Whatsapp icon Whatsapp
Copy icon

Luiz Inácio Lula da Silva

Biografia

Luiz Inácio Lula da Silva foi metalúrgico na sua juventude, tornou-se líder sindical, político e chegou à presidência ao vencer a eleição em 2002.
Lula liderando um protesto no final da década de 1970.[1]
Lula liderando um protesto no final da década de 1970.[1]
PUBLICIDADE

Luiz Inácio Lula da Silva é um político brasileiro reconhecido por ter sido presidente do Brasil de 2003 a 2011. Lula iniciou sua trajetória profissional como metalúrgico, tornou-se sindicalista e líder de greves de trabalhadores, por fim, atuou na fundação do PT e tornou-se presidente ao vencer a eleição de 2002.

Acesse também: Governo de José Sarney — o primeiro governo após o fim da Ditadura Militar

Resumo sobre Luiz Inácio Lula da Silva

  • Lula nasceu no agreste pernambucano, em 1945.

  • Mudou-se para São Paulo ainda na infância, e, na adolescência, tornou-se metalúrgico.

  • Foi líder sindical na década de 1970 e liderou greves de trabalhadores.

  • Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e se tornou um dos líderes desse partido.

  • Foi presidente do Brasil entre 2003 e 2011.

Nascimento e juventude de Lula

Luiz Inácio da Silva, posteriormente conhecido como Luiz Inácio Lula da Silva, nasceu em Caetés, município localizado no agreste pernambucano, em 27 de outubro de 1945. Na ocasião do seu nascimento, Caetés não era emancipada e fazia parte do município de Garanhuns.

Lula é originário de uma família humilde, e seus pais eram lavradores agricultores. As dificuldades que a família enfrentava motivaram seu pai, Aristides Inácio da Silva, a se mudar para Santos para trabalhar como estivador. Lá, ele procuraria tirar o sustento de sua família.

Sua mãe, Eurídice Ferreira de Melo, permaneceu em Pernambuco, mas, quando Lula tinha sete anos, ela decidiu se mudar para o Guarujá, em São Paulo. Chegando lá, ela encontrou Aristides vivendo com uma segunda família, e, após uma breve convivência, Eurídice decidiu viver sozinha com seus filhos. Em 1954, ela foi viver sozinha em São Paulo, capital do estado, e Lula se juntou à mãe em 1956. Na infância, dividiu os estudos com o trabalho e atuava como ambulante e engraxate.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Vida adulta e adesão ao sindicalismo

Na adolescência, Lula também dividia seu tempo entre estudos e trabalho, e, com 12 anos, conseguiu um trabalho em uma tinturaria. Com 14 anos, ele teve sua carteira assinada pela primeira vez, e, em 1961, ingressou em um curso do Senai de tornearia mecânica, que encerrou em 1963. No ano seguinte, ele conseguiu um emprego em uma metalúrgica.

Foi nesse emprego que ele perdeu o seu dedo mínimo. O nome da empresa era Metalúrgica Independência, e o acidente aconteceu no turno da madrugada. O médico que o atendeu decidiu decepar o resto do membro, e a empresa teve que pagar uma indenização de 350 mil cruzeiros a Lula. Posteriormente, ele saiu dessa metalúrgica por querer aumento salarial.

No final da década de 1960, Lula passou a frequentar sindicatos de trabalhadores metalúrgicos, e isso se deu por influência de um de seus irmãos, que era militante comunista. Lula passou a conciliar sua jornada como operário com as obrigações do sindicato, chegando a ser eleito para cargos importantes, como o de primeiro-secretário de um sindicato de metalúrgicos no ABC paulista.

Em 1975, Lula se tornou presidente de um sindicato de metalúrgicos no ABC paulista, e, nessa função, tornou-se uma personalidade influente entre os trabalhadores. No final da década de 1970, ele liderou grandes greves de trabalhadores metalúrgicos na região. Essas greves foram importantes porque marcaram o ressurgimento do movimento operário depois que a repressão dos militares havia aumentado em 1968.

O envolvimento de Lula com as greves dos operários no ABC paulista fez dele alvo da repressão da ditadura, e, por isso, em 1980, ele foi preso e permaneceu no Dops, centro da repressão, por 31 dias.

