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Reino Unido 4

Geografia

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A guerra dos sete anos (1756-1763) confirmou a supremacia do império colonial britânico sobre o francês, que teve de ceder Québec, a Louisiana e a Índia a seu rival. Jorge III, rei durante sessenta anos, de 1760 a 1820, neto de seu predecessor, já foi um soberano plenamente britânico. Ao longo dos reinados de seu bisavô e avô, os whigs dominaram o Parlamento, enquanto os tories, divididos pela fidelidade de muitos deles à destronada dinastia dos Stuarts, permaneceram na oposição.

Jorge III desejava governar pessoalmente, pelo que fez uso de todas as prerrogativas que ainda lhe restavam como rei, e levou intencionalmente os tories ao poder, uma vez assegurada a sua submissão. O fracasso, porém, da guerra contra as colônias que constituiriam os Estados Unidos, a que teve de conceder a independência (Tratado de Versalhes, 1783), provocou uma reação tão intensa da opinião pública que o rei não pôde senão renunciar ao regime pessoal com um gabinete dócil e chamou para o governo William Pitt, conhecido como o segundo Pitt, já que seu pai, whig, dirigira a política exterior do país por ocasião da guerra dos sete anos. Aos 24 anos, Pitt desfrutava de uma popularidade excepcional; reformou seu partido, o dos tories, reduziu a corrupção parlamentar e reorganizou as finanças.

Guerras napoleônicas

A revolução francesa foi assistida com pavor, do outro lado do canal. Em fevereiro de 1793 irrompeu a guerra entre a França republicana e a Grã-Bretanha. A antiga rivalidade comercial e política entre as duas potências reavivou-se e deu início a um período de lutas quase ininterruptas até a derrota definitiva de Napoleão em Waterloo, em junho de 1815. O esforço econômico britânico foi enorme, já que o Reino Unido financiou sistematicamente seus aliados no continente europeu, sofreu a perda de mercados devida ao bloqueio continental, decretado por Bonaparte, e teve de manter uma poderosa esquadra e colossais forças terrestres.

Ainda assim, conseguiu em Trafalgar (1805), destruir definitivamente as forças francesa e espanhola, o que transformou os mares de todo o mundo, como se disse na época, num "lago britânico". Depois de 1808, o Brasil, ainda colônia portuguesa, e as colônias espanholas_na América foram abertos ao tráfego de mercadorias britânicas. O Reino Unido apoderou-se, também, da maior parte das colônias francesas e holandesas na Ásia, África e América. Quando a estrela de Napoleão se eclipsou, o Reino Unido era já árbitro da Europa e dono de boa parte do resto do mundo.

Revolução industrial

Antes que em qualquer outro país, produziu-se na Grã-Bretanha o fenômeno econômico que foi chamado de "revolução industrial" e que consistiu na passagem de uma forma de elaboração de bens artesanal e em pequena escala, próprio das sociedades antigas, para um processo de produção em massa com custos muito inferiores, característico dos tempos modernos. Ocorreram na Grã-Bretanha as condições ideais para que isso ocorresse, pois o capital acumulado pelo comércio em todo o mundo ficou nas mãos de classes altas e médias ainda muito influenciadas pelo puritanismo e que, em vez de malbaratá-lo ou investi-lo em bens suntuários, puderam aplicá-lo no sistema produtivo, para financiar os novos processos idealizados ao longo do século XVIII.

A circunstância de ser o subsolo britânico rico em carvão propiciou a construção de altos-fornos que utilizavam coque, enquanto o resto da Europa continuava a obter ferro com fornos artesanais de carvão de lenha. O ferro e aço baratos permitiram a criação da máquina a vapor (James Watt, 1769), que, esgotados os escassos recursos hidráulicos disponíveis na planície inglesa, proporcionou a força adequada para impulsionar os novos teares semi-automáticos do final do século, assim como para promover os transportes (barcos e trens a vapor), no princípio do século seguinte.

