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Paulo Mendes Campos

Paulo Mendes Campos é um escritor mineiro. Ele pertence à terceira fase do modernismo brasileiro (ou pós-modernismo). Um de seus livros mais conhecidos é “O amor acaba”.

Paulo Mendes Campos, em 1958. [1]
Paulo Mendes Campos, em 1958. [1]
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Paulo Mendes Campos nasceu em 28 de fevereiro de 1922, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Ele iniciou os cursos de Odontologia, Veterinária, Aviação e Direito, mas desistiu de todos eles. Ingressou no serviço público e também escreveu livros de poesia, além de crônicas para diversos periódicos.

O cronista, que faleceu em 1º de julho de 1991, no Rio de Janeiro, faz parte da terceira fase modernista (ou pós-modernismo). Suas obras são marcadas pelo lirismo, que ele levou da poesia para suas crônicas, gênero pelo qual o autor é mais conhecido. Essa característica está presente em seu livro O amor acaba: crônicas líricas e existenciais.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre Paulo Mendes Campos

  • O escritor brasileiro Paulo Mendes Campos nasceu em 1922 e faleceu em 1991.

  • Além de poeta, foi funcionário público, tradutor e cronista.

  • Ele faz parte da terceira geração do modernismo brasileiro (ou pós-modernismo).

  • Suas obras apresentam lirismo, elementos intertextuais e traços surrealistas.

  • Um de seus livros mais conhecidos é O amor acaba: crônicas líricas e existenciais.

Biografia de Paulo Mendes Campos

Paulo Mendes Campos nasceu em 28 de fevereiro de 1922, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Muito cedo, o menino se apaixonou pela literatura, por influência de sua mãe, segundo o próprio autor, apesar de seu pai, além de médico, ser escritor. Mais tarde, estudou quatro anos do ginásio em São João del-Rei.

Ali, em 1937, conheceu o escritor Otto Lara Resende (1922–1992). Pouco depois, já em Belo Horizonte, também se tornou amigo de Fernando Sabino (1923–2004) e Hélio Pellegrino (1924–1988). A amizade entre esses quatro escritores é um fato sempre relembrado na história da literatura brasileira.

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Antes de se dedicar à carreira de escritor, Paulo Mendes Campos trabalhou como bibliotecário na Diretoria de Saúde Pública de Minas Gerais. Além disso, ele iniciou o curso de Odontologia em 1938, mas desistiu um ano depois. Então, foi para Porto Alegre, onde estudou Aviação na Escola Preparatória de Cadetes, durante um ano.

De volta a Belo Horizonte, retomou a Odontologia. Então, passou a escrever para o jornal O Diário. Desistiu definitivamente de Odontologia e iniciou os cursos de Direito e Veterinária, mas não finalizou nenhum dos dois. Assim, em 1942, concomitantemente ao seu cargo de redator da Folha de Minas, trabalhou na construtora de seu tio.

Em 1945, foi morar no Rio de Janeiro, onde, no mesmo ano, conheceu o poeta chileno Pablo Neruda (1904–1973). Naquela cidade, escreveu crônicas para periódicos como Diário Carioca e Correio da Manhã. Em 1947, atuou como fiscal de obras no Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado.

No ano de 1949, conheceu a Europa. Dois anos depois, publicou seu primeiro livro de poemas: A palavra escrita. No ano de 1951, se casou com Joan Abercrombie. Durante a década de 1950, publicou crônicas no Jornal do Brasil e na revista Manchete. Também dirigiu o Departamento de Obras Raras da Biblioteca Nacional.

Além disso, trabalhou como tradutor e, mais tarde, em 1977, escreveu para a televisão o episódio Poema barroco, da série Caso Especial da TV Globo. Já a aposentadoria do serviço público ocorreu em 1981, quando era técnico em comunicação social da Empresa Brasileira de Notícias. Dez anos depois, o autor faleceu, em 1º de julho de 1991, no Rio de Janeiro.

Leia também: Os cinco cronistas mais importantes da literatura brasileira

Características da obra de Paulo Mendes Campos

Paulo Mendes Campos faz parte da terceira geração do modernismo brasileiro (ou pós-modernismo). Suas obras apresentam as seguintes características:

  • fragmentação;

  • caráter anedótico;

  • temática do cotidiano;

  • lirismo;

  • humor;

  • intertextualidade;

  • síntese;

  • descritivismo;

  • mescla entre coloquial e erudito;

  • rigor formal;

  • traços surrealistas.

Videoaula sobre a terceira geração do modernismo brasileiro

Obras de Paulo Mendes Campos

Crônicas

  • O cego de Ipanema (1960)

  • Homenzinho na ventania (1962)

  • O colunista do morro (1965)

  • Antologia brasileira de humorismo (1965)

  • Hora do recreio (1967)

  • O anjo bêbado (1969)

  • Os bares morrem numa quarta-feira (1980)

  • O amor acaba: crônicas líricas e existenciais (1999)

  • Brasil brasileiro: crônicas do país, das cidades e do povo (2000)

  • Alhos e bugalhos (2000)

  • Cisne de feltro (2000)

  • Murais de Vinicius e outros perfis (2000)

  • O gol é necessário: crônicas esportivas (2000)

  • Artigo indefinido (2000)

  • De um caderno cinzento: crônicas, aforismos e outras epifanias (2000)

  • Balé do pato e outras crônicas (2003)

  • Quatro histórias de ladrão (2005)

Poesia

  • A palavra escrita (1951)

  • Forma e expressão do soneto (1952)

  • O domingo azul do mar (1958)

  • Testamento do Brasil (1966)

  • Transumanas (1977)

  • Poemas (1979)

  • Diário da tarde (1981)

  • Trinca de copas (1984)

Análise de O amor acaba

Capa do livro O amor acaba, de Paulo Mendes Campos, publicado pela editora Companhia das Letras. [2]
Capa do livro O amor acaba, de Paulo Mendes Campos, publicado pela editora Companhia das Letras. [2]

O amor acaba é um livro de crônicas de Paulo Mendes Campos, publicado após a sua morte. Essa obra póstuma contém 74 textos selecionados por Flávio Pinheiro. Assim, a crônica que dá título à obra foi publicada, inicialmente, em 16 de maio de 1964, na revista Manchete.

