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Coerência textual

Redação

Coerência textual está relacionada ao(s) sentido(s) de um texto verbal ou não verbal. Ela pode ser sintática, semântica, temática, pragmática, estilística ou genérica.
A construção de sentido(s) do texto depende de elementos linguísticos e extralinguísticos.
A construção de sentido(s) do texto depende de elementos linguísticos e extralinguísticos.
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Coerência textual se refere ao(s) sentido(s) de um texto. Ela pode ser:

  • sintática (relações estruturais)

  • semântica (relações de sentido)

  • temática (continuidade do assunto)

  • pragmática (contextual)

  • estilística (uso da variedade linguística adequada)

  • genérica (uso do gênero textual apropriado)

Assim, ela depende não só dos elementos coesivos do texto mas também da realidade extralinguística.

Leia também: Quais são os elementos da comunicação?

Resumo sobre coerência textual

  • A coerência textual está relacionada ao(s) sentido(s) de um texto e ocorre por meio de elementos linguísticos e extralinguísticos.

  • A coerência sintática se refere à relação entre componentes de um texto.

  • A coerência semântica tem a ver com relações de sentido entre palavras ou expressões de um texto.

  • A coerência temática ocorre quando não há fuga do tema.

  • A coerência pragmática está associada aos elementos extralinguísticos.

  • A coerência estilística acontece quando o texto utiliza a variedade linguística adequada.

  • A coerência genérica diz respeito ao uso adequado do gênero textual.

  • Os princípios da coerência textual são: não contradição, não tautologia e relevância.

  • A coesão se refere aos elementos estruturais do texto e auxilia na coerência textual, que conta também com o contexto.

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Videoaula sobre coerência textual

O que é coerência textual?

A coerência textual se refere ao(s) sentido(s) de um texto. Contudo, a coerência de um texto depende não só dos elementos linguísticos responsáveis pela coesão textual mas também do contexto.

Veja esta propaganda contra o tabagismo da ACT Promoção da Saúde:

Propaganda com um cigarro apagado e a frase “Assim como a fumaça, a indústria do cigarro não respeita limites”.

Parte do texto verbal diz: “Assim como a fumaça, a indústria do cigarro não respeita limites”. Um elemento coesivo (portanto, linguístico) que ajuda na coerência textual é o uso da expressão “assim como”, que indica a comparação entre a fumaça e a indústria de cigarro. No entanto, para entender essa comparação, o(a) receptor(a) da mensagem precisa ter um conhecimento extralinguístico, isto é, saber que a fumaça é algo que se espalha. Se ele(a) não conhece as características de uma fumaça, o texto se torna incoerente.

Leia também: 5 dicas para melhorar a sua interpretação de texto

Tipos de coerência textual

  • Coerência sintática

Está relacionada à coesão entre os elementos de um texto:

Quando chegamos ao supermercado, cujo dono foi preso por agressão, havia muitas pessoas . Elas protestavam e impediam a nossa entrada.

Agora, façamos esta alteração:

Quando chegamos ao supermercado, que o dono foi preso por agressão, havia muitas pessoas lá. Elas protestavam e impediam a nossa entrada.

Note que o pronome relativo “que” retoma um termo anterior, portanto, é incoerente o seu uso nesse enunciado. Já o pronome “cujo” indica uma relação de posse entre o elemento seguinte e o anterior, ou seja, “o dono do supermercado” foi preso por agressão.

  • Coerência semântica

Esse tipo de coerência tem a ver com as relações de sentido entre termos ou expressões de um texto:

Nesse país, a maioria das pessoas é rica e quase 90% dos cidadãos sãos pobres.

É perceptível, nesse enunciado, a incoerência. Afinal, se a maioria é rica, a porcentagem de pobres não pode ser de 90%.

Portanto, é coerente dizer:

Nesse país, a minoria das pessoas é rica e quase 90% dos cidadãos são pobres.

