A Região Norte é uma das cinco grandes regiões do Brasil. Ela ocupa a maior extensão do território nacional, tendo área de 3.850.593,1 km², e faz fronteira com sete países e territórios sul-americanos. Além disso, é banhada pelo Oceano Atlântico a nordeste. São sete os estados que fazem parte da Região Norte do país, os quais apresentam aspectos socioeconômicos, geográficos e culturais semelhantes.
Por conta da localização, o clima predominante nessa região é o equatorial quente e úmido, que auxilia na manutenção da densa cobertura vegetal da Floresta Amazônica, a maior e mais biodiversa do mundo. Essa formação e a maior parte da Região Norte são banhadas pelas águas do Rio Amazonas e seus mais de mil afluentes, fundamentais para a navegação e o abastecimento doméstico. A paisagem natural é completa com o relevo formado por terrenos rebaixados e aplainados, com alguns trechos de planaltos, os quais coincidem com as localidades do Norte inseridas no Cerrado.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre a Região Norte
- 2 - Estados e capitais da região Norte
- 3 - Mapa da Região Norte
- 4 - História da região Norte
- 5 - Clima da Região Norte
- 6 - Relevo da região Norte
- 7 - Hidrografia da região Norte
- 8 - Vegetação da região Norte
- 9 - Demografia da Região Norte
- 10 - Principais atividades econômicas da Região Norte
- 11 - Cultura da Região Norte
Resumo sobre a Região Norte
- A Região Norte do Brasil é formada por sete estados:
- Acre;
- Amapá;
- Amazonas;
- Pará;
- Rondônia;
- Roraima;
- Tocantins.
- O clima predominante é o equatorial quente e úmido, além da presença do clima tropical típico em alguns trechos dessa região.
- Seu relevo é formado por depressões e planícies, apresentando baixas cotas altimétricas. Os planaltos estão localizados em regiões de fronteira internacional e no Tocantins.
- A região abriga a maior parte da Bacia do Amazonas, que é atravessada pelo Rio Amazonas. Outros importantes cursos d’água regionais são o Madeira, Xingu, Tocantins e Araguaia.
- A Floresta Amazônica é a vegetação com maior presença na Região Norte do Brasil. O Cerrado também está presente, principalmente no leste e na divisa com o Centro-Oeste.
- É a segunda região menos populosa do Brasil, com 17.354.884 habitantes. Seu estado com maior população absoluta é o Pará, onde vivem 8,1 milhões de pessoas.
- A Zona Franca de Manaus é um dos mais importantes polos industriais do Brasil. Na economia, o Norte também se destaca no extrativismo mineral e vegetal.
- Sua cultura apresenta elementos que são característicos dos indígenas, africanos, portugueses e outros brasileiros vindos de regiões como o Nordeste.
- A população indígena habitava o Norte muito antes dos portugueses instalarem fortes militares e realizarem missões religiosas na região durante os séculos XVI e XVII.
- No século XIX e início do XX, o Ciclo da Borracha teve grande importância para o crescimento econômico e populacional da região Norte.
Estados e capitais da região Norte
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Estado |
Capital |
Mapa da Região Norte
História da região Norte
A região Norte do Brasil era densamente povoada por nativos antes da colonização do país no século XVI. Mesmo com a chegada dos portugueses ao litoral brasileiro, algumas poucas expedições foram realizadas em outras áreas do país que não o Nordeste, tendo em vista a dificuldade de se explorar terras até então desconhecidas.
A densa rede hidrográfica da Região Norte certamente facilitou incursões em meio à vegetação nativa, as quais eram realizadas com o objetivo de se extrair da mata as chamadas drogas do sertão, que eram produtos naturais obtidos a partir da vegetação da Floresta Amazônica.
Embora a exploração das drogas do sertão tivesse sido muito comum ao longo dos séculos XVI e XVII, ela não foi suficiente para a ocupação efetiva da Região Norte pelos colonizadores. Contudo, os portugueses entendiam que era importante proteger a área contra invasores de outros países europeus que estavam interessados em anexar mais terras da América do Sul. Por isso, foram realizadas missões religiosas na região, ao mesmo tempo em que foram construídos fortes para a defesa territorial em áreas estratégicas, como próximo da foz dos principais rios locais, que permitiam observar o trânsito de embarcações.