Ela começa com a afirmação de que o amor acaba: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; [...]”.

Dessa forma, o cronista banaliza (não romantiza) o amor e o torna apenas mais um fato do cotidiano, sem nada de especial. No entanto, usa uma linguagem lírica para, entre outras coisas, dizer que o amor acaba “no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados”.

Ou “na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir”. Dessa maneira, ele acaba definindo, poeticamente, o amor. E nos diz que “no inferno o amor não começa”, de modo a indicar que o início desse sentimento não está associado à dor e à aflição. Mas, na usura, “o amor se dissolve”, pois não resiste à ganância.

Por meio da ideia de que o amor tem fim, o cronista também sintetiza a identidade de cidades brasileiras ao dizer que “em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro”. Mas o que sobressai no texto é a repetição e a certeza de que “o amor acaba”.

Outra característica da crônica é a utilização do ponto-final apenas no fim do texto. Desse modo, as pausas são marcadas pela vírgula e, principalmente, pelo ponto e vírgula: “no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba”.

Leia também: Lygia Fagundes Telles — autora modernista marcada pela prosa intimista

Frases de Paulo Mendes Campos

A seguir, vamos ler algumas frases de Paulo Mendes Campos, retiradas de sua crônica “A aurora”, do livro O amor acaba:

“A aurora chegou vestida de cor-de-rosa.”

“A alma de um homem é boba e vadia!”

“A doçura da preguiça de uma criatura que amanhece é infinita!”

“Abençoado sejas, irmão dentifrício, que me refrescas a boca.”

“Os cavalos dos poemas antigos traziam o Sol em atropelada brilhante.”

Créditos da imagem

[1] Arquivo Nacional (reprodução)

[2] Editora Companhia das Letras (reprodução)

 

Por Warley Souza
Professor de Literatura

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Paulo Mendes Campos"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/paulo-mendes-campos.htm. Acesso em 23 de maio de 2022.

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Lista de exercícios


Exercício 1

(UFMT - 2006)

“Chatear” e “encher”

Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer na cidade.

— Alô, quer me chamar por favor o Valdemar?
— Aqui não tem nenhum Valdemar.
Daí a alguns minutos você liga de novo.
— O Valdemar, por obséquio.
— Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
— Mas não é do número tal?
— É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.
Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:
— Por favor, o Valdemar já chegou?

— Vê se te manca palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?
— Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.

— Não chateia.

Daí a dez minutos, ligue de novo.

— Escute uma coisa: o Valdemar não deixou pelo menos um recado?

O outro dessa vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.

Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:
— Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar! Alguém telefonou para mim?

Paulo Mendes Campos, in Para gostar de ler - Crônicas

Na crônica são construídas relações envolvendo narrador e personagens. Sobre o assunto, assinale a afirmativa correta.

a) A fala – É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar. sinaliza o início da perda de paciência da pessoa que atende ao telefone.

b) Desde o início do texto, a pessoa que telefona mostra-se irritada com quem fala.

c) O uso do artigo o antes de Valdemar revela o distanciamento entre Valdemar e a pessoa que o procura.

d) O autor cria uma relação lúdica entre Valdemar e os funcionários do escritório.

e) A presença da datilógrafa é motivo para que o funcionário que atende ao telefone mantenha, durante a conversa, comportamento polido.

Exercício 2

(UFMT – 2006)

“Chatear” e “encher”

Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer na cidade.

— Alô, quer me chamar por favor o Valdemar?
— Aqui não tem nenhum Valdemar.
Daí a alguns minutos você liga de novo.
— O Valdemar, por obséquio.
— Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
— Mas não é do número tal?
— É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.
Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:
— Por favor, o Valdemar já chegou?

— Vê se te manca palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?
— Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.

— Não chateia.

Daí a dez minutos, ligue de novo.

— Escute uma coisa: o Valdemar não deixou pelo menos um recado?

O outro dessa vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.

Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:
— Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar! Alguém telefonou para mim?

Paulo Mendes Campos, in Para gostar de ler - Crônicas

Sobre a linguagem utilizada por Paulo Mendes Campos, assinale a afirmativa correta.

a) Os dêiticos aqui (linhas 4, 7, 9, 12 e 19) e aí (linha 13) são entendidos pelo leitor por referenciarem lugares em que estão os participantes do diálogo.

b) A crescente irritação do funcionário que atende ao telefone é percebida pelos impropérios proferidos ao longo da conversa.

c) O texto traz vocábulos e expressões caracteristicamente regionais: por obséquio; datilógrafa; cavalheiro; Vê se te manca, palhaço.

d) A linguagem utilizada no texto é predominantemente formal, adequada a um diálogo entre desconhecidos.

e) A fala – Aqui não tem nenhum Valdemar., reescrita na modalidade escrita padrão, fica: Nesse escritório, não tem Valdemar.

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