Confira no nosso podcast: Principais pontos para entender a Ditadura Militar brasileira

Carreira política de Lula

Com as atividades sindicais, Lula fazia parte de um grupo de pessoas que debatia a formação de um partido que atuasse na defesa dos trabalhadores. O objetivo desse partido era atuar, no Legislativo e Executivo, na proposição de leis benéficas aos trabalhadores. Daí nasceu o Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980.

A atuação sindical e partidária de Lula ganhou força a partir daí. Em 1982, ele se candidatou a governador do estado de São Paulo, mas não foi eleito. Em 1983, foi apresentada a Emenda Dante de Oliveira, que defendia o retorno do voto direto na eleição presidencial. Lula apoiou a emenda e engajou-se nas manifestações das Diretas Já.

Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo, sendo o candidato mais votado do Brasil. Como deputado, fez parte da Assembleia Constituinte de 1987, que atuou na elaboração da Constituição de 1988, um dos documentos mais importantes da história recente do Brasil. Enquanto constituinte, Lula defendeu pautas como o direito à greve e a reforma agrária.

Em 1989, Lula procurou dar um salto em sua carreira política e candidatou-se à eleição para a presidência do Brasil. Essa foi a primeira eleição presidencial de nosso país pelo voto direto desde 1960, e ficou marcada pela grande quantidade de candidatos na disputa. Nela, Lula foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello.

Lula ainda concorreu à presidência nas eleições de 1994 e 1998, e, nas duas ocasiões, foi derrotado no primeiro turno pelo candidato do PSDB Fernando Henrique Cardoso.

  • Videoaula sobre reforma agrária

Governo Lula

Em 2002, novamente Lula se candidatou à presidência, e, nesse momento, o seu grande adversário político, o PSDB, estava enfraquecido devido à crise que atingiu os últimos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso. Na eleição presidencial de 2002, Lula venceu no segundo turno, obtendo 61% dos votos válidos. Seu adversário, José Serra, teve 39% dos votos válidos.

Selo comemorativo de Luiz Inácio Lula da Silva
Lula foi presidente do Brasil de 2003 a 2011, e seu governo ficou marcado pelos bons resultados na economia.[2]

A vitória de Lula só foi possível por conta de sua aliança com grupos conservadores da política brasileira e sua promessa de que adotaria medidas pragmáticas para a economia, anunciando que respeitaria todos os compromissos que o Brasil possuía com o capital estrangeiro. Os símbolos dessa moderação no discurso político de Lula se deram pela “Carta aos brasileiros” e pela escolha de seu vice, José de Alencar, político do Partido Liberal.

O governo Lula se iniciou em 1º de janeiro de 2003, sendo que suas primeiras medidas para a economia foram de fato pragmáticas, como a decisão de reduzir os gastos do governo. Além disso, não houve nenhuma proposta do governo Lula que rompesse com os privilégios das elites econômicas do Brasil.

O governo Lula ficou marcado por obter resultados significativos para a economia brasileira, dentro os quais, destaca-se:

  • redução da dívida pública de 76% para 61% do PIB;

  • redução da inflação de 12,5%, em 2002, para 3,1%, em 2006;

  • crescimento do PIB de 5,7%, em 2004, 4%, em 2006, e 6%, em 2007;

  • aumento das reservas em dólar do Brasil para cerca de 300 bilhões de dólares;

  • aumento do salário mínimo de 200 reais para 540 reais ao longo dos oito anos de governo;

  • baixa da taxa de desemprego de 13% para 6%;

  • redução na desigualdade social, segundo o coeficiente Gini, de 0,589, em 2002, para 0,527, em 2011;

  • 22 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema no Brasil;

  • 25 milhões de pessoas passaram a integrar a classe média.|1|

Os bons resultados do governo Lula na economia gabaritaram o presidente para um segundo mandato. Em 2006, ele venceu a eleição presidencial e foi reeleito presidente do Brasil, derrotando Geraldo Alckmin, do PSDB. Lula obteve 61% dos votos válidos e Alckmin obteve 39% dos votos válidos.

