A Região Sudeste é uma das cinco regiões em que o território brasileiro está dividido. Formada apenas por quatro estados e com área de 924.558,34 km2, essa é a região mais populosa do Brasil, com 84 milhões de habitantes. A composição natural da região Sudeste é resultado da combinação de diferentes climas, como o tropical atlântico, de altitude e típico, com as formas de relevo marcadas pela presença das serras do Mar e da Mantiqueira, além da vegetação de floresta e Cerrado. Economicamente, a região é destaque no cenário nacional, concentrando tanto serviços quanto indústrias de grande importância, além de ser uma das principais produtoras de petróleo do país.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre a região Sudeste
- 2 - Estados e capitais da região Sudeste
- 3 - Mapa da Região Sudeste
- 4 - História da região Sudeste
- 5 - Clima da região Sudeste
- 6 - Relevo da região Sudeste
- 7 - Hidrografia da região Sudeste
- 8 - Vegetação da região Sudeste
- 9 - Demografia da região Sudeste
- 10 - Principais atividades econômicas da Região Sudeste
- 11 - Cultura da Região Sudeste
Resumo sobre a região Sudeste
- A região Sudeste do Brasil é formada por quatro estados:
- Espírito Santo;
- Minas Gerais;
- São Paulo;
- Rio de Janeiro.
- Os climas da região Sudeste variam do tropical de altitude, registrado nos terrenos com elevação superior a 800 metros, ao tropical típico e semiárido em um pequeno trecho de Minas Gerais.
- Seu relevo é marcado pela presença de um conjunto de morros e serras, destacando-se a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira situados a leste, enquanto a oeste predominam planaltos e depressões.
- A vegetação da Mata Atlântica e do Cerrado são predominantes na composição natural da região Sudeste, além das formações litorâneas como manguezais e restingas.
- Fica no Sudeste a nascente do Rio São Francisco. A região abriga, ainda, outros importantes rios como o Grande, o Tietê e o Doce.
- O Sudeste tem uma população de mais de 84 milhões de habitantes, sendo, por isso, a região mais populosa do país.
- Os serviços são a base da economia da região Sudeste. A indústria automobilística, petroquímica e sucroalcooleira, além da metalurgia e siderurgia, também são atividades desenvolvidas na região.
- A produção primária da região Sudeste é voltada para a mineração, a exploração petrolífera e o cultivo de produtos como cana-de-açúcar, laranja, café e soja.
- Os povos indígenas, os africanos e os imigrantes europeus tiveram grande importância na composição da cultura da região Sudeste.
- A primeira cidade brasileira foi fundada no Sudeste, região que experimentou rápido processo de crescimento a partir do ciclo do ouro e, depois, do ciclo do café.
- O avanço da industrialização no Sudeste, em conjunto com o crescimento populacional e urbano, fez com que houvesse a formação de uma Região Concentrada. Hoje, essa é uma região de grande influência no território brasileiro.
Estados e capitais da região Sudeste
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Estado |
Capital |
Mapa da Região Sudeste
História da região Sudeste
A Região Sudeste, principalmente o seu litoral, era povoada por diferentes populações indígenas antes da chegada dos colonizadores portugueses, destacando-se a presença dos tupis, dos tapuias e dos jês. Como forma de assegurar domínio sobre o território, no ano de 1532 foi fundada a primeira cidade do Brasil: São Vicente, no litoral de São Paulo, por Martim Afonso de Souza.
Contudo, o centro político e econômico da Colônia ficava localizado na Região Nordeste do país, e o processo de ocupação do Sudeste aconteceu com maior intensidade somente a partir da descoberta do ouro em Minas Gerais no século XVII. Nesse ínterim, missões como as Bandeiras, que tinham como objetivo a captura de indígenas para escravização, foram as responsáveis pela interiorização da ocupação do território nacional nesse período, sendo muito comuns na região Sudeste.
O início da atividade mineradora no Sudeste alterou o centro de gravidade do Brasil Colônia. Houve um intenso movimento migratório para Minas Gerais, onde se formaram vilas que tinham economia baseada na exploração aurífera. A partir de 1763, a capital foi transferida da cidade de Salvador (BA) para o Rio de Janeiro (RJ), movimento esse que transformou a dinâmica socioespacial do país.
