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Aspas [“ ”]

Gramática

Aspas são sinais gráficos semelhantes a vírgulas suspensas. Elas podem ser duplas [ “ ] ou simples [ ‘ ] e são utilizadas, principalmente, para destacar uma citação.
As aspas são utilizadas, principalmente, em citações.
As aspas são utilizadas, principalmente, em citações.
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Aspas são um sinal de pontuação semelhante a vírgulas suspensas. Elas podem ser simples [ ‘ ] ou duplas [ “ ] e são usadas para destacar citações, estrangeirismos, neologismos, gírias, ironias e outras expressões. Títulos de livros e de filmes, bem como nomes de jornais e de revistas, são escritos entre aspas, mas em textos impressos, é preferível utilizar o itálico para esses casos.

Confira nosso podcast: Aprenda a usar os porquês de uma vez por todas

Resumo sobre aspas

  • As aspas se parecem com vírgulas suspensas e podem ser simples ou duplas.

  • Elas podem ser usadas em citações, estrangeirismos, neologismos e gírias.

  • Também podem ser usadas para destacar uma ironia e outras expressões.

  • Títulos de filmes e de livros podem ser escritos entre aspas ou em itálico.

  • Utilizamos aspas antes do ponto-final para encerrar um período iniciado sem aspas.

  • Utilizamos aspas depois do ponto-final para encerrar um período iniciado com aspas.

O que são aspas?

Aspas são um sinal de pontuação que tem a aparência de vírgulas suspensas. Assim, para abrir aspas, usamos [ “ ] e, para fechar aspas, utilizamos [ ” ]. Elas podem ser encontradas, principalmente, em textos que apresentam citações, estrangeirismos ou gírias.

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Tipos de aspas

  • Aspas duplas [ “ ]:

    “Todos só queriam paz”.

  • Aspas simples [ ‘ ]:

    “Abraços e ‘bye’, meu amigo!”.

Nota-se que as aspas simples são usadas dentro de uma citação em que já foram utilizadas as aspas duplas: O autor escreveu: Não tenho nada a declarar. E se aposentou.

Veja também: Ponto e vírgula — sinal gráfico com pausa mais acentuada do que a da vírgula

Quando usar as aspas?

  • No início e no final de uma citação:

No livro Leite do peito, de Geni Guimarães, a narradora-personagem diz: Minha mãe sentava-se numa cadeira, tirava o avental e eu ia. Me colocava entre suas pernas, enfiava as mãos no decote do seu vestido, arrancava dele os seios e mamava em pé.

  • Indicar estrangeirismos, neologismos ou gírias:

Meu sonho é ver um show de Marisa Monte.

No meu sonho, havia um narigal, isso mesmo, uma plantação de narizes.

Ai, você é muito biscoiteiro, é viciado em likes.

  • Indicar que um vocábulo foi escrito propositalmente de forma incorreta:

Miranda acha que é melhor do que todo mundo e ri de quem fala pobrema.

  • Apontar o uso de um termo aproximado ao sentido que se deseja expressar:

Era perfeccionista e sempre buscava limpar o texto durante a revisão.

  • Destacar uma ironia e outras expressões:

O amor dele não resistia a um fim de semana.

Fabiana era uma mulher da ciência e estava cansada de ouvir tantas opiniões sem fundamento.

  • Em títulos de livros e de filmes, nomes de jornais e de revistas:

O livro mais famoso de Yukio Mishima é Confissões de uma máscara.

Marighella foi dirigido por Wagner Moura.

The Intercept é um jornal on-line.

Superinteressante é uma revista fundada em 1987.

Mas atenção! Nas obras impressas, é preferível usar itálico, em vez de aspas, em estrangeirismos, títulos de livros e filmes, nomes de jornais e revistas:

Meu sonho é ver um show de Marisa Monte.

O livro mais famoso de Yukio Mishima é Confissões de uma máscara.

Marighella foi dirigido por Wagner Moura.

The Intercept é um jornal on-line.

Superinteressante é uma revista fundada em 1987.

Leia também: Reticências — sinal de pontuação que indica a interrupção de um pensamento

Aspas antes ou depois do ponto-final?

Usamos aspas antes do ponto-final para encerrar um período iniciado sem aspas:

Eu disse: Não vou repetir o mesmo erro.

Ela perguntou: O que você quer?.

Nós gritamos: Socorro!.

Eles falaram: Se você quiser....

Os corredores menos velozes foram os últimos.

Note que, nesses casos, o período se inicia antes de se abrirem as aspas e, portanto, é encerrado após as aspas se fecharem. Mas, para encerrar um período iniciado com aspas, elas são fechadas depois do ponto-final:

Ser mãe é padecer no paraíso. Quem foi que disse isso?

