Economia do Brasil

Geografia do Brasil

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A história da economia do Brasil é também a história da sociedade brasileira. Compreender nosso passado econômico é compreender como nos formamos enquanto sociedade, povo, territorialidade. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, em 2019, o Brasil ocupava a nona posição no ranking econômico mundial. Entretanto, estar no top 10 em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial não significa ser um país rico e desenvolvido. Isso é a história quem nos garante. A economia brasileira foi criada em contexto de valorização da exportação, com baixo índice de desenvolvimento no solo nacional.

Leia também: Diferença entre exportação e importação

Breve história da economia do Brasil

A economia brasileira moldou-se com base no pensamento mercantil do homem europeu do século XV, um homem ávido por aventura, enriquecimento e poder. Seu espírito aventureiro fê-lo atravessar o Oceano Atlântico em prol de novas conquistas e territórios, indo além do que jamais tivera ido. Entretanto, esses sentimentos não foram transferidos para a sociedade que viria anos depois, pois toda essa sede de lucro era do europeu.

Ao chegarem aqui, em 1500, os europeus não encontram inicialmente ouro e outras pedras preciosas. O contato com os nativos foi de espanto e surpresa, como em qualquer ocasião quando se chega a um local inóspito, de terras desconhecidas.

A ausência de pedras preciosas fez com que os portugueses olhassem para a exuberante Mata Atlântica no litoral nordestino, nas atuais terras baianas. Essa mata estava recheada de uma árvore bem comum nas florestas do Oriente: o pau-brasil, tão importante e abundante que nomeou o território que habitava com expressividade.

Essa árvore foi retirada do território nativo com a ajuda dos habitantes que aqui viviam e que desconheciam o “homem branco”, assim chamado nas literaturas históricas pela sua aparente falta de melanina. Tempos depois, essa ajuda virou uma grande escravidão, seguida de massacre em aldeias que demonstraram resistência.

A retirada da árvore acontecia mediante uma troca: o europeu “presenteava” o nativo com espelhos, miçangas, bijuterias e afins, e o nativo ajudava-o no que seria o primeiro desmatamento da história brasileira e a primeira atividade econômica aqui praticada.

O pau-brasil que saía do Nordeste era comercializado na Europa e em outras partes do mundo. A troca entre portugueses e nativos era chamada de escambo, uma ação extremamente desgastante para os habitantes naturais desse território.

Anos mais tarde, ainda no século XVI, uma segunda atividade foi introduzida: o plantio da cana-de-açúcar, o qual foi possível graças ao clima tropical e solo fértil do Nordeste do país. O açúcar, naquela época, era considerado um “ouro branco”, tamanho era seu valor. Foram tempos de desenvolvimento dos primeiros aglomerados urbanos, com destaque para o território onde hoje é o atual estado de Pernambuco. Recife e Olinda eram cidades em que a plantação de cana foi um sucesso.

Por muitos anos, o cultivo da cana era a principal atividade econômica no Brasil.
Por muitos anos, o cultivo da cana era a principal atividade econômica no Brasil.

O açúcar nordestino era produzido com mão de obra escrava negra africana e exportado. Concomitantemente ao plantio, o gado era cultivado, uma espécie de atividade econômica paralela que, cinco séculos depois, tornaria o Brasil o maior produtor de carne bovina para consumo do mundo.

No século seguinte, com a queda na produção açucareira e a descoberta de ouro no Sudeste do país, onde hoje se localiza o estado de Minas Gerais, o Brasil vê na produção aurífera mais uma atividade lucrativa, que perdurou por quase 100 anos. Um tempo relativamente curto, mas que possibilitou o enriquecimento de várias pessoas e cidades.

Já no século XIX, a atividade econômica predominante era a plantação e produção de café. Essa planta asiática foi a locomotiva da economia brasileira nos tempos imperiais, sendo fundamental para o surgimento do setor econômico que se desenvolveria no século passado: o industrial.

O café possibilitou o acúmulo de capital no Sudeste, favorecendo grandes investimentos privados na atividade industrial, que ainda era incipiente. A crise cafeeira nos anos 1920 foi a centelha para a industrialização brasileira, que continua em plena expansão.

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Principais atividades econômicas do Brasil atualmente

  • Região Sudeste

A industrialização brasileira tem seu auge nos anos 1950, sendo iniciada, décadas antes, na região Sudeste. Esse auge atingiu, principalmente, essa região de forma positiva, pois era nela que estavam as melhores condições em infraestrutura para a instalação de fábricas e aglomerados industriais, além do acúmulo de capital propiciado pela produção cafeeira no século anterior.

A região Sudeste possui um grande parque industrial, principalmente em São Paulo, na região metropolitana (região do ABC Paulista — Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano, cidades industriais), e no Rio de Janeiro, com a indústria petrolífera. Conta também com importantes recursos minerais, como o ferro e o manganês, encontrados em Minas Gerais, no Quadrilátero Ferrífero. Esses minerais são exportados para o mundo todo via Porto de Tubarão, no Espírito Santo.

