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Queda da Bastilha

História Geral

A forte crise instalada na França no final do século XVIII levou a população à revolta. Esse movimento ganhou força a partir da queda da Bastilha, símbolo do Antigo Regime.
Representação da população parisiense realizando a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789
Representação da população parisiense realizando a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789
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A queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789, é considerado o evento que deu início à Revolução Francesa. A Bastilha era uma grande prisão considerada símbolo do Antigo Regime, e sua tomada pela população de Paris espalhou a revolução por toda a França. Esse alastramento da revolta popular resultou em grandes transformações sociais e políticas no país e marcou a queda do Antigo Regime. A tomada da Bastilha foi consequência da grave crise que a sociedade francesa enfrentava no final do século XVIII.


França antes da Revolução

A Revolução Francesa foi resultado da grave crise que a sociedade francesa enfrentava nas décadas de 1770 e 1780. Nesse período, a França possuía uma monarquia absolutista e era governada por Luís XVI, que concentrava todo o poder do Estado francês. Além disso, a sociedade francesa era dividida em três grandes grupos, conhecidos como estados.

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O Primeiro Estado representava o clero e os representantes da sociedade vinculados à Igreja. O Segundo Estado representava a aristocracia francesa, isto é, a nobreza, que mantinha uma série de privilégios e viviam à custa do Estado e de seus feudos. Essas duas classes, juntas, impunham uma grande opressão e exploração sobre o Terceiro Estado, o qual agrupava o povo em geral e formava cerca de 95% da população francesa|1|, mas que era representado oficialmente pela burguesia francesa.

Clero e nobreza possuíam uma série de privilégios, como terras cedidas pelo rei francês e isenção de impostos, e dispunham um estilo de vida extremamente luxuoso. A partir da década de 1770, com a crise econômica que se instalou na França, a nobreza, principalmente, ampliou sua exploração sobre o povo, exigindo cada vez mais dinheiro dos camponeses que trabalhavam em suas terras.

O povo, sobretudo os camponeses, viviam em uma situação extremamente difícil nessa época, pois, segundo o historiador Eric Hobsbawm, “os tributos feudais, os dízimos e as taxas tiravam uma grande e cada vez maior proporção da renda do camponês, e a inflação reduzia o valor do resto”|2|.

A situação dos camponeses era agravada pela forte crise econômica que afetava o país. Essa crise resultava do envolvimento da França na Revolução Americana. Os altos gastos do país na guerra contra a Inglaterra faliram a economia francesa, ainda mais fragilizada com a manutenção pela Coroa do padrão de vida luxuoso da nobreza francesa. Hobsbawm estima que a França gastava, na época, 20% a mais do que arrecadava|3|.

O grande estopim que transformou a revolta popular em revolta generalizada foi o quadro de fome que se espalhou no país após colheitas ruins em 1788 e 1789 e um inverno rigoroso. Esses dois fatores contribuíram para o aumento do custo de vida, principalmente dos alimentos, e impulsionaram o povo para a rebelião e, em outros casos, para o banditismo.


Estados Gerais e Assembleia Constituinte

A grave crise econômica que se instalou na França levou o rei Luís XVI a convocar os Estados Gerais. Os Estados Gerais eram uma espécie de conselho que reunia os representantes dos três estados para debater e tomar decisões pelo voto. O intuito dessa convocação era debater alternativas para enfrentar a crise sem que houvesse necessidade de retirar os privilégios do clero e da nobreza.

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Isso porque a decisão tomada nos Estados Gerais acontecia a partir do voto por estado, ou seja, o voto não era individual. Primeiro e Segundo Estado sempre se aliavam para combater o ímpeto de reformas do Terceiro Estado. Em razão disso, durante a realização dos Estados Gerais, o Terceiro Estado propôs que a votação fosse realizada de maneira individual.

Caso isso acontecesse, os interesses da alta nobreza e do clero estariam ameaçados, pois os burgueses do Terceiro Estado poderiam aliar-se com o baixo clero e a nobreza liberal e, assim, conseguir aprovação para suas reformas. Com sua proposição rejeitada, os representantes do Terceiro Estado criaram, então, a Assembleia Nacional Constituinte e passaram a formular uma nova constituição para a França.

A ação do Terceiro Estado recebia intenso apoio das camadas populares em Paris, e isso foi a chave do seu sucesso e do início da Revolução. Além disso, é importante considerar que a convocação dos Estados Gerais ocorria em um momento delicado (de crise econômica, alta nos preços e fome) e, portanto, contribuiu largamente para que a insatisfação popular assumisse grandes proporções.


Queda da Bastilha

A aristocracia francesa, em parceria com o rei Luís XVI, tentou barrar as ações do Terceiro Estado e impedir a atuação da Assembleia Nacional Constituinte. No entanto, as atitudes do Terceiro Estado deram ao povo uma nova perspectiva política, o que possibilitou o início de um grande levante popular em Paris. Assim, foram formadas milícias populares sob a liderança de uma milícia comandada pela burguesia (que se transformou na Guarda Nacional liderada por La Fayette).

Procurando armar-se, a população parisiense, organizada nessa milícia, partiu, primeiramente, em direção ao Hotel dos Inválidos (local que abrigava inválidos do exército francês) com o objetivo de tomar as armas armazenadas nesse local. Após isso, a população dirigiu-se à Bastilha para ter acesso ao estoque de pólvora para as armas obtidas no Hotel dos Inválidos.

A Bastilha era uma prisão e antigo símbolo da opressão do Antigo Regime e, naquele momento, abrigava apenas sete prisioneiros. O ataque a essa prisão é considerado o símbolo da queda do sistema absolutista e serviu de inspiração para espalhar a revolução por outras cidades da França e para os meio rurais. Com a queda da Bastilha, iniciou-se um período de turbulência e agitação que se estendeu até 1799.

|1| HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 108.
|2| Idem, p. 104.
|3| Idem, p. 105.


Por Daniel Neves
Graduado em História

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SILVA, Daniel Neves. "Queda da Bastilha"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/historiag/queda-bastilha.htm>. Acesso em 18 de agosto de 2018.

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Questão 1

As novas forças sabiam muito precisamente o que queriam. Turgot, o economista fisiocrata, lutou por uma exploração eficiente da terra, por um comércio e empresa livres, por uma administração eficiente e padronizada de um único território nacional homogêneo, pela abolição de todas as restrições e desigualdades sociais que impediam o desenvolvimento dos recursos nacionais e por uma administração e taxação racionais e imparciais. Ainda assim, sua tentativa de aplicação desse programa como primeiro-ministro no período 1774-1776 fracassou lamentavelmente, e o fracasso é característico.

HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p.101.

O texto refere-se a algumas tentativas de reforma na economia propostas por Turgot que, entretanto, segundo o autor, fracassaram. Conhecendo o contexto da sociedade francesa das décadas de 1770-1780, o fracasso das reformas de Turgot evidenciava:

a) o atraso e o desconhecimento técnico que caracterizavam Turgot e outros intelectuais franceses da época.

b) a recusa da aristocracia francesa em realizar qualquer tipo de reforma que prejudicasse os seus privilégios.

c) os interesses externos, sobretudo espanhóis, em manter a França em um modelo econômico atrasado.

d) a relutância dos camponeses franceses em aprovar mudanças econômicas no país, temendo que se repetisse na França o que acontecia na Inglaterra.

e) os anseios da nobreza francesa em estagnar o país, visando destituir Luís XVI do trono para que Napoleão Bonaparte ascendesse.

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