Pouco tempo mais tarde, no começo do século XIX, houve um rápido processo de modernização da capital fluminense em função da vinda da família real para o Brasil. Depois, em 1822, consolidou-se a independência do país, movimento que fez do Rio de Janeiro o centro político do Império.
A cidade manteve a importância para a história política do Brasil durante a Proclamação da República, que ocorreu no ano de 1889. Enquanto isso, a região Sudeste experimentava um processo de expansão urbana e industrialização incipiente a partir da abertura de algumas poucas manufaturas em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, a economia do século XIX foi marcada pelo ciclo do café e pelo incremento da infraestrutura da região, destacando-se a construção das estradas de ferro. Com o declínio da cafeicultura na década de 1930, o acúmulo de capitais proveniente dessa atividade permitiu o avanço da industrialização da região Sudeste.
É importante mencionar, ainda, o intenso fluxo de imigrantes europeus que aportaram na região Sudeste nesse período, após a proibição do tráfico de escravizados e, posteriormente, o fim da escravidão. O avanço da industrialização aliado com o crescimento populacional do Sudeste acabou criando a chamada Região Concentrada, que acumula também infraestrutura e serviços. Mesmo deixando de ser o centro político do país com a mudança da capital para o Centro-Oeste a partir da década de 1960, a região Sudeste manteve o seu alto poder de influência econômica, política e cultural no país.
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Clima da região Sudeste
Localizada mais distante da Linha do Equador e atravessada pelo Trópico de Capricórnio (23º27’ S), o clima da região Sudeste recebe influência da latitude, da maritimidade e, também, da altitude. A combinação desses fatores climáticos resulta na ocorrência de quatro diferentes tipos de clima. O primeiro deles pode ser encontrado nos litorais capixaba, fluminense e paulista, que é o tropical atlântico. A umidade e a baixa amplitude térmica anual são dois dos seus principais aspectos, sendo, ainda, marcado por duas estações do ano bem pronunciadas: invernos chuvosos e verões secos.
O clima tropical de altitude é identificado nas regiões serranas do Sudeste, compreendendo a maior parte do interior de São Paulo, a região centro-sul de Minas Gerais e o oeste dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Por conta da maior altitude, esse clima apresenta temperaturas amenas na maior parte do ano, variando entre 15 ºC e 22 ºC. Durante o inverno, que é a estação seca, as temperaturas ficam abaixo de 10º C, e há o registro de geadas.
Na maior parte do interior e oeste de São Paulo, centro-norte de Minas Gerais e noroeste do Espírito Santo, o clima predominante é o tropical típico. As temperaturas são elevadas durante o ano, enquanto as chuvas se concentram no verão e são mais escassas no inverno. Na parte mais ao norte do território mineiro é possível identificar a presença do clima semiárido, que é marcado pelo calor, pela baixíssima umidade do ar e por períodos prolongados de estiagem.
Relevo da região Sudeste
O relevo da região Sudeste do Brasil é marcado pela sua altitude, concentrando algumas das áreas de maior elevação do país. Para além das planícies litorâneas, as Serras do Mar e da Mantiqueira são as feições que caracterizam o relevo costeiro e da faixa interiorana imediatamente a oeste do litoral dos estados dessa região.
Ambas as formações pertencem ao domínio dos mares de morros, que é formado por terrenos acidentados e serras cuja elevação alcança até 2.891 metros, que corresponde ao Pico das Bandeiras, no Espírito Santo. O segundo ponto de maior altitude do Sudeste é o Pico das Agulhas Negras, localizado no Rio de Janeiro, 2.791 metros acima do nível do mar.
As serras da região Sudeste não se restringem às duas mencionadas. O estado de Minas Gerais conta com a maior extensão da Serra do Espinhaço, que se estende de norte a sul e chega até a Bahia, na região Nordeste, e a Serra da Canastra, que compreende o oeste mineiro, mais precisamente nas regiões do Alto Parnaíba e em parte do Triângulo Mineiro.
Indicando a alteração na estrutura geológica, especialmente no centro-oeste do estado de São Paulo, está uma depressão periférica, mais conhecida como Depressão Periférica Paulista, constituída por terrenos rebaixados com altitude média de entre 500 e 700 metros.