Petróleo, cana-de-açúcar e sal marinho também estão presentes na economia da região. Hoje o estado do Rio de Janeiro é o maior produtor de petróleo do país, seguido pelo Espírito Santo, e o segundo maior de sal, atrás do Rio Grande do Norte. O estado de São Paulo possui o maior cultivo de cana do país, sendo destaque internacional, pois o Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás dos Estados Unidos.

Plantação de cana em São Paulo.
Plantação de cana em São Paulo.
  • Região Sul

No Sul do país, há destaques em vários setores econômicos brasileiros. Por ser uma região bem desenvolvida no aspecto tecnológico e industrial, são muito comuns áreas em que esses dois aspectos unem-se, como na criação de animais em larga escala.

A região Sul é líder na criação de suínos e aves no Brasil, tendo os maiores rebanhos nas duas categorias, de acordo com o Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra).

As condições climáticas da região assim como o solo fértil favorecem a agricultura, com destaque para a produção de milho no Paraná, de maçãs no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, além do cultivo da uva, que é marcante no nordeste rio-grandense.

Já as atividades industriais estão relacionadas à produção de matéria-prima, como têxteis, lacticínios, frigoríficos, grãos etc. O estado mais industrializado é o Rio Grande do Sul, com grandes complexos industriais na região metropolitana de Porto Alegre.

Veja mais: Trabalho informal – setor que gera muita movimentação na economia brasileira

  • Região Nordeste

No Nordeste, o destaque fica para a Zona da Mata, que corresponde a uma região que abrange todo o litoral nordestino, desde o Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. Essa sub-região possui a maior concentração de pessoas, tendo o maior número de grandes cidades, como Salvador, Recife e Natal.

Dentre as atividades econômicas, podemos citar o turismo, os centros comerciais, a produção de petróleo (tanto em terra quanto mar, na plataforma continental), a produção de sal marinho (Rio Grande do Norte) e as atividades industriais, como o polo industrial de Camaçari, no litoral baiano. Destaca-se também a produção de cacau na Bahia, responsável por mais de 60% da produção dessa fruta no Brasil.

  • Região Centro-Oeste

Já no Centro-Oeste, o estado de Mato Grosso conta com a forte presença pecuarista na economia. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2018, o Brasil contava com 213.523.056 cabeças de gado bovino. Desse total, 73.838.400 localizavam-se no Centro-Oeste, sendo mais de 30 milhões só no Mato Grosso.

No geral, a criação é intensiva e extensiva, ou seja, há presença de tecnologia e gado confinado, como há criação do gado solto. Geralmente, a pecuária extensiva é praticada nas áreas do Pantanal mato-grossense, sendo a pecuária intensiva bastante comum em Goiás e no Mato Grosso do Sul.

O Brasil é o principal produtor de carne bovina para abate do mundo.
O Brasil é o principal produtor de carne bovina para abate do mundo.

As indústrias estão presentes, principalmente, em Goiás e no sul de Mato Grosso do Sul devido à proximidade com o Sudeste. No estado goiano, podemos destacar três grandes centros industriais da região: Anápolis, com o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia); Aparecida de Goiânia, que possui o Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia (Daiag); e a capital Goiânia, com importantes indústrias do ramo farmacêutico e de bebidas.

  • Região Norte

No Norte do país, região povoada recentemente, foram criados alguns órgãos governamentais responsáveis pelo seu estímulo econômico na década de 1960. Dentre eles podemos destacar a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Esta última corresponde a um grande polo industrial, idealizado em 1967 e localizado em Manaus, que abriga grandes multinacionais, propiciando um enorme desenvolvimento industrial e geração de empregos para a região.

Esse polo concentra três tipos de atividades: comercial, agropecuária e industrial (a mais forte de todas). De acordo com a Suframa, existem mais de 600 indústrias no polo e uma geração de mais de 500 mil empregos, diretos e indiretos. As áreas de produção industrial que se destacam são: eletroeletrônicos (celulares, TVs), duas rodas (motocicletas) e química (produção de matéria-prima para refrigerante).

Leia mais: Fatores locacionais da indústria – critérios que determinam a distribuição industrial

Estatísticas da economia do Brasil

Para chegarmos aos dados apresentados a seguir, o portal do Fundo Monetário Internacional foi consultado, portal esse que contém dados de todos os países inscritos nesse fundo, com bastante fidelidade aos números e estatísticas econômicas.

• PIB: aproximadamente 1,9 trilhão de dólares, em 2018.

• PIB per capita: 8817 dólares, em 2018.

• Taxa de juros dos bancos centrais: até o mês de maio de 2020, a taxa de juros cobrada pelos bancos centrais no Brasil era de 3% ao mês. Vinte anos antes, em 2000, essa taxa era de 18,5%.

