Região Norte

Geografia do Brasil

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A região Norte é bastante conhecida por dois aspectos principais: é a maior região do Brasil em termos de extensão territorial e é a que concentra a maior biodiversidade graças à existência da Floresta Amazônica. Mais da metade dessa floresta está localizada no território brasileiro.

Devido à presença da floresta, é na região Norte que percebemos a grande influência que a paisagem natural possui sobre as ocupações humanas no espaço geográfico. A existência de comunidades ribeirinhas e o uso com frequência de rios para o transporte de pessoas e/ou cargas podem exemplificar essa influência.

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Estados da região Norte

Apesar de ser a maior do país, a região Norte não concentra o maior número de estados. São eles:

Estados

Capitais

Gentílico

Acre

Rio Branco

Acriano

Amapá

Macapá

Amapaense

Amazonas

Manaus

Amazonense

Pará

Belém

Paraense

Rondônia

Porto Velho

Rondoniense ou rondoniano

Roraima

Boa Vista

Roraimense

Tocantins

Palmas

Tocantinense

Dados gerais da região Norte

Veja agora alguns dados estatísticos dessa região, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Esses dados são de 2019.

  • Área territorial: 3.853.575,6 km², o que resulta em, aproximadamente, 45% do território brasileiro.

  • População: 18.430.980 habitantes.

  • Rendimento domiciliar per capita (em reais): 950,00

  • Densidade demográfica: 4,73 habitantes por km²

  • Índice de Desenvolvimento Humano|1|: 0,683

  • Taxa de mortalidade infantil|1|: 20,97

  • Produto Interno Bruto (em reais)|1|: 201.511.748.000,00

Mapa da região Norte.
Mapa da região Norte.

Breve histórico da região Norte

A história do Brasil mostra-nos que, no início da colonização portuguesa, as ocupações humanas estavam concentradas nas faixas litorâneas. Por conto disso, somente no século XVII é que a região Norte começou a ser ocupada pelos colonizadores, por meio de incentivos do governo português, com a instalação de um forte militar na foz do Rio Amazonas. Essa ocupação deu origem à cidade de Belém, no Pará.

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No século XVIII, houve dois tipos de ocupações: as religiosas, para catequização dos nativos, e as militares, para defender o território nacional.

Já nos séculos XIX e XX, novas moradias começaram a surgir por motivos econômicos e sociais, devido à exploração da borracha, no interior da Amazônia, e com a imigração japonesa, concentrada no estado do Pará.

A exploração da borracha no século XIX foi fundamental para o povoamento da região Norte, pois, com a Segunda Revolução Industrial e o processo de vulcanização, tal matéria prima tornou-se essencial na economia brasileira, tornando-se o segundo produto mais exportado do país no fim do século XIX e início do XX, atrás apenas do café.

A extração do látex foi um dos fatores que desencadeou o povoamento da região Norte.
A extração do látex foi um dos fatores que desencadeou o povoamento da região Norte.

A borracha enriqueceu um pequeno grupo de pessoas que se concentrava na cidade de Manaus, porém a extração do látex nas seringueiras para a confecção da borracha atraiu muita gente, principalmente nordestinos que iam para a Amazônia devido à seca e em busca de melhor qualidade de vida. Desse modo, podemos dizer que grande parte da região Norte é fruto de imigrantes que buscavam enriquecimento rápido com as riquezas da Floresta Amazônica.

Clima da região Norte

O Norte do país é a única região brasileira cortada pela Linha do Equador. Com isso, grande parte do clima dessa região é o equatorial, além de ser encontrado o clima tropical continental.

O clima equatorial é presente em todos os estados, exceto em algumas áreas do Tocantins, Pará e Roraima. Bastante quente e chuvoso, esse clima permite-nos dizer que não há inverno como nas outras regiões do Brasil. Já o clima tropical continental, encontrado nos trechos em que o equatorial não alcança, tem duas características bem definidas: um inverno seco e um verão chuvoso.

A localização da região Norte permite-nos dizer que o clima nessa localidade é bem homogêneo, não sofrendo muitas variações. A média termal está entre 25 ºC e 27 ºC.

Três fatores tornam a região Norte a mais chuvosa do país: sua proximidade com a Linha do Equador, a grande e densa Floresta Amazônica e os vários rios de grande extensão (caudalosos) que ali estão. Assim, devido à alta temperatura e à floresta, a evaporação é mais intensa, formando nuvens durante o dia que geram chuvas no fim da tarde, o que chamamos de chuvas de convecção. Dessa forma, os estados com maior concentração de pluviosidade são o Amazonas e o Pará.

A densidade da floresta somada às altas temperaturas e aos grandes rios tornam a região Norte a mais chuvosa do país.
A densidade da floresta somada às altas temperaturas e aos grandes rios tornam a região Norte a mais chuvosa do país.

