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Industrialização do Brasil

A industrialização do Brasil ganhou força a partir da década de 1930. O país apresenta hoje um amplo e diverso parque industrial, bastante integrado ao mercado internacional.

Pessoa trabalhando em monobloco em linha de produção.
Montadora de veículos em Camaçari, na Bahia, importante polo industrial da região Nordeste do Brasil.
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A industrialização do Brasil é considerada um processo tardio, uma vez que teve início um século depois do surgimento das primeiras indústrias na Europa. As primeiras manufaturas foram abertas no território nacional durante o século XIX, mas foi somente a partir da década de 1930 que o processo ganhou força. Desde então, a participação do capital privado nacional e internacional e também a ação do Estado têm sido importantes para o desenvolvimento e crescimento desse setor do Brasil, que representa hoje cerca de um quinto do PIB nacional.

Confira nosso podcast: Pontos-chave para entender a industrialização brasileira

Tópicos deste artigo

Resumo sobre industrialização do Brasil

  • A industrialização brasileira pode ser caracterizada como um processo tardio, que se desenvolveu a partir do final do século XIX e início do século XX, impulsionado pelo capital oriundo da cafeicultura.

  • Esse processo se divide em quatro diferentes fases.

    • Primeira fase: de 1500 a 1808, quando os engenhos de açúcar eram predominantes.

    • Segunda fase: de 1808 a 1929, quando as primeiras manufaturas foram abertas no país.

    • Terceira fase: de 1930 a 1955, compreende o período da substituição das importações e da maior diversificação do parque industrial brasileiro, com a criação de importantes indústrias de base e do maior investimento em infraestrutura.

    • Quarta fase: teve início em 1956 e é marcada pelo maior ingresso do capital estrangeiro no país, com a internacionalização da economia e a indústria brasileira ganhando força a partir do final do século XX.

  • As indústrias de transformação respondem por mais de metade do PIB industrial do Brasil.

  • O que caracteriza a industrialização brasileira hoje é o processo de desconcentração espacial da indústria e de desindustrialização.

Videoaula sobre industrialização do Brasil

Características da industrialização do Brasil

O advento da produção mecanizada e das unidades industriais revolucionou a economia mundial e transformou de uma vez por todas as relações de trabalho no mundo moderno. Esse processo, a que chamamos de industrialização, teve início em tempos distintos nos diversos países do globo. Enquanto nos países considerados desenvolvidos, sobretudo na Europa, a industrialização teve início no século XVIII, nas nações emergentes ele se fez presente a partir do século XIX. É esse o caso do Brasil.

A industrialização brasileira pode ser caracterizada então como tardia. Seu desenvolvimento se deu mediante o capital proveniente do setor primário da economia, sobretudo da cafeicultura. Outro processo característico da industrialização brasileira é a substituição das importações, que aconteceu a partir da década de 1930. A substituição de importações acontece quando um país deixa de comprar determinados itens do mercado externo e passa a produzi-los internamente, suprindo a própria demanda.

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A atuação do Estado na viabilização dos processos de industrialização, da mesma forma como na construção da infraestrutura básica necessária para a instalação e atração de novas indústrias, é uma característica fundamental de como a expansão industrial decorreu no Brasil.

A partir da década de 1950, a atuação do capital estatal se deu junto do capital estrangeiro mediante a entrada de montadoras no país. A presença de firmas estrangeiras e do capital internacional, de forma geral, foi ampliada a partir do final do século XX, caracterizando o atual estágio da industrialização.

Fases da industrialização do Brasil

A industrialização do território brasileiro pode ser compreendida por meio da análise de quatro fases distintas. Descrevemos brevemente cada uma delas abaixo.

