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Iemanjá

Iemanjá é uma orixá da religiosidade iorubá, trazida ao Brasil durante a colonização. É relacionada com o mar e uma importante presença nas religiões de matriz africana.

Ilustração de Iemanjá saindo das águas do mar em noite de Lua cheia.
Iemanjá está presente nas religiões de matriz africana e é conhecida como Rainha do Mar. (Créditos da imagem: Paulo José Soares Braga | Brasil Escola)
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Iemanjá é uma orixá muito popular nas religiões de matriz africana no Brasil, sendo conhecida como uma divindade dos mares, a mãe dos orixás e a protetora dos marinheiros. O culto a ela é oriundo dos iorubás, que a relacionavam com os rios, a fertilidade e a maternidade.

O culto a Iemanjá foi trazido ao Brasil durante a colonização, com a escravização dos africanos, e aqui se adaptou por meio do sincretismo religioso. Passou a ser relacionada com Iara e representada, por muitos, como uma sereia, além de ser relacionar com a Virgem Maria e outras santas no catolicismo. O Dia de Iemanjá é celebrado em 2 de fevereiro.

Leia mais: Você sabe a diferença entre religião e seita?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Iemanjá

  • Iemanjá é uma orixá muito popular que está presente nas religiões de matriz africana no Brasil.

  • É considerada aqui a orixá dos mares, sendo também a protetora dos pescadores.

  • Fez parte da religiosidade dos iorubás, sendo associada com os rios nesse culto africano.

  • Foi trazida para o Brasil por escravizados africanos.

  • Em 2 de fevereiro, é celebrado o Dia de Iemanjá em Salvador.

Quem é Iemanjá

Iemanjá é uma orixá que faz parte das religiões de matriz africana no Brasil — como o candomblé e a umbanda —, além de ser originalmente ligada à religiosidade dos iorubás, um povo que habitava a África Ocidental, nos territórios atuais de Togo e Nigéria. Era a divindade dos rios e da fertilidade.

O culto a Iemanjá foi trazido ao Brasil durante o período colonial por meio do tráfico de africanos escravizados e estabeleceu-se aqui. O sincretismo religioso contribuiu para a fixação desse culto, e, atualmente, Iemanjá é um dos orixás mais populares das religiões de matriz africana brasileiras. Seu culto também é encontrado em outras partes da América, sendo conhecida em Cuba como Yemayá, por exemplo.

O nome Iemanjá é um aportuguesamento de uma expressão em iorubá que se referia a essa orixá. A expressão era “Yêyé omo ejá”, traduzida como “mãe cujos filhos são peixes”, numa demonstração da relação desse orixá com a água. Aqui Iemanjá também é conhecida como: Dona Janaína, Senhora das Águas, Mãe dos Orixás, Rainha do Mar, entre outros.

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Poderes de Iemanjá

Iemanjá é a Senhora do Mar, portanto, seus seguidores acreditam que ela tem domínio completo sobre o mar, e muitos fazem preces para pedir a permissão dela antes de entrar nas águas salgadas. Além disso, os seguidores de Iemanjá acreditam que ela tem domínio sobre os seres que vivem nessas águas.

Por ser padroeira dos pescadores e marinheiros, acredita-se que ela protege esses grupos sempre que eles estão no mar. Seus filhos também acreditam nos poderes da mãe de trazer boa sorte e protegê-los de todo o mal.

Origem de Iemanjá

Para os ebás, uma nação dos iorubás, Iemanjá era uma orixá ligada com os rios e as desembocaduras, isto é, o encontro dos rios com os mares, além de ter relação com a fertilidade e a maternidade. Também era considerada pelos iorubás a orixá do rio Ogum. Portanto, a conotação de Iemanjá para os iorubás era com a água doce.

Os relatos acerca de sua origem apontam que ela seria filha de Olocum, Senhora do Oceano. Outros relatos afirmam que ela também seria filha de Olorum (também conhecido como Olodumaré), um ser supremo na religiosidade iorubá. Casou-se diversas vezes, a primeira vez, com Orumilá, orixá dos segredos.

