Tomada da Bastilha

Ocorrida na França em 1789, a Tomada da Bastilha foi um confronto conduzido pela burguesia de Paris e que deu início à Revolução Francesa.

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A Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha) foi o confronto ocorrido em 14 de julho de 1789 que culminou no início da Revolução Francesa (1789-1799). Esse acontecimento foi tão importante que marca o fim da Idade Moderna e o início da Idade Contemporânea. Travado entre populares de Paris e o Exército da França, o conflito resultou na vitória dos civis e no consequente domínio da fortaleza de Bastilha, que, naquele contexto, significava um dos maiores símbolos do absolutismo francês.

Leia também: Revolução Francesa — todos os detalhes sobre essa importante revolução

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Tomada da Bastilha

  • A Tomada da Bastilha foi um conflito ocorrido entre populares franceses e o exército do rei Luís XVI, culminando no início da Revolução Francesa.
  • Ocorreu em 14 de julho de 1789, na cidade de Paris.
  • A Bastilha era uma fortaleza erigida no século XIV na região de Île de France. No século XVIII, ela passou a simbolizar o absolutismo do Antigo Regime por servir de prisão política e de arsenal do exército francês.
  • Na segunda metade daquele século, o Estado francês havia contraído dívidas em decorrência de seu envolvimento em vários conflitos. Como consequência, a inflação e a fome atingiram as camadas mais pobres da sociedade francesa.
  • Na estrutura do Antigo Regime, o clero e a nobreza não pagavam a maioria dos impostos, cabendo ao Terceiro Estado, formado por 98% da população francesa, arcar com as taxas exigidas pelo rei.
  • O Terceiro Estado, embora representasse a maioria da população, não possuía poder político proporcional. Os apelos por maior participação foram ignorados, e, com isso, a burguesia fundou a sua própria Assembleia Nacional.
  • A população parisiense, ciente da possível hostilidade do rei, passou a armar-se conforme militares do exército convocados por Luís XVI tomavam as ruas da cidade.
  • A notícia da demissão do ministro Jacques Necker, que simpatizava com o Terceiro Estado, serviu de estopim para os revoltosos, que confrontaram o exército aos arredores e no interior da Bastilha.
  • A queda da Bastilha significou um processo revolucionário que só terminaria dez anos mais tarde, em 1799.
  • Nesse ínterim, apesar de dezenas de milhares de pessoas terem sido vitimadas por confrontos internos e externos, o Antigo Regime foi desmantelado, e a Idade Moderna deu lugar à Idade Contemporânea.

O que foi a Tomada da Bastilha?

Pintura em aquarela que representa a Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha).
A clássica pintura em aquarela que representa a Tomada da Bastilha foi produzida por Jean-Pierre Houël no mesmo ano de seu acontecimento, em 1789.

A Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha) foi o confronto ocorrido em 14 de julho de 1789 que culminou no início da Revolução Francesa (1789-1799). Travado entre populares de Paris e o Exército Francês, o conflito resultou na vitória dos civis e no consequente domínio da fortaleza de Bastilha, que, naquele contexto, significava um dos maiores símbolos do absolutismo francês. A importância e a dimensão do acontecimento significaram a ruptura da Idade Moderna e, consequentemente, o início da Idade Contemporânea.

A Tomada da Bastilha e a indissociável Revolução Francesa devem ser compreendidas em retrospectiva, já que ambos os eventos foram resultantes de décadas de imposições decretadas pelo Antigo Regime e de injustiças sociais que privilegiavam as camadas da nobreza e do clero. Leia com maiores detalhes as suas características no subtópico a seguir.

Contexto histórico da Tomada da Bastilha

Durante a segunda metade do século XVIII, o Estado francês passou a contrair dívidas originárias do investimento no setor bélico, especialmente decorrente da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e o envolvimento direto da França na Guerra de Independência dos Estados Unidos (1775-1783). O iminente colapso financeiro refletia diretamente na maioria da população, que enfrentou ondas de desemprego, de inflação e de crise de alimentos, enquanto, por sua vez, os membros da nobreza e do clero não arcavam diretamente com esses problemas, praticamente isentos dos impostos cobrados pelo Estado. Grande parte da população francesa estava ciente dessas e de outras injustiças, impulsionadas por líderes influenciados pelos ideais do movimento intelectual iluminista, que havia elaborado críticas contra o Antigo Regime durante todo aquele século.