  • Primeira fase: pré-industrial (1500-1808)

Do início do período colonial até a chegada da família real, não havia indústrias propriamente ditas instaladas no território nacional. A maioria dos produtos industrializados presentes no país eram oriundos da então metrópole, Portugal. O que havia no Brasil eram engenhos de açúcar, que consistiam nas instalações onde a matéria-prima (cana-de-açúcar) era transformada no açúcar, que era então embalado para destinação ao restrito mercado interno e também ao mercado externo.

Além disso, no ano de 1785, a Coroa Portuguesa publicou um alvará proibindo a instalação de pequenas fábricas e manufaturas no Brasil.

  • Segunda fase: 1808-1929

A segunda fase da industrialização brasileira pode ser descrita como o início de fato da abertura de fábricas e pequenas manufaturas. Isso foi possível mediante a revogação do alvará de 1785, por meio de um documento que não somente colocou fim às exigências anteriores como também incentivou a criação dos estabelecimentos fabris.

Essa liberação foi concomitante ao processo de abertura dos portos brasileiros, que rompeu o Pacto Colonial e ampliou a presença de produtos importados no país, motivando a adoção de medidas protecionistas.

Pequenas unidades surgiram principalmente em áreas próximo da cidade Salvador e na região Sudeste do país, especialmente no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, e em São Paulo. Destacou-se, nesse período, a presença das fábricas têxteis, muitas das quais se localizavam perto das lavouras de algodão. Ao final do século XIX, existiam ao menos 636 fábricas instaladas no Brasil|1|, número esse que quintuplicou durante a primeira década do século XX|2|.

Apesar do significativo crescimento da indústria no país e da ampliação do mercado consumidor com a abolição da escravidão e adoção do trabalho assalariado, estava no setor primário a principal fonte de receitas do Brasil. A atividade agrícola, especialmente a produção de café, consistia no carro-chefe da economia, sendo o principal produto de exportação. No entanto, a Primeira Guerra Mundial e a crise econômica de 1929 provocaram mudanças profundas nessa dinâmica econômica.

  • Terceira fase: 1930-1955

Com a queda substancial das exportações cafeeiras ao final da década de 1920, o capital dessa atividade econômica foi redirecionado e investido na atividade industrial. O início da década de 1930 ficou conhecido como o período da substituição das importações, quando determinados produtos deixaram de ser adquiridos do mercado externo e passaram a ser produzidos pelas indústrias brasileiras.

Durante esse período, tanto o capital privado, proveniente sobretudo dos antigos cafeicultores, quanto o capital estatal foram importantes para o crescimento da indústria no país, assim como para a ampliação da infraestrutura utilizada no transporte de mercadorias, como foi o caso das ferrovias e portos.

Houve também a maior diversificação do parque industrial brasileiro, com a fundação de importantes indústrias estatais de base (ou de bens de capital), como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Vale, à época conhecida como Companhia Vale do Rio Doce, e a Petrobras.

  • Quarta fase: 1956-presente

A quarta fase da industrialização brasileira teve início no ano de 1956 e é marcada pelo maior ingresso de empresas estrangeiras, principalmente multinacionais, no país, com destaque para as montadoras de automóveis. Esse movimento é resultado direto das políticas desenvolvimentistas implantadas durante o governo de Juscelino Kubitschek (1902-1976).

Os capitais privado e internacional se tornaram ainda mais presentes no país, mas a importância do Estado não foi reduzida. Pelo contrário, o Estado foi o responsável pela oferta de incentivos fiscais para as novas indústrias, além de criar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento da produção e circulação dos bens e mercadorias. O destaque do período ficou com o crescimento da malha rodoviária brasileira, promovendo a maior conexão do território nacional.

O processo de internacionalização da indústria brasileira ganhou forças a partir de então, e o parque industrial do país já contava com uma ampla variedade de fábricas que produziam desde os bens de consumo não duráveis até bens de capital.

