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Desmatamento

Geografia

Desmatamento é atualmente um dos maiores desafios da humanidade. Crescente em muitas regiões do planeta, a retirada da cobertura vegetal tem preocupado o mundo todo.
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Desmatamento, também chamado de desflorestamento, consiste na retirada da cobertura vegetal parcial ou total de um determinado lugar. Enquanto alguns enxergam essa prática como uma ação necessária ao suprimento das necessidades do ser humano, outros apontam o desmatamento como um dos maiores problemas ambientais da atualidade. A retirada da cobertura vegetal está relacionada a diversas causas, como a urbanização, mineração e expansão do agronegócio, e seus impactos são inúmeros.

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Causas do desmatamento

A exploração dos recursos naturais acontece desde os primórdios da humanidade. Contudo, na medida em que a sociedade desenvolveu-se, essa exploração intensificou-se, colocando em risco o equilíbrio do planeta e comprometendo o suprimento das gerações futuras.

A questão do desmatamento tomou grandes proporções a partir da Revolução Industrial. A introdução de novas tecnologias (que proporcionaram o aumento da produção industrial) e o consumo (que aumentou consideravelmente) fizeram com que diversas florestas temperadas e tropicais fossem devastadas, a fim de atender a essa nova demanda.

Os países industrializados apresentaram, durante esse período, maiores taxas de desmatamento. Com o passar dos anos, essas taxas começaram a cair nesses países e a aumentar nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.

O desmatamento pode ser atribuído a diversas atividades, sendo essas, em sua maioria, antrópicas. A retirada da cobertura vegetal está relacionada, por exemplo, com a expansão do agronegócio; com o extrativismo animal, vegetal ou mineral; com a necessidade de explorar matéria-prima para atividades de todos os setores da economia; com a urbanização referente ao aumento das cidades; e também com atividades ilegais que envolvem queimadas propositais e até mesmo exploração de áreas de conservação para fins pessoais, como especulação fundiária.

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A expansão do agronegócio é considerada uma das principais causas do aumento do desmatamento no mundo todo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), só na América Latina, a expansão da agricultura e da pecuária comercial é responsável por aproximadamente 70% do desmatamento.

Dados da FAO revelam que a prática agrícola, por meio das produções em escala industrial, e a pecuária, por meio do aumento dos pastos extensivos, fomentam o desmatamento em vários países do mundo.

Essa questão tem gerado diversas polêmicas, pois o agronegócio é o carro-chefe da economia de diversos países. Portanto, muitos justificam o desmatamento como necessário ao suprimento das necessidades humanas, como a produção de alimentos. Contudo, segundo o relatório O estado das florestas do mundo, de 2016, lançado pela FAO, aponta que não é necessário desmatar florestas para produzir alimentos. É necessário, ao invés de expandir as áreas agrícolas retirando as florestas, intensificar a atividade agrícola e as medidas de proteção social.

Saiba também: O rompimento da barragem de Brumadinho: conheça os impactos gerados

Consequências do desmatamento

Uma das principais consequências do desmatamento é o aquecimento global.
Uma das principais consequências do desmatamento é o aquecimento global.

Assim como as causas do desmatamento são muitas, suas consequências são proporcionais. Apesar de muitos acreditarem que se trata de um “mal necessário” para a manutenção do bem-estar social, especialmente com a questão da agropecuária e do extrativismo, que são atividades essenciais ao desenvolvimento de um país, a questão do desmatamento tomou proporções jamais vistas, colocando em risco todo o equilíbrio biológico do planeta Terra.

As principais consequências estão relacionadas ao meio ambiente e a tudo que lhe diz respeito. Ao desmatar, compromete-se toda a biodiversidade da área. Espécies da fauna perdem seu habitat e espécies da flora podem entrar para a lista de ameaças à extinção e assim causar um enorme desequilíbrio ambiental, prejudicando até mesmo as atividades primárias, das quais dependem muitas famílias, e também a economia, como a caça, a agricultura e a pecuária.