Charge que critica o Primeiro Estado e o Segundo Estado, veiculada antes da Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha).
Uma charge de 1789 representa o Terceiro Estado sustentando o Primeiro Estado e o Segundo Estado.

A malsucedida sequência de tentativas de abrandar a situação levou o rei Luís XVI da França a convocar a Assembleia dos Estados Gerais. Nela, cada estrato da sociedade francesa era representado por um Estado: o clero pelo Primeiro Estado; a nobreza pelo Segundo Estado; e toda a população “restante”, desde a alta burguesia (banqueiros, industriais etc.) até a baixa burguesia e os trabalhadores braçais (pequenos comerciantes, artesãos, camponeses, entre outros), pelo Terceiro Estado. Esse último representava a grande maioria da população francesa (algo em torno de 20 milhões de pessoas, ou 98% de seu total), e, quanto mais baixa a classe financeira, maior era a sua carga de impostos. Os camponeses, por exemplo, eram obrigados a bancar mais da metade de sua renda para o Estado, enquanto os detentores da maior parte da riqueza da França, vale reforçar, eram quase isentos dos impostos.

Durante a convocação da Assembleia dos Estados Gerais, não havia proporcionalidade de votos para as decisões levadas em consideração pelo rei. Na prática, enquanto o Terceiro Estado possuía a maioria de representantes (mais exatamente, 578 deles contra 285 da nobreza e 291 do clero), cada estrato possuía um voto de mesmo valor nas questões do Estado. Na prática, isso significava que o clero e a nobreza uniam-se e compartilhavam as mesmas decisões com o intuito de defender seus privilégios, enquanto a burguesia mantinha-se em desvantagem na tentativa de uma participação mais ativa na política francesa.

A Assembleia dos Estados Gerais ocorreu em 5 de maio de 1789, no Palácio de Versalhes. A primeira exigência do Terceiro Estado era que os votos da assembleia fossem considerados pelo número de seus representantes, e não mais por cada Estado. A discussão acerca da possibilidade foi tanta que a assembleia foi dissolvida pelo rei. Insatisfeitos com a tentativa de apaziguar a situação para o Primeiro Estado e para o Segundo Estado, os membros do Terceiro Estado separaram-se dos Estados Gerais e fundaram, de maneira independente, a sua própria Assembleia Nacional.

A tensão entre os Estados só se intensificou. O rei declarou a ilegitimidade da Assembleia Nacional e ameaçou dissolvê-la à força com o uso do Exército. Quando os militares cercaram a assembleia, por sua vez, muitos dos soldados presentes já eram simpáticos às causas do Terceiro Estado (afinal, sua grande maioria não possuía benefícios estamentais). A hesitação de muitos militares serviu de incentivo para que os membros da assembleia resistissem e negassem qualquer rendição diante das tropas convocadas pelo rei.

O problema, para o Terceiro Estado, era que eles necessitavam da legitimidade para concretizar a Assembleia Nacional na prática. Diante da resistência de seus membros, o rei Luís XVI aceitou entrar em um acordo: aquela assembleia seria legítima se pudesse contar com a participação do Primeiro Estado e do Segundo Estado. Essa era a vitória que a burguesia necessitava para que pudesse ser reconhecida legalmente pelo Estado francês.

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Pintura retratando a Assembleia Geral no período que antecedeu a Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha).
A abertura da Assembleia Geral ocorrida em 5 de maio de 1789. Óleo sobre a tela por Auguste Couder, 1839.

Em 9 de julho de 1789, o acordo foi firmado. Com isso, a Assembleia Nacional Constituinte foi consolidada para decidir as novas leis que, pela primeira vez, iriam beneficiar o Terceiro Estado. A decisão poderia ter apaziguado a população francesa, mas a capital em Paris ainda recebia um fluxo cada vez maior de soldados convocados pelo rei. Ansiosos, os populares também passaram a organizar-se diante de qualquer ato de violência, e muitos começaram a se armar.