No campo, o cercamento praticamente completo de todos os terrenos motivou a ruína dos pequenos camponeses, que tiveram de vender suas terras aos grandes proprietários e emigrar para as cidades, onde engrossaram a reserva de mão-de-obra barata para a indústria nascente. Os grandes proprietários também passaram a ver suas terras como unidades produtivas de cunho industrial e dedicaram-se à melhoria sistemática de espécies agrícolas e pecuárias. Experimentaram novos sistemas de rotação das culturas e máquinas que lhes fizeram multiplicar a produtividade, numa espécie de revolução agrária. Em resumo, o avanço econômico e tecnológico de meio século em relação à Europa continental permitiu ao Reino Unido triunfar sobre Napoleão e transformar-se em potência hegemônica mundial.

A escandalosa vida privada e a índole autoritária de Jorge IV, rei de 1820 a 1830, debilitaram o prestígio da monarquia. A falta de representatividade no Parlamento tornou-se insustentável, a miséria da crescente classe operária acentuou-se e somente as revoluções que em 1830 irromperam no continente mobilizaram a parte mais lúcida da minoria whig dirigente para empreender uma reforma das leis eleitorais, que se realizou em 1832.

Poucos anos antes haviam sido suspensas as restrições que pesavam sobre os católicos. A partir da reforma estiveram representadas no Parlamento, junto às classes altas, boa parte das classes médias, embora de modo algum os operários e camponeses, que constituíam a grande maioria da população. Foi nessa fase que os whigs começaram a denominar-se liberais, e os tories, conservadores. Guilherme IV, que reinou entre 1830 e 1837, embora pouco dotado de qualidades pessoais, prestou-se melhor que seu pai às reformas liberalizantes.

Era vitoriana

Os primeiros anos do longo reinado de Vitória -- de 1837 a 1901 -- se caracterizaram por ásperas cisões sociais e grande depressão econômica, além do aparecimento de várias organizações extra-parlamentares, entre elas a que formaram os cartistas, responsáveis pela agitação social ocorrida no país entre 1838 e 1850. A tudo e a todos, porém, soube enfrentar a rainha, que acabou por conduzir a Inglaterra a um clima de esplendor jamais visto em toda a sua história. Em 1876 ela adotou o título de imperatriz da Índia.

O império colonial, dividido pelo Mediterrâneo, Ásia, África, América e Oceania, ergueu-se como um sistema econômico sólido -- a espinha dorsal, então, do capitalismo moderno --, que pulsava ao compasso do poderoso coração da metrópole, cada vez mais rica e industrializada.

O livre-cambismo foi progressivamente implantado depois da abolição, em 1846, das Leis do Trigo, que se revelou benéfica para a indústria, ao baratear a alimentação da classe operária. A Grande Exposição de 1851, bem como os jubileus de 1887 e 1897, mostraram ao mundo a nova face do império britânico, potência industrial e colonialista, cuja influência se estenderia a todos os continentes. Sucessivas reformas eleitorais levaram ao sufrágio universal masculino no final do século, ao mesmo tempo que desde 1870 a escolarização se tornou obrigatória. Benjamin Disraeli e William Ewart Gladstone, chefes respectivamente dos partidos Conservador e Liberal, revezaram-se no poder durante longo período.

Século XX: primeira guerra mundial

A morte da rainha Vitória deu lugar ao reinado de Eduardo VII, soberano de 1901 a 1910. Lentamente, o papel hegemônico do Reino Unido no mundo começou a ser desafiado por duas novas potências de rápido desenvolvimento, os Estados Unidos e o império alemão. Nos primeiros anos do século XX os movimentos feministas ganharam força no país e criaram-se novas leis sociais que limitavam a duração do trabalho e concediam benefícios e pensões.