A retirada da cobertura vegetal também agrava a questão das mudanças climáticas. Além do aumento das emissões de gases poluentes à atmosfera que tem agravado o efeito estufa e o aquecimento global, o desmatamento também é considerado um dos fatores responsáveis pelas alterações no clima. Os anos estão cada vez mais quentes, e o aumento da temperatura da Terra tem causado inúmeros danos aos ecossistemas e também à saúde humana.

Outra questão diretamente ligada ao desmatamento está relacionada às alterações provocadas no solo, bem como nos recursos hídricos. Retirar a vegetação de uma determinada área favorece o processo de erosão do solo, pois é a cobertura vegetal que auxilia na infiltração da água da chuva. Portanto, sem ela, a água escorre sobre o solo, provocando deslizamentos e a erosão. A retirada da vegetação próxima a áreas de cursos d'água também provoca deslizamentos de terra, que se deposita nos rios, provocando então o assoreamento.

Todas essas questões convertem para o bem-estar e a qualidade de vida de todos os seres vivos no planeta. Todos nós dependemos das florestas, seja para a produção de oxigênio, seja para o fornecimento de matéria-prima para a produção de itens essenciais à vida. Se acabamos com esse recurso natural, obviamente somos nós que sofreremos diretamente as consequências. E isso já tem sido observado.

Diversos recursos naturais estão acabando, comprometendo as gerações futuras. O clima tem sofrido mudanças sentidas em todas as partes do mundo. E exatamente por essas questões, o desmatamento tem sido apontando como um dos maiores desafios da atualidade.

Desmatamento no mundo

O desmatamento no mundo tem diminuído com os esforços de alguns países para reflorestar suas áreas.
O desmatamento no mundo tem diminuído com os esforços de alguns países para reflorestar suas áreas.

O desmatamento é uma questão de ordem mundial. De acordo com dados fornecidos pelo Observatório Mundial das Florestas, a devastação das florestas alcançou cerca de 29,7 milhões de hectares no mundo todo em 2016, um aumento de quase 51% comparado a 2015. Os principais contribuintes desse aumento foram os incêndios florestais, como os que ocorrem em Portugal e na Califórnia (EUA), e também a expansão da agricultura, do extrativismo vegetal e da mineração.

Só em 2018, segundo os dados da Global Forest Watch, o mundo perdeu cerca de 12 milhões de hectares de florestas tropicais, o que equivale a quase 30 campos de futebol por minuto. A World Resources Institute (organização não governamental ambientalista dos Estados Unidos) divulgou dados que mostram também os países que mais desmataram florestas primárias (correspondentes à vegetação em seu estado original e não ao resultado de reflorestamento).

A lista dos países que mais desmataram é liderada pelo Brasil e seguida por países como a República Democrática do Congo, Indonésia, Colômbia, Bolívia e Malásia. Brasil e Indonésia, juntos, desmataram aproximadamente 46% das florestas tropicais no mundo em 2018. Acredita-se que esse aumento do desmatamento tem prejudicado os esforços para conter o aquecimento global.

Paralelamente, alguns países têm diminuído suas taxas de desmatamento. Entre 2010 e 2015, a diminuição do desmatamento mundial foi para cerca de 33 mil quilômetros quadrados líquidos, segundo a FAO. Esse é o resultado obtido entre a devastação das áreas e o reflorestamento. Anualmente são perdidos cerca 76 mil quilômetros quadrados, compensados por 43 mil quilômetros quadrados de reflorestamento.

A Indonésia, por exemplo, tem se esforçado para preservar as suas florestas primárias, conseguindo reduzir, de 2018 até os dias atuais, cerca de 40% do desmatamento nessas áreas. O Ministro do Meio Ambiente da Indonésia alegou o esforço do país para garantir o cumprimento das leis nacionais de política ambiental, punindo e alertando empresas.

Noruega, que desmatou cerca de 10 milhões de m3 em seu território desde 2014, reflorestou aproximadamente 25 milhões de m3. A atitude de reflorestar contribui para que o país compensasse cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa à atmosfera. Outro exemplo é a Alemanha, que desmatou 58 mil hectares de florestas, entre os anos de 2002 e 2012, e reflorestou cerca de 108 mil hectares.

