Escolas de samba

Carnaval - Carnaval 2020

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As escolas de samba são associações populares que surgiram na década de 1920 em meio ao processo de popularização do Carnaval e do samba. Essas associações surgiram nos bairros populares e subúrbios da cidade do Rio de Janeiro, sendo a Deixa Falar, a primeira escola de samba da história de nosso país.

As escolas de samba adquiriram características de outras práticas do Carnaval brasileiro do começo do século XX e, na década de 1930, os desfiles deram origem a um campeonato. Atualmente, a disputa existente entre as escolas de samba é um dos principais atrativos do Carnaval brasileiro, sobretudo, as disputas que são realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

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Quando e como surgiram as escolas de samba?

As escolas de samba são um fenômeno do começo do século XX e estão diretamente relacionadas com o desenvolvimento do samba e a popularização do Carnaval no Brasil. Os elementos que deram origem às escolas de samba foram incorporados de uma série de práticas do Carnaval carioca que eram realizadas desde meados do século XIX.

O pesquisador da música brasileira chamado Ricardo Albin estabelece que as escolas de samba incorporaram elementos dos “zé pereiras”, dos ranchos carnavalescos e das associações carnavalescas que começaram a surgir no Rio de Janeiro no final do século XIX|1|. Outros elementos, como a influência das procissões religiosas e o corso (prática de realizar um desfile em carros e de jogar confetes e serpentinas em outros foliões que estavam na rua), também influenciaram o desenvolvimento das escolas de samba.

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  • Zé Pereira, ranchos e cordões

A bateria, um dos elementos mais básicos da composição de uma escola de samba, é derivada de uma prática que surgiu no Carnaval durante o século XIX. A medida que o entrudo, a brincadeira de jogar bexigas d’água em outras pessoas nos dias anteriores à Quaresma, passou a ser combatido enquanto prática carnavalesca, novas práticas acabaram surgindo e uma delas foi a utilização de música na festa na rua. O Pereira surgiu com a introdução de instrumentos percussivos (bumbos) para reger a festa na rua. Assim, o batuque passou a fazer parte da festa popular. O Zé Pereira consistia basicamente em homens que saíam as ruas com bumbos fazendo a algazarra.

No final do século XIX, estabeleceu-se como prática carnavalesca, a realização dos ranchos carnavalescos, prática realizada pelas associações carnavalescas. Os ranchos eram basicamente blocos que se formavam para realização de desfiles que, frequentemente, abordavam importantes temas sociais e políticos durante sua realização.

Os ranchos, por sua vez, são considerados uma evolução dos cordões, que eram desfiles públicos mais simples realizados por grupos durante o Carnaval, no século XIX. Considera-se que os cordões e os ranchos tiveram forte influência de procissões religiosas que eram realizadas nas ruas das cidades do Brasil. Na história do Carnaval, considera-se que a linha evolutiva é formada pelos cordões, que se transformaram nos ranchos, que deram origem a blocos carnavalescos e, por fim, transformaram-se em escolas de samba.

  • Origem do samba

No começo do século XX, surgiu o samba, o ritmo musical que hoje é o grande símbolo do Carnaval. Existem alguns registros que mencionam a palavra “samba” para referir-se a ritmos musicais, mas os historiadores só consideram que o samba surgiu de fato na década de 1910, nas regiões populares do Rio de Janeiro.

Considera-se que o primeiro grande samba produzido e o marco fundador desse ritmo no Brasil foi a canção composta por Donga e Mauro de Almeida, nomeada de “Pelo Telefone”. Essa canção foi oficialmente lançada no começo de 1917. Outras canções de samba já haviam sido compostas antes, mas “Pelo Telefone” ganhou mais popularidade.

Muitos historiadores que estudam a história do samba, apontam que ele surgiu em uma região do Rio de Janeiro habitada por negros e mestiços, que formavam as camadas populares da cidade. Essa região engloba locais, como a Cidade Nova e Estácio, habitados por negros libertos da escravidão e por seus descendentes.

O racismo, muito presente na sociedade brasileira do começo do século XX, fez com que o samba fosse abertamente criminalizado e, portanto, perseguido. A criminalização ao samba acabou quando o samba passou a ser utilizado como ferramenta de Getúlio Vargas para consolidar o seu projeto nacionalista no Estado Novo.

  • Surgimento das escolas de samba

Os desfiles das escolas de samba começaram a ser realizados a partir da década de 1930 e atualmente são um dos eventos mais significativos da cultura brasileira.[1]
Os desfiles das escolas de samba começaram a ser realizados a partir da década de 1930 e atualmente são um dos eventos mais significativos da cultura brasileira.[1]

As escolas de samba surgiram na década de 1920 e seguiram aquela linha evolutiva mencionada anteriormente. Os historiadores consideram que a Deixa Falar foi a primeira escola de samba a surgir no Rio de Janeiro, e sua fundação aconteceu em 12 de agosto de 1928. Ela é considerada a primeira escola de samba da história, porque foi a primeira a reunir a série de elementos que formam uma escola de samba atualmente.