A partir da década de 1990, a adoção de medidas neoliberais e a maior abertura da economia brasileira facilitou o ingresso do capital internacional no país e intensificou a concorrência interna com a maior presença das empresas estrangeiras. Esse período é marcado por uma onda de privatizações de empresas estatais, pelo processo de fusão e aquisição de empresas menores por outras de maior porte e também pelo fechamento de diversas fábricas nacionais face à concorrência.|3|

É importante notar que, em um primeiro momento, a indústria se concentrava nas regiões Sul e Sudeste, o que levou à formação do que Milton Santos chamou de Região Concentrada.|4| Mais recentemente, entretanto, observa-se o processo de desconcentração industrial, resultado da chamada guerra fiscal entre os estados.

Saiba mais: Concentração e desconcentração industrial no Brasil

Principais indústrias do Brasil

Pessoa soldando estrutura metálica.
Montagem de veículos, siderurgia e metalurgia e indústria alimentícia estão entre os principais ramos produtivos da indústria brasileira.

O Brasil dispõe atualmente de um parque industrial bastante amplo e diversificado, atuando em ao menos 33 ramos produtivos distintos.

De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria de transformação corresponde à principal indústria brasileira, representando pouco mais da metade (51%) do PIB do setor secundário. Dentro desse segmento, se destacam os seguintes ramos produtivos:

  • automobilístico;

  • metalurgia e siderurgia;

  • petroquímica;

  • papel e celulose;

  • alimentício.

A indústria extrativa também possui grande importância para a economia, sendo responsável por parte das exportações brasileiras e pela destinação de matérias-primas para outros ramos produtivos, muitos dos quais listamos acima. Destaca-se, nesse segmento, a extração de minerais metálicos e a exploração petrolífera.

Industrialização do Brasil na atualidade

Dois padrões importantes caracterizam a industrialização brasileira na atualidade: a desconcentração industrial e o que muitos analistas têm chamado de desindustrialização da economia nacional.

A desconcentração industrial diz respeito à maior distribuição espacial das plantas industriais pelo território brasileiro, isto é, deslocando-se da Região Concentrada em direção a estados e municípios de outras regiões, como a região Nordeste, por exemplo.

Existem diversos motivos que explicam esse movimento, dentre os quais podemos destacar a saturação das áreas densamente industrializadas, a ampliação das redes de transporte pelo território brasileiro, a ampla oferta de mão de obra qualificada por todo o país e a intensificação da guerra fiscal entre os estados, que corresponde a uma disputa entre as diferentes unidades federativas pela oferta das melhores condições fiscais para atrair indústrias para o seu território.

A desindustrialização, por sua vez, corresponde à diminuição da participação da indústria na economia nacional, atribuída muitas vezes a fatores de ordem burocrática, infraestrutural e fiscal que são tidos como um obstáculo para o desenvolvimento da produção nacional, chamados de Custo Brasil. Além disso, leva-se em consideração a forma como as commodities agrícolas e minerais, a exemplo da soja e do minério de ferro, passaram a alavancar a economia brasileira nos últimos anos, impulsionando sobretudo as exportações, superando a participação da indústria na pauta exportadora brasileira.

Notas

|1| SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2006. 9 ed. 473p.

|2| LUCCI, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado, 2: ensino médio. São Paulo, SP: Saraiva, 2016. 3 ed. 289p.

|3| Idem.

|4| SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2006. 9 ed. 473p.

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Industrialização do Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/industrializacao-do-brasil.htm. Acesso em 20 de abril de 2024.

De estudante para estudante


Videoaulas


Lista de exercícios


Exercício 1

A industrialização brasileira ocorreu especialmente a partir da segunda metade do século XX por meio de ações efetivas do capital público e privado. O modelo industrial brasileiro é classificado corretamente como

a) planificado.

b) estatal.

c) tardio.

d) moderno.

e) homogêneo.

Exercício 2

Qual produção agrícola foi fundamental para gerar capitais para fomentar o processo de industrialização brasileiro?

a) Soja.

b) Cacau.

c) Café.

d) Laranja.

e) Milho.

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