, interesses políticos e econômicos, disputas territoriais, rivalidades étnicas, entre outras razões. Na História, elas são estudadas por um ramo conhecido como História Militar, que se dedica não só a entender as grandes guerras, como também a estudar a noção dos exércitos.

Um dos grandes teóricos da guerra moderna foi o militar prussiano Carl von Clausewitz, responsável por estabelecer ideias como a da mobilização total de um Estado para a guerra. Eventos como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial são demonstrações perfeitas do estado de guerra total. Para evitar os excessos, foram estabelecidas as Convenções de Genebra.

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Guerras na História

Até o século XIX, as guerras eram um dos maiores focos de estudo dos historiadores. A História, sob essa perspectiva tradicional, típica desse século, voltava-se ao estudo dos grandes acontecimentos, dos grandes feitos e dos grandes homens. Assim, os conflitos eram um celeiro cheio de acontecimentos e de importantes personalidades a serem explorados.

Essa visão tradicionalista perdeu força no século XX, e novos objetos e métodos começaram a ser utilizados para a pesquisa. Ainda assim, as guerras permaneceram como uma pauta importante, uma vez que são catalisadoras de mudanças significativas.

A guerra e tudo relacionado a ela, como armamentos, equipamentos e estratégias, fazem parte do campo de estudo da História Militar.
A guerra e tudo relacionado a ela, como armamentos, equipamentos e estratégias, fazem parte do campo de estudo da História Militar.

Atualmente, o campo da História que se dedica ao estudo dos conflitos e dos assuntos relativos a questões militares é conhecido como História Militar. Essa área volta-se para as motivações que levaram ao início dos combates, assim como procura entender os principais acontecimentos no curso das guerras e quais as transformações causadas pelo término de um conflito.

A História Militar também estuda a evolução do campo militarista, seja na questão de estratégias de guerra, seja na evolução tecnológica dos armamentos e dos uniformes. Por fim, a forma como se enxerga a guerra e a formulação de grupamentos militares ao longo da história também são estudados por essa vertente.

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Entendendo a guerra

A guerra sempre foi alvo de intensos estudos e, como tal, recebeu reflexões de diversas pessoas ao longo da história. Essa reflexão e análise não é uma realização do homem moderno, uma vez que um dos tratados mais conhecidos sobre a guerra é de um estrategista militar chinês chamado Sun Tzu.

Existe uma série de polêmicas sobre esse tratado, sobretudo sobre sua datação e se de fato contém somente escritos de Sun Tzu. De toda forma, o livro de Sun Tzu, conhecido como A Arte da Guerra, é entendido como o tratado mais antigo sobre esse assunto. Portanto, podemos perceber que o interesse do homem pela guerra é de longa data.

Sabemos também que bem antes de Sun Tzu ter escrito seu tratado (estima-se que foi escrito entre o século V a.C. e III a.C.), a guerra já era uma realidade na vida da humanidade. Arqueólogos estudam vestígios de que os homens pré-históricos já iam à guerra; e, na Antiguidade, dominar a guerra era fundamental para garantir a sobrevivência de um povo.

Sobre a importância da guerra na antiguidade para a sobrevivência de determinado povo ou império, Sun Tzu já sentenciava:

A guerra tem importância crucial para o Estado. É o reino da vida e da morte. Dela depende a conservação ou a ruína do império. Urge bem regulá-la. Quem não reflete seriamente sobre o assunto evidencia uma indiferença condenável pela conservação ou pela perda do que mais se preza. Isso não deve ocorrer entre nós|1|.

Sun Tzu entendia que a guerra deveria ser conduzida de forma a ser solucionada rapidamente, uma vez que uma guerra longa empobreceria o reino, seria penosa para os soldados, traria muitas mortes e prejudicaria a honra daquele que estivesse à frente dos soldados. Uma característica muito importante da filosofia de guerra de Sun Tzu é sua crença de que até a vida dos inimigos deveria ser poupada, se fosse possível.

Essa visão da guerra, como algo a ser rapidamente finalizado e à procura de se evitar um grande número de mortos dos exércitos adversários, mudou radicalmente à medida que a guerra foi se modernizando. A guerra moderna, por sua vez, tem em grande parte formulação teórica nos escritos de Carl von Clausewitz, um militar prussiano que viveu nos séculos XVIII e XIX.

A Primeira Guerra Mundial incorporou as ideias de guerra de Clausewitz, sendo um conflito no qual não havia misericórdia com o adversário.[1]
A Primeira Guerra Mundial incorporou as ideias de guerra de Clausewitz, sendo um conflito no qual não havia misericórdia com o adversário.[1]

A guerra do ponto de vista moderno e que foi teorizada por Clausewitz é um fenômeno total, conforme análise do geógrafo Demétrio Magnoli|2|. Nesse sentido, mobiliza todo o potencial militar e político do Estado, fazendo com que todos os recursos possíveis sejam utilizados para tal finalidade.