Foi durante o século XIX que a economia da Região Norte deu um salto, o que foi acompanhado de um intenso fluxo migratório de pessoas oriundas principalmente da Região Nordeste do Brasil, mas também de outras partes do país e da América do Sul. Esse foi o período do Ciclo da Borracha, que teve seu auge entre as décadas de 1880 e 1910, compreendendo grandes áreas de seringais no Pará e no Amazonas.
Uma parte significativa do látex extraído na Região Norte era exportada, motivo pelo qual essa atividade foi responsável pelo rápido avanço econômico nos estados que a praticavam. Contudo, o plantio de seringueiras no continente asiático e a comercialização do látex a um preço menor do que o Brasil transferiram a demanda externa para aquele continente, marcando o declínio do Ciclo da Borracha.
A segunda metade do século XX na região Norte foi marcada pela criação da SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e pelas grandes obras de engenharia que foram realizadas na região, como é o caso da Rodovia Transamazônica, responsável pelo desmatamento de uma ampla extensão da Floresta Amazônica. Essa obra data da década de 1970, mesmo período em que foi instalada a Zona Franca de Manaus. Pouco tempo mais tarde, no ano de 1988, a Região Norte ganhou, oficialmente, mais um estado: o Tocantins.
Clima da Região Norte
A Região Norte do Brasil está situada em uma área de baixíssima latitude, sendo ela atravessada pela Linha do Equador. Esse é um fator determinante para o clima nos seus estados, além da forte influência da massa equatorial continental (mEc), que, apesar da sua origem, carrega elevado teor de umidade.
Devido a esses fatores, o clima predominante no Norte é o equatorial. A umidade do ar permanece alta durante todo o ano, o que resulta na ocorrência de chuvas recorrentes e que somam entre 1.500 e 2.000 mm anuais, a depender da localidade. As temperaturas médias são elevadas durante o ano, e ficam em torno de 27º C.
É importante mencionar que a umidade da Região Norte, intensificada pela presença da Floresta Amazônica, aliada com o regime de ventos do território brasileiro produz um fenômeno conhecido como rios voadores. Os rios voadores são bolsões de umidade que são carregados da Região Norte para as demais regiões do Brasil, sendo responsáveis pela ocorrência de chuvas nos estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Com a intensificação do desmatamento, no entanto, os rios voadores têm perdido a sua força, prejudicando a redistribuição de umidade no território brasileiro.
Próximo da divisa com a Região Centro-Oeste, abrangendo a parte meridional dos estados do Amazonas e do Pará, além da maior extensão do Tocantins, o clima que observamos é o tropical típico. Diferentemente do equatorial, o clima tropical apresenta duas estações do ano bem pronunciadas: o verão chuvoso e o inverno seco. Por causa da sua localização, a amplitude térmica anual do clima tropical na Região Norte é baixa, e as temperaturas se mantêm acima de 20º C mesmo nos meses de inverno.
Relevo da região Norte
As planícies, que são caracterizadas por terrenos aplainados e de baixa altitude, são as formas de relevo predominantes no Norte do Brasil. Elas foram modeladas pela ação constante da água sobre a estrutura geológica da região, formada por rochas cristalinas, dando origem a áreas com altitudes que não ultrapassam os 200 metros.
Acompanhando as planícies, estão as depressões, terrenos igualmente rebaixados que apresentam altitude inferior às demais áreas. Inclusive, esse é um dos motivos pelos quais não se gera energia elétrica em rios como o Amazonas: o relevo. Apesar do alto potencial hidroelétrico da região, a ausência de grandes desníveis e quedas d’água impossibilita a geração.
Considerando a classificação de relevo de Jurandyr Ross, as principais unidades de terras baixas de encontradas na Região Norte são a Planície do Rio Amazonas e as depressões marginais Norte-Amazônica e Sul-Amazônica.
Os planaltos também estão presentes na Região Norte do país, porém eles estão concentrados no estado do Tocantins, no Pará e na parte mais setentrional do estado do Amazonas, na fronteira com a Venezuela. É lá onde fica a Serra do Imeri, à qual pertence o Pico de Neblina, que abriga o ponto de maior altitude do Brasil com 2.995,3 metros. Destaca-se, ainda, a presença das Serras dos Carajás, no território paraense, e Geral, que compreende o sul e o leste do Tocantins.
