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Guerra de Troia

A Guerra de Troia foi a luta entre gregos e troianos iniciada após o rapto de Helena, esposa de Menelau, rei espartano. Teve a duração de dez anos.

Afresco panorâmico “O triunfo de Aquiles”, de Franz von Matsch, no salão principal de Achilleion, na Grécia.
“O triunfo de Aquiles”, por Franz von Matsch, um afresco panorâmico no nível superior do salão principal de Achilleion, em Gastouri, na Grécia. [1]
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A Guerra de Troia foi um conflito bélico entre gregos e troianos (pólis Esparta e Troia) da Antiguidade grega motivado pelo rapto de Helena, esposa do rei Menelau. Sua data não pode ser afirmada, já que as fontes a respeito disso são escassas. Todavia, o fato inspirou o poeta grego a produzir a primeira obra literária da história: os poemas épicos Ilíada e Odisseia, que descrevem a guerra do ponto de vista de Aquiles e Ulisses, heróis e guerreiros gregos.

Pelo fato de Troia ser uma cidade cercada por muralhas, os gregos não conseguiam ter vitórias nessa guerra e, para contornar a situação, enviaram o Cavalo de Troia, que passou pelos portões do oponente como um presente de rendição, mas havia soldados dentro dele, ato o qual originou a expressão “presente de grego”. Com isso, os gregos venceram a guerra.

Confira nosso podcast: E se os gregos não tivessem existido?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Guerra de Troia

  • A Guerra de Troia foi um conflito entre gregos e troianos, especificamente entre as cidades-Estado Esparta e Troia.

  • Não se sabe ao certo sua data e sequer se existiu, tendo em vista que a principal fonte de relatos sobre ela são as obras de Homero, Ilíada e Odisseia, dois poemas épicos que contam sobre a guerra misturando humanos, deuses e heróis.

  • Na mitologia, a guerra aconteceu porque, em uma competição com outras deusas, Afrodite prometeu Helena, esposa do rei de Esparta, a Páris, filho do rei de Troia, que a raptou, despertando a fúria do marido, Menelau.

  • Menelau deu início às batalhas, que aconteceram, em sua maioria, ao redor de Troia, uma cidade cercada por muralhas.

  • Os dois poemas, Ilíada e Odisseia, narram a Guerra de Troia das perspectivas de Aquiles (Ilíada) e Ulisses (Odisseia).

  • Aquiles era um guerreiro e semideus grego que foi morto ao tentar vingar a morte de um amigo em uma das batalhas e acabou atingido por uma flecha no calcanhar, seu único ponto fraco.

  • Há historiadores que levantam a hipótese de que a Guerra de Troia aconteceu por motivos territoriais e de migração micênica.

  • Os gregos ganharam a guerra fingindo terem desistido e reconhecido a derrota. Assim, enviaram um presente, que era um grande cavalo oco de madeira, o Cavalo de Troia, que entrou nos muros de Troia. Dentro dele estavam soldados gregos, que destruíram a cidade, matando os troianos.

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O que foi a Guerra de Troia?

A Guerra de Troia foi um conflito bélico entre gregos e troianos, justificado pelo suposto rapto de Helena (esposa de Menelau, rei espartano), realizado por Páris e Heitor (filhos do rei troiano Príamo), sendo uma guerra que durou cerca de dez anos. Usa-se “suposto” porque não há fontes suficientes para afirmar sua veracidade, tampouco seus motivos.

O que se sabe advém da obra de Homero, que escreveu poemas épicos contando as histórias dos gregos em Ilíada e Odisseia. Dessa forma, também não se sabe ao certo em qual período a guerra aconteceu. A hipótese mais aceita é a de que foi entre 1194 a.C. e 1184 a.C.

Guerra de Troia na mitologia grega

A Guerra de Troia na mitologia grega está presente nas obras de Homero, que conta a história das deusas Atena, Afrodite e Hera em um concurso, cujo juiz era Páris, filho do rei de Troia.

Para ser nomeada a mais justa entre as divindades, Afrodite prometeu a Páris a mais bela mulher da humanidade: Helena. Helena era a esposa do rei de Esparta, Menelau. Com a ajuda de Afrodite, Páris raptou Helena, gerando a Guerra de Troia.

Quando Menelau, rei de Esparta, foi resgatar a esposa, outros deuses tomaram partido. Zeus, ajudando troianos, tentou afastar divindades guerreiras. Hera, por sua vez, auxiliando os gregos, fez Zeus dormir, ocasionando assim perdas para Troia, que era uma cidade cercada por muralhas. Essa característica é fundamental, porque fez com que as batalhas acontecessem ao redor dos seus muros.

Conta-se ainda que Agamemnon, irmão de Menelau e rei de Micenas, também tentou invadir essas paredes, em busca da cunhada. Os irmãos contavam com Aquiles e seus soldados, Ulisses, Ajax e os mirmidões.

Do lado grego, estavam as divindades:

Do lado Troiano, além do próprio raptor, Páris, e seu irmão Heitor, Cassandra, as amazonas e Príamo, estavam as divindades:

Ilíada e Odisseia

Ilíada e Odisseia são dois poemas épicos de Homero que contam sobre a Guerra de Troia (um poema épico é um relato heroico). Desses, um é focado em Aquiles, e o outro, em Ulisses.