Em 12 de julho, a faísca que faltava para causar uma revolta finalmente aconteceu. Esse estopim foi a demissão, por ordem do rei, do ministro das finanças Jacques Necker, que era simpático às causas populares. Temerosa quanto aos demais movimentos de Luís XVI para suprimir o Terceiro Estado na Assembleia Nacional Constituinte, a população revoltosa armou-se após invadir o Hospital dos Inválidos e cercou a Bastilha, que refletia um dos maiores símbolos do absolutismo francês: afinal, ao mesmo tempo, ela servia tanto de prisão política, quanto de arsenal de armas e de munição do exército.

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Como foi a Tomada da Bastilha?

A Tomada da Bastilha ocorreu em 14 de julho de 1789 e foi um evento conflituoso entre cerca de novecentos revoltosos e pouco mais de cem soldados do Exército francês nos arredores e no interior da fortaleza de Bastilha, construída na região de Île de France, em Paris, no século XIV.

Conforme as negociações entre o rei Luís XVI e a Assembleia Nacional avançavam, a tensão popular foi fomentada durante dias e manifestou-se especialmente após a demissão do ministro Jacques Necker. No dia 14 de julho, a população revoltosa armou-se após invadir o Hospital dos Inválidos, uma estrutura militar que abrigava mais de trinta mil armas, especialmente mosquetes. Em busca de uma quantidade ainda maior de armamentos, cercaram Bastilha, renomada por armazenar armas e munição, além de servir de prisão política.

Gravura de 1789 demonstrando outra perspectiva da Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha).
Gravura de 1789 demonstra outra perspectiva da Tomada da Bastilha.

Após horas de cerco e de tentativas frustradas de negociar a entrega do estoque da fortaleza, realizada por meio de diálogos com o governador marquês de Launay, disparos realizados pelos soldados contra os revoltosos insuflaram os atritos. Ao início da tarde, deu-se início ao conflito, e, apesar da estrutura defensiva e vantajosa para os soldados abrigados na fortaleza, muitos dos militares desertaram e adicionaram canhões ao arsenal da população. O combate durou cerca de quatro horas até que os comandantes da Bastilha optaram pela rendição.

As consequências imediatas da Tomada da Bastilha foram a libertação de seus prisioneiros, a morte de quase cem revoltosos e a execução quase instantânea do marquês de Launay, decapitado logo após a rendição. A longo prazo, esse evento significou o início de um novo período da história Ocidental, a Idade Contemporânea, por iniciar um profundo processo de ruptura com o Antigo Regime.

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Quem participou da Tomada da Bastilha?

A Tomada da Bastilha envolveu cerca de novecentos populares revoltosos de um lado e mais de cem militares do Exército francês do outro, muitos dos quais desertaram a favor dos insurgentes, tanto pela coerção quanto pela simpatia aos ideais do Terceiro Estado. A deserção em massa tornou-se essencial para a vitória dos revoltosos, já que os desertores trouxeram com eles diversas armas da fortaleza, incluindo canhões.

Do lado do exército fiel ao rei Luís XVI, encontravam-se o governador marquês de Launay e o coronel Charles-Eugéne de Lorraine, ambos comandantes de Bastilha na ocasião. Entre os revoltosos, destacaram-se três líderes que seriam peças-chave no processo da Revolução Francesa: Pierre-Augustin Hulin, futuro general de Napoleão Bonaparte; Camille Desmoulins, jornalista e advogado que instigou a população francesa a aderir à revolução, especialmente a partir da notícia da demissão de Necker; Georges Jacques Danton, que se tornaria membro do Comitê de Salvação Pública, Ministro da Justiça e presidente da Convenção Nacional, até ser executado durante o Período do Terror (1793-1794) liderado por Maximilien de Robespierre.

Tomada da Bastilha e o início da Revolução Francesa

Ocorrida em 14 de julho de 1789, a Tomada da Bastilha é um evento inerente à Revolução Francesa. Compreendida como o primeiro evento dessa revolução que atingiria seu término no ano de 1799, a queda da fortaleza de Bastilha é o início de um complexo processo de reestruturação política e social da França e, posteriormente, da Europa.

A conquista da Bastilha possuía significado simbólico, por demonstrar a superação das camadas populares sobre um dos maiores ícones do absolutismo francês em Paris. O sucesso da tomada da fortaleza influenciou populares de toda a nação a rebelarem-se contra o Antigo Regime.