Surgiu um forte debate sobre os projetos do governo liberal no sentido de criar uma contribuição tributária progressiva. O triunfo dos liberais, em 1911, marcou a divisão de poderes da Câmara dos Lordes (mediante o Estatuto do Parlamento), que praticara todos os tipos de manobras de obstrução.

Os sindicatos tornaram-se cada vez mais poderosos e, às vésperas da primeira guerra mundial, o Partido Trabalhista começou a influir decisivamente no jogo político. A Eduardo VII, sucedeu Jorge V (1910-1936).
Em 4 de agosto de 1914 o Reino Unido declarou guerra à Alemanha. Os triunfos iniciais dos alemães obrigaram ao envio de milhões de britânicos à frente francesa, enquanto a esquadra inglesa se viu em dificuldades para controlar os oceanos devido à guerra submarina praticada pela Alemanha. Medidas de austera política econômica e controle governamental, inimagináveis anos antes, foram postas em prática.

De 1915 em diante, formou-se um governo de coalizão composto de conservadores, liberais e trabalhistas. A partir de 1916 tornou-se de fato obrigatório o serviço militar, que fora tradicionalmente voluntário, e em 1917 foi decretado o racionamento. Vencedor da guerra, o Reino Unido viu-se ao final desta muito enfraquecido, com enormes dívidas para com os Estados Unidos e ultrapassado por estes na qualidade de potência mundial.

Período de entreguerras

A rebelião da Irlanda, em 1916, obrigou o Reino Unido a enfrentar o problema da ilha desde o fim da guerra. Dividida em duas partes, em 1921 a maior delas converteu-se no Estado Livre da Irlanda, primeiro sob a soberania nominal da coroa britânica e mais tarde como república independente. A recessão do pós-guerra elevou o número de desempregados, que chegou a mais de dois milhões e meio. Em 1924 assumiu o poder uma coalizão de liberais e trabalhistas, dirigida por James Ramsay MacDonald, que empreendeu diversas reformas sociais, mas foi logo desalojada pelo governo de Stanley Baldwin, conservador, cujo empenho em devolver à libra o padrão-ouro de antes da guerra originou uma queda dos salários e ampla greve geral.

Em 1931, por causa da crise econômica mundial, um governo de liberais e trabalhistas abandonou definitivamente o padrão-ouro. A criação da Comunidade Britânica de Nações (British Commonwealth of Nations, ou simplesmente Commonwealth) estava relacionada com a tentativa de formar um mercado fechado a outros países por uma barreira protecionista. Eduardo VIII (1936) preferiu abdicar para se casar com uma americana divorciada e foi sucedido por Jorge VI, rei de 1936 a 1952. Novos governos conservadores (ministérios Baldwin, 1935-1937, e Neville Chamberlain, 1937-1940) sucederam-se até o começo da segunda guerra mundial.
A política de pacificação levada a cabo pelo primeiro-ministro Chamberlain nos acordos de Munique, em 1938, não pôde conter as ânsias expansionistas da Alemanha nacional-socialista, que no ano seguinte invadiu a Polônia, desencadeando a guerra.

Segunda guerra mundial

Depois de um ano de imobilidade nas várias frentes, a Alemanha empreendeu uma ofensiva repentina que envolveu as tropas aliadas. A França pediu o armistício e o Reino Unido permaneceu, mal armado, sozinho frente à potência totalitária que dominava o continente europeu. Um gabinete de unidade natural, presidido por Winston Churchill, conseguiu, com a ajuda material dos Estados Unidos, conter Adolfo Hitler até que este atacou também a União Soviética, em junho de 1941. Foram os tempos da dura resistência, sustentada sobretudo pelos heróis da Royal Air Force (RAF), na "batalha da Inglaterra".

