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Sítio do Picapau Amarelo

Sítio do Picapau Amarelo é uma série de livros infantis do escritor Monteiro Lobato. Eles contam as aventuras fantásticas de Narizinho e Pedrinho, netos de Dona Benta.

Na ilustração, Monteiro Lobato conversa com um saci.
Monteiro Lobato é o autor da série de livros conhecida como Sítio do Picapau Amarelo.
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Sítio do Picapau Amarelo é uma série de livros infantis do escritor brasileiro Monteiro Lobato. Eles foram publicados, pela primeira vez, entre os anos de 1920 e 1947 e narram as aventuras de Narizinho, Pedrinho (netos de Dona Benta, a dona do sítio), Emília (a boneca falante) e Visconde de Sabugosa (um sábio boneco feito de sabugo de milho).

As obras infantis de Lobato trazem elementos culturais e científicos, além de uma linguagem simples. Elas também apresentam marcas da literatura fantástica. Assim, desenvolvem nas crianças a imaginação, o interesse pelo conhecimento e o amor pela rica cultura brasileira.

Leia também: Conto fantástico — narrativa curta com personagens que extrapolam o limite da realidade

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o Sítio do Picapau Amarelo

  • Sítio do Picapau Amarelo é uma série de livros infantis do escritor Monteiro Lobato.

  • Os volumes da série foram publicados, pela primeira vez, entre os anos de 1920 e 1947.

  • Cada obra relata aventuras de personagens relacionados ao sítio de Dona Benta.

  • Os personagens principais são Narizinho, Emília, Pedrinho, Visconde, Dona Benta e tia Nastácia.

  • As histórias são marcadas pela aventura, pelo realismo fantástico e apresentam um tom didático.

  • Sítio do Picapau Amarelo foi adaptada duas vezes para a televisão, com muito sucesso.

Análise do Sítio do Picapau Amarelo

  • As obras do Sítio do Picapau Amarelo

 Capa do livro Reinações de Narizinho da Editora Globinho e ilustração de Paulo Borges. [1]
 Capa do livro Reinações de Narizinho da Editora Globinho e ilustração de Paulo Borges. [1]

O saci (1921)

Fábulas (1922)

As aventuras de Hans Staden (1927)

Reinações de Narizinho (1931)

Viagem ao céu (1932)

Caçadas de Pedrinho (1933)

História do mundo para as crianças (1933)

Emília no País da Gramática (1934)

Aritmética da Emília (1935)

Geografia de Dona Benta (1935)

História das invenções (1935)

Dom Quixote das crianças (1936)

Memórias de Emília (1936)

Serões de Dona Benta (1937)

O poço do Visconde (1937)

Histórias de tia Nastácia (1937)

O Picapau Amarelo (1939)

O Minotauro (1939)

A reforma da natureza (1941)

A chave do tamanho (1942)

Os doze trabalhos de Hércules (1944)

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  • Personagens principais do Sítio do Picapau Amarelo

    • Dona Benta

    • Emília

    • Narizinho

    • Pedrinho

    • Tia Nastácia

    • Visconde

    • Saci

    • Cuca, a feiticeira

    • Rabicó, o porco

    • Burro Falante

    • Quindim, o rinoceronte

  • Histórias da obra Sítio do Picapau Amarelo

A série de livros Sítio do Picapau Amarelo começa com o livro O saci, que relata o encontro entre Pedrinho e o saci. Por meio desse personagem lendário, o neto de Dona Benta conhece várias lendas do folclore brasileiro. Os dois amigos também salvam Narizinho dos feitiços da Cuca.

Em Fábulas, Dona Benta conta para os netos conhecidas histórias infantis, como, por exemplo, “A cigarra e as formigas”. Em As aventuras de Hans Staden, Dona Benta também é a narradora e relata as aventuras do viajante alemão Hans Staden, um personagem histórico do século XVI.

Reinações de Narizinho tem Narizinho, neta de Dona Benta, como personagem principal e é composto por várias histórias, como “O casamento de Narizinho” e “O pó de pirlimpimpim”, por exemplo. Já Viagem ao céu é uma aventura espacial feita por Visconde, Emília, Narizinho, Pedrinho e tia Nastácia.

O livro Caçadas de Pedrinho mostra como Pedrinho caçou uma onça. Em seguida, novamente Dona Benta se dispõe a contar histórias para os netos em História do mundo para as crianças, onde faz um apanhado da história humana na Terra, da origem até a Segunda Guerra Mundial.

Na obra Emília no País da Gramática, o rinoceronte Quindim leva o pessoal do sítio para conhecer palavras, substantivos, adjetivos e outros habitantes do País da Gramática. Didático também é o volume Aritmética da Emília, uma divertida aula de Matemática. Na mesma linha, em Geografia de Dona Benta, a dona do sítio ajuda os netos a conhecerem todas as regiões do país.