  • Coerência temática

Quando não há desvio do tema:

Luiz Gama foi um escritor, advogado e abolicionista do século XIX, e defendeu várias pessoas escravizadas. Ele é considerado o patrono da abolição da escravidão no Brasil.

Assim, seria tematicamente incoerente este texto:

Luiz Gama foi um escritor, advogado e abolicionista do século XIX, e defendeu várias pessoas escravizadas. Quando Santos Dumont contornou a Torre Eiffel, em 1901, todos ficaram impressionados.

  • Coerência pragmática

Está relacionada à situação, ao contexto extralinguístico:

Mãe: Plínio, você só vai brincar depois que terminar o dever de casa.

Plínio: Eu não quero fazer o dever de casa, mamãe.

Mãe: Mas você precisa ser responsável, meu filho.

Haveria incoerência pragmática em:

Plínio: Mamãe, você só vai brincar depois que terminar o dever de casa.

Mãe: Eu não quero fazer o dever de casa, meu filho.

Plínio: Mas você precisa ser responsável, mamãe.

Afinal, nosso conhecimento de mundo nos indica qual é o comportamento esperado para um filho e para uma mãe.

Veja este outro exemplo:

João ficou feliz, pois sua casa tinha pegado fogo.

A princípio, esse enunciado parece contraditório. Contudo, se o(a) leitor(a) ou ouvinte sabe que João odiava a sua casa e que tinha feito um seguro milionário, o enunciado é totalmente coerente. Portanto, o sentido vai depender do conhecimento prévio do receptor da mensagem.

  • Coerência estilística

Ocorre quando a variedade linguística utilizada está de acordo com a situação comunicativa:

Maria de Lourdes, CPF 000.000.000-00, RG 0.000.000, residente na Rua das Flores, número 00, na cidade de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, doravante denominada LOCADORA; Rui Mendonça, CPF 000.000.000-01, RG 0.000.001, residente na rua 32, número 00, na cidade de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, doravante denominado LOCATÁRIO, celebram o presente contrato de locação residencial, com as cláusulas e condições seguintes: [...].

A variedade padrão é condizente com o contexto formal de um contrato de aluguel. Assim, haveria incoerência estilística neste caso:

A Lourdinha, aquela que mora no finalzinho da Rua das Flores, em Beagá, vai alugar um barraco caindo aos pedaços pro fera do Ruizinho da Padaria, que tá vivendo agora na rua 32, também num bairro aqui de Beagá. Só que tem umas condições: [...].

  • Coerência genérica

Ocorre quando o gênero textual utilizado é o adequado:

Anúncio da marca Bombril com uma estatueta do Oscar em primeiro plano e a frase: “1001 indicações na categoria limpeza”.
Palha de aço Bombril, anúncio de 1999.

Esse anúncio publicitário apresenta texto verbal e não verbal, e possui características condizentes com o gênero. Seria incoerente anunciar uma palha de aço por meio de uma bula, por exemplo.

Princípios da coerência textual

  1. Não contradição: o texto não pode apresentar contradições, isto é, desacordo entre as informações.

  2. Não tautologia: o texto não deve apresentar repetições desnecessárias, ou seja, informações redundantes.

  3. Relevância: os enunciados do texto precisam estar relacionados ao tema.

Veja também: O que é tautologia?

Diferenças entre coerência e coesão

A coerência se refere ao(s) sentido(s) de um texto. Já a coesão está relacionada aos mecanismos gramaticais e lexicais responsáveis pela articulação entre os elementos da estrutura linguística de um texto. Dessa forma, tais mecanismos podem auxiliar na construção do(s) sentido(s).

A coerência, contudo, depende não só da coesão (limitada à estrutura textual) mas também de componentes extralinguísticos. Assim, o contexto é de suma importância para atingirmos o(s) sentido(s) de um texto, já que os aspectos socioculturais bem como o conhecimento de mundo fazem parte do processo de entendimento desse texto. Para saber mais sobre esse elemento textual, leia: Coesão.

