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Fernando Collor de Melo

Fernando Collor de Melo é um político brasileiro que ficou conhecido por ter sido eleito presidente em 1989 e ter sofrido impeachment após um escândalo de corrupção em 1992.

Fernando Collor de Melo durante sua posse à presidência da república em 1990.[1]
Fernando Collor de Melo durante sua posse à presidência da república em 1990.[1]
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Fernando Collor de Melo é um político brasileiro que iniciou sua carreira política no final da década de 1970, no estado de Alagoas, e, desde então, foi prefeito de Maceió, deputado federal, senador e governador por Alagoas, além de eleito presidente em 1989, derrotando Lula no segundo turno daquela disputa.

Seu governo ficou marcado por uma medida extremamente impopular — o confisco dos valores em poupanças e contas-correntes — e por um escândalo de corrupção denunciado por Pedro Collor, seu irmão. Collor sofreu impeachment, sendo destituído da posição de presidente em 1992.

Veja também: Vice-presidentes que assumiram o governo no Brasil

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Fernando Collor de Melo

  • Fernando Collor de Melo nasceu no Rio de Janeiro, pertencendo a uma família de tradição na política brasileira.

  • Iniciou sua carreira profissional trabalhando nas empresas que pertenciam a seu pai.

  • Por influência paterna, ingressou na política, sendo nomeado prefeito de Maceió.

  • Foi deputado federal, senador e governador pelo estado de Alagoas.

  • Foi eleito presidente do Brasil em 1989, sofrendo impeachment por corrupção em 1992.

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Nascimento de Fernando Collor

Fernando Afonso Collor de Melo nasceu em 12 de agosto de 1949, no Rio de Janeiro. Sua família sempre foi influente politicamente e detentora de posses. Seu pai, Arnon de Melo, foi um político tradicional no estado das Alagoas, eleito governador, deputado federal e senador por esse estado. A mãe de Collor, Leda Collor de Melo, também tinha parentes na política, como seu pai (avô de Collor), que tinha sido deputado pelo Rio Grande do Sul.

Por conta do cargo político de seu pai, Collor passou sua juventude viajando entre três importantes cidades: Rio de Janeiro, Maceió e Brasília. Estudou em importantes colégios do Rio de Janeiro e de Brasília, graduou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Alagoas, e, em 1972, iniciou sua carreira profissional na capital alagoana.

Vida profissional e política de Fernando Collor

Em Maceió, Collor dedicou-se a diferentes atividades, trabalhando na direção da Gazeta de Alagoas, jornal que pertencia a seu pai. Também trabalhou em outra organização de sua família, a Organização Arnon de Melo, além de ter atuado como presidente de um clube de futebol tradicional da cidade, o Centro Sportivo Alagoano (CSA).

No final da década de 1970, ingressou na política, e isso aconteceu também graças à influência de seu pai. Fernando Collor ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido que apoiava a Ditadura Militar, e foi indicado para assumir a prefeitura de Maceió. Anos depois, decidiu candidatar-se a deputado federal pelo Partido Democrático Social (PDS), sucessor do Arena.

Foi eleito deputado federal e presenciou momentos importantes da história brasileira. Na campanha das Diretas Já, votou favorável à aprovação da emenda, mas, com a rejeição dela, teve de participar da eleição indireta para presidente, votando em Paulo Maluf, o candidato dos militares. Em 1985, Collor decidiu mudar de partido e filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Nesse partido, ele surfou na onda de popularidade temporária por conta do Plano Cruzado, durante o governo Sarney. Esse plano reduziu drástica e artificialmente a inflação que afetava o país. Com isso, ele foi eleito governador em Alagoas com 52,83% dos votos, derrotando o candidato do Partido da Frente Liberal (PFL), Guilherme Palmeira.

Durante seu mandato como governador de Alagoas, Collor procurou reforçar sua imagem como um “caçador de marajás”, expressão usada para se referir a funcionários públicos que ganhavam salários entendidos como exorbitantes.

Para isso, entrou na Justiça para obter o direito de não pagar os salários de determinados funcionários públicos, mas foi derrotado, e a Justiça reforçou que os salários do funcionalismo público deveriam ser pagos.

