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Clarice Lispector

Clarice Lispector foi uma escritora brasileira. Ela pertence à terceira geração modernista (ou pós-modernismo). Uma de suas obras mais famosas é o livro “A hora da estrela”.

Clarice Lispector
Clarice Lispector é uma das mais conhecidas escritoras brasileiras.
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Clarice Lispector é uma escritora brasileira. Ela nasceu na Ucrânia, mas chegou ao Brasil quando tinha dois anos de idade. Mais tarde, fez faculdade de Direito, morou em diversos países em companhia do marido cônsul, publicou muitos livros e também atuou como jornalista.

A autora, que faleceu em 9 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro, faz parte da terceira geração modernista (ou pós-modernismo). Suas obras apresentam fluxo de consciência, fragmentação e metalinguagem, características que podem ser observadas em A hora da estrela, um de seus livros mais conhecidos.

Leia também: Machado de Assis — um dos maiores nomes da literatura brasileira

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Clarice Lispector

  • A autora brasileira Clarice Lispector nasceu em 1920 e faleceu em 1977.

  • Além de escritora, fez faculdade de Direito e trabalhou como jornalista.

  • A romancista faz parte da terceira geração modernista (ou pós-modernismo).

  • Seus textos são marcados pelo monólogo interior e pela metalinguagem.

  • O livro A hora da estrela é uma de suas obras mais famosas.

Videoaula sobre Clarice Lispector


Biografia de Clarice Lispector

Clarice Lispector (Haia Lispector) nasceu em 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, na Ucrânia. Seus pais eram judeus e, quando a filha nasceu, estavam saindo do país em busca de um lugar melhor para viver. Assim, eles e suas três filhas chegaram ao Brasil em 1922 e foram viver em Maceió. Aqui, a menina Haia passou a ser chamada de Clarice.

Em 1925, a família se mudou para Recife. Três anos depois, Clarice começou a estudar na escola João Barbalho e aprendeu a ler. Já em 1930, a autora escreveu seu primeiro texto literário, uma peça de teatro intitulada Pobre menina rica, a qual não existe mais. Nesse mesmo ano, ficou órfã de mãe.

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Dois anos depois, passou a estudar no Ginásio Pernambucano. Mas, em 1935, ela e a família fixaram residência na cidade do Rio de Janeiro, onde terminou o ginásio (ou ensino médio) em 1936. Três anos depois, começou a estudar na Faculdade Nacional de Direito.

Paralelamente aos estudos, escrevia contos e trabalhava como redatora e repórter na Agência Nacional. No ano de 1940, se apaixonou pelo escritor Lúcio Cardoso (1912-1968). Ele, porém, era homossexual. Assim, se tornaram grandes amigos. Nesse mesmo ano, o pai da escritora morreu. Ela então passou a morar com suas duas irmãs, na casa de uma delas, que já era casada. Em 1942, iniciou o namoro com seu futuro marido Maury Gurgel Valente (1921-1994).

No ano seguinte, se casou, terminou a faculdade de Direito, além de conseguir obter a naturalização como brasileira. E publicou seu primeiro romancePerto do coração selvagem. O livro ganhou o prêmio Graça Aranha, como melhor romance do ano. Como o marido era cônsul, se mudou com ele para Belém em 1944. Seis meses depois, eles foram viver em Nápoles, na Itália. Em 1945, a autora trabalhou como voluntária no atendimento a feridos de guerra.

No ano seguinte, o casal se mudou para a Suíça, onde nasceu o primeiro filho. Já em 1949, voltaram a morar no Rio de Janeiro. Mas, em 1950, regressaram à Europa, agora para viver na Inglaterra, onde moraram por seis meses antes de voltarem ao Brasil. Já em 1952, a família fixou residência em Washington, nos Estados Unidos, onde nasceu o segundo filho do casal.

Nesse país, Clarice ficou amiga da família do escritor Erico Verissimo (1905-1975). Mas, em 1959, quando se separou do marido, voltou a morar no Brasil, em companhia dos filhos. No ano de 1961, ganhou o Prêmio Jabuti pelo seu livro de contos Laços de família. No ano seguinte, recebeu o prêmio Carmen Dolores Barbosa.