5 dicas para escrever com coerência

  1. Utilize conectivos e conheça bem as conjunções.

  2. Fique atento(a) e evite as contradições em seu discurso.

  3. Não fuja do assunto, mas sim das repetições desnecessárias.

  4. Faça um texto adequado ao seu gênero e tipo textual.

  5. Revise o seu texto em busca de erros que prejudiquem a coerência.

Exercícios resolvidos sobre coerência textual

Questão 1 - (Unimontes)

Não éramos cordiais?

Clóvis Rossi

A morte do cinegrafista Santiago Andrade não configura um atentado à liberdade de imprensa, ao contrário do que tantos apregoam. É muito pior que isso: é um atentado ao convívio civilizado entre brasileiros, um degrau a mais na escalada impressionante de violência que está empurrando o país para um teor ainda mais exacerbado de barbárie. O incidente com o cinegrafista é parte de uma coreografia de violência crescente que se dá por onde quer que se olhe.

Nunca se matou com tanta facilidade em assaltos. Nunca se apertou o gatilho com tanta facilidade. É até curioso que as estatísticas policiais no Estado de São Paulo apontem uma redução no número de homicídios dolosos, como se fosse um avanço, quando aumenta o número de vítimas de latrocínio, que não passa de homicídio precedido de roubo.

De fato, em 2013, o número de latrocínios (379) foi o mais alto em nove anos, com aumento de 10% em relação aos 344 casos do ano anterior. Mas a violência não é um fenômeno restrito à criminalidade. A polícia age muitas vezes com uma violência desproporcional. A vida nas cidades e, cada vez mais, no interior é de uma violência inacreditável. O trânsito é uma violência contra a mente humana. O transporte público violenta dia após dia. Não é um atentado aos direitos humanos perder às vezes três horas entre ir e voltar do trabalho?

A saúde é uma violência contra o usuário. A educação violenta, pela sua baixa qualidade, o natural anseio de ascensão social. A existência de moradias em zonas de risco é outra violência. A contaminação do ar mata ou fere de maneira invisível os habitantes das cidades em que o nível de poluição supera o mínimo tolerável.

Não adianta, agora, culpar o governo do PT ou a suposta herança maldita legada pelo PSDB, ou os crimes praticados pela ditadura militar ou a turbulência que precedeu o golpe de 1964. O país foi sendo construído de maneira torta, irresponsável, sem o mais leve sinal de planejamento, de preparação para o futuro.

Acumularam-se violências em todas as áreas de vida. A explosão no consumo de drogas exacerbou, por sua vez, a violência da criminalidade comum. Não há “coitadinhos” nessa história. Há delinquentes e vítimas e há a incompetência do poder público

É como escreveu, para Carta Capital, esse impecável humanista chamado Luiz Gonzaga Belluzzo: “O descumprimento do dever de punir pelo ente público termina por solapar a solidariedade que cimenta a via civilizada, lançando a sociedade no desamparo e na violência sem quartel”.

Antes que o desamparo e a violência sem quartel se tornem completamente descontrolados, seria desejável o surgimento de lideranças capazes de pensar na coisa pública em vez de se dedicarem a seus interesses pessoais, mesmo os legítimos. Alguém precisa aparecer com um projeto de país, em vez de projetos de poder. Não é por acaso que 60% dos brasileiros querem mudanças, ainda que não as definam claramente. A encruzilhada agora é entre ideias e rojões.

Folha de S. Paulo, A18 mundo, quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014.

Na linha 27 [penúltimo parágrafo], acerca da substituição de “esse” (em “esse impecável humanista”) por “este”, é CORRETO afirmar que

A) não causaria prejuízo à coerência textual.

B) causaria prejuízo à coerência textual.

C) propiciaria a não relação de “este” com “Luiz Gonzaga Belluzzo”.

D) impediria que se estabelecesse uma relação entre “impecável humanista” e “Luiz Gonzaga Belluzzo”.