Hidrografia da região Norte
A Região Norte é detentora da hidrografia mais densa e complexa do território brasileiro. Todos os seus estados estão, parcial ou integralmente, inseridos na Bacia do Amazonas, a maior bacia hidrográfica do Brasil, abrangendo 42% da área do país, e da América do Sul. Seu rio principal é o Rio Amazonas, curso d’água mais extenso e caudaloso do mundo com 6.992 km de comprimento desde a sua nascente no Peru, mais precisamente na Cordilheira dos Andes, até a foz no litoral do Pará, onde fica situada a Ilha do Marajó.
O Amazonas é fundamental para o abastecimento hídrico da população da região, assim como fornece água para manter a biodiversidade amazônica e todos os seus ecossistemas terrestres e fluviais. Suas águas apresentam amplos trechos navegáveis, que auxiliam nos transportes de pessoas e mercadorias, além de serem parte do modo de vida de povos e comunidades tradicionais, como os ribeirinhos e os indígenas. Existem, ainda, mais de mil afluentes do Rio Amazonas que banham o Norte do Brasil. Dentre os mais importantes deles podemos citar os rios Madeira, Xingu, Negro, Juruá e Purus.
A Bacia do Tocantins-Araguaia também faz parte da hidrografia da Região Norte, compreendendo áreas dos estados do Tocantins e do Pará. Os principais rios que fazem parte dela são aqueles que dão nome à bacia, e apresentam papel estratégico para o escoamento de mercadorias do Centro-Oeste para o litoral norte do país.
Os rios Tocantins e Araguaia são igualmente importantes para a geração de eletricidade e para o turismo. A hidrografia da região Norte se completa com o Aquífero Alter do Chão, que armazena mais de 86 mil km³ de água no subsolo dos estados do Amazonas, Pará e Amapá.
Vegetação da região Norte
A maior parte da Região Norte do Brasil está inserida no bioma Amazônia. Então, a vegetação nativa predominante nos seus estados é a Floresta Amazônica, uma floresta do tipo equatorial caracterizada pela presença de árvores de grande porte de folhas largas e sempre-verdes, que formam um dossel fechado. Essas árvores formam a chamada mata de terra firme, que fica distante das planícies alagáveis e é uma das três categorias de mata presentes nessa imensa floresta.
Nas áreas permanentemente úmidas, fica a mata de igapó, formada por plantas adaptadas à água e árvores como o bacabá. Em terrenos intermediários, que podem ser alagados em um dado período do ano por conta da cheia dos rios, desenvolve-se a mata de várzea, onde são encontradas espécies como a seringueira. A Floresta Amazônica, por isso e pela fauna que abriga nos seus diversos ecossistemas, incluindo fluviais, é considerada a mais biodiversa do mundo, além da sua importância para a regulação do clima regional.
O Cerrado também faz parte da composição da cobertura vegetal da Região Norte. Ele está presente no estado do Tocantins e em trechos do Amazonas e de Rondônia. Nos litorais amapaense e paraense, chama a atenção a presença dos manguezais, os quais se estendem para a região Nordeste. Em conjunto, o Pará e do Maranhão e são detentores do maior cinturão de manguezal do mundo|1|.
Demografia da Região Norte
A Região Norte é a segunda menos populosa do Brasil. O último censo demográfico do IBGE mostrou que a sua população é de 17.354.884 habitantes, o que representa cerca de 8,5% dos brasileiros. A forma como aconteceu a ocupação do território nacional, concentrada nas cidades litorâneas e áreas adjacentes, é uma das principais razões que explica esse fato.
Além de pouco populosa, a Região Norte é pouco povoada, o que significa que apresenta baixa densidade demográfica. A distribuição populacional é de 4,51 hab./km². Na tabela abaixo, saiba qual é a população de cada um dos estados da região Norte:
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População dos estados da Região Norte |
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Estado |
População |
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Acre |
830.018 |
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Amapá |
733.759 |
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Amazonas |
3.941.613 |
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Pará |
8.120.131 |
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Rondônia |
1.581.196 |
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Roraima |
636.707 |
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Tocantins |
1.511.460 |
Fonte: IBGE.
A taxa de urbanização da Região Norte é, hoje, de 78,5%. Então, uma parcela de 21,5% da sua população, o que corresponde a 3,7 milhões de habitantes, vive no meio rural. A capital do estado do Amazonas, Manaus, é a cidade mais populosa dessa região e conta com 2.063.689 habitantes. Na sequência está Belém, capital do Pará, onde vive 1.303.403 pessoas. Outro aspecto da demografia da região Norte que deve ser mencionada é a sua população indígena.