O oeste de São Paulo é uma área menos acidentada do estado, sendo caracterizada por terrenos aplainados que constituem os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, onde as elevações ficam em torno de 1.000 metros.
Hidrografia da região Sudeste
Tanto o relevo acidentado quanto o regime pluviométrico da Região Sudeste proporcionam a ela uma densa rede hidrográfica, formada por cursos d’água de grande importância para o abastecimento hídrico dos centros urbanos, para a geração de energia elétrica e, também, para o transporte de cargas. A hidrografia do Sudeste brasileiro pode ser estudada a partir das regiões (ou bacias) hidrográficas que se sobrepõem a ele. No caso, são quatro:
- Bacia do Paraná: formada por rios como aquele que dá nome a ela, o Rio Paraná, fundamental para o transporte fluvial e para a geração de eletricidade no país. Os rios Grande, Tietê e Paranapanema também estão inclusos nessa bacia que abrange quase todo o estado de São Paulo e a região do Triângulo Mineiro e Alto Parnaíba, em Minas Gerais.
- Bacia do São Francisco: abrange a maior extensão do estado de Minas Gerais. Nele, mais precisamente na Serra da Canastra, nasce o curso d’água principal dessa bacia, que é o Rio São Francisco. Ele corre na direção sul-norte e apresenta alto potencial hidrelétrico, que, no estado em questão, é aproveitado por meio de unidades como a Usina Hidrelétrica Três Marias, localizada a nordeste da cidade de Patos de Minas.
- Bacia do Atlântico Leste: contém a região leste de Minas Gerais e uma parcela do Espírito Santo. Ela é composta por cursos d’água como o Rio Jequitinhonha, que tem a sua nascente situada na parcela mineira da Serra do Espinhaço e deságua na região Nordeste.
- Bacia do Atlântico Sudeste: essa bacia abrange os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro em sua quase totalidade, além de parte de Minas Gerais e o litoral paulista. Nela estão inseridos rios como o Rio Doce, Paraíba do Sul e Itabapoana. Vale destacar que o primeiro deles foi atingido pela lama do rompimento da barragem de Brumadinho em 2019 e, até hoje, ainda apresenta resíduos poluentes que dificultam a sua recuperação completa.
Vegetação da região Sudeste
A vegetação do Sudeste é tão diversa quanto seus aspectos geomorfológicos e climáticos. Estando inserida em dois diferentes biomas brasileiros, essa região apresenta vegetação de floresta tropical e Cerrado.
A floresta tropical é a Mata Atlântica, presente na faixa costeira e predominante nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, além da maior parte de São Paulo. Devido a fatores históricos atrelados com os processos de urbanização e industrialização do Sudeste, essa região abriga um dos trechos mais devastados da Mata Atlântica, que foi desmatada para dar lugar às cidades e à infraestrutura urbana.
O Cerrado é outro bioma que está presente na Região Sudeste e cuja vegetação é identificada no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, especialmente onde o clima predominante é o tropical típico. Da mesma forma que a floresta tropical, o Cerrado apresenta elevado grau de devastação por causa do avanço das cidades e, ainda, pela intensa atividade agrícola que é desenvolvida na sua área de abrangência. Por causa disso, a vegetação nativa dá lugar a culturas como a da cana-de-açúcar e do café.
Além dessas duas coberturas predominantes, não podemos deixar de mencionar a vegetação litorânea que é encontrada na faixa costeira do Sudeste, a exemplo da restinga e dos manguezais.
Demografia da região Sudeste
Com 84.840.113 habitantes, a Região Sudeste é a mais populosa do Brasil. Ela concentra uma parcela de 41,7% da população brasileira. Além disso, a densidade demográfica é de 91,76 hab./km², mais de quatro vezes maior do que a do território brasileiro. Apesar disso, pode-se dizer que a distribuição populacional dessa região não acontece de forma homogênea e, por causa da forma com aconteceu a ocupação do país, ela se concentra no litoral e em áreas mais próximas dele. Além disso, as cidades do Sudeste abrigam 94,5% da sua população, o que corresponde a mais de 80 milhões de pessoas.
