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Filosofia Moderna

Filosofia

A Filosofia Moderna tem início com o Renascentismo e termina no Iluminismo, tendo como marcas principais a valorização da razão e o cientificismo.
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A Filosofia Moderna caracteriza-se, principalmente, por uma guinada ao Humanismo, iniciada no Renascentismo, e pela valorização incondicional à razão trazida à luz pelo ceticismo e pela descoberta de que o ser humano independe de instâncias racionais metafísicas, como Deus, para descobrir o seu intelecto. Enquanto os antigos perguntavam-se, por exemplo, “o que era a verdade e o conhecimento?”, os modernos passaram a se perguntar “como é possível o conhecimento verdadeiro?”.

É corrente nos estudos historiográficos sobre a Filosofia separar a Filosofia Renascentista e o Iluminismo da Filosofia Moderna. Porém, podemos conceber a ideia de que a Filosofia Moderna, mesmo sendo um período intermediário entre os ideais do Renascimento e do Iluminismo, não se destacou inteiramente dos dois, pois ela nasceu em um e concebeu o outro. Para entender a Modernidade, é preciso, então, olhar para o que aconteceu antes e depois dela.

Veja também: O que é Filosofia?

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Características da Filosofia Moderna

Estão entre as principais características da Filosofia Moderna o ceticismo em relação às crenças antigas e às crenças costumeiras, a valorização da razão, a tentativa de estabelecer os limites do conhecimento humano e do modo como podemos conhecer o mundo verdadeiramente e a valorização de uma vida política que entende a existência de um elo entre política e conhecimento. Nesse período, destacam-se pensadores como Galileu Galilei, Isaac Newton, René Descartes, David Hume, Francis Bacon, John Locke, Thomas Hobbes, Baruch de Spinoza, entre outros.

Podemos elencar como duas grandes correntes epistemológicas da modernidade o racionalismo e o empirismo, além de destacar, como figura principal da teoria política moderna, o contratualismo, que influenciou fortemente o pensamento iluminista e teorias políticas posteriores, como o socialismo e o liberalismo.

Outra característica que não pode ficar de lado para o entendimento da Filosofia desenvolvida na Modernidade é o cientificismo, fruto das novas ideias trazidas, principalmente, por Galileu e por Newton, que atestam o valor do método científico e da necessidade de uma análise rigorosa da natureza para entendê-la e dominá-la.

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Contexto histórico da Filosofia Moderna

No Renascimento, o ser humano via-se diante de um novo paradigma, pois o teocentrismo medieval já não era suficientemente forte para encobrir a valorização da potência humana, havendo um resgate do humanismo antigo. Diante disso, houve um resgate também dos valores estéticos, morais e do conhecimento, tudo de origem da Grécia Antiga, dados pela redescoberta das obras filosóficas de Platão que ficaram desconhecidas durante o Medievo, como O Banquete e Fédon.

Houve também o engendramento de novas teorias políticas originadas por pensadores florentinos, como Nicolau Maquiavel, que resgataram os ideais políticos romanos clássicos, defendendo a necessidade de uma vida política ativa e a liberdade das cidades italianas contra o domínio do império Romano-Germânico.

Todos esses elementos renascentistas causaram uma efervescência cultural e política no Renascimento que junto à valorização dos ideais filosóficos da Antiguidade impulsionaram o pensamento científico que daria luz à Modernidade. Temos, na transição do Renascimento para a Modernidade, a criação da prensa de tipos móveis, máquina criada por Johannes Gutemberg, que possibilitou a impressão de livros e a criação da imprensa; as descobertas de Nicolau Copérnico e Johannes Keppler; e as descobertas de Galileu Galilei para a Física Moderna e a defesa do heliocentrismo.

Em termos econômicos e políticos, temos a formação dos Estados Nacionais europeus, o desenvolvimento do capitalismo em sua primeira forma, a mercantilista, e o desenvolvimento naval possibilitado pelas Grandes Navegações. A expansão náutica resultou no desbravamento dos mares e de novos territórios, colocando em xeque todo um imaginário europeu medieval que acreditava em monstros marinhos e na finitude do oceano dada à crença de que o planeta Terra era formado por um grande terreno plano.