No final de 1941, dois novos fatores mudaram o rumo da guerra, em prejuízo da Alemanha: o início da resistência soviética e a entrada dos Estados Unidos no conflito. Apesar do reforço japonês, os aliados derrotaram os alemães, mas o Reino Unido, embora vitorioso, pagara um preço elevadíssimo em perdas econômicas e humanas. Londres e outras cidades ficaram parcialmente destroçadas pelos bombardeios, e a autoridade britânica, no império, se enfraquecera.

O Reino Unido depois da segunda guerra mundial

Nas eleições de 1945, triunfou o Partido Trabalhista. O governo de Clement Attlee (1945-1951) instaurou com rapidez o "estado do bem-estar" (welfare state), bastante ambicioso: redistribuiu a renda e, em 1947, concedeu a independência à Índia e ao Paquistão.

No princípio da década de 1950, com a ajuda dos Estados Unidos, o sistema econômico britânico já estava completamente restabelecido. O Reino Unido aderiu ao Conselho da Europa, ao Tratado de Bruxelas e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), sempre como aliado, em tudo, dos Estados Unidos.
As eleições de 1951 levaram ao poder os conservadores, que o mantiveram até 1964, e em 1952 a rainha Elizabeth II, filha de Jorge VI, ascendeu ao trono. Presidiram os sucessivos gabinetes Winston Churchill (1951-1955), Anthony Eden (1955-1957), Harold MacMillan (1957-1963) e Alexander Douglas-Home (1963-1964).

O Reino Unido orientou sua política externa de costas para a Europa, empreendeu uma política de rearmamento com a aquisição da bomba atômica em 1955 e não se integrou então à Comunidade Econômica Européia (CEE), criada pelo Tratado de Roma em 1957. Os tempos de grandeza e isolamento, no entanto, já se haviam passado.
O rápido crescimento econômico dos países da Europa continental logo os fez alcançar e sobrepujar os níveis alcançados pela economia britânica. Uma tentativa tardia de incorporação à CEE foi frustrada pela oposição do presidente francês Charles de Gaulle. Em 1964, os trabalhistas, liderados por Harold Wilson, subiram ao poder.
A situação econômica que Wilson tinha de enfrentar era inquietante.

O Reino Unido já estava sendo chamado "o doente da Europa"

As enérgicas medidas econômicas não bastaram para erguer a economia britânica, e os conservadores, liderados por Edward Heath, em 1970 assumiram de novo o poder. Heath conseguiu a admissão do Reino Unido, junto com a Irlanda e a Dinamarca, na CEE, em janeiro de 1973. A partir de 1969, expandiu-se um forte movimento terrorista na Irlanda do Norte (Ulster), cuja situação obrigou o Parlamento britânico a assumir o governo direto da região em 1972. O problema irlandês e a crise econômica levaram de novo ao poder o Partido Trabalhista, em fevereiro de 1974. Harold Wilson demitiu-se em março de 1976 e seu companheiro de partido James Callaghan ocupou-lhe o lugar.

As eleições de 3 de maio de 1979 deram de novo o leme aos conservadores, encabeçados por Margaret Thatcher, primeira mulher a ocupar a chefia de governo na história britânica. Thatcher pôs em marcha uma política liberal: reduziu os impostos, ampliou a margem de atuação da iniciativa privada e limitou alguns serviços sociais. Em 1981, o Partido Trabalhista dividiu-se, o que fez surgir o novo Partido Social Democrático, posteriormente aliado ao bastante fragilizado Partido Liberal. Em 2 de abril de 1982 o governo militar argentino levou a efeito uma tentativa de recuperar as ilhas Malvinas (Falkland) e outros arquipélagos menores do Atlântico sul em poder do Reino Unido.

A reação britânica foi dura

Em junho daquele ano a frota e os fuzileiros enviados para a região impuseram a rendição dos soldados argentinos deslocados para as ilhas. O conflito, que se desenrolou principalmente em confrontos navais, causou a morte de mais de mil militares argentinos e 250 britânicos. A euforia nacionalista que se seguiu foi aproveitada por Thatcher para convocar novas eleições, que seu partido ganhou por ampla maioria. Cinco anos depois, o triunfo conservador nas eleições realizadas em 11 de junho de 1987 fez de Margaret Thatcher o primeiro estadista britânico capaz de vencer três eleições consecutivas. Thatcher, chamada "a dama de ferro", perdeu terreno nos anos seguintes, por causa do caráter recessivo de sua política econômica e fiscal.