As mudanças ocorridas quase imediatamente incluíam a abolição dos privilégios da nobreza e do clero e de suas leis feudais, a fundação da Guarda Nacional (composta por cidadãos armados para proteger a Assembleia), a aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e a Marcha das Mulheres sobre Versalhes. Esse último, em particular, iniciou-se como um protesto local de mulheres francesas contra os preços dos alimentos e tornou-se uma onda de revolucionários armados que cercou o palácio do rei e exigiu sua presença em Paris, junto da família e dos membros da Assembleia Nacional, a fim de que se aprovassem as demandas populares.

Anúncio da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, uma das conquistas da Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha).
A arte de Jean-Jacques-François Le Barbier, em 1789, enunciava publicamente a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Em 1790, promulgou-se a Constituição Civil do Clero, que transformou os membros da Igreja em funcionários do governo e confiscou os bens da instituição religiosa. No ano seguinte, promulgou-se a primeira Constituição francesa baseada em uma monarquia constitucional. Nela, incluía-se a divisão política em Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e a formação de uma Assembleia Legislativa formada por 745 deputados.

O processo revolucionário foi novamente intensificado em 1792, quando os jacobinos (pequena burguesia) e girondinos (alta burguesia), especialmente, passaram a disputar suas respectivas reivindicações na recém-fundada Convenção Nacional. Naquele mesmo ano, a França havia declarado guerra contra a Áustria e a Prússia, que haviam se tornado ameaças contrarrevolucionárias temerosas com a disseminação dos ideais iluministas. Em 22 de setembro, a França refreou a Prússia e instituiu uma República baseada especialmente nos interesses políticos dos jacobinos, que obtiveram a maioria dos votos da Convenção Nacional.

Posteriormente, em 1793, o rei Luís XVI foi executado na guilhotina, acusado de participar dos complôs internacionais contra a França. Diversas tropas de coalizão antirrepublicanas (naquela ocasião, formadas por austríacos, por prussianos, por ingleses, por russos, por espanhóis e por portugueses) levaram o líder jacobino, Maximilien de Robespierre, a decretar a prisão dos girondinos e a iniciar um governo autoritário conhecido como o Período do Terror, que durou até 1794 e levou à execução de aproximadamente 35 mil pessoas, incluindo aliados que despertassem o mínimo de desconfiança do ditador.

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Após a morte de Robespierre, os deputados termidorianos (moderados) tomaram posse na Convenção, o que levou a uma nova onda de guerra civil que se estendeu pelos anos seguintes. O processo revolucionário terminou em 1799, quando o general Napoleão Bonaparte atendeu ao pedido de socorro do Diretório e aplicou um golpe de Estado que daria início à Era Napoleônica.

Demolição da Bastilha

Por ser um símbolo do absolutismo, a Bastilha, que se estima ter medido até 90 metros de comprimento, 46 metros de largura e 30 metros de altura em seus pontos mais altos, foi demolida em poucos meses após sua tomada.

O processo de demolição iniciou-se no dia seguinte ao evento, em 15 de julho de 1789, envolvendo cerca de mil trabalhadores comandados pelo empreiteiro Pierre-François Palloy (que, diz-se, procurou lucrar o máximo possível com a venda de resquícios da fortaleza e de miniaturas feitas de suas pedras e até mesmo com visitas guiadas pelo local em processo de demolição).

Ao contrário dos métodos de implosão utilizados atualmente, a demolição da Bastilha foi feita manualmente, por meio de picaretas, marretas e outras ferramentas. Além disso, as pedras da fortaleza foram reaproveitadas em outras obras públicas (especialmente na Ponte da Concórdia, em Paris). Em novembro daquele mesmo ano, a demolição já havia sido concluída, e, em seu lugar, inaugurou-se a Praça da Bastilha.

Parte da Praça da Bastilha em Paris, onde aconteceu a Tomada da Bastilha (ou Queda da Bastilha).
Parte da Praça da Bastilha em Paris, local onde ficava a Bastilha.

Exercícios resolvidos sobre Tomada da Bastilha

Questão 1

(IFSP - Adaptado) Antes de 1789, inúmeros problemas devastavam a França, o que a levou à grande revolução de 14 de julho. Assinale a alternativa que contém os fatores que propiciaram o surgimento da Revolução.