Exemplos de frases com aspas

A seguir, vamos ler algumas frases com aspas retiradas do romance A luneta mágica, de Joaquim Manuel de Macedo (1820–1882):

Já fez um ponto de fé deste suavíssimo princípio: a caridade deve começar por casa.

A tia Domingas levou um dia inteiro a repetir: o primeiro na primeira....

Mal acabava de sentar-me, ouvi dizer perto de mim: é ele!.

O armênio levantou-se e bradou: Uriel! Zadklel! Gehudiel!... Oriphiel!....

Erraste pela exageração; porque exagerar é mentir.

Videoaula sobre parênteses, aspas e travessão

Exercícios resolvidos sobre aspas

Questão 1

(Enem)

O ouro do século 21

Cério, gadolínio, lutécio, promécio e érbio; sumário, térbio e disprósio; hólmio, túlio e itérbio. Essa lista de nomes esquisitos e pouco conhecidos pode parecer a escalação de um time de futebol, que ainda teria no banco de reservas lantânio, neodímio, praseodímio, európio, escândio e ítrio. Mas esses 17 metais, chamados de terras-raras, fazem parte da vida de quase todos os humanos do planeta. Chamados por muitos de “ouro do século 21”, “elementos do futuro” ou “vitaminas da indústria”, eles estão nos materiais usados na fabricação de lâmpadas, telas de computadores, tablets e celulares, motores de carros elétricos, baterias e até turbinas eólicas. Apesar de tantas aplicações, o Brasil, dono da segunda maior reserva do mundo desses metais, parou de extraí-los e usá-los em 2002. Agora, volta a pensar em retomar sua exploração.

SILVEIRA, E. Disponível em: www.revistaplaneta.com.br. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).

As aspas sinalizam expressões metafóricas empregadas intencionalmente pelo autor do texto para

a) imprimir um tom irônico à reportagem.

b) incorporar citações de especialistas à reportagem.

c) atribuir maior valor aos metais, objeto da reportagem.

d) esclarecer termos científicos empregados na reportagem.

e) marcar a apropriação de termos de outra ciência pela reportagem.

Resolução:

Alternativa C

Ao dizer que os metais são “ouro do século 21”, “elementos do futuro” e “vitaminas da indústria”, o autor tem a intenção de dar valor a eles, já que são comparados a elementos da importância do ouro, associados a um promissor futuro e revitalizantes como vitaminas.

Questão 2

(Unimontes)

GARRAFA OU LIVRO AO MAR

Affonso Romano de Sant’Anna

...surgiu na Internet e nas ruas de várias cidades do mundo um movimento criativo, social e culturalmente relevante. Trata-se de uma performance útil, de um happening que não se esgota em si e que, dias atrás, já tinha uns 200 mil participantes. A essa altura devem já ser milhões, pois sugeriu-se que o passado dia 11 de setembro fosse a data escolhida para que um maior número de pessoas participasse dessa iniciativa.

A coisa começou nos Estados Unidos, o que significa que ainda há vida inteligente no Planeta Bush, e que é possível exercer um tipo de influência e liderança a contrapelo da famigerada “indústria cultural”.

Estou me referindo ao que, em inglês, se chama originalmente bookcrossing, e consiste essencialmente no seguinte: você pega um (ou mais) livro(s) que gostou de ler, sai de casa com ele e o “esquece” no banco de um parque, num balcão de loja, num aeroporto ou onde quiser — hospital, mesa de bar, táxi etc. Deve haver ali uma mensagem dizendo que o livro pertence a esse happening internacional e que está registrado no site: www.bookcrossing.com. O leitor que pegar esse volume deve também comunicar ao site que está procedendo da mesma maneira, que vai “esquecer” o livro em algum lugar. Essa corrente de pessoas, livros e afetos liberta as obras do exílio nas estantes. O livro ganha pernas. Faz com que outros “achem” um livro fora do seu lugar convencional. Finalmente, um objet trouvé, que subverte completamente a ideia niilista de Duchamp. Deixando de ser um ato egoísta e sem sentido, é um ato que se integra numa cadeia universal. Como diz o site desse movimento, o mundo transforma-se numa grande livraria, numa incontrolável biblioteca... E os livros pertencem a todos. Borges, lá na sua sepultura em Genebra, deve estar fazendo força para ressuscitar e participar dessa reativação de almas encadernadas. Isto parece um conto do próprio Borges no labirinto da pós-modernidade que produz tanta coisa superficial, instantânea e perfunctória.