O fim do primeiro mandato de Lula ficou marcado também por um escândalo de corrupção que recebeu o nome de mensalão. Nesse escândalo, foi descoberto que membros do PT estavam comprando parlamentares por meio de caixa 2, com o objetivo da garantir o apoio desses parlamentares aos projetos do PT no Legislativo.

O escândalo do mensalão estourou um ano antes das eleições presidenciais e fez com que alguns membros do governo fossem desligados de seus cargos. Apesar do abalo no governo, Lula não foi diretamente atingido porque as denúncias não o acusaram de estar envolvido com a compra dos parlamentares. Para saber mais sobre o tema do tópico, leia nosso texto: Governo Lula.

Lula nos últimos tempos

Os últimos anos de Lula ficaram marcados por problemas com a Justiça por conta de denúncias de corrupção feitas contra ele. As denúncias apareceram por meio de investigações da Polícia Federal na Operação Lava-jato e na Operação Zelotes. Lula foi acusado de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, corrupção passiva, entre outros.

Lula falando ao microfone em comício, após a sua soltura, junto a outras pessoas
Lula discursando após sua soltura, em novembro de 2019.[3]

Lula chegou a ser levado em julgamento perante o juiz Sérgio Moro, que o condenou a nove anos e seis meses pelo caso de corrupção que envolvia um triplex em Guarujá. Posteriormente, a pena foi aumentada para 12 anos e um mês. Em 7 de abril de 2018, Lula foi preso e permaneceu em regime fechado por 580 dias.

Em 8 de novembro de 2018, foi emitida ordem judicial determinando a sua soltura porque o seu caso não havia sido transitado em julgado, isto é, as instâncias não estavam esgotadas. Como Lula havia sido condenado em segunda instância, foi emitida decisão para que ele fosse solto e só fosse preso quando seu julgamento estivesse finalizado.

Em abril de 2021, o Supremo Tribunal Federal decidiu anular a condenação do ex-presidente realizada pelo juiz Sérgio Moro, que analisou as denúncias da Operação Lava-jato. Sérgio Moro foi considerado incompetente para julgar o caso. O STF também determinou que Moro havia sido parcial no julgamento em questão.

Notas

|1| MOTTA, Rodrigo Patto Sá. O Lulismo e os governos do PT. In.: FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucília de Almeida Neves (orgs.). O Brasil Republicano: da transição democrática à crise de 2016. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. p. 415-445.

Créditos das imagens

[1] casa.da.photo e Shutterstock

[2] catwalker e Shutterstock

[3] LP Press e Shutterstock

 

Por Daniel Neves Silva
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Luiz Inácio Lula da Silva"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/luiz-inacio-lula-da-silva.htm. Acesso em 27 de novembro de 2021.

Artigos Relacionados
Conheça os debates que levaram à formação da Assembleia Constituinte em 1987 e que deu origem à Constituição Federal de 1988.
Acesse este texto do Brasil Escola e saiba mais detalhes sobre o processo de elaboração da Constituição de 1988 – a Constituição Cidadã. Aprenda sobre o contexto histórico que resultou na escrita desse novo texto constitucional e veja quais as grandes mudanças que a nova Constituição trouxe para o Brasil.
Acesse o site e conheça mais sobre o movimento das Diretas Já. Saiba mais sobre os seus líderes, como aconteceu os comícios e o desfecho desse movimento.
Veja aqui como Fernando Henrique Cardoso governou o Brasil por dois mandatos e implantou a política neoliberal: privatizações das estatais.
Clique e veja detalhes a respeito do governo de José Sarney. Entenda como um apoiador da ditadura tornou-se o primeiro presidente civil após o fim desse regime.
Clique neste link do Brasil Escola e tenha acesso a algumas informações referentes aos anos do governo Lula. Esse governo correspondeu ao período 2003-2011 e ficou caracterizado por tomar medidas – algumas questionadas – que contribuíram para o desenvolvimento econômico e ficou manchado por escândalos de corrupção.
Leia este texto e amplie seus conhecimentos a respeito da história das eleições no Brasil. Veja quando foi realizada a primeira eleição no Brasil e por quais mudanças esse sistema passou em nosso país. Saiba ainda quais foram os presidentes eleitos por eleição direta.