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Escolas da Filosofia Moderna

Na Modernidade, tivemos a formação de duas escolas principais relativas à teoria do conhecimento (empirismo e racionalismo), e a consolidação de escolas políticas que resultaram, principalmente, no Iluminismo, que operou uma junção entre conhecimento, moral e política.

Uma marca da Modernidade é o ceticismo frente à atitude dogmática em relação a alguns assuntos. Plínio Junqueira Smith, estudioso do ceticismo, afirma que a atitude cética é, em suma, aquela que questiona a visão dogmática.

Os céticos, na Antiguidade, liderados por Pirro, não acreditavam na possibilidade de atingir algum conhecimento verdadeiro, transformando a suspensão dos juízos em uma atitude crítica perante ao dogmatismo que imperava nas filosofias gregas, sobretudo as escolas filosóficas pré-helênicas. Na Idade Média, a atitude dogmática avançou, em certo sentido, pois buscava compreender, de maneira plausível e racional, a absoluta verdade inquestionável.

Na Modernidade, o debate entre racionalistas e empiristas trouxe à tona, novamente, o dogmatismo (por buscar uma verdade final e absoluta), porém, junto à atitude dogmática, veio o ceticismo (não o ceticismo pirrônico, mas um ceticismo construtivo, que visava a criticar a atitude extremamente dogmática).

  • Racionalismo

Por coadunar com o pensamento corrente e mais marcante da Modernidade, o cientificismo, a escola racionalista, junto ao empirismo são grandes representantes do que foi a Filosofia desenvolvida durante a Modernidade.

Nesse sentido, os racionalistas modernos foram críticos de traços da Filosofia posterior, ao tentar delimitar a maneira de se obter o conhecimento correto. Porém, o que define o racionalismo, em primeira e mais completa instância, é o fato de que eles defendiam que o conhecimento verdadeiro é obtido por meio de um exercício estritamente racional, sem recorrer aos dados da experiência prática, mas recorrendo ao puro raciocínio por meio da abstração intelectual.

Há, entre os racionalistas, uma espécie de resgate e aperfeiçoamentos das ideias de Platão. São representantes dessa vertente filosófica René Descartes, Wilhelm Gotffried Leibniz e Blaise Pascal.

  • Empirismo

Para os filósofos empiristas, o conhecimento verdadeiro só pode ser obtido mediante dados coletados pela experiência empírica. O conhecimento, segundo eles, nasce quando ouvimos, vemos, sentimos, degustamos etc. Os dados fornecidos por essas experiências sensoriais são transformados em ideias, mas nascem com a experiência e nela encontram a sua corretude.

  • Contratualistas

Os filósofos contratualistas atestam a sua importância no campo político e jurídico. Defensores da existência de um hipotético estado pré-moral da humanidade, os contratualistas afirmaram que as sociedades foram constituídas a partir de um pacto social formado a fim de encerrar o estado de natureza humano (o estágio pré-moral), pois somente assim é possível construir as leis e fundar os agrupamentos humanos politicamente fundamentados.

Esses filósofos acreditam em duas diferentes leis: uma lei de natureza que rege a vida natural (por isso são chamados também de jusnaturalistas) e de uma lei pactual, que dá início à formação da sociedade.

  • Iluminismo

Os teóricos iluministas fundiram as questões relativas à teoria do conhecimento e da ciência com política. Para os iluministas, a sociedade evolui moralmente por meio da evolução científica e do conhecimento. Segundo os iluministas, o progresso técnico e científico levado a todos é a garantia do progresso moral e social, portanto, os esforços da humanidade devem rumar para a descobertas científicas e para a popularização dessas descobertas.

Os iluministas também defendem a separação dos domínios religiosos e políticos. Por isso, a ideia de uma escola universal, gratuita, laica e de qualidade é uma ideia iluminista. O pensamento republicano, defensor da liberdade individual, também é uma marca do Iluminismo.

Quanto ao eterno embate entre empiristas e racionalistas, Immanuel Kant resolve a querela estabelecendo as bases de seu criticismo, que funde os ideais racionalistas e empiristas, estabelecendo que existem características racionais do nosso conhecimento que compreende os conceitos universais, por exemplo, mas partem da experiência empírica individual.