O segundo casamento de Iemanjá, por sua vez, foi com Olofin-Oduduá, com quem teve 10 filhos, todos orixás. É por isso que Iemanjá é conhecida como a Mãe dos Orixás. Outra variação dos mitos envolvendo-a aponta que ela era filha de Obatalá e Oduduá, sendo posteriormente desposada pelo irmão, Aganju, e, com ele, ela foi obrigada a ter 10 filhos orixás.

Um outro mito ainda conta que ela decidiu abandonar a terra onde morava contra a vontade de Olofin-Oduduá. Em resposta a isso, um grande exército foi organizado para recapturá-la, mas ela usou um preparo mágico que lhe havia sido entregue por Olocum. Ao usar o preparo, Iemanjá transformou-se em um rio e foi levada ao encontro do oceano.

Existe um mito que sugere a chegada de Iemanjá a Abeocutá, onde ela se casou com Oquerê, um rei local. O casamento ocorreu com a condição que Oquerê não expusesse o tamanho dos seios de Iemanjá ao ridículo. Certo dia, Oquerê chegou bêbado ao seu lar e fez comentários depreciativos sobre os seios de Iemanjá, que então fugiu. Oquerê tentou impedir a fuga de sua esposa, mas Iemanjá foi auxiliada pelo seu filho mais poderoso, Xangô.

Os grandes seios de Iemanjá são um elemento tradicional dessa orixá, reforçando o seu caráter de divindade fértil e materna. Os historiadores afirmam também que a expansão do culto de Iemanjá pela África tenha alcançado Abeocutá por volta do século XIX.

Leia mais: Cultura africana — uma das raízes da cultura brasileira

Dia de Iemanjá (2 de fevereiro)

Mulher com vestes do candomblé lança flores nas águas do mar no Dia de Iemanjá; ao fundo, alguns barcos.
As oferendas a Iemanjá, durante o dia 2 de fevereiro, são lançadas ao mar.

A importância de Iemanjá para a cultura e as religiões de matriz africana no Brasil deu origem a uma importante celebração para essa orixá. Em 2 de fevereiro, um dos rituais religiosos mais tradicionais do Brasil é realizado em Salvador, no Dia de Iemanjá, uma data em homenagem a essa deusa. A celebração se caracteriza por uma procissão que segue pelas ruas do bairro Rio Vermelho.

Os fiéis oferecem uma série de oferendas a Iemanjá, e acredita-se que as oferendas que não afundam, ou que são trazidas de volta para a terra firme, foram rejeitadas por Iemanjá.

Oferendas a Iemanjá também são práticas do culto à orixá no Rio de Janeiro durante a virada do ano. Também é realizada a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, no Sul do Brasil, representando Iemanjá no sincretismo religioso, também em 2 de fevereiro.

Local de culto a Iemanjá

No culto a Iemanjá, as celebrações ocorrem em locais abertos, como nas procissões mencionadas. A procissão pelas ruas de Salvador, que ocorre em 2 de fevereiro, é parte da celebração e acontece até a chegada ao oceano. No entanto, o culto a Iemanjá também pode acontecer nos terreiros, local de culto tradicional do candomblé, por exemplo.

Leia mais: Diferença entre candomblé e umbanda

O que pode ser pedido para Iemanjá?

Os adeptos das religiões de matriz africana fazem orações e oferendas a Iemanjá como forma de respeito a ela mas também para ter seus pedidos atendidos. Muitos pedem:

  • proteção de más energias;

  • boa saúde;

  • prosperidade nas finanças;

  • amor;

  • caminhos abertos na vida;

  • coisas positivas etc.

Características dos filhos de Iemanjá

Segundo a crença religiosa, os filhos de Iemanjá, isto é, seus seguidores, podem apresentar características como:

  • empatia e gosto por ajudar os outros;

  • apreço por itens de luxo;

  • lealdade;

  • sensibilidade;

  • determinação;

  • ciúme e rancor intensos.

Orações a Iemanjá

Dentro das religiões de matriz africana, existem diversas orações que podem ser feitas para Iemanjá. Vejamos algumas delas:

  • Oração para obter a benção de Iemanjá

Oh, Iemanjá, Sereia do Mar!