De novo, Dona Benta traz mais informações para os netos em História das invenções, narrativa em que ela utiliza uma linguagem simples para falar do conteúdo do livro do historiador holandês Hendrik van Loon (1882-1944). Já em Dom Quixote das crianças, Dona Benta conta, em linguagem simples, as aventuras do clássico personagem de Cervantes (1547-1616).

Mas em Memórias de Emília, é a boneca falante que toma a palavra para contar as próprias memórias inventadas. E quem fica responsável por escrever essas memórias ficcionais é o sábio Visconde de Sabugosa. O volume seguinte é Serões de Dona Benta, em que a avó encontra um jeito fácil de ensinar Física e Astronomia para os netos.

O relato de como Visconde descobriu petróleo no Brasil está em O poço do Visconde. No volume Histórias de tia Nastácia, a cozinheira de Dona Benta decide contar para as crianças do sítio um monte de histórias, como a da Moura-Torta, por exemplo. Em O Picapau Amarelo, o sítio recebe a visita de vários personagens conhecidos, como, por exemplo, Dom Quixote e Branca de Neve.

O Minotauro é um livro que mostra uma viagem do pessoal do sítio à Grécia Antiga, em busca de tia Nastácia, que foi sequestrada pelo mitológico Minotauro. Em outra ocasião, Emília se vê sozinha no sítio e, em Reforma da natureza, a boneca decide mudar umas coisinhas, como fazer pé de jabuticaba dar abóboras.

No volume A chave do tamanho, Emília, acidentalmente, acaba fazendo todos os seres vivos diminuírem de tamanho. Por fim, no livro Os doze trabalhos de Hércules, Pedrinho, Emília e Visconde fazem outra viagem no tempo para conhecer o grande herói grego Hércules.

  • Tempo da obra Sítio do Picapau Amarelo

As narrativas dos livros da série Sítio do Picapau Amarelo possuem tempo cronológico. Já o tempo em que ocorrem as histórias é variado. A maioria delas está situada no início do século XX; já as narrativas históricas se passam em outras épocas, como a Antiguidade e o século XVI, por exemplo.

  • Espaço da obra Sítio do Picapau Amarelo

O espaço principal da ação dos livros infantis de Monteiro Lobato é o sítio do Picapau Amarelo, um lugar fictício criado pelo autor. Mas algumas histórias que compõem a série se passam em lugares diversos, como a Grécia ou mesmo o imaginário País da Gramática.

  • Narrador do Sítio do Picapau Amarelo

Os livros infantis de Lobato possuem, na maioria das vezes, um narrador onisciente. No entanto, algumas obras contam com narradores-personagens, tais como Dona Benta, Emília e tia Nastácia.

Leia também: Tipos de narrador — veja as formas como uma narrativa pode ser conduzida

Características da obra Sítio do Picapau Amarelo

A série Sítio do Picapau Amarelo é composta por 23 livros infantis. Assim, além dos 21 títulos principais, há também uma adaptação do clássico Peter Pan e um volume intitulado Histórias diversas. Os livros são divididos em capítulos e variam em sua dimensão.

A obra infantil de Monteiro Lobato é marcada pelo realismo fantástico, o que permite a existência de uma boneca falante, além de outras peripécias da imaginação. Cheias de aventuras, as histórias possuem cunho didático, de forma a aliar diversão e aprendizado. A cultura brasileira também é bastante valorizada nas narrativas.

Trechos de Sítio do Picapau Amarelo

“Subiram — e nunca em sua vida Pedrinho subiu tão depressa em uma árvore! Tinha a impressão de que o terrível tigre dos sertões estava atrás dele, já de boca aberta, para o engolir vivo. Mas era ilusão apenas, filha do medo, pois a fera miou outra vez e o saci calculou pelo som que ainda deveria estar a cem metros dali. Pedrinho ajeitou-se como pôde numa forquilha da árvore, lá ficando quietinho ao lado do saci.”

MONTEIRO LOBATO. O saci. 56. ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.

“Abelhas douradas, verdes e azuis, falavam mal das vespas de cintura fina — achando que era exagero usarem coletes tão apertados. Sardinhas aos centos criticavam os cuidados excessivos que as borboletas de toucados de gaze tinham com o pó das suas asas. Mamangavas de ferrões amarrados para não morderem. E canários cantando, e beija-flores beijando flores, e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde, pequeninando e não mordendo.”

MONTEIRO LOBATO. Reinações de Narizinho. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2019.

“— São os escombros duma cidade que já foi muito importante — a cidade das palavras latinas; mas o mundo foi mudando e as palavras latinas emigraram dessa cidade velha para outras cidades novas que foram surgindo. Hoje, a cidade das palavras latinas está completamente morta. Não passa dum montão de velharias. Perto dela ficam as ruínas de outra cidade célebre do tempo antigo — a cidade das velhas palavras gregas. Também não passa agora dum montão de cacos veneráveis.”