Resolução

Alternativa A. Nessa questão, tanto o uso de “esse” quanto o uso de “este” não prejudicam a coerência textual. Apesar de o pronome “este” ser usado, em certos casos, para se referir a algo que vai ser mencionado na estrutura do texto (Luiz Gonzaga Belluzzo), o fato de “esse” estar junto da expressão “impecável humanista” impede qualquer ambiguidade.

Questão 2 - (Unimontes)

ESTOJO ESCOLAR

Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas. Bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma usina nuclear, uma estação espacial.

Minhas necessidades são mais modestas: tenho um PC mastodôntico, contemporâneo das cavernas da informática. E um notebook da mesma época que começa a me deixar na mão. Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil.

No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto. Depois de mil operações sofisticadas para minhas limitações, retirei das entranhas de isopor o novo notebook e coloquei-o em cima da mesa. De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória. Tinha cinco anos e ia para o Jardim de Infância. E vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar.

Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros.

Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. Fechei o estojo para proteger aquele cheiro, que ele ficasse ali para sempre, prometi-me economizá-lo. Com avareza, só o cheirava em momentos especiais.

Na tampa que protegia estojo e cheiro, havia estampado um ramo de rosas vermelhas que se destacavam do fundo creme. Amei aquele ramalhete — olhava aquelas rosas e achava que nada no mundo podia ser mais bonito.

O notebook que agora abro é negro, não tem nenhuma rosa na tampa. E, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira a telefone celular, a cabine de avião, ao aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro.

Piorei de estojo e de vida.

Carlos Heitor Cony. O harém das bananeiras, p. 244-245. Adaptado.

Dos pares de palavras/expressões a seguir, assinale aquele em que NÃO se estabelece uma referência entre seus sentidos, de acordo com a coesão e a coerência do texto.

A) “O notebook que agora abro” — “estojo”

B) “um embrulho complicado” — “o meu primeiro estojo escolar”

C) “ramo de rosas vermelhas” — “aquelas rosas”

D) “maravilhas eletrônicas” — “o top do top”

Resolução

Alternativa B. No texto, o autor realiza uma comparação entre o notebook e o estojo (alternativa “a”) e faz uma retomada do “ramo de rosas vermelhas” ao escrever “aquelas rosas” (alternativa “c”). Já a expressão “top do top” está relacionada às “maravilhas eletrônicas” (alternativa “d”). No entanto, não há relação entre “um embrulho complicado” (onde está o notebook) e “o meu primeiro estojo escolar”.

 

Por Warley Souza
Professor de Português

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Coerência textual"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/redacao/coerencia.htm. Acesso em 27 de setembro de 2021.

Assista às nossas videoaulas
Lista de Exercícios
Questão 1

Sobre a coerência textual, é incorreto afirmar:

a) A coerência é uma conformidade entre fatos ou ideias, próprio daquilo que tem nexo, conexão, portanto, podemos associá-la ao processo de construção de sentidos do texto e à articulação das ideias

b) Por serem os sentidos elementos subjetivos, podemos dizer que a coerência não pode ser delimitada, pois o leitor é o responsável pela constituição dos significados do texto.

c) A coerência é imaterial e não está na superfície textual. Compreender aquilo que está escrito dependerá dos níveis de interação entre o leitor, o autor e o texto. Por esse motivo, um mesmo texto pode apresentar múltiplas interpretações.

d) A não contradição, a não tautologia e o princípio da relevância são elementos básicos que garantem a coerência textual.

e) A coerência textual dispensa o uso adequado dos conectivos, elementos que apenas colaboram para a estruturação do texto sem apresentar relação direta com a semântica textual.

Questão 2

Leia a tirinha de Calvin e Haroldo para responder à questão:

Entender a importância das figuras de linguagem é essencial para a construção de sentidos do texto
Entender a importância das figuras de linguagem é essencial para a construção de sentidos do texto

A incoerência na fala de Calvin sobre a TV pode ser explicada por meio da seguinte figura de linguagem:

a) Hipérbole.

b) Eufemismo.

c) Catacrese.

d) Ironia.

e) Prosopopeia.

Mais Questões
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