• Moeda: desde 1994, o Brasil utiliza o real, moeda criada no governo de Itamar Franco. Essa moeda chegou a valer o mesmo quantitativo do dólar, utilizado nas transações internacionais. De acordo com o FMI, até maio de 2020, US$1 valia o mesmo que R$5,08.

• Salário mínimo: em 2020, o salário mínimo no Brasil estava cotado em R$1045, um aumento de 52 reais, comparado com o ano anterior.

• Desemprego: em 2018, o índice de desempregados no Brasil era de 11,6% de toda a População Economicamente Ativa (PEA). Em 2019, o índice caiu para 11%, com uma leve redução. Entretanto, até abril de 2020, devido à pandemia do COVID-19, esse índice estava em 12,6%

• Impostos sobre o rendimento dos trabalhadores: esse índice calcula a porcentagem de imposto retido da renda dos trabalhadores. Desde 2003, 27,5% da renda trabalhista são convertidos em imposto, ou seja, 27,5% a menos no poder de compra dos brasileiros.

Veja também: IDH – medida de desenvolvimento de um país

Blocos/grupos comerciais

BRICS – é um grupo econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa). O nome do grupo é uma junção das primeiras letras de cada país. Esse grupo reúne países com grande potencial industrial e uma economia emergente. Somados, os PIBs desses países ultrapassam os 19 bilhões de dólares, superando a União Europeia e os Estados Unidos da América.

Localizações do BRICS.
Localizações do BRICS.

• G20 – grupo que reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia.

• FMI – Fundo Monetário Internacional, uma espécie de banco mundial que socorre países em meio a uma crise econômica.

Mercosul – criado em 1991, esse bloco econômico reúne seis países-membros: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Venezuela. Busca facilitar o comércio entre seus membros, sendo o Brasil a principal liderança.

• OEA– Organização dos Estados Americanos, formada por todos os países da América. Essa organização debate questões sociais e políticas dos seus países-membros.

ONU – Organização das Nações Unidas, criada em 1945, da qual o país é membro signatário, ou seja, assinou a declaração que deu origem à organização.

Unasul – União de Nações Sul-americanas, criada em 2004, é formada por todos os países da América do Sul, com o objetivo de criar uma zona de livre comércio entre os envolvidos.

Evolução do PIB nos últimos 10 anos

Ao compararmos o PIB brasileiro nos últimos 10 anos, percebemos que, em 2008, tivemos o pior desempenho. Esse fato deveu-se à crise que atingiu todas as nações naquele ano, algumas de forma mais incisiva, outras nem tanto, como foi o caso do Brasil. O melhor ano foi em 2011, graças às políticas de transferência de renda mantidas e aprimoradas pelo governo da época, além de claros sinais de recuperação econômica no cenário mundial.

ANO

VALOR DO PIB (dólares)

$ em milhões

Variação do PIB (%)

2018

1.867.818 M

1,3%

2017

2.052.807 M

1,4%

2016

1.795.365 M

-3,3%

2015

1.799.882 M

-3,5%

2014

2.456.111 M

0,5%

2013

2.471.529 M

3,0%

2012

2.464.377 M

1,9%

2011

2.613.979 M

4,0%

2010

2.207.602 M

7,5%

2009

1.667.666 M

-0,1%

2008

1.694.860 M

5,1%



Por Átila Matias
Professor de Geografia

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

MATIAS, Átila. "Economia do Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/economia-brasil.htm. Acesso em 09 de agosto de 2020.

Lista de Exercícios
Questão 1

A partir da década de 1990, a economia do Brasil conheceu a intensificação ou consolidação do Neoliberalismo, de forma que um de seus principais efeitos, no que diz respeito à oferta de empregos, foi:

a) o aumento da força sindical.

b) a terceirização dos serviços.

c) a diminuição do “exército de reserva”.

d) a elevação da oferta de trabalho.

e) o decréscimo do número de horas médias trabalhadas.

Questão 2

Brasil tem o 5º Big Mac mais caro do mundo

Lanche só é mais barato que na Noruega, Venezuela, Suíça e Suécia. Índice Big Mac mostra que real é a 5ª moeda mais cara entre 44 países.

(G1, 23/01/2014).

Diante da notícia apresentada e com base em seus conhecimentos sobre a economia brasileira, é possível afirmar que:

a) o Índice Big Mac revela o aumento do custo de vida no Brasil em função das constantes e ininterruptas valorizações do dólar frente ao real na última década.

b) com um Big Mac mais caro, o Brasil pode ser considerado como um dos países que menos assimilaram o processo de Globalização estruturalmente.

c) o Brasil investe majoritariamente na economia nacional, desfavorecendo intencionalmente empresas multinacionais.

d) o real é a quinta moeda mais valorizada do mundo em relação ao dólar.

e) o Brasil é o quinto país que mais cobra impostos sobre alimentos no mundo.

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