Brasil também havia demonstrado redução de desmatamento, entre os anos de 2010 e 2011, para 20 mil quilômetros quadrados devastados, 20 mil a menos que os registros de anos anteriores. No entanto, atualmente, o cenário modificou-se novamente. As taxas de desmatamento voltaram a subir, e esse assunto será abordado no tópico seguinte.

 

Desmatamento no Brasil

Como dito, o Brasil lidera o ranking mundial de desmatamento de florestas primárias, especialmente nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. No ano de 2017, o país devastou 45 mil km², demonstrando que o país tornou a aumentar suas taxas de desmatamento que haviam caído.

Segundo o Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do Brasil, divulgado em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o país perdeu cerca de 7,5% da sua cobertura vegetal. A área de vegetação do país era de 4.017.505 km2 em 2000. Esse número caiu para 3.719.801 km2 em 2016.

Esse levantamento também mostra que mais de 62.000 km2 da área do país sofreram alterações entre os anos de 2014 e 2016. A perda da vegetação acompanhou o ritmo acelerado da expansão das áreas agrícolas (especialmente em estados da região Norte, como Rondônia, Amazonas e Pará) e de pastagens próximas ao bioma Amazônia.

O monitoramento do desmatamento no país é feito oficialmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e por algumas organizações independentes, como o Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon).

Leia também: Biomas brasileiros: características de cada uma delas

Desmatamento na Amazônia

O aumento do desmatamento na Amazônia alcançou proporções alarmantes.
O aumento do desmatamento na Amazônia alcançou proporções alarmantes.

O desmatamento da Amazônia tem provocado um grande pesar no mundo todo. A região de maior biodiversidade do planeta tem sofrido com o aumento do desmatamento e preocupado representantes de diversos países, assim como inúmeras organizações ambientais, considerando que a Amazônia é responsável pelo equilíbrio ambiental não só do Brasil mas do mundo todo.

Segundo estudos divulgados por pesquisadores da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, publicados na revista Nature Sustainability, a Amazônia brasileira perdeu 400 mil km² de suas florestas, área essa maior que o território da Alemanha, entre os anos de 2000 e 2017.

O Inpe divulgou, em 2019, novos dados a respeito da perca da cobertura vegetal no bioma. Esses dados apontam que o desmatamento aumentou em 278% no mês de julho comparado a julho do ano anterior. Foram devastados, só nesse período, cerca de 2.254,9 km² de florestas. Os dados são levantados pela Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora instantaneamente o desmatamento na região da Amazônia.

O aumento entre 2018 e 2019 foi de 49,5%, com relação ao período entre 2017 e 2018. A devastação está relacionada com o aumento das áreas destinadas à agropecuária; com a interferência na infraestrutura, como a de transporte; com a construção de hidrelétricas; com a mineração; e com os incêndios criminosos.

Desmatamento no Cerrado

O Cerrado, assim como a Amazônia, tem sofrido com a intensificação do desmatamento. De acordo com dados divulgados pelo Inpe em 2018, o bioma perdeu cerca de 6.657 km², 11% a menos que em 2016 e 33% a menos que o registrado em 2010.

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, atrás apenas da área ocupada pela Amazônia. Apesar da redução da taxa de desmatamento nos últimos anos, é preciso ressaltar que a perca da vegetação do bioma já chega a 51%. Esse desmatamento é associado ao avanço do agronegócio. Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), em 15 anos, o desmatamento do Cerrado foi superior ao praticado na Amazônia.

Desmatamento na Mata Atlântica

Sem dúvidas, o bioma Mata Atlântica é o que mais sofreu com a devastação no Brasil, e é no país o único bioma que possui legislação especifica, uma contradição. De acordo com o SOS Mata Atlântica, esse bioma, que cobria cerca de 15% do território brasileiro, possui apenas 1% da sua mata original. Seu desmatamento já chegou a 92%. Nele se encontra o maior número de espécies ameaçadas.