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Quando, em 1990, foi derrotada no primeiro turno das eleições internas de seu partido, renunciou ao cargo e o lugar de primeiro-ministro passou para seu correligionário, John Major, que enfrentou tanto uma áspera agitação social, sobretudo em 1992, como o recrudescimento do terrorismo por parte do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra os unionistas da Irlanda do Norte. Contudo, Major se manteve no poder com a vitória de seu partido nas eleições de abril de 1992.

Em 1993 o Partido Conservador, dividido, acabou por aprovar o Tratado de Maastricht, em torno da união européia, e, em 1994, Major entrou em acordo com a Irlanda sobre o direito de a Irlanda do Norte decidir sobre seu futuro. No final de agosto, o IRA manifestava sua histórica decisão de suspender a luta armada e o unionismo fez progressos inesperados.

Instituições políticas

O Reino Unido é uma monarquia constitucional hereditária e uma democracia parlamentar. A constituição está só parcialmente expressa em textos escritos, e é flexível, como o prova sua lenta e pacífica modificação ao longo de séculos. A chefia do estado cabe ao monarca, e a do governo, ao primeiro-ministro, que é o chefe do partido político que tenha conseguido a maioria da Câmara dos Comuns.

A soberania cabe ao Parlamento, composto pela coroa, pela Câmara dos Lordes e pela Câmara dos Comuns. A separação de poderes não é radical, como em outros sistemas, já que a maioria parlamentar a que pertence o primeiro-ministro costuma portar-se de modo sumamente disciplinado quanto a seu voto. O monarca tem a faculdade de nomear primeiro-ministro, mas ao longo de quase três séculos tem-se limitado a atribuir esse cargo ao líder da maioria parlamentar.

O primeiro-ministro nomeia cerca de uma centena de colaboradores entre os membros das câmaras pertencentes a seu partido. Destes, um número restrito forma parte do gabinete, outros comparecem às reuniões do gabinete em ocasiões em que se tratará de temas de sua competência, e um número ainda maior forma o grupo dos chamados junior ministers, com cargos menos importantes, e sem acesso às reuniões do gabinete. O primeiro-ministro, além de presidir o gabinete, informa semanalmente ao monarca sobre a marcha dos assuntos de estado e prepara o discurso da coroa, que o rei pronuncia na sessão de abertura do Parlamento.

Para que uma lei possa entrar em vigor, tem de contar com a aprovação das duas câmaras e do monarca. Depois de sofrer sucessivos cortes em seus poderes, porém, a Câmara dos Lordes não pode fazer mais do que retardar a entrada em vigor de uma lei aprovada pelos Comuns, e não se concebe que o monarca se negue a assinar uma lei aprovada pelo Parlamento.

A Câmara dos Lordes compreende mais de 1.200 membros, alguns hereditários e outros vitalícios. A Câmara dos Comuns exerce o verdadeiro poder dentro do Parlamento, embora na prática suas atribuições legislativas tenham sido reduzidas pela crescente preponderância do primeiro-ministro e seu gabinete, que exercem a iniciativa legislativa na maior parte dos casos. Seus 651 membros são eleitos, em geral a cada cinco anos, em circunscrições uninominais, o que tem o efeito de concentrar o poder em uns poucos partidos.