A) O decreto do Bloqueio Continental por Napoleão Bonaparte, o que levou praticamente toda a Europa a uma guerra. Esta, fazendo milhares de vítimas entre os franceses, trouxe um colapso à economia (pela diminuição da mão de obra) o que levou o país à revolução de 14 de julho.

B) A coroação de Luís XIV como o “rei Sol”. Monarca vaidoso e perdulário, construiu Versalhes, solapando as finanças francesas, o que levou o país a imensos déficits. Descontentes com a situação, filósofos iluministas pregavam a substituição da Monarquia por uma República e a luta entre monarquistas e republicanos levou ao início da Revolução.

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C) O enorme déficit causado por altos gastos com a Corte e o pagamento de dívidas aliado às baixas receitas, recaindo todo o ônus dos impostos sobre o Terceiro Estado. Além disso, o ideário iluminista adotado pela burguesia fez com que esta se dispusesse a lutar por uma igualdade jurídica.

D) A França estava devastada pelas guerras de religião, havendo perseguições e assassinatos de huguenotes pelos católicos. Buscando a paz social, o rei Luís XIV estabeleceu o Edito de Nantes, trazendo a liberdade religiosa. Descontentes com a medida real, os católicos depuseram e aprisionaram o rei, o que deu início à revolução.

Resolução:

Alternativa C.

Influenciados pelo iluminismo, os representantes da burguesia passaram a reivindicar uma maior participação do Terceiro Estado na política, já que a grande maioria dos impostos reincidia sobre a população menos privilegiada da sociedade francesa do Antigo Regime.

Questão 2

(Etec - Adaptado) Iniciada em 1789, a Revolução Francesa tinha como um de seus principais objetivos a abolição da sociedade de Antigo Regime, com o fim dos privilégios e das desigualdades entre os diferentes grupos sociais. Pouco antes da Revolução, a sociedade francesa estava dividida entre:

A) apoiadores de Napoleão e de Robespierre, importantes lideranças políticas conservadoras que lutavam pela manutenção da monarquia francesa. 

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B) burguesia e trabalhadores rurais e urbanos, já que o clero e a nobreza não tinham participação significativa na política francesa no período pré-revolucionário. 

C) Girondinos e Sans Culottes, grupos rivais que disputavam a hegemonia política e representavam os diferentes interesses da burguesia na relação com o rei Luís XVI. 

D) Primeiro e Segundo Estados (clero e nobreza), que reuniam cerca de 2% da população, e Terceiro Estado, que abrigava a burguesia, os trabalhadores urbanos e rurais e pagava, sozinho, todas as taxas e os impostos diretos cobrados pela monarquia. 

E) Primeiro e Segundo Estados (clero e nobreza), que reuniam a minoria da população, mas pagavam, sozinhos, todas as taxas e os impostos diretos que financiavam os programas assistenciais que mantinham parte do Terceiro Estado.

Resolução:

Alternativa D.

No Antigo Regime francês, o sistema de estamentos inseria a maior camada da população, cerca de 98% dela, no Terceiro Estado. Enquanto esse grupo arcava com a maior parte dos impostos cobrados pelo Estado francês, o clero (Primeiro Estado) e a nobreza (Segundo Estado) eram privilegiados com a isenção da maior parte das cobranças. No cenário político, significava que o clero e a nobreza defendiam os mesmos interesses em oposição às reivindicações da grande porcentagem populacional.

Crédito de imagem

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Guillaume Flament / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

BERTAUD, Jean-Paul. The Army of the French Revolution. Princeton: Princeton University Press, 1988.

CHARTIER, Roger. Origens culturais da Revolução Francesa. São Paulo: UNESP, 2009.

ELIAS, Alice. Revolução Francesa: Robespierre e a maior parte dos jacobinos são executados na guilhotina, 2022. In: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP). Disponível em https://www.fflch.usp.br/34666.

HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1996.

HUNT, Lynn. Política, cultura e Revolução Francesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

LEFEBVRE, Georges. 1789: O surgimento da Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

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PINSKY, Carla B. História da cidadania. São Paulo: Editora Contexto, 2015.

REED, Kalso. Bastille, 2019. EBSCO. Disponível em https://www.ebsco.com/research-starters/history/bastille.