Canto doce, acalanto dos aflitos.

Mãe do mundo tenha piedade de nós!

Bendita são as bênçãos que vem do teu reino.

Meu coração e minha alma se abrem para

Receber as bênçãos de Iemanjá!

Mãe que protege, que sustenta,

que leva embora toda dor

Mãe dos Orixás, Mãe que cuida e que zela

pelos seus filhos e os filhos dos seus filhos.

Iemanjá, tua Luz norteia meus pensamentos

e tuas águas levam minha cabeça.

O DÔ SEI ABÁ!

  • Oração para obter a proteção de Iemanjá

Divina mãe, protetora dos pescadores e que governa a humanidade, dai-nos proteção. Oh, doce Iemanjá, limpai as nossas auras, livrai-nos de todas as tentações. És a força da natureza, linda deusa do amor e bondade (fazer o pedido). Ajude-nos descarregando as nossas matérias de todas as impurezas e que a vossa falange nos proteja, dando-nos saúde e paz. Que assim seja feita a vossa vontade. Odoyá!

Iemanjá no Brasil

No Brasil, Iemanjá se tornou uma importante divindade dos cultos de religiões de matriz africana. Sua vinda pra cá está relacionada com a escravidão de africanos, responsável pela migração forçada de milhões deles ao Brasil. Entre os escravizados estavam os iorubás, que cultuavam Iemanjá.

Em geral, a presença de Iemanjá no Brasil a ressalta como uma divindade bondosa, protetora e que zela pelos seus filhos, sendo portadora de um grande poder. Além disso, passou a ser retratada como uma mulher negra de seios fartos, e, em algumas representações, possui uma criança no seu colo. A roupa que usa é azul-clara, uma associação direta com a água.

A aculturação que Iemanjá sofreu no Brasil por meio do processo de sincretismo fez com que, muitas vezes, ela fosse representada como uma mulher branca — o que é entendido por muitos pesquisadores como uma manifestação de racismo. Houve também um sincretismo de Iemanjá com o mito da Iara, presente no folclore indígena. Assim, muitas vezes Iemanjá foi retratada como uma sereia.

Seu culto, que era ligado com os rios, passou a ser associado com os mares quando chegou aqui, fazendo com que a concha marítima se tornasse um de seus símbolos. Além disso, o culto a Iemanjá foi sincretizado com o da Virgem Maria, figura de grande importância no catolicismo. O papel de Iemanjá como Grande Mãe se associou com o de Maria, mãe de Jesus. Ela ainda foi associada com Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, entre outras.

Por fim, no Brasil, a associação de Iemanjá com o mar fez com que ela se tornasse protetora dos marinheiros e pescadores. Na crença, todos os que navegam no oceano estão sob sua proteção.

Fontes

BERKENBROCK, Volney J. A experiência dos orixás: um estudo sobre a experiência religiosa no candomblé. Petrópolis: Vozes, 1997.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

CÂMARA CASCUDO, Luís da. Geografia dos mitos brasileiros. São Paulo: Global, 2012.

CÂMARA CASCUDO, Luís da. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Ediouro.

BARROS, Cristiane Amaral. Iemanjá e Pombagira: imagens do feminino na Umbanda. Disponível em: https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/3261/1/cristianedoamaraldebarros.pdf

BLASS, Leila Maria da Silva. Dois de fevereiro, Dia de Iemanjá, Dia de Festa no Mar. Disponível em: https://www.pucsp.br/revistanures/revista5/nures5_leila.pdf

AGÊNCIA BRASIL. Conheça a história da festa do Presente à Iemanjá, que faz cem anos. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2023-02/conheca-historia-da-festa-do-presente-iemanja-que-faz-cem-anos

LYRIO, Alexandre. As mil faces de Iemanjá: conheça origem e formas da orixá celebrada domingo. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/as-mil-faces-de-iemanja-conheca-origem-e-formas-da-orixa-celebrada-domingo/

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Iemanjá"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/religiao/iemanja.htm. Acesso em 24 de julho de 2024.

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