O Reino Unido tem vivido, ao longo de séculos, sob um regime praticamente bipartidário. O monarca pode dissolver a Câmara dos Comuns antes de se cumprir o prazo máximo de cinco anos, mas na prática é o primeiro-ministro quem exerce tal poder. As instituições judiciais britânicas são bastante diferentes das existentes no resto do continente europeu. As resoluções judiciais baseiam-se fundamentalmente no direito consuetudinário (common law), estabelecido pela jurisprudência anterior. O mais alto tribunal de recursos do reino é constituído pela Câmara dos Lordes e, particularmente, por nove lordes nomeados por convocação. Princípios jurídicos que se tornaram universais, como o habeas-corpus, foram aplicados pelos tribunais britânicos antes que em qualquer outro país. O princípio da segurança jurídica do indivíduo foi adotado, no Reino Unido, quando no resto da Europa imperavam monarquias absolutas.

Sociedade

Nível de vida e classes sociais. O Reino Unido é um país desenvolvido, de economia de mercado. A distribuição da renda, que em princípios do século XX era muito desigual, passou por um período de nivelamento depois da segunda guerra mundial e, na segunda metade do século, apresentava menores desigualdades que na maior parte da Europa ocidental, o que não impediu um "êxodo de talentos", principalmente para os Estados Unidos, onde cientistas e dirigentes de empresas obtinham melhor remuneração.

A renda média dos britânicos, embora tenha aumentado de forma constante desde a segunda guerra mundial, não cresceu no mesmo ritmo dos demais países da Europa ocidental. No fim da década de 1980, chegou mesmo, pela primeira vez, a ser inferior à italiana e ainda abaixo de dois terços da alemã ou da francesa. A qualidade de vida, contudo, é elevada, como resultado da preocupação com o meio ambiente, do elevado nível das tradições culturais e outras razões semelhantes.

Embora as distâncias econômicas entre as classes tenham diminuído sensivelmente depois da segunda guerra mundial, continuava a existir certo classismo social, que se manifesta na particularidade dos diferentes sotaques das diversas camadas sociais e culturais. A importância social que o sotaque ainda possui no Reino Unido é difícil de ser entendida pelos não-britânicos.

Os poderosos sindicatos britânicos estão organizados no Trade Unions Congress, que em meados do século XX conseguiu uma significativa influência política, embora seu poder tendesse a diminuir durante o governo de Margaret Thatcher. A maior parte dos sindicatos está ligada ao Partido Trabalhista. A Confederação da Indústria Britânica (Confederation of British Industry, CBF) agrupa um grande número de organizações empresariais. Existem também numerosos tribunais e comitês de conciliação e arbitragem.

Saúde e assistência social

O sistema de assistência médica e previdenciária do estado é muito desenvolvido. Foi no Reino Unido que teve origem o conceito de estado do bem-estar. Em 1948 fundou-se o Serviço Nacional de Saúde, que proporciona cuidados médicos, hospitalização, remédios etc., na maior parte dos casos completamente gratuitos, a todos os cidadãos britânicos. Nada menos que 98% dos médicos do país encontram-se incorporados pela saúde pública, embora existam consultórios e clínicas particulares.

O sistema de seguridade social também é muito abrangente e proporciona aposentadorias, subsídios de desemprego etc. As autoridades locais estão obrigadas por lei a proporcionar habitações em condições mínimas para os habitantes de suas jurisdições, e grande número de britânicos vive em moradias de aluguel construídas pelas autoridades municipais e subvencionadas em parte pelo estado. O costume de socializar o solo urbano favoreceu preços relativamente baixos.


Sistema educacional

O ensino é obrigatório e gratuito entre os 5 e 16 anos de idade. Numerosos centros de ensino privado coexistem com os públicos. Cerca de um terço dos britânicos tem acesso ao ensino superior, o que faz do Reino Unido um dos países de maior nível educacional do mundo. O analfabetismo praticamente não existe e o índice de leitura de livros e publicações periódicas é bastante alto. Entre os centros de ensino superior, sobressaem as antigas universidades de Oxford e Cambridge.