Contudo, há um período do ano em que ocorre o fenômeno friagem. Durante o inverno, entre maio e junho, frentes frias oriundas do Sul e do Sudeste do Brasil penetram no sudoeste da região Norte, baixando as temperaturas para até 14 ºC. Esse fenômeno costuma durar, no máximo, uma semana.

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Relevo da região Norte

Em relação ao relevo, grande parte da região Norte apresenta baixas altitudes, excetuando as áreas de fronteira com as Guianas e a Venezuela. Nessa área, há a incidência de planaltos que chegam até 3000 m de altitude, como o Pico da Neblina, ponto mais alto do país localizado na fronteira com a Venezuela, no estado do Amazonas.

Há também a presença de depressões, superfícies mais baixas em relação às áreas vizinhas. Esse tipo de relevo predomina na região Norte. Dentre as depressões nomeadas pelos geólogos, podemos citar a depressão norte-amazônica e a depressão sul-amazônica. A altitude dessas depressões não ultrapassa 300 m.

No leito do rio Amazonas, encontramos a sua planície, que acompanha todo o rio e alguns de seus afluentes. Planícies são áreas geralmente planas e de baixa altitude.

Hidrografia da região Norte

A hidrografia da região Norte abrange duas bacias hidrográficas do Brasil: a bacia hidrográfica amazônica e a bacia hidrográfica Tocantins-Araguaia.

A primeira corresponde a 45% do território brasileiro e banha os seguintes estados: Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima e o estado do Mato Grosso, no Centro-Oeste.

O rio da dá nome à bacia, o rio Amazonas é o maior da região e do mundo em volume de água, o que mostra sua grande importância para todos que estão ao seu redor. Esse rio nasce nas montanhas do Peru e deságua no Pará, atingindo o oceano Atlântico.

Quando entra em território brasileiro, o rio Amazonas recebe o nome de rio Solimões. Quando ele se encontra com o rio Negro, forma uma paisagem magnífica devido ao contraste das águas. Após esse encontro, volta a ser chamado de Amazonas.

Encontro das águas do rio Negro com o rio Solimões.
Encontro das águas do rio Negro com o rio Solimões.

Devido ao seu tamanho, o rio Amazonas possui muitos afluentes, alguns com mais de 1000 km, como o rio Madeira, o rio Juruá e o rio Tapajós, além do rio Negro e o rio Jari.

Durante a cheia do rio Amazonas e a maré alta do oceano Atlântico, há o fenômeno conhecido como pororoca, resultante do encontro dessas águas nesses períodos. Esse fenômeno atrai turistas de todos os cantos do país, pois é típico daquela região.

Já a bacia Tocantins-Araguaia banha dois estados na região Norte: Tocantins e Pará. É a segunda maior bacia hidrográfica do país e possui o sentido sul–norte. Assim, os rios que dão nome a essa bacia, rio Tocantins e rio Araguaia, nascem no Centro-Oeste, cruzam os estados do Tocantins e Pará até desaguarem no oceano Atlântico.

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Vegetação da região Norte

O destaque da região Norte nesse aspecto é a Floresta Amazônica. A intensidade de chuvas na região permite uma grande biodiversidade, com vegetação densa e sempre verde. É a maior floresta do mundo de regiões quentes, concentrando a maior biodiversidade terrestre do planeta.

Podemos citar algumas características dessa floresta:

  • variadas plantas;

  • espécies adaptadas ao clima úmido (higrófila);

  • árvores com folhas latifoliadas, isto é, grandes e largas;

  • tamanhos variados das árvores, que podem atingir mais de 30 m de altura;

  • árvores muito próximas, o que garante uma vegetação fechada;

  • riqueza de matéria-prima, como madeira, piaçava e plantas medicinais.

Floresta Amazônica: sua riqueza é fonte de especulações industriais.
Floresta Amazônica: sua riqueza é fonte de especulações industriais.

Essa riqueza natural gera especulações das grandes indústrias. O desmatamento na floresta é um dos maiores do mundo, gerando grande preocupação entre os estudiosos. Isso porque o solo da região é frágil e pouco fértil. A grande biodiversidade da floresta ocorre devido ao material orgânico depositado no solo, como folhas e restos de frutas, e à alta pluviosidade. A menor alteração nesse bioma pode levar a um erro irreparável.

Demografia da região Norte

A população da região Norte não cresceu de forma expressiva até os anos 1970, por ser uma região muito grande, e, até essa década, a comunicação era precária e havia pouco desenvolvimento econômico.

A partir de 1970, minérios foram descobertos, garimpos surgiram e o desmatamento foi intensificado pela agropecuária. Esses fatores geraram uma migração em massa para a região, que atualmente é a segunda em termos de taxa de crescimento demográfico, sendo a primeira a região Centro-Oeste.