Dados apresentados pelo SOS Mata Atlântica apontam que o desmatamento do bioma caiu cerca de 9,8% entre os anos de 2017 e 2018, se comparado ao período entre 2016 e 2017. Em 2018 foram desmatados cerca de 113 km². Alguns estados alcançaram o desmatamento zero (desflorestamento abaixo de 100 hectares), como Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco e São Paulo. Isso demonstra que os governos têm se esforçado para cumprir as leis que protegem as áreas compreendidas pelo bioma.

Contudo, de acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, alguns estados ainda apresentam elevadas taxas de desmatamento do bioma, como Minas Gerais, Paraná, Piauí, Bahia e Santa Catarina. A devastação nessas áreas está associada a atividades como a produção de carvão, a plantação de soja e a indústria de celulose.

Veja também: Como recuperar a Amazônia?

Como conter o desmatamento

Conter o desmatamento parece óbvio: basta não desmatar. No entanto, essa não é uma questão tão simples. Sabemos que muitos países colocam, à frente dos seus patrimônios ambientais, questões econômicas. É importante ressaltar que, sim, o agronegócio é fundamental para o desenvolvimento de uma economia, bem como para o suprimento alimentar do mundo. Entretanto há de buscar-se uma maneira sustentável de desenvolvimento, e esse é atualmente um dos maiores desafios da humanidade.

Estamos provocando um colapso ambiental por meio das atividades humanas, e o desmatamento é uma das questões que, como dito, possuem inúmeras consequências. Como afirmado pela FAO, não há necessidade de expandir as áreas voltadas à produção agrícola, mas sim a de intensificar a produção, de modo que as leis ambientais sejam asseguradas.

Segundo o Estado das Florestas do Mundo 2016 (Sofo, sigla em inglês), o incentivo da administração pública a iniciativas privadas que aliam o recebimento de créditos quando as normas ambientais são cumpridas é um dos caminhos para o combate ao desmatamento. De acordo também com o Sofo, países melhoraram sua segurança alimentar mantendo sua cobertura vegetal, desde 1990. Isso significa que não há necessidade de desmatar para que se produza a quantidade de alimentos necessária.

Veja também: 10 atitudes que podem salvar o planeta

Com relação ao Brasil, Paulo Barreto, engenheiro florestal da Imazon, apontou algumas medidas necessárias para conter o desmatamento. Confira alguns exemplos:

  • Políticas de fiscalização e controle devem ser efetivas;

  • Cobrança do imposto rural, a fim de evitar a especulação fundiária;

  • Expansão da moratória da soja para o Cerrado. A moratória da soja é um acordo setorial entre produtores e compradores de soja que se comprometem a não comprar soja produzida em áreas desmatadas;

  • Fechamento do mercado para carne de procedência ilegal, ou seja, provinda de áreas devastadas;

  • Subsidiar crédito apenas para quem cumpre as leis ambientais, ou seja, quem desmatar não tem direito ao crédito para produzir;

  • Reflorestar.


Por Rafaela Sousa
Graduada em Geografia

A retirada da cobertura vegetal é um dos maiores problemas ambientais no mundo.
A retirada da cobertura vegetal é um dos maiores problemas ambientais no mundo.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUSA, Rafaela. "Desmatamento"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/o-desmatamento.htm. Acesso em 16 de outubro de 2019.

Assista às nossas videoaulas
Lista de Exercícios
Questão 1

Observe a tirinha a seguir de Maurício de Souza:

O desmatamento e o progresso
O desmatamento e o progresso

Na tirinha, apresenta-se uma crítica à noção de progresso vinculada:

a) à ideia de sustentabilidade e suas consequências.

b) ao conceito de expansão florestal desordenada.

c) à adoção continuada do reflorestamento progressivo.

d) à ausência de uma política de desenvolvimento sustentável.

e) ao ideário de que a vegetação resiste ao avanço das atividades humanas.

Questão 2

O desmatamento é, sem dúvidas, uma das maiores preocupações atuais da humanidade, pois o seu avanço poderá intensificar o processo de remoção da cobertura vegetal do planeta. Podemos identificar como consequências do desmatamento todas as alternativas a seguir, exceto:

a) o aumento do efeito estufa

b) a diminuição da biodiversidade

c) a elevação desproporcional da umidade

d) o maior desgaste do solo

e) o assoreamento de rios e lagos

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