Religião

De forma aproximada, pode-se dizer que a Inglaterra é majoritariamente anglicana, a Escócia, presbiteriana, e Gales, metodista, enquanto na Irlanda do Norte predominam as várias denominações protestantes sobre os católicos. Há, contudo, minorias importantes de outras confissões cristãs nos quatro países. A Igreja Católica possui força e prestígio ela pertencem 10% dos habitantes do Reino Unido.

Os anglicanos somam um pouco mais de 50%. As religiões não-cristãs contam com uma quantidade de adeptos bem menor que as cristãs. A comunidade judaica é numerosa nas grandes cidades, enquanto muçulmanos e hindus contam-se em bom número entre os imigrantes recentes. Uma grande parcela da população declara-se agnóstica. 

Cultura

Poucos países têm legado ao acervo cultural da humanidade uma contribuição tão importante como a que proporcionaram os pensadores britânicos. Talentos como Thomas Hobbes, Thomas Moore e John Stuart Mill em ciências políticas, Adam Smith, David Ricardo, John Maynard Keynes em economia, e Francis Bacon, Isaac Newton, John Locke, George Berkeley, David Hume e Bertrand Russell na matemática, nas ciências e na filosofia, são só uma pequena parte da relação de pensadores universais que nasceram no Reino Unido. Geoffrey Chaucer, William Shakespeare, John Milton, Jonathan Swift e muitos outros fizeram da literatura britânica um dos maiores tesouros da cultura universal.

Música

Desde suas origens, o Reino Unido prestigiou a criação musical. Compositores significativos já apareceram no século XIV, tempo da ars nova, como no caso de John Dunstable. Nos séculos XVI e XVII, de alta música religiosa e madrigalista, imortalizaram-se figuras como William Byrd, Thomas Morley, John Dowland e Henry Purcell, fundador da ópera inglesa. O italianismo, no século seguinte, provocou a célebre reação nacionalista da ópera-balada, de que é exemplo The Beggar's Opera (A ópera do mendigo) de John Christopher Pepusch e John Gay, contrapartida satírica à presença do gênio de Haendel, magnificamente bem-sucedido na Grã-Bretanha.
Na primeira metade do século XIX, é importante a personalidade de John Field, sobretudo no desenvolvimento da música para piano. Do fim do século XIX em diante, o panorama se enriqueceu com a light opera de Arthur Sullivan, cujo nome está ligado ao de William Gilbert, com a obra orquestral e coral de Edward Elgar, o impressionismo de Frederick Delius e a vasta atividade criadora de Vaughan Williams.

A modernidade, algo metafísica na fantasia astral de Gustav Holst, e elegíaca na música de câmara de Frank Bridge atinge um fascínio crescente na obra vocal e instrumental de Benjamin Britten, sobretudo em sua ópera Peter Grimes (1945).

Arquitetura

A invasão normanda do século XI levou para a ilha os estilos artísticos do continente. Construíram-se numerosas igrejas e catedrais românicas, de estreita semelhança com as que pouco antes se haviam erguido na Normandia francesa. Salientam-se, entre estas, as catedrais de Gloucester, Norwich e Durham. Logo se começaram a construir abóbadas de ogivas cruzadas e desenvolveu-se o estilo gótico, no início muito semelhante ao do norte da França, mas que a partir do século XIII (catedral de Salisbury) começou a ganhar características peculiares, como o gosto por abóbadas estreladas de grande complexidade de formas e, principalmente, o acentuado sentido de verticalidade.

A nave da capela do King's College, de Cambridge, a capela do New College de Oxford e a capela do Rei na abadia de Westminster são amostras representativas do gótico inglês. A paixão dos arquitetos britânicos pelo estilo gótico, então, tornou-se tradicional. Em meados do século XVI desenvolveu-se o estilo Tudor, que, sem abandonar as estruturas góticas, incorporou elementos renascentistas.

