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Conto fantástico

Literatura

O conto fantástico é uma narrativa curta, com um conflito único e que apresenta, em seu enredo, acontecimentos inexplicáveis à lógica tradicional.
O conto é um dos gêneros narrativos mais comuns na tradição literária brasileira.
O conto é um dos gêneros narrativos mais comuns na tradição literária brasileira.
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O conto  é uma narrativa curta com um conflito único. O conto fantástico, por sua vez, além das definições já citadas, também possui em seu enredo acontecimentos inexplicáveis pela ciência e também não explicados na lógica interna da narrativa. Para saber mais sobre as características gerais do conto, leia: Conto: estrutura, elementos, tipos, exemplos.

Características

As características do conto fantástico são, em alguma medida, as mesmas de um conto comum, com o acréscimo dos elementos do impossível, típicos das narrativas fantásticas. Entre tais características e elementos, é bom lembrar:

  • Narrativa curta: Uma das características de todos os contos é o fato de serem narrativas curtas – ou seja, com enredos reduzidos em relação ao tempo, ao espaço e ao número de personagens.
  • Conflito único: O fato de o enredo circular em torno de um único conflito é uma das características definidoras do gênero conto.
  • Presença do impossível / inexplicável: Para ser considerado fantástico, um texto literário deve envolver um conflito cujos acontecimentos envolvam algo inexplicável. Um personagem que morre e volta à vida sem razão aparente ou uma garota que segue um coelho falante e entra em um mundo totalmente diferente da realidade são exemplos de conflitos típicos da literatura fantástica.

Leia mais: Veja este tipo de narração em que os animais são seus principais personagens

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Literatura fantástica

A literatura fantástica é uma categoria mais ampla que a dos contos fantásticos pelo simples motivo de compreender manifestações literárias diferentes do gênero conto. Há romances fantásticos, novelas fantásticas, poemas fantásticos etc. Não obstante, as características do gênero continuam sendo as mesmas – ou seja, para ser fantástico, o enredo tem que ter elementos inexplicáveis segundo a lógica tradicional.

Autores no mundo

O gênero fantástico é muito importante na literatura do século XX. Autores como Franz Kafka, que escreveu A metamorfose, e Lewis Carroll, criador do célebre Alice no país das maravilhas, são reconhecidamente escritores de literatura fantástica.

Veja, a seguir, um trecho da narrativa de Kafka:

Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar. Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se desesperadamente diante de seus olhos.

Que me aconteceu? - pensou. Não era um sonho. O quarto, um vulgar quarto humano, apenas bastante acanhado, ali estava, como de costume, entre as quatro paredes que lhe eram familiares. Por cima da mesa, onde estava deitado, desembrulhada e em completa desordem, uma série de amostras de roupas: Samsa era caixeiro-viajante, estava pendurada a fotografia que recentemente recortara de uma revista ilustrada e colocara numa bonita moldura dourada.

A metamorfose, Franz Kafka

Saiba também: História dos contos de fadas

“A metamorfose”, de Kafka, relata uma das histórias mais conhecidas da literatura mundial.
“A metamorfose”, de Kafka, relata uma das histórias mais conhecidas da literatura mundial.

Autores no brasil

No Brasil, diversos autores experimentaram produzir narrativas fantásticas, desde Machado de Assis, passando por Mário de Andrade  até chegarmos em autores contemporâneos, como Murilo Rubião.

Exemplo

Veja, a seguir, um trecho do conto fantástico O espelho, de Machado de Assis.

“Convém dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só vez para o espelho. Não era abstenção deliberada, não tinha motivo; era um impulso inconsciente, um receio de achar-me um e dois, ao mesmo tempo, naquela casa solitária; e se tal explicação é verdadeira, nada prova melhor a contradição humana, porque no fim de oito dias, deu-me na veneta olhar para o espelho com o fim justamente de achar-me dois. Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra. A realidade das leis físicas não permite negar que o espelho reproduziu-me textualmente, com os mesmos contornos e feições; assim devia ter sido. Mas tal não foi a minha sensação. Então tive medo; atribui o fenômeno à excitação nervosa em que andava; receei ficar mais tempo, e enlouquecer. - Vou-me embora, disse comigo. E levantei o braço com gesto de mau humor, e ao mesmo tempo de decisão, olhando para o vidro; o gesto lá estava, mas disperso, esgaçado, mutilado... Entrei a vestir-me, murmurando comigo, tossindo sem tosse, sacudindo a roupa com estrepito, afligindo-me a frio com os botões, para dizer alguma cousa. De quando em quando, olhava furtivamente para o espelho; a imagem era a mesma difusão de linhas, a mesma decomposição de contornos... Continuei a vestir-me.”

O espelho, Machado de Assis


Por Me. Fernando Marinho

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

MARINHO, Fernando. "Conto fantástico"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/o-conto-fantastico.htm. Acesso em 16 de junho de 2019.

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