Uma parcela de 3,1% da população do Norte se autodeclarou indígena no último censo do IBGE, o que equivale a 539.821 pessoas. A região concentra 43,9% de todos os indígenas do país, destacando-se o estado do Amazonas, que tem uma população indígena de 305.243 pessoas. Dentre os povos mais numerosos estão os indígenas Ticuna, que, no Brasil, têm uma população de 57,5 mil pessoas, de acordo com informações do Instituto Socioambiental (ISA).
Principais atividades econômicas da Região Norte
A Região Norte abriga um dos polos industriais mais diversos e importantes do país: a Zona Franca de Manaus, localizada na capital amazonense. Criada no ano de 1967 para fomentar o desenvolvimento regional no Norte do Brasil, essa área apresenta polos agropecuário, comercial e industrial, abrigando, hoje, quase 600 indústrias.
Entre as empresas locadas na Zona Franca estão montadoras de automóveis, indústrias de eletrônicos e informática, beneficiadoras, alimentícias e outras. Nota-se que a maior parte delas conta com alto teor de tecnologia e automação em seu processo produtivo. Além disso, essas empresas garantem um fluxo constante de capitais internacionais para a região em forma de investimentos ou aquisição de mercadorias via exportação.
O extrativismo é outra atividade que tem participação significante na economia do Norte do Brasil. Uma das fases da história em que aconteceu um súbito crescimento populacional na região aliado com a expansão econômica dos seus estados, principalmente do Amazonas, aconteceu em função da atividade seringueira, uma forma de extrativismo vegetal para a obtenção de látex. Além dela, a castanha-do-pará, o açaí e o coco babaçu são também produtos do extrativismo praticado na região. Contudo, podemos dizer que a principal atividade extrativa do Norte é a mineração, incluindo o garimpo. O Pará é o maior produtor de minério de ferro do território nacional, destacando-se a região da Serra de Carajás. Ouro, cobre e alumínio são igualmente explorados no Norte, além de petróleo e gás natural.
Nas últimas décadas, tem crescido a produção agropecuária na Região Norte, mais precisamente a pecuária intensiva e o plantio de soja. A fronteira agrícola que já abrangia o Cerrado do Tocantins, agora, avança para a Floresta Amazônica, tendo sido essa uma das causas das queimadas e do intenso desmatamento registrado.
Cultura da Região Norte
A cultura da Região Norte do Brasil apresenta muitos elementos e manifestações que são de origem indígena, haja vista a amplitude da população tradicional que vive naquela região. É possível identificar, ainda, as influências dos africanos, dos colonizadores europeus e de outras partes do Brasil, sobretudo, a região Nordeste.
Manifestações culturais como as danças típicas evidenciam tais influências, como o catimbó, a dança do maçarico, o marambiré e a desfeiteira. Dentre as festas tradicionais do Norte do país se destacam o Festival de Parintins, no estado do Amazonas, o Círio de Nazaré, no Pará e as Cavalhadas, no Tocantins
Os mitos e lendas do Norte são parte importante da sua cultura. As histórias como a da Iara, da vitória-régia e do boto-cor-de-rosa evidenciam as riquezas naturais da Amazônia e a presença da cultura indígena na região, fazendo, ainda, parte do imaginário brasileiro como um todo. A gastronomia dos estados do Norte é outra forma de manifestação que valoriza os elementos obtidos na floresta e no cerrado, destacando-se pratos típicos como o pato no tucupi, a maniçoba, o tacacá, o açaí com peixe e o bolo de macaxeira.
Créditos da imagem
Notas
PINHEIRO, Karina. Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo. Portal Amazônia, 16 nov. 2021. Disponível em: https://portalamazonia.com/amazonia/conheca-os-manguezais-da-amazonia-o-maior-cinturao-de-manguezais-do-mundo/.
Fontes
IBGE. Panorama do Censo 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/.
REDAÇÃO. Povos Indígenas do Brasil: Ticuna. Instituto Socioambiental, [s.d.]. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ticuna.
ROSS, Jurandyr L. Sanches. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2019. 6 ed. 3 reimp. (Didática; 3).
SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral e do Brasil, 7º ano: ensino fundamental, anos finais. São Paulo: Scipione, 2018.