Os fundadores da Deixa Falar foram Ismael Silva, Alcebíades Barcelos, Nilton Bastos, Edgar Marcelino dos Passos, Osvaldo Vasques e Sílvio Fernandes. Fundada no bairro do Estácio, ela só foi mencionada nos jornais pela primeira vez em janeiro de 1929. Seus membros tinham envolvimento com ranchos carnavalescos e levaram essa experiência para o desenvolvimento dessa escola de samba.

A fundação da Deixa Falar acabou motivando a evolução de outros blocos de Carnaval e, assim, novas escolas, como a Portela e a Mangueira, surgiram. Em 1929, foi realizado um concurso de samba entre a Deixa Falar, o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz (futura Portela) e o Bloco Carnavalesco Estação Primeira (Mangueira). Os historiadores, no entanto, não consideram esse o início dos desfiles das escolas de samba.

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Desfiles das escolas de samba

A Primeira Estação de Mangueira foi a escola de samba que venceu o primeiro concurso do tipo em 1932.[2]
A Primeira Estação de Mangueira foi a escola de samba que venceu o primeiro concurso do tipo em 1932.[2]

Os desfiles das escolas de samba foram criados oficialmente, a partir de 1932, e considera-se que o idealizador desse evento foi Saturnino Gonçalves, sambista e primeiro presidente da Mangueira. A ideia que estava em curso entre os sambistas acabou sendo implantada por Mário Filho, jornalista que era dono de um periódico de esportes, o Mundo Sportivo.

Esse primeiro concurso de escolas de samba contou com a participação de dezenove grupos, mas apenas os quatro primeiros tiveram sua posição divulgada na época. A classificação foi a seguinte:

  1. Estação Primeira de Mangueira;

  2. Segunda Linha do Estácio e Vai Como Pode (dividiram o segundo lugar);

  3. Unidos da Tijuca.

Os desfiles dos anos seguintes foram realizados pelos seguintes jornais: O Globo, em 1933, e O País e A Hora, em 1934. Em 1933, a campeã, novamente foi a Mangueira e, em 1934, foram realizados dois desfiles tendo como campeãs a Mangueira e a Recreio de Ramos. A partir de 1935, os desfiles das escolas de samba foram oficializados e passaram contar com o apoio financeiro do poder público.

Atualmente, os critérios avaliados nos desfiles das escolas de samba tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo são os seguintes:

  • Bateria

  • Samba-enredo

  • Harmonia

  • Evolução

  • Enredo

  • Alegorias e adereços

  • Fantasias

  • Comissão de Frente

  • Mestre-sala e porta-bandeira

As escolas de samba começaram a surgir em São Paulo, na década de 1930, e os historiadores falam que a Lavapés é a mais antiga escola de samba de São Paulo, fundada em 9 de fevereiro de 1937. Os desfiles das escolas de samba em São Paulo aconteciam de maneira não oficial na capital paulista desde a década de 1930, mas só foram oficializados pelo poder público em 1968.

Em São Paulo, os desfiles são realizados no Sambódromo do Anhembi, fundado em 1991. Já no Rio de Janeiro, os desfiles acontecem no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, fundado em 1984. Os desfiles são um dos elementos mais tradicionais do Carnaval brasileiro e atraem turistas de diferentes partes do mundo.

A Portela é, atualmente, a maior campeão dos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro, possuindo 22 títulos.[1]
A Portela é, atualmente, a maior campeão dos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro, possuindo 22 títulos.[1]

Os maiores campeões dos desfiles que acontecem no Carnaval do Rio de Janeiro e São Paulo, até o ano de 2019, são os seguintes:

  • Rio de Janeiro:

Portela

22 títulos

Mangueira

20 títulos

Beija-Flor

14 títulos

Salgueiro

9 títulos

Império Serrano

9 títulos

  • São Paulo:

Vai-Vai

15 títulos

Nenê da Vila Matilde

11 títulos

Mocidade Alegre

10 títulos

Camisa Verde e Branco

9 títulos

Lavapés e Rosas de Ouro

7 títulos


Já os últimos cinco campeões em cada um desses estados foram os seguintes:

  • Rio de Janeiro:

2015

Beija-Flor

2016

Mangueira

2017

Portela e Mocidade Independente

2018

Beija-Flor

2019

Mangueira

  • São Paulo:

2015

Vai-Vai

2016

Império de Casa Verde

2017

Acadêmicos do Tatuapé

2018

Acadêmicos do Tatuapé

2019

Mancha Verde


Créditos das imagens

[1] Andre Melo-Andrade/Shutterstock

[2] Bruno Martins Imagens/Shutterstock

Notas

|1| ALBIN, Ricardo Cravo. Escolas de Samba. Para acessar, clique aqui.

 

Por Daniel Neves
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Escolas de samba"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/carnaval/escolas-de-samba.htm. Acesso em 12 de agosto de 2020.

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