Na percepção de Clausewitz, as preocupações a respeito de se evitar o derramamento de sangue são uma fraqueza, pois ele afirma que “a guerra é uma atividade perigosa que os erros advindos da bondade são os piores”|3|. Sendo assim, Clausewitz entende que, se um lado da guerra vai com a intenção de poupar vidas, já entra no conflito enfraquecido. A guerra para Clausewitz é, portanto, “um ato de força”. Na visão dele, “não existe qualquer limite lógico para o emprego desta força”.

Essa forma de enxergar a guerra levou a conflitos dramáticos ao longo da Idade Contemporânea, sobretudo no século XX. Os horrores que se cometeram nas guerras, principalmente nas duas guerras mundiais, levaram a humanidade a sancionar termos parar impor limites na ação humana durantes os conflitos armados.

Estamos falando das Convenções de Genebra, acordos que foram realizados em convenções que se passaram nos anos de 1864, 1906, 1929 e 1949. A junção desses acordos foi revista e atualizada na Quarta Convenção, em 1949. Por meio da Convenção de Genebra, foram decididos termos para que prisioneiros de guerra, civis, enfermeiros, soldados feridos, entre outros, fossem protegidos e tratados dignamente.

As Convenções de Genebra são um importante pacto civilizatório, o qual demonstra que nem em estado de guerra é permitido que se realizem horrores, como o aprisionamento desumano de prisioneiros e a tortura. Atualmente 196 países ratificam as Convenções de Genebra, fazendo com que sua aplicação seja considerada universal. Aqueles que não cumprem as determinações estão sujeitos a julgamento na Corte Penal Internacional, localizada em Haia, nos Países Baixos.

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Grandes conflitos da história da humanidade

A Segunda Guerra Mundial foi um dos conflitos mais violentos da humanidade e apresentou novas táticas de guerra, como o uso de paraquedistas.
A Segunda Guerra Mundial foi um dos conflitos mais violentos da humanidade e apresentou novas táticas de guerra, como o uso de paraquedistas.

A história humana é marcada por conflitos, e raríssimos foram os anos nos quais nenhuma guerra aconteceu no planeta. O século XX, por exemplo, ficou marcado por confrontos em diferentes partes do mundo, sendo que alguns deles foram extremamente traumáticos e marcantes.

Confira a seguir dez grandes conflitos que marcaram a humanidade:

  • Segunda Guerra Mundial (1939-1945): conflito que dividiu o mundo em Eixo contra Aliados e causou a morte de 60 a 70 milhões de pessoas.

  • Primeira Guerra Mundial (1914-1918): conflito motivado pela rivalidade entre as potências europeias no começo do século XX. Causou a morte de 15 a 20 milhões de pessoas.

  • Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945): conflito iniciado pela invasão do território chinês pelo Japão no intuito de transformá-lo em uma colônia. Causou a morte de cerca de 20 milhões de pessoas.

  • Guerra dos Trinta Anos (1618-1648): conflito causado pelas rivalidades religiosas que existiam na Europa da Idade Moderna. Causou a morte de 5 a 8 milhões de pessoas.

  • Guerra dos Cem Anos (1337-1453): um dos conflitos mais longos da história da humanidade, estendendo-se por 116 anos. Foi motivada pela disputa de interesses entre duas dinastias. Especula-se que causou a morte de 2 a 3 milhões de pessoas.

  • Guerras Médicas (499-449 a.C.): um dos maiores conflitos da história grega. Foram iniciadas pela invasão da Grécia pelos persas e travadas em duas fases. As estimativas são muito imprecisas, por se tratar de um conflito muito antigo.

  • Guerras Púnicas (264-146 a.C.): conflito entre romanos e cartaginenses pelo controle do Mar Mediterrâneo. Estima-se que entre 1 e 2 milhões de pessoas tenham morrido.

  • Guerras Napoleônicas (1803-1815): conflito causado pelo choque de interesses da França pós-revolução contra os das nações absolutistas. Estima-se que tenha causado de 3 a 7 milhões de mortos.

  • Rebelião Taiping (1850-18646): guerra civil que aconteceu na China por questões políticas e religiosas. Estima-se que até 30 milhões de pessoas morreram nesse conflito.

  • Guerra Civil Russa (1918-1921): guerra iniciada com o intuito de derrubar os socialistas que tinham tomado o poder na Rússia. Estima-se que causou a morte de cerca de 10 milhões de pessoas.

Notas:

|1| TZU, Sun. A Arte da Guerra. Porto Alegre: L&PM, 2013, p. 21.

|2| MAGNOLI, Demétrio. Introdução. MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2006, p. 12.

|3| CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra. Para acessar, clique aqui.

Créditos da imagem:

[1] Everett Historical e Shutterstock

 

Por Daniel Neves
Professor de História

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