Aquiles, considerado o melhor soldado de todos os tempos, é o personagem principal da Ilíada, que narra sua fúria, após a morte de um amigo, durante a Guerra de Troia. Já a Odisseia descreve as aventuras de Ulisses em sua volta para a Grécia após longos anos de confrontos.

Não se sabe se Homero existiu mesmo ou se é uma compilação de diversos cantores populares e poetas que transmitiam as histórias gregas com personagens reais, lendários e/ou mitológicos verbalmente. De todo modo, ambas são consideradas as primeiras obras de Literatura do Ocidente.

Estátuas representando a “Odisseia” e a “Ilíada”, no Museu da Ágora Antiga, em Atenas, na Grécia. [2]
Estátuas representando a “Odisseia” e a “Ilíada”, no Museu da Ágora Antiga, em Atenas, na Grécia. [2]

Aquiles

Aquiles foi um soldado grego, considerado um dos melhores guerreiros gregos por sua força e coragem. Era um herói, relatado por Homero também como muito bonito. Lutou durante toda a Guerra de Troia e, no décimo e último ano, ao ver seu grande amigo Pátroclo ser assassinado em batalha por Heitor, decidiu se vingar, matando-o e levando-o arrastado até o túmulo do amigo.

Por sua vez, o irmão de Heitor, Páris, também se vingou. Essa vingança se deu com o fato de que Páris matou Aquiles acertando uma flecha em seu calcanhar. Por isso, temos cunhada até hoje a expressão “calcanhar de Aquiles” para falar sobre algum tipo de ponto fraco.

Existiram várias lendas sobre Aquiles e seu calcanhar. Uma delas diz que, ao nascer, ele foi banhado pela mãe, Tétis, uma ninfa marinha, e esse banho o tornou praticamente imortal, ou seja, um semideus. Porém, o calcanhar era frágil, porque a mãe o segurou justamente por essa parte do corpo para banhá-lo, logo, não recebeu as águas da imortalidade.

Cavalo de Troia

Cavalo de Troia foi um presente de grego dado aos troianos: um equino grandioso, oco por dentro. Assim, fingiram aceitar a derrota e entraram na cidade fortificada pelos portões da frente, com soldados em seu interior, que mataram troianos e garantiram a vitória grega na Guerra de Troia, depois de dez anos.

Representação do Cavalo de Troia em Canakkale, na Turquia. [3]
Representação do Cavalo de Troia em Canakkale, na Turquia. [3]

Troia era acastelada e, por isso, conseguiu conter durante muito tempo as batalhas da guerra concentradas nos arredores de suas muralhas, até que os gregos elaboraram uma estratégia: simulariam a aceitação da derrota, enviariam um presente que conseguisse passar pelos portões e, quando estivessem lá, sairiam de dentro do presente soldados para guerrear.

O presente é o que ficou conhecido como o Cavalo de Troia, feito oco e de madeira, com muitos metros de altura e vários soldados gregos dentro. Essa tática foi responsável pela vitória grega na guerra.

Quais são as causas da Guerra de Troia?

Há estudiosos que afirmam que a Guerra de Troia aconteceu por causa de uma disputa de territórios e fruto de migrações dos aqueus (ou micênicos).

Porém, presente na obra de Homero, a justificativa mítica é a de que o rapto de Helena foi a causa.

Saiba mais: Guerras Médicas — conflitos travados entre gregos e persas pelo domínio do Mundo Antigo

A Guerra de Troia é mito ou verdade?

Para muitos historiadores, a Guerra de Troia não aconteceu, porque as fontes são escassas, e a principal delas é literária, com narrativa mítica, o que nem sempre é bem aceito. Outros afirmam ter sido uma disputa de territórios entre Esparta e Troia, com uma onda migratória micênica em direção à Ásia Menor.

Há também uma discussão sobre o que era, de fato, ser grego naqueles tempos, uma vez que a guerra é geralmente explicada como uma guerra entre gregos e troianos. Essa discussão ocorre porque a Grécia, no Período Homérico e em períodos seguintes, passou por diversas mudanças sociopolíticas.

A principal delas foi a transformação dos antigos genos (organização social de pessoas com genes em comum) em fratrias (grupos de elites, que iam além dos genos, que visavam controlar propriedades).

Depois, isso gerou tribos (várias fratrias que, quando reunidas, eram chamadas de demos) e, por fim, resultou nas pólis, as cidades-Estado gregas autônomas e independentes entre si. As pólis foram desenvolvidas por meio do sinecismo, que foi uma estratégia grega por meio da qual pequenos grupos se uniam a um maior para se defenderem. Com as junções de pequenos grupos sociais, as cidades-Estado surgiram.

Essas formas sociais foram se desenvolvendo ao longo do tempo. Dessa maneira, as pólis também eram — assim como foram os genos e demais organizações — predominantemente de um povo ou outro.