De acordo com os dados do IBGE de 2019, a região Norte conta com pouco mais de 18 milhões de habitantes, porém sua população está mal distribuída. Por exemplo: o estado do Amazonas, maior da região, possui uma densidade demográfica de 2,23 hab/km², sendo essa a segunda menor da região, a menor está no estado de Roraima. Esses últimos dados são do IBGE, de 2010. Belém, capital do Pará, possui uma densidade demográfica de 1315 hab/km², dados do IBGE de 2010, o que reforça a desigualdade demográfica da região.

Vários fatores podem explicar essa distribuição irregular de pessoas, mas vamos citar apenas dois: o primeiro é a vegetação. Grande parte da região é ocupada pela Floresta Amazônica, o que impede algumas áreas de serem ocupadas. O segundo fator é a presença da população ribeirinha, que vive na beira dos rios, ao longo de suas margens.

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Principais atividades econômicas

Para incentivar a economia e o povoamento da região, na década de 1960 foram criados alguns órgãos governamentais responsáveis pelo estímulo econômico no Norte do Brasil. Dentre eles podemos destacar a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Esta última corresponde a um grande polo industrial, idealizado em 1967 e localizado em Manaus, que abriga grandes multinacionais, propiciando um enorme desenvolvimento industrial e geração de empregos para a região.

Esse polo concentra três tipos de atividades: comercial, agropecuária e industrial (a mais forte de todas). De acordo com a Suframa, existem mais de 600 indústrias no polo e uma geração de mais de 500 mil empregos, diretos e indiretos. As áreas de produção industrial que se destacam são: eletroeletrônicos (celulares, TVs), duas rodas (motocicletas) e química (produção de matéria-prima para refrigerante). Além disso, coexistem com esse desenvolvimento industrial as atividades econômicas naturais, como agricultura, pecuária e extrativismo vegetal e mineral.

Na agricultura, podemos citar a produção de pimenta do reino, iniciada com os japoneses no início do século passado; e o cultivo da juta, uma espécie de árvore plantada na beira dos rios de que é extraída uma fibra vegetal utilizada na produção de tapetes e cordas. Além desses produtos, a região Norte é a maior produtora de fibras do país, sendo a juta e a malva plantas importantíssimas nesse processo.

Já a pecuária é desenvolvida de forma extensiva, com destaque para a pecuária bovina e a criação de búfalos. Esta última está concentrada no estado do Pará, em áreas alagadas, e corresponde a 68% da produção nacional.

Os extrativismos vegetal e mineral representam uma importante fonte de renda para a população local. No extrativismo vegetal, a força da extração de madeira está nos estados do Pará e do Amazonas. É produzida na região Norte uma grande variedade de palmito, açaí e outros vegetais das árvores locais.

A borracha ainda está presente nas atividades extrativistas, mas não com a força do início do século XX, pois vem perdendo espaço para a agropecuária. Além disso, a biodiversidade da floresta amazônica atrai a indústria farmacêutica na busca de medicamentos e plantas medicinais, além de oferecer cosméticos para a indústria da beleza.

A extração mineral iniciou-se ainda na década de 1950 como estratégia de povoamento da região pelo Governo Federal da época. Dentre os minérios encontrados na região Norte, podemos destacar:

  • manganês, no Amapá;

  • cassiterita, em Rondônia;

  • ferro, no Pará;

  • bauxita, no Pará;

  • níquel, no Pará.

  • ouro, em vários estados, mas com ênfase no Amazonas e no Pará.

O extrativismo mineral na região Norte é uma das bases econômicas de muitos estados, como o Pará. Nesse estado, temos a presença de ferro, na Serra dos Carajás, e do ouro, na Serra Pelada. Esta última área atraiu uma grande quantidade de garimpeiros na década de 1980, acelerando o desmatamento e a poluição nela.

Mina de extração de ferro na Serra dos Carajás, no estado do Pará.[1]
Mina de extração de ferro na Serra dos Carajás, no estado do Pará.[1]

Aspectos culturais da região Norte

A grande quantidade de imigrantes na região Norte faz com que haja nela uma grande diversidade cultural.

As duas festas mais populares da região ocorrem em junho, no estado do Amazonas, e no segundo domingo de outubro, no Pará. Em junho temos o Festival de Parintins. Esse festival reúne o evento do boi-bumbá e é marcado pela disputa artística do Boi Caprichoso, na cor azul, e do Boi Garantido, na cor vermelha. São três dias de festas, com várias apresentações das populações locais, carimbó e muita diversão.

No Pará, em outubro, temos o Círio de Nazaré, uma procissão religiosa católica na cidade de Belém em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. Essa procissão reúne católicos do mundo todo, sendo um dos eventos mais importantes para o catolicismo brasileiro.

Notas

|1| Dados são do Censo do IBGE de 2010.

Crédito da imagem

[1] T photography / Shutterstock


 Por Átila Matias
Professor de Geografia

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