A contraposição à superficialidade da flash mob aparece não apenas no conteúdo da proposta, mas também no fato de que essas ações de “perder” e “achar” um livro são ações individuais, solitárias quase, longe das câmaras e dos flashes, que a pós-modernidade, ao contrário, tanto cultiva. O universo dos leitores é mesmo esse universo mais discreto e consistente. E este gesto tão pessoal dá aos indivíduos, no entanto, a sensação de que estão numa rede de pertencimento e solidariedade. É o aleatório produtivo e não alienado. É uma atitude da doação, coisa tão rara na sociedade competitiva onde as pessoas querem tomar, querem se “apropriar” de modo perverso e até criminoso das coisas alheias. Pois esses livros em movimento, sendo uma variante das “apropriações”, o são de modo generoso, confirmando que certas coisas se multiplicam quando são divididas, e se acham quando perdidas.

Deste modo, em todo o mundo, até uns dias atrás, mais de quinhentos mil livros já haviam circulado de mãos em mãos. Mas isto não se esgota aí. O site do bookcrossing criou um modo de os leitores, caso queiram, também se encontrarem realmente. Ali estão listadas dezenas de cidades em todo o mundo onde esses encontros ocorrem. Nos Estados Unidos, onde essa ideia surgiu, no Kansas, umas 600 cidades já participam da iniciativa. E os encontros não têm dono. Ninguém comanda nada. A Internet apenas propicia as iniciativas.

Impossível não me lembrar de uma metáfora que tem tudo a ver com isto — a da garrafa lançada ao mar com uma mensagem, na esperança de que algum navio a recolha ou que ela chegue em alguma praia. Alfred Vigny, no século XIX, dizia que os poetas (os escritores) fazem, na verdade, isto: lançam seus textos como quem lança uma garrafa ao acaso das ondas. A imagem sugere solidão e reafirma o aleatório da receptividade do texto. Entre o emissor e o receptor um vasto oceano de possibilidades.

Impossível também não lembrar a famosa parábola do semeador. Aquela que o nosso Padre Vieira reativou no seu célebre Sermão da Sexagésima, pregado em Lisboa, em 1655, a partir do livro de Mateus, cap. XIII, que diz: “O semeador saiu a semear. Quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho e vieram as aves e comeram-na. Outra parte caiu nos lugares pedregosos, onde não havia muita terra; logo nasceu, porque a terra não era profunda, e tendo saído o sol, queimou-se, e porque não havia raiz, secou-se. Outra caiu entre os espinhos e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra caiu em terra boa e dava frutos, havendo grãos que rendiam cem, outros sessenta, outros trinta por um. Quem tem ouvidos, ouça”.

Quando dirigi a Biblioteca Nacional, uma das experiências mais tocantes era ver nos encontros regionais e nacionais do recém-criado Sistema Nacional de Bibliotecas, as bibliotecárias narrarem as formas mais inventivas que haviam bolado para fazer os livros circularem pelas comunidades... havia um instigante processo de disseminação da semente do livro.

Lembro-me sempre de uma menina marginal chamada Andiara que, na cadeia, declarou a uma repórter: “Eu queria ter um livro, um livro só para mim”. Ela falava isto como se procurasse uma boia, uma âncora. Ela é que era aquela garrafa lançada ao mar. Ela se sabia perdida. E intuitivamente estava dizendo que através do livro ela poderia achar a mensagem que estava dentro dela mesma.

Do livro A cegueira e o saber.

No terceiro parágrafo do texto, os verbos esquecer e achar estão entre aspas. É possível afirmar a respeito deles que, EXCETO

a) os dois verbos foram desviados do seu uso convencional.

b) o uso dos dois verbos sugere um jogo, uma simulação, um “faz de conta”.

c) sinalizam para o leitor que houve uma fuga ao registro linguístico mais ajustado à norma culta.

d) tornam singular a combinação entre eles.

Resolução:

Alternativa C

Os verbos “esquecer” e “achar”, nesse parágrafo, não possuem o sentido convencional, isto é, “não lembrar” e “pensar”. Assim, “esquecer” está sendo usado no sentido de “deixar”, enquanto “achar”, no sentido de “encontrar”. Isso sugere um jogo, já que alguém deixa o livro para outro o encontrar. Assim, a combinação entre os dois verbos é singular/especial, uma vez que seus sentidos são desviados intencionalmente para um determinado fim. As aspas, portanto, não estão sendo usadas para indicar erros gramaticais.

 

Por Warley Souza
Professor de Português  

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Aspas [“ ”]"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/aspas.htm. Acesso em 22 de janeiro de 2022.

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