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Enchentes no Brasil

Enchentes no Brasil, que ocorrem principalmente no verão, e os problemas causados por elas ganharam proporções ainda maiores com a urbanização desordenada do espaço do país.

As enchentes ocorrem durante o período chuvoso.
As enchentes ocorrem durante o período chuvoso.
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Enchentes no Brasil têm se tornado cada vez mais frequentes. Elas ocorrem durante o período chuvoso, que se estende entre os meses de outubro e março, quando o volume de água no leito dos rios aumenta consideravelmente e dá origem a esse fenômeno.

Embora naturais e recorrentes, as enchentes representam um grande problema para muitos municípios brasileiros e podem gerar perdas irreparáveis para as populações atingidas. Inúmeros eventos de grandes proporções já foram registrados na história do Brasil, e o mais recente ocorreu entre os anos de 2021 e 2022.

Saiba mais: Chuva ácida — fenômeno atmosférico que ocorre em países com elevado nível de industrialização

Tópicos deste artigo

Resumo sobre enchentes no Brasil

  • As enchentes são fenômenos naturais potencializados pela urbanização desordenada, que teve lugar no Brasil a partir da segunda metade do século XX.
  • São um problema que atinge milhões de pessoas em todo o país.
  • Têm como consequência danos materiais, prejuízos financeiros e à saúde e, em casos mais extremos, mortes por afogamento.
  • Podem ser evitadas por medidas como:
    • construção de diques e barreiras de contenção nas margens dos rios e de piscinões para o armazenamento de água;
    • reflorestamento das margens dos rios;
    • planejamento urbano adequado e educação ambiental.
  • Com as mudanças climáticas, extremos climáticos são mais frequentes, o que favorece a recorrência das enchentes no Brasil.

Quais as diferenças entre enchente, alagamento e inundação?

A utilização dos termos enchente, alagamento e inundação como sinônimo é bastante comum, mas é preciso lembrar que eles não fazem referência a um mesmo fenômeno e, portanto, não são equivalentes.

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→ Enchente

A enchente é um processo natural. Quando a vazão de um rio aumenta depois de uma forte chuva, por exemplo, o nível de água tende a superar a capacidade do leito menor do rio. Com isso, ela extravasa para o leito maior, chegando ao seu limite máximo, mas sem transbordar. Esse processo corresponde ao período de cheia de um rio.

→ Inundação

A inundação, assim como a enchente, faz parte de um ciclo natural do curso d’água. Nesse caso, a água extravasa o leito do rio e atinge a sua planície de inundação, conhecida também como várzea.

→ Alagamento

O alagamento diz respeito ao acúmulo de água nas áreas urbanas. Essa água é derivada tanto das cheias dos rios, no caso de cidades próximas a eles, quanto de chuvas volumosas. Esse acúmulo de água se dá devido:

  • ao sistema de drenagem deficitário;
  • à baixa permeabilidade do solo.

Quais as causas das enchentes no Brasil?

Enchente é um fenômeno natural que ocorre quando a água que corre em um rio atinge o limite máximo do leito menor e passa para o leito maior, mantendo-se ainda dentro do canal. Embora se trate de uma ocorrência natural, quando há o incremento da vazão em um curso d’água, as enchentes podem se intensificar.

Essa intensificação ocorre como consequência das ações do ser humano sobre a natureza, trazendo assim uma série de danos à sociedade. Encontramos, em ambos os casos, os motivos pelos quais as enchentes acontecem no Brasil. O principal deles (mas não o único) é a forma como decorreram o processo de urbanização no país e, consequentemente, a expansão das cidades.

Em meados do século XX, a industrialização e a modernização do campo tiveram como consequência o êxodo rural, que consiste na migração definitiva de indivíduos da zona rural para a zona urbana. Com isso, as cidades brasileiras passaram por um intenso processo de crescimento.

No entanto, a maior parte das cidades não estava preparada, uma vez que não havia uma boa infraestrutura básica para o crescimento delas. Dessa forma, classifica-se o processo de urbanização brasileira como acelerado e desordenado, uma vez que decorreu sem qualquer tipo de planejamento para receber o novo aporte populacional.

Soma-se a isso o fato de que muitas pessoas que se mudaram para as áreas urbanas não tinham condições de adquirir casas em áreas centrais, onde os imóveis eram mais caros, deslocando-se então para onde os terrenos ou os alugueis eram mais baratos. Essas regiões consistem nas áreas periféricas e nos terrenos de maior risco, como encostas de morros e várzeas de rios.