MONTEIRO LOBATO. Emília no País da Gramática. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2008.

“— Michelson verificou que a luz caminha com a velocidade de 299.820 quilômetros por segundo. Multiplicou esse número por 60 para obter a velocidade da luz num minuto, ou um minuto-luz. Depois multiplicou isso por 60 para obter a velocidade da luz numa hora, ou uma hora-luz. Depois multiplicou isso por 24 para obter um dia-luz, e finalmente multiplicou o dia-luz por 365 para obter o tal ano-luz.”

MONTEIRO LOBATO. História das invenções. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2014.

“— Minha ideia é esta. A verdadeira vocação dos homens é escravizarem-se ao dinheiro. Assim que uma pessoa sacode no ar um pacote de notas, gritando: — ‘Quem quer? Quem quer?’ imediatamente aparecem mil mãos estendidas, dizendo: — ‘Eu quero! Eu quero!’ E o dono das notas distribui o dinheiro mas prende aquelas mãos com algemas de aço — os juros. Os homens, donos dessas mãos, tornam-se escravos do dador do dinheiro; passam a viver para ele, a trabalhar para ele, a só pensar nele, porque o juro é uma coisa que cresce sempre, dia e noite, faça sol ou faça chuva, seja Domingo de Ramos ou terça-feira de carnaval.”

MONTEIRO LOBATO. O poço do Visconde. São Paulo: SESI, 2020.

“Foram despertar na Ilha de Creta, onde logo descobriram o labirinto. Era um palácio imenso, com mil corredores dispostos de tal maneira que quem entrava nunca mais conseguia sair — e acabava devorado pelo monstro. O Minotauro só comia carne humana.”

MONTEIRO LOBATO. O Minotauro. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2019.

Adaptações do Sítio do Picapau Amarelo

  • Filme O saci (1951) — direção de Rodolfo Nanni.

  • Filme O Picapau Amarelo (1973) — direção de Geraldo Sarno.

  • Série de televisão Sítio do Picapau Amarelo (1977-1986) — direção de Geraldo Casé.

  • Série de televisão Sítio do Picapau Amarelo (2001-2007) — direção de Márcio Trigo, Roberto Talma, entre outros.

  • Série de animação Sítio do Picapau Amarelo (2012-2016) — criação de Rodrigo Castilho.

Origem do Sítio do Picapau Amarelo

A série Sítio do Picapau Amarelo teve início com a personagem Narizinho, que apareceu, pela primeira vez, no livro A menina do narizinho arrebitado, publicado em 1920. Portanto, é o primeiro livro do autor escrito para o público infantil. Tal obra foi inserida no livro Reinações de Narizinho, de 1931.

Monteiro Lobato

Desenho representando Monteiro Lobato e a boneca Emília. [2]
Desenho representando Monteiro Lobato e a boneca Emília. [2]

Monteiro Lobato (José Bento Renato Monteiro Lobato) nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté, no estado de São Paulo. Mais tarde, em 1899, após a morte dos pais, se mudou para a casa de seu avô, o visconde de Tremembé, do qual herdou a fazenda do Buquira, em 1911.

Formado em Direito, o autor deixou a advocacia para ser fazendeiro. Mas a aventura no campo terminou em 1917, quando Lobato, já casado, vendeu a fazenda e retornou à cidade de São Paulo. A partir daí, passou a se dedicar à Literatura, mas também foi editor e adido comercial, antes de falecer em 4 de julho de 1948, em São Paulo.

Créditos da imagem

[1] Editora Globinho – Livraria Cultura (reprodução)

[2] André Koehne / Wikimedia Commons (reprodução)

 

Por Warley Souza
Professor de Literatura  

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Sítio do Picapau Amarelo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/monteiro-lobato.htm. Acesso em 17 de junho de 2024.

De estudante para estudante


Lista de exercícios


Exercício 1

Monteiro Lobato está cronologicamente vinculado ao

a) Modernismo

b) Parnasianismo

c) Pré-Modernismo

d) Concretismo

e) Romantismo

Exercício 2

Estão entre as principais realizações literárias de Monteiro Lobato:

a) Urupês, Cidades mortas, O escândalo do petróleo, Reinações de Narizinho;

b) Os sertões, Urupês, Angústia e Memórias Póstumas de Brás Cubas.

c) Clara dos Anjos, Triste fim de Policarpo Quaresma e Canaã.

d) Cidades mortas, Canaã, Memórias de um sargento de milícias e O Picapau amarelo.

e) O escândalo do petróleo, Os sertões, Reinações de Narizinho e Clara dos Anjos.