Acesse também: A discussão filosófica acerca dos valores morais na sociedade

Principais filósofos

Entre os filósofos do período moderno, podemos destacar:

  • Isaac Newton: o físico, filósofo e matemático que revolucionou a Física Moderna ao sistematizar as suas três leis. Além disso, a sua obra Principia Matemática é uma importante fonte bibliográfica para se compreender a Filosofia da lógica e o racionalismo modernos.

  • John Locke e Thomas Hobbes: os dois pensadores apresentam teses, a princípio semelhantes, acerca da necessidade do pacto social na política, e sobre o empirismo na epistemologia. A diferença é que Hobbes defende um governo forte e monarca para acabar com a insegurança no estado de natureza humano, enquanto Locke defende a propriedade privada como o elemento que mais justifique e necessite da intervenção de um governo forte, pois somente ele é capaz de garantir a legítima propriedade resguardada. John Locke é considerado o “pai” do liberalismo econômico.

  • Voltaire: defensor da liberdade religiosa, da laicidade do Estado e da liberdade individual, foi um grande pensador iluminista.

  • Diderot e D’Alambert: os filósofos franceses, apoiados no ideal iluminista de uma popularização do conhecimento como forma de alcançar o avanço moral, fundaram a Enciclopédia, uma coleção de fascículos que pretendiam abrigar verbetes sobre tudo aquilo que o ser humano pode conhecer.

  • Immanuel Kant: o filósofo prussiano inaugura um novo criticismo na Filosofia Iluminista e resolve o embate entre racionalistas e empiristas ao estabelecer que a fonte do conhecimento é, simultaneamente, os dados da percepção empírica e a racionalização e entendimento dos conceitos universais. Esses dois elementos diferentes fundem-se e dão origem ao conhecimento humano.

Acesse também: Pré-socráticos, um grupo de filósofos da Antiguidade

René Descartes e seu posicionamento cético

René Descartes, o autor da máxima “penso, logo existo”.
René Descartes, o autor da máxima “penso, logo existo”.

Outro importante filósofo desse período, René Descartes era um cético radical da Modernidade, o pensamento cartesiano, inicialmente, pode ser confundido com uma Filosofia cética antiga, entendendo que o ceticismo “é um tipo particular de Filosofia, pois não é constituído por um conjunto de teses sobre as coisas, nem pretende ser um conhecimento”.

A característica principal do cético é manter “uma atitude crítica diante da pretensão dogmática de ter descoberto a verdade.”i Porém, o ceticismo cartesiano é totalmente diferente do ceticismo clássico, pois se ele começa com uma atitude crítica diante do dogmatismo (o dogmatismo da opinião e do conhecimento duvidoso), ele termina afirmando ter descoberto uma primeira verdade irrefutável: o cogito. Em sua obra Discurso do Método, Descartes chega à primeira verdade irrefutável: a própria existência.

Em sua posição cética, o filósofo francês diz que as nossas crenças costumeiras, de senso comum, podem estar erradas, que os nossos sentidos podem nos enganar, a ponto de não sabermos se estamos sonhando ou em vigília. Além disso, afirma que ilusões podem tomar conta de nosso intelecto, o que atesta a necessidade de tudo duvidar, colocando em questão, inclusive, a sua própria existência.

Porém, ao perceber que o exercício de duvidar é o exercício de pensar, o filósofo conclui que não é possível pensar sem antes existir. Daí, a conclusão mais segura e o primeiro pensamento indubitável é “penso, logo existo”. Para saber mais sobre o autor, leia René Descartes: biografia, ideias, obras e frases.

i SMITH, Plínio Junqueira. Ceticismo. Col. Filosofia passo a passo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004, p. 8.

 

Por Francisco Porfírio
Professor de Filosofia

John Locke é um grande nome da Filosofia Moderna.
John Locke é um grande nome da Filosofia Moderna.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PORFíRIO, Francisco. "Filosofia Moderna"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/filosofia-moderna.htm. Acesso em 23 de outubro de 2019.

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