Existiram mais de 100 cidades-Estado independentes, o que significa que não havia unidade política, e sim fragmentação, assim como não existia um sentimento de “ser grego”, pois as identificações eram locais, logo o sentimento de pertença se dava somente em relação à própria cidade-Estado.

Isso coloca em dúvida a ideia de “gregos”, porque apesar de que tinham aspectos comuns, como a origem (genos), a língua e a religião (mitologia grega), só foram denominados genericamente como “gregos” tempos depois, pelos romanos.

Desse modo, os vários aspectos relacionados a essa guerra levantam um debate que divide a historiografia, de modo que não há um consenso sobre se é ou não algo que realmente aconteceu.

Vencedores da Guerra de Troia

Após o episódio do Cavalo de Troia, como vimos, os gregos saíram vencedores da guerra, que já durava dez anos, destruíram toda a cidade e mataram os principais guerreiros. Com isso, Menelau conseguiu resgatar Helena.

Filmes sobre a Guerra de Troia

Cena de Helena e Páris, em “A queda de Troia”, filme italiano do diretor Giovanni Pastrone, de 1911.
Cena de Helena e Páris, em “A queda de Troia”, filme italiano do diretor Giovanni Pastrone, de 1911.

Em 2004, o astro do cinema Brad Pitt estrelou o filme Troia, uma megaprodução dirigida por Wolfgang Petersen, com mais de 3h de duração, ganhadora de diversos prêmios e de quase 500 milhões de dólares em bilheteria, tendo ainda no elenco Orlando Bloom e Diane Kruger.

Porém, além dessa, existem outras películas, mais antigas, sobre essa guerra, que inspirou, portanto, não só a Literatura de Homero, mas também o cinema, milênios depois. Confira:

  • A queda de Troia, de 1911, dirigido por Giovanni Patrone.

  • Helena, de 1924, dirigido por Manfred Noa.

  • Helena de Troia, de 1956, dirigido por Robert Wise.

  • A guerra de Troia, de 1961, dirigido por Giorgio Ferroni.

  • A fúria de Aquiles, de 1962, dirigido por Marino Girolami.

  • A lenda de Enéas, de 1962, dirigido por Giorgio Venturini.

  • As troianas, de 1971, dirigido por Michael Cacoyannis.

  • Ifigênia, de 1977, também dirigido por Michael Cacoyannis.

  • A Odisseia, de 1997, dirigido por Andrey Konchalovsky.

  • Helena de Troia, de 2003, dirigido por John Kent Harrison.

Saiba também: Guerra do Peloponeso — uma guerra entre Atenas e Esparta pela hegemonia grega

Exercícios resolvidos sobre a Guerra de Troia

Questão 1

(Mackenzie) “Conta a história que, com a ajuda de Atena, Epeu construiu um grande cavalo de madeira, onde escondeu guerreiros. Ulisses ardilosamente introduziu-o em Troia para que os guerreiros a saqueassem.” Em sua obra, o autor transformou a luta pelo controle do estreito de Dardanelos (Helesponto) em um conflito envolvendo deuses e heróis. A obra e o respectivo autor são:

A) A República, Platão.

B) Édipo Rei, Sófocles.

C) Ilíada, Homero.

D) Os sete contra Tebas, Ésquilo.

E) A história da Guerra do Peloponeso, Tucídides.

Resolução:

Alternativa C

Ilíada, de Homero, narra sobre a guerra e também sobre o Cavalo de Troia, mencionado na citação como “um grande cavalo de madeira, onde escondeu guerreiros”.

Questão 2

(PUC-SP) A Ilíada e a Odisseia são atribuídas a Homero e referem-se, respectivamente, à Guerra de Tróia e à volta de Ulisses à sua ilha, Ítaca, ao final dessa guerra. Sobre essas duas obras, pode-se afirmar que:

a) defendem a superioridade étnica dos gregos sobre os troianos e alertam para os riscos que os deuses e mitos representavam para os gregos.

B) caracterizam papéis masculino e feminino nas sociedades gregas antigas e representam a interferência dos deuses nos assuntos dos mortais.

C) ridicularizam a falta de habilidade guerreira dos gregos e elogiam a ingenuidade política dos troianos, que aceitaram o cavalo de madeira como presente.

D) simbolizam a luta dos gregos pela democracia e criticam a disposição teocrática e tirânica dos legisladores e militares troianos.

E) associam os perigos enfrentados na viagem de volta à Grécia à necessidade de sofrer para obter a redenção e a salvação perante os deuses.

Resolução:

Alternativa B

As referidas obras de Homero abordam a intervenção de deuses em aspectos específicos, no caso, a guerra e os mortais, evidenciando em detalhes os papéis masculino e masculino nas sociedades que retratam.

Créditos de imagem

[1] Havoc / Shutterstock

[2] Wikimedia Commons (reprodução)

[3] Tminaz / Shutterstock

 

Por Mariana de Oliveira Lopes Barbosa
Professora de História

Escritor do artigo
Escrito por: Mariana de Oliveira Lopes Barbosa Doutora em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Graduada e Mestra em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG)

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

BARBOSA, Mariana de Oliveira Lopes. "Guerra de Troia"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/guerra-de-troia.htm. Acesso em 16 de junho de 2024.

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