Com o passar do tempo, a área urbana se expandiu e chegou também a essas parcelas da cidade até então pouco povoadas. Um exemplo de expansão urbana que transcorreu tal como descrito é o da cidade de São Paulo, que possui hoje a maior população urbana do Brasil e enfrenta constantemente problemas associados a enchentes e alagamentos.

O crescimento das cidades brasileiras da forma como ocorreu implicou profundas transformações no uso da terra. A falta de planejamento urbano e intervenções inadequadas ou feitas de forma incorreta no espaço intensificaram os alagamentos e os efeitos prejudiciais das enchentes. Podemos dizer, portanto, que as causas das enchentes nas cidades do Brasil estão atreladas:

  • à impermeabilização do solo em função do aumento das áreas asfaltadas;
  • à canalização dos rios, alterando o seu trajeto natural (apesar disso, o comportamento natural de cheias e o extravasamento das águas não se alteram, e as áreas ao seu redor estão sujeitas à ocorrência de enchentes e inundações);
  • ao desmatamento e remoção da mata ciliar;
  • aos sistemas de drenagem inadequados, com bocas de lobo e bueiros em menor quantidade do que o ideal para o escoamento da água das chuvas;
  • ao descarte inadequado do lixo, causando o entupimento das vias de escoamento da água em caso de chuvas intensas e enxurradas;
  • à ocupação de áreas suscetíveis à inundação, como as margens de rios, que potencializam as consequências das enchentes para aqueles que nelas se instalam.

Confira nosso podcast: Problemas ambientais urbanos

Como evitar as enchentes no Brasil?

O Brasil apresenta um vasto número de cidades construídas nas margens de rios, localizadas tanto na faixa litorânea quanto no interior do país. Estão suscetíveis à ocorrência de enchentes por esse motivo a já mencionada cidade de São Paulo e outras capitais, como:

Já outras cidades, sendo o principal exemplo Belo Horizonte, mesmo com rios canalizados, estão suscetíveis a esse problema. Desse modo, medidas para evitar enchentes, ou minimizar os seus efeitos, são, cada vez mais, necessárias para evitar desastres de maiores proporções, como ocorreu em municípios do sul da Bahia no ano de 2022. Algumas dessas medidas são:

  • Contenção da água: no período de cheias dos rios, evita que a água chegue até áreas ocupadas, podendo ser concretizada com a construção de diques ou barragens nas margens dos cursos d’água.
  • Construção de piscinões: é uma alternativa para o armazenamento da água que extravasa para a várzea, já que os piscinões são grandes reservatórios de água.
  • Efetivação do desassoreamento dos rios: remove o excesso de sedimentos no fundo do leito e aumenta a sua profundidade e, consequentemente, a capacidade de conter um maior volume de água.
  • Construção de bueiros e bocas de lobo: promovendo a existência um maior número de bueiros e bocas de lobo nas cidades, amplia a capacidade de escoamento das águas das chuvas e evita o acúmulo em áreas urbanas.
  • Realização da coleta de lixo: dando ao lixo um destino adequado, além de conscientizar a população sobre o descarte do lixo nas lixeiras públicas e áreas reservadas para tal, também evita o acúmulo nas áreas urbanas.
  • Efetivação do reflorestamento das margens dos rios: sendo feita nas margens dos rios urbanos e das áreas urbanas, melhora a infiltração de água no solo.

Além disso, o monitoramento dos eventos e os sistemas de alerta já presentes em muitas cidades e regiões metropolitanas brasileiras são de extrema importância para, na impossibilidade de evitar as enchentes, uma tomada rápida de decisão e ação do poder público para a redução de potenciais danos materiais e pessoais.

Quais as consequências das enchentes no Brasil?

As consequências das enchentes no Brasil dependem de diversos fatores:

  • a duração das cheias que as provocaram;
  • o volume das chuvas;
  • a duração das chuvas;
  • o tamanho da população que vive na(s) área(s) atingida(s) etc.

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018, com base em dados do último Censo Demográfico (2010), mostrou que existem 27.660 áreas de risco no Brasil, a maioria delas nos estados do Sudeste, sobretudo Minas Gerais. O número de pessoas que vivem em áreas sujeitas a desastres naturais e suscetíveis a problemas como enchentes é de 8,2 milhões em todo o território nacional.

Alguns dos principais impactos das enchentes nas cidades brasileiras:

  • danos materiais como destruição de automóveis e vias públicas; perda de móveis, eletrodomésticos, documentos, objetos pessoais etc.;
  • prejuízos financeiros e aos circuitos econômicos, principalmente na agricultura, no caso de perda de lavouras, por exemplo;
  • destruição de casas, o que implica inúmeras pessoas desabrigadas e desamparadas;
  • transmissão de doenças por meio da água suja que invade residências, vias públicas e edificações ou mesmo que entra em contato com alimentos;
  • em casos mais graves, mortes por afogamento ou pelo desabamento de imóveis.

