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Grande Sertão: Veredas da literatura de Guimarães Rosa

Literatura

Guimarães Rosa reinventou a prosa regionalista brasileira. Dono de uma linguagem única, presenteou nossa literatura com uma obra-prima, o livro Grande Sertão: Veredas.
Grande Sertão: Veredas foi publicado em 1956 e, segundo o próprio escritor, foi escrito em apenas três dias e duas noites *
Grande Sertão: Veredas foi publicado em 1956 e, segundo o próprio escritor, foi escrito em apenas três dias e duas noites *
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Guimarães Rosa é um dos maiores escritores da literatura brasileira e certamente está entre os maiores escritores da língua portuguesa. Nome associado à prosa regionalista brasileira, foi como poucos um autor universal, embora a maior parte de suas histórias tenha como cenário o sertão e o interior de Minas Gerais. Por meio do homem simples do campo, Rosa abordou temas de dimensão universal, como o bem o mal, Deus e o diabo, o amor, a violência, a morte, a traição, entre outros temas que afligem não apenas o homem do sertão mineiro, mas também o homem urbano, esteja ele onde estiver.

Falar de Guimarães Rosa é falar de seu Grande Sertão: Veredas. A obra-prima de Rosa foi escrita em 1956 e inicialmente seria uma novela que integraria o livro Corpo de Baile, mas as ideias ganharam tanta força e autonomia que o escritor decidiu fazer delas um romance, romance que entraria definitivamente para a história da literatura brasileira como uma de suas maiores realizações. Riobaldo é o narrador-protagonista que faz um relato de sua vida para um interlocutor com quem interage durante toda a narrativa, mas que nunca aparece na história. Como, então, poderia um monólogo ser tão interessante e atingir níveis extremos de beleza e poesia?

Guimarães Rosa era mestre das palavras, transitava como poucos entre a prosa e a poesia. Empregou elementos nunca antes utilizados na prosa brasileira, elementos como metáforas, aliterações, onomatopeias e ritmo. A força criadora de Rosa inventou uma nova linguagem, permeada por neologismos e empréstimos linguísticos, resgatou termos em desuso e explorou novas estruturas sintáticas para recriar a linguagem do homem simples do interior. Por esse e outros tantos motivos, Grande Sertão: Veredas é um daqueles livros inesquecíveis, que fazem parte da bibliografia básica de todo apaixonado pela literatura.

Para que você conheça um pouco mais sobre a obra-prima de Guimarães Rosa, o Brasil Escola fez para você um inventário das melhores frases e aforismos do livro. Grande Sertão: Veredas é um livro para se ler com lápis e papel à mão, pois é praticamente impossível não ter vontade de anotar suas incontáveis belas passagens. Temos certeza de que depois dessa breve leitura você ficará com vontade de conhecer a fundo a maior realização literária do mestre Guimarães Rosa. Boa leitura!

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Vou longe. Se o senhor já viu disso, sabe: se não sabe, como vai saber? São coisas que não cabem em fazer ideia."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas

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Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 59 anos, em 19 de novembro de 1967 **
Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 59 anos, em 19 de novembro de 1967 **

"...digo. Esta vida está cheia de ocultos caminhos. Se o senhor souber, sabe; não sabendo, não me entenderá."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre – o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém!."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Eu cá, não perco ocasião de religião. Aproveito de todas. Bebo água de todo o rio... uma só para mim é pouca, talvez não me chegue."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por que é que é."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Pouco se vive, e muito se vê... – Um outro pode ser a gente; mas a gente não pode ser um outro, nem convém..."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado..."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso..."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende."
João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

*Essa imagem ilustra a versão em PDF do livro. Disponível em: Stoa.USP.br
**A imagem que ilustra o miolo do artigo é capa do periódico “Cadernos de Literatura Brasileira”, do Instituto Moreira Salles.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Grande Sertão: Veredas da literatura de Guimarães Rosa"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/grande-sertao-veredas-literatura-guimaraes-rosa.htm. Acesso em 19 de julho de 2019.

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