São Paulo é o estado mais populoso do Sudeste. Como podemos ver na tabela abaixo, a população paulista representa metade da regional, mais precisamente 52,3%. Além do estado, a sua capital também é a cidade com maior número de habitantes tanto na Região Sudeste quanto no Brasil, reunindo mais de 11,4 milhões de habitantes. Aliás, com exceção de Vitória (ES), todas as capitais do Sudeste aparecem no ranking das cidades brasileiras mais populosas. O segundo lugar é ocupado pelo Rio de Janeiro, enquanto Belo Horizonte ocupa a sexta posição.
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População dos estados da região Sudeste |
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Estado |
População |
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Espírito Santo |
3.833.712 |
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Minas Gerais |
20.539.989 |
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São Paulo |
44.411.238 |
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Rio de Janeiro |
16.055.174 |
Fonte: IBGE.
Principais atividades econômicas da Região Sudeste
A Região Sudeste apresenta a maior economia regional brasileira, sendo, hoje, centrada em atividades do setor terciário como o comércio e os serviços. A cidade de São Paulo, considerada uma metrópole global por causa da sua ampla rede de influência, concentra uma parcela significativa dos serviços bancários e financeiros da região, sendo onde fica a bolsa de valores brasileira.
A capital paulista abriga a sede de importantes empresas internacionais de segmentos diversos, assegurando a posição de um dos principais centros econômicos do país. Além do mais, polos tecnológicos e científicos estão presentes em cidades como Campinas, a 90 km de São Paulo, e São José dos Campos, localizada na região do Vale do Paraíba.
Por muitas décadas, a Região Sudeste concentrou a maior parte da produção industrial brasileira. Esse quadro se transformou a partir dos anos 1970, embora a indústria tenha mantido a sua relevância enquanto atividade econômica na região. Continuando no estado de São Paulo, temos a indústria automobilística localizada na região metropolitana na capital, principalmente nas cidades que compõem o ABCD Paulista (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema).
No interior do estado, o secundário está fortemente ligado ao setor primário. Então, a agroindústria, com foco no setor sucroalcooleiro, recebe destaque. A siderurgia e a metalurgia são segmentos igualmente presentes nos estados do Sudeste.
A indústria petroquímica do Sudeste ganhou ainda mais forças com o início da exploração do pré-sal em 2006. A exploração de petróleo e gás natural acontece principalmente na cidade do Rio de Janeiro, cidade onde fica a sede da Petrobras. Em Minas Gerais, a exploração de recursos minerais tem como produto o minério de ferro, obtido em maior volume na região do Quadrilátero Ferrífero. Passando para outras atividades do setor primário, a agropecuária do Sudeste é voltada para o cultivo de cana-de-açúcar, café, laranja, tomate e soja, assim como a produção de leite e derivados.
Cultura da Região Sudeste
A riqueza cultural da Região Sudeste é derivada das influências indígena, africana, europeia e asiática, muitas das quais foram sendo agregadas a partir dos movimentos migratórios que aconteceram durante os séculos XIX e XX. Os estados do Sudeste compartilham festas e celebrações tradicionais como a Folia de Reis, o Congado, a Festa do Divino, a Festa Junina e o Carnaval. O último, embora aconteça em todo o território nacional, tem muita visibilidade na cidade do Rio de Janeiro, onde os desfiles das escolas de samba são referência em todo o país.
Por falar em samba, esse é um ritmo que nasceu na Região Sudeste, mais precisamente no Rio de Janeiro. Assim sendo, as rodas de samba são muito comuns na cidade, da mesma forma que estilos como o funk, o chorinho, a bossa-nova e o pagode apresentam muita popularidade não somente entre os cariocas, mas em toda a Região Sudeste do Brasil. Além da música, o artesanato em cerâmica, a produção de rendas, a confecção de objetos em fibras e diferentes outras formas de trabalhos manuais são parte da expressão cultural da região Sudeste. A gastronomia do Sudeste é igualmente reconhecida pela sua variedade de sabores. Ela inclui o pão de queijo de Minas Gerais, o virado à paulista, a moqueca capixaba e a feijoada carioca.
Créditos da imagem
Luiz Barrionuevo / Shutterstock
Fontes
IBGE. Panorama do Censo 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/.
ROSS, Jurandyr L. Sanches. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2019. 6 ed. 3 reimp. (Didática; 3).
SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral e do Brasil, 7º ano: ensino fundamental, anos finais. São Paulo: Scipione, 2018.