Anos depois, em 1966, ocorreu um incêndio em sua casa após a escritora adormecer e deixar um cigarro aceso. As queimaduras em seu corpo fizeram com que ela ficasse internada durante dois meses. Assim, em 1967, passou por forte depressão. Apesar disso, começou a escrever crônicas para o Jornal do Brasil e ficou bastante popular.

No ano seguinte, também passou a fazer entrevistas com políticos e artistas para a revista Manchete. Além disso, recebeu o prêmio Golfinho de Ouro pelo seu romance Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, de 1969. Já em 1975, decidiu se dedicar também à pintura.

Em 1976, viajou à Argentina, onde recebeu muitas homenagens. Nesse ano, também recebeu, no Brasil, o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto da obra. Mas morreu em 9 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro, devido a um câncer no ovário. Clarice foi sepultada no Cemitério Comunal Israelita.

Leia também: Lygia Fagundes Telles — grande contista e romancista brasileira

Características da obra de Clarice Lispector

Clarice Lispector é uma autora da terceira geração modernista (ou pós-modernismo). Portanto, suas obras apresentam estas características:

  • estrutura não convencional;

  • fragmentação do texto;

  • monólogo interior;

  • análise psicológica;

  • reflexões existenciais;

  • metalinguagem;

  • temas universais.

Obras de Clarice Lispector

Romances de Clarice Lispector

  • Perto do coração selvagem (1943)

  • O lustre (1946)

  • A cidade sitiada (1949)

  • A maçã no escuro (1961)

  • A paixão segundo G.H. (1964)

  • Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (1969)

  • Água viva (1973)

  • A hora da estrela (1977)

  • Um sopro de vida (1978)

Contos de Clarice Lispector

  • Alguns contos (1952)

  • Laços de família (1960)

  • A legião estrangeira (1964)

  • Felicidade clandestina (1971)

  • Onde estivestes de noite (1974)

  • A via crucis do corpo (1974)

  • A bela e a fera (1979)

Literatura infantil de Clarice Lispector

  • O mistério do coelho pensante (1967)

  • A mulher que matou os peixes (1968)

  • A vida íntima de Laura (1974)

  • Quase de verdade (1978)

  • Como nasceram as estrelas (1987)

Crônicas de Clarice Lispector

  • Para não esquecer (1978)

  • A descoberta do mundo (1984)

A hora da estrela, análise da mais famosa obra de Clarice

Capa do livro A hora da estrela, de Clarice Lispector, publicado pela editora Rocco.
Capa do livro A hora da estrela, de Clarice Lispector, publicado pela editora Rocco.

A obra A hora da estrela apresenta caráter metalinguístico, já que o narrador Rodrigo S. M. mostra ao leitor o processo de composição da protagonista Macabéa. Ele faz reflexões existenciais, além de contar a história da moça nordestina, que trabalha como datilógrafa no Rio de Janeiro.

Órfã aos dois anos de idade, ela é criada e reprimida por uma tia muito religiosa que vive em Maceió. Anos depois, ela e a tia se mudam para o Rio de Janeiro. Nessa cidade, a tia falece. Sozinha no mundo, Macabéa vai morar com mais quatro moças, com quem divide um quarto.

A datilógrafa começa a namorar o nordestino Olímpico, um operário ambicioso que deixa a moça para namorar com a colega de trabalho dela, uma mulher chamada Glória. Por fim, depois de consultar uma cartomante, que faz uma boa previsão para seu futuro, a protagonista é atropelada e tem a sua hora da estrela:

Esse não-saber pode parecer ruim mas não é tanto porque ela sabia muita coisa assim como ninguém ensina cachorro a abanar o rabo e nem a pessoa a sentir fome; nasce-se e fica-se logo sabendo. Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer: na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes.|1|

  • Videoaula com a análise de A hora da estrela


Frases de Clarice Lispector

A seguir, vamos ler algumas frases de Clarice Lispector, retiradas de seu romance A paixão segundo G.H.:

“O mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.”

“Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida.”

“De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro.”

“Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando.”

“É proibido dizer o nome da vida.”

“Toda compreensão súbita se parece muito com uma aguda incompreensão.”

Nota

|1| LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Créditos da imagem

[1] Editora Rocco (reprodução)

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Clarice Lispector"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/clarice-lispector.htm. Acesso em 29 de fevereiro de 2024.

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