Autor: Cassio Remus de Paula
Escrito por Cassio Remus de Paula Cássio é doutor em História pela UFPR, mestre e bacharel em História pela UEPG. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia.
Revisor(a): Lara Beatriz de Souza Teixeira
Revisado por Lara Beatriz de Souza Teixeira Formada em Letras: Português pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduanda em Revisão e preparação de textos pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e em Língua, literatura e práticas de ensino na educação básica pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) e mestranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), é corretora de redações, preparadora e revisora de textos do Brasil Escola e apaixonada por livros.
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PAULA, Cassio Remus de. Tomada da Bastilha. Brasil Escola, 2026. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/queda-bastilha.htm. Acesso em 09 de setembro de 2026.
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Exercício 1

As novas forças sabiam muito precisamente o que queriam. Turgot, o economista fisiocrata, lutou por uma exploração eficiente da terra, por um comércio e empresa livres, por uma administração eficiente e padronizada de um único território nacional homogêneo, pela abolição de todas as restrições e desigualdades sociais que impediam o desenvolvimento dos recursos nacionais e por uma administração e taxação racionais e imparciais. Ainda assim, sua tentativa de aplicação desse programa como primeiro-ministro no período 1774-1776 fracassou lamentavelmente, e o fracasso é característico.

HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p.101.

O texto refere-se a algumas tentativas de reforma na economia propostas por Turgot que, entretanto, segundo o autor, fracassaram. Conhecendo o contexto da sociedade francesa das décadas de 1770-1780, o fracasso das reformas de Turgot evidenciava:

a) o atraso e o desconhecimento técnico que caracterizavam Turgot e outros intelectuais franceses da época.

b) a recusa da aristocracia francesa em realizar qualquer tipo de reforma que prejudicasse os seus privilégios.

c) os interesses externos, sobretudo espanhóis, em manter a França em um modelo econômico atrasado.

d) a relutância dos camponeses franceses em aprovar mudanças econômicas no país, temendo que se repetisse na França o que acontecia na Inglaterra.

e) os anseios da nobreza francesa em estagnar o país, visando destituir Luís XVI do trono para que Napoleão Bonaparte ascendesse.

Exercício 2

Com a forte crise econômica que atingia a França na década de 1780, foi sugerida ao rei Luís XVI a convocação da assembleia dos Estados Gerais (que não acontecia desde 1614). A convocação dos Estados Gerais foi uma medida que visava:

a) debater reformas profundas na sociedade francesa que iniciassem uma grande modernização do país.

b) debater possibilidades de intensificar a exploração econômica sobre o Haiti e as colônias da América do Norte para conter o rombo na economia.

c) debater reformas e mudanças na economia, sem que houvesse a necessidade de retirar os privilégios da aristocracia francesa.

d) propor uma aliança econômica com os ingleses que beneficiasse a economia francesa.

e) debater apenas ações que visassem reprimir os levantes populares em Paris sem se preocupar com a questão econômica.

Exercício 3

O esvaziamento dos cofres e o endividamento francês resultaram em uma forte crise econômica, que contribuiu para o agravamento da situação do povo. A alta dos preços, a falta de alimentos e o desemprego crescente levaram milhares de pessoas ao desespero, o que provocou a insatisfação popular e foi um dos motivos para o início da revolução. O endividamento francês estava relacionado com a participação do país em dois conflitos na segunda metade do século XVIII. Esses conflitos foram:

a) Guerra dos Trinta Anos e Guerra Franco-Prussiana

b) Guerra dos Sete Anos e Guerra da Crimeia

c) Guerra dos Sete Anos e Revolução Americana

d) Revolução Americana e Guerra dos Trinta Anos

e) Guerra da Crimeia e Guerra Franco-Prussiana

Exercício 4

A insatisfação popular provocou inúmeros levantes na cidade de Paris em 1789. Esses levantes coincidiram com o conflito político que motivou a criação da Assembleia Nacional Constituinte pelos representantes do Terceiro Estado. A possibilidade de repressão contra a recém-criada assembleia levou a população parisiense às armas. Isso resultou em um evento que marcou o início e a difusão da revolução por toda a França. Estamos falando:

a) da execução de Luís XVI.

b) do ataque popular ao Palácio de Tulherias.

c) da formação da Guarda Nacional.

d) da tomada da Bastilha.

e) do Grande Medo.