Collor explorou bastante essa sua imagem de justiceiro e procurou consolidá-la em nível nacional. Para isso, contou com a orientação de profissionais de marketing, tendo em vista viabilizar sua candidatura para presidente do Brasil na eleição de 1989.

Leia também: História das eleições no Brasil

Governo de Fernando Collor

As eleições de 1989 foram um momento marcante para a história brasileira porque nelas ocorreu a primeira eleição presidencial direta desde 1960, quando Jânio Quadros foi eleito. Nesse ano houve apenas o pleito para presidente, com um grande número de candidatos: 22 no total.

Para candidatar-se à presidência, Collor abandonou o PMDB e participou da fundação de um novo partido, o Partido da Reconstrução Nacional (PRN). A candidatura de Collor teve grande força ao longo do ano de 1989, principalmente por conta do apoio que recebeu de jornais da grande mídia.

A campanha de Collor obteve um resultado muito positivo, e, já no primeiro turno, ele recebeu 30,47% dos votos válidos. O segundo turno foi travado entre Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O resultado determinou que Collor foi eleito presidente com 53% dos votos válidos.

A vitória de Collor deixou uma parte da população brasileira otimista com as possibilidades do novo governo, mas a realidade que se viu foi outra. Seu governo tomou uma das medidas mais impopulares da história econômica recente do nosso país.

Buscando melhorar a situação da economia brasileira, Collor autorizou uma série de medidas de choque, entre elas o confisco dos valores depositados na poupança e em conta-corrente. O plano não deu certo, e, após um breve recuo da inflação, ela voltou com força. Além disso, o impacto do confisco das poupanças e contas-correntes foi enorme, contribuindo para queda no consumo e para falência de empresas.

→ Impeachment de Fernando Collor

O governo Collor deveria ter tido quatro anos de duração, mas teve vida curta porque um escândalo de corrupção envolvendo o presidente fez com que ele sofresse um impeachment, isto é, fosse destituído do cargo. O escândalo foi descoberto por meio de uma denúncia que Pedro Collor, irmão do presidente, fez para um grande veículo de imprensa.

Na denúncia, Collor foi acusado de estar envolvido com um esquema de corrupção conduzido por PC Farias, o tesoureiro da sua campanha presidencial. Estima-se que Collor tenha arrecadado ilegalmente cerca de 60 milhões de dólares, e essas denúncias levaram à formação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Com as denúncias, milhares de brasileiros foram às ruas protestar contra o governo, ficando conhecidos como caras-pintadas. As investigações foram avançando, e o impeachment de Collor se tornou a opção mais viável. Em 29 de setembro de 1992, ele foi afastado da presidência, e seu impeachment foi confirmado por deputados federais e por senadores tempos depois.

A sucessão do poder foi transmitida para Itamar Franco, então vice-presidente do Brasil, sendo sua posse oficializada no dia 29 de dezembro de 1992. O processo de impeachment de Collor também resultou na suspensão dos seus direitos políticos por oito anos.

Saiba mais: Impeachment de Dilma Rousseff

Fernando Collor após o impeachment

Fernando Collor passou os anos seguintes ao seu impeachment procurando reverter a suspensão dos seus direitos políticos, mas não teve sucesso. Ele só pôde concorrer às eleições novamente em 2002, quando decidiu se lançar ao governo de Alagoas pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).

Obteve mais de 40% dos votos para o governo de Alagoas, mas foi derrotado por Ronaldo Lessa, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que obteve quase 53% dos votos.

Em 2006, concorreu ao Senado por Alagoas, sendo eleito com 44,04% dos votos e derrotando Ronaldo Lessa, então filiado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Em 2014, foi novamente eleito para o Senado, obtendo 55,69% dos votos e derrotando a candidata Heloísa Helena, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Crédito de imagem

[1] Wikimedia Commons (reprodução)

 

Por Daniel Neves
Professor de História

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Fernando Collor de Melo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/fernando-collor.htm. Acesso em 25 de julho de 2024.

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