No século XVII triunfaram, com grande atraso em relação ao continente, as formas arquitetônicas neoclássicas, que se mantiveram simples e despojadas, já que o barroco europeu contemporâneo apenas penetrou na Grã-Bretanha. Sir Christopher Wren foi autor de grande número de edificações na Londres que teve de reconstruir depois do grande incêndio de 1666. A catedral de São Paulo, de Londres, com magnífica cúpula e um pórtico dórico, é a obra mais representativa da época. O século XVIII também encaminhou as preferências para o gosto clássico. Numerosos edifícios e palácios inspiraram-se nos trabalhos de Andrea Palladio.

O século XIX conheceu uma arquitetura eclética, com numerosas edificações de estilo neoclássico e uma renovação da tradição gótica, de que é exemplo o edifício do Parlamento. Mais que a arquitetura, porém, foi a engenharia britânica que brilhou nesse século, com o emprego de novos materiais e a realização de obras públicas gigantescas. O palácio de Cristal e as grandes pontes metálicas são criações estupendas da época vitoriana.
Pintura. Nos séculos XVI e XVII não houve pintores nem escultores britânicos de destaque. As obras culminantes na pintura do primeiro período foram os retratos de Hans Holbein o Jovem, e no segundo, os de Antoon van Dyck, ambos estrangeiros. No século XVIII, contudo, ocorreu o nascimento de uma escola pictórica verdadeiramente britânica: William Hogarth, Joshua Reynolds, Thomas Gainsborough e Richard Wilson foram os grandes nomes da época.

Os três primeiros continuaram a tradição britânica do retrato, e os dois últimos criaram uma escola de paisagística. William Turner e John Constable seriam os grandes paisagistas britânicos do século XIX, sobressaindo o primeiro como precursor do impressionismo. Por volta de 1850 irrompeu o grupo de pintores pré-rafaelitas, que introduziram em suas obras uma carga de simbolismo inspirado muitas vezes no primeiro Renascimento italiano. Entre eles encontravam-se Dante Gabriel Rossetti, John Everett Millais e William Holman Hunt. Edward Burne-Jones, William Morris e Aubrey Breadsley, já no fim do século, são considerados modernistas. Morris fundou em 1861 o movimento Arts and Crafts, que renovou profundamente as artes decorativas.

Durante o século XX, as artes plásticas britânicas permaneceram geralmente à margem das vanguardas internacionais até os últimos decênios. As revoluções estéticas iniciadas pelo cubismo foram mais tarde recebidas nas ilhas. Figuras de expressão indiscutível na escultura, contudo, foram Barbara Hepworth, Henry Moore e Reg Butler. Na pintura, distinguiram-se ainda nomes como Augustus John, Ben Nicholson, Paul Nash, Sir Stanley Spencer, Graham Sutherland, Francis Bacon, David Hockney e muitos outros.
Cinema. Londres foi uma das cidades em que o cinema deu seus primeiros passos. Depois da fase do pioneirismo, de Robert William Paul, George-Albert Smith e James Williamson, seguiu-se um período de influência fortemente teatral, histórica e literária, marcado, já, pela penetração do cinema americano.

A paisagem social e humana do Reino Unido só se firmou nas telas a partir dos documentários do escocês John Grierson e outros diretores. Depois da segunda guerra mundial, o drama, no cinema, já se mostrou propriamente inglês sob a direção de David Lean, John Boulting ou Anthony Asquith. Com as comédias da companhia Ealing ou o retorno à dramaturgia, embora de excelente qualidade, o cinema inglês não se renovou, o que só aconteceu a partir da década de 1950, com cineastas como Lindsay Anderson, Karel Reisz, Jack Clayton e Tony Richardson -- realizador de Tom Jones (1963). Entre outros cineastas surgidos depois, destacaram-se John Schlesinger, Bryan Forbes, Desmond Davis, Ken Russell e Richard Lester. O maior cineasta britânico do período foi, porém, o americano Joseph Losey.

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