Veja também: Inversão térmica — problema ambiental característico de centros urbanos devido à concentração de poluição

As enchentes no Brasil têm sido mais frequentes?

As enchentes têm ocorrido com maior frequência nas cidades brasileiras nos últimos tempos. Fenômenos climáticos e atmosférico oceânicos nos auxiliam a compreender o motivo pelo qual as fortes chuvas e os alagamentos e enchentes são, cada vez mais, recorrentes no território nacional, como é o caso do La Niña e do El Niño, que afetam periodicamente diferentes regiões do país. Entretanto, junto desses e outros fenômenos se encontram o aquecimento global e as mudanças climáticas dele decorrentes.

Dois homens andando distantes um do outro em uma rua inundada.
Mudanças climáticas têm favorecido a ocorrência de eventos extremos, como chuvas muito intensas em um curto espaço de tempo, causadoras de enchentes.

As transformações provocadas pelo aumento da temperatura do planeta tornaram cada vez mais comuns o acontecimento de eventos extremos, como é o caso das chuvas muito intensas e volumosas em um curto espaço de tempo. Essas chuvas são as responsáveis pelas enchentes e pelos alagamentos em diversos municípios brasileiros e, em função do seu volume excepcional, provocam estragos e perdas de grandes proporções.

Quais foram as maiores enchentes ocorridas no Brasil?

O período chuvoso na maior parte do território nacional, que se estende entre os meses de novembro e dezembro até março, marcando assim o verão, é caracterizado pela ocorrência de enchentes e alagamentos em diversos estados e municípios. Alguns deles chamam a atenção pelas dimensões e pelos danos causados à população atingida.

Os meses finais de 2021 e o início de 2022 foram atípicos no Brasil. As chuvas que acometeram as regiões Nordeste e Sudeste foram mais volumosas e intensas do que o esperado para o período, mesmo sob a vigência do sistema La Niña, e por isso provocaram muitos estragos nos municípios das regiões. No sul da Bahia, 175 cidades foram atingidas por fortes chuvas e enchentes de grandes proporções, decretando-se estado de emergência. O número de desabrigados foi de mais de 27 mil pessoas, além de 153 feridos e 26 mortos.|1|

As fortes chuvas provocaram enchentes e alagamentos em cidades de Minas Gerais que foram atingidas, ainda, por enchentes decorrentes do rompimento de barragens. Um total de 145 municípios, a maioria na região metropolitana de Belo Horizonte, decretou estado de emergência.|2|

A população de Minas Gerais vivenciou uma situação semelhante em 2020, com chuvas, até então recordes para o período, que deixaram 256 municípios em situação de emergência e vitimaram diretamente 74 pessoas, além de 53 mil entre desabrigados e feridos.

Algumas das piores enchentes do Brasil ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro. Em 2011, as fortes chuvas que atingiram a região ocasionaram grandes deslizamentos de terra e enchentes, deixando 900 pessoas mortas em quatro cidades, além de 35 mil desabrigados. Essa foi a pior tragédia do tipo ocorrida no Brasil. Esse evento trágico superou o ocorrido em Caraguatatuba (SP), no ano de 1967, quando as cheias dos rios e os deslizamentos causaram a morte de 436 pessoas.

Também em 2011, a cidade de São Luís do Paraitinga ficou submersa, deixando quatro mil pessoas desabrigadas de um total de 11 mil habitantes. Em 2008, 60 municípios do estado de Santa Catarina, na região Sul do Brasil, foram atingidos por enchentes e deslizamentos de terras. O número de pessoas desalojadas chegou a 80 mil, além de 150 vítimas fatais.|3|

Notas

|1| G1 BA. Governo da Bahia diz que EUA preparam nova ajuda humanitária no valor de U$ 40 mil para vítimas das enchentes no estado. G1, 13 jan. 2022. Disponível aqui.

|2| JORNAL NACIONAL. Sobe para 145 os municípios em Minas Gerais em situação de emergência por causa das enchentes. G1 / Jornal Nacional, 10 jan. 2022. Disponível aqui.

|3| Dados referentes às tragédias ocorridas entre 1967 e 2020 retirados de: CARVALHO, Cleide. Tragédias como as da Bahia já ocorreram anteriormente no país; relembre as maiores. O Globo, 27 dez. 2021. Disponível aqui.

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Enchentes no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/as-grandes-enchentes-no-brasil.htm. Acesso em 18 de maio de 2022.

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