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Tipos de crônica

A crônica é um texto jornalístico com temática do cotidiano que pode ser dividida em dois tipos distintos: a crônica narrativa e a crônica argumentativa.

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Existem dois tipos de crônica, que é, em resumo, um texto sobre o cotidiano.
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Os tipos de crônica são as duas principais modalidades possíveis desse texto curto de temática cotidiana: a crônica narrativa e a crônica argumentativa. A primeira é uma crônica que apresenta personagens, enredo, espaço, tempo e narrador. A segunda apresenta elementos cotidianos para iniciar uma discussão acerca de uma temática de relevância social e, sendo assim, ela é predominantemente argumentativa, com alguns elementos narrativos e descritivos.

Leia também: Tipos de narrador — os possíveis pontos de vista de uma narrativa

Tópicos deste artigo

Resumo sobre tipos de crônica

  • A crônica é um texto curto com elementos cotidianos em sua composição.

  • Ela pertence ao gênero jornalístico e pode ser encontrada com certa frequência em jornais, revistas e mídias digitais.

  • A crônica pode ser classificada em dois principais tipos: a crônica narrativa e a crônica argumentativa.

  • A crônica narrativa, como o próprio nome diz, é uma narrativa curta com temática cotidiana envolvendo personagens, tempo, espaço, narrador e enredo.

  • A crônica argumentativa é um texto que gira em torno de um tema de relevância social e que apresenta a argumentação como base de sua construção. Além disso, ela pode conter elementos narrativos e descritivos no intuito de se aproximar do leitor.

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O que é crônica?

A crônica é um texto curto com elementos cotidianos em sua composição. Ela é caracterizada como um gênero pertencente ao campo do jornalismo, pois é veiculada em jornais, revistas ou plataformas digitais voltadas para a comunicação de grande alcance.

O autor da crônica é conhecido como cronista, e, no Brasil, temos diversos nomes importantes do gênero, como:

Ela pode ser dividida em dois tipos distintos: a crônica narrativa e a crônica argumentativa. Ambas são veiculadas tradicionalmente em jornais e revistas e apresentam os elementos que afirmamos acima: temática que circunda o cotidiano e texto curto.

De maneira geral, a crônica apresenta as seguintes características:

  • temática voltada ao cotidiano;

  • marcas de humor em alguns textos;

  • linguagem predominantemente informal, conferindo maior proximidade com o leitor;

  • publicação em veículos de comunicação como jornais e revistas ou mídias digitais.

Quais são os tipos de crônica?

O dois principais tipos de crônica são a crônica narrativa e a crônica argumentativa. Entenda melhor sobre os dois tipos a seguir.

Crônica narrativa

A crônica narrativa é um texto curto e que apresenta os elementos básicos da narrativa (enredo, personagens, tempo, espaço e foco narrativo). Nesses termos, por ser um texto narrativo, na sua composição predominam as tipologias textuais narração e descrição.

Do ponto de vista estrutural, a crônica argumentativa é composta por uma apresentação (do enredo, do personagem, do espaço e do tempo), complicação, clímax e desfecho. Assim, por se tratar de um texto curto, a crônica narrativa é estruturada de forma simples e linear, sem as complexidades e detalhes de outros gêneros narrativos, como, por exemplo, o romance.

Videoaula sobre crônica narrativa

Crônica argumentativa

A crônica argumentativa é também um texto curto e que traz elementos do cotidiano para a sua composição. No entanto, diferentemente da crônica narrativa, ela apresenta a predominância da argumentação e utiliza elementos narrativos para construir/embasar os argumentos apresentados.

Em síntese, a crônica argumentativa é um texto híbrido, com a presença de elementos narrativos junto de argumentos. Assim, estruturalmente, a crônica argumentativa é organizada em introdução, desenvolvimento e conclusão.

Videoaula sobre crônica argumentativa

Veja também: Artigo de opinião — um texto jornalístico em que o autor defende um ponto de vista acerca de um tema

Exemplos de crônicas

Exemplo de uma crônica narrativa

Três homens na estrada

O encarregado do posto de lubrificação, sozinho àquela hora, estranhou os vultos que vinham a pé, na estrada. O sol nascia; apenas alguns caminhões passavam, transbordando de legumes. Os três homens caminhavam sem pressa, no leito da rodovia, indiferentes ao risco. Motoristas jogavam-lhes palavrões, sem que eles se importassem. Estavam vestidos de maneira inabitual, um de vermelho, outro de verde, outro de roxo; as roupas se assemelhavam a túnicas, dessas que o rapaz da lubrificação estava acostumado a apreciar em filmes de Victor Mature e vira uma só vez na vida real, quando passou por ali, rumo a São Paulo, o carro do embaixador da Índia, e uma jovem morena descera para contemplar a paisagem.

Como os estranhos parassem diante do posto, teve vontade de aproximar-se e perguntar o que desejavam. Mas deteve-se. Eram três, ele estava desarmado, não sabia que espécie de gente era aquela.

O mais alto deles ficava ainda mais esguio olhando para o céu, como quem indaga o tempo. Os outros miravam um ponto vago, esperando decerto que ele comunicasse o resultado da inspeção. Não houve palavras, entretanto. O homem comprido, de vermelho, baixou a cabeça e fitou por sua vez os companheiros. Entendiam-se pelo olhar, era evidente. Não careciam de palavras, ou temiam empregá-las. Tratava-se, realmente, de indivíduos suspeitos.

Mas a suspeição que irradiavam era de natureza especial. O rapaz do posto — já é tempo de chamá-lo Marcos, pois assim fora batizado e registrado — imaginara no primeiro instante que fossem ladrões. Depois, pela excentricidade dos trajes, supusera-os simplesmente loucos. Agora percebia neles a majestade, ao mesmo tempo gloriosa e simples, de personagens de histórias da infância, no Nordeste, quando Carlos Magno ia com ele morro abaixo morro acima, e Rolando e d. Pedro i enchiam o ar com o retintim de espadas românticas.

Não sabendo como falar-lhes, nem recebendo deles qualquer pedido, Marcos estendeu-lhes um copo d’água, que um bebeu devagar, embora o rosto fosse sede pura. Os outros dois fizeram o mesmo, sucessivamente. Agradeceram com os olhos, e foram-se.

Ao chegarem os colegas de trabalho, Marcos, pressentindo a importância do encontro, não quis contar-lhes nada. E eles vinham justamente fazendo troça dos tipos encontrados em caminho, que davam dor de cabeça aos motoristas. Nunca se xingara tanto numa estrada do Rio. Pois os três caminhavam para o Rio de Janeiro, sempre consultando o espaço.

O ônibus freou brusco, para não amassá-los. O motorista quis descer justamente para amassá-los, na raça. Entre os passageiros, as definições variavam: eram contratados de casa comercial, em promoção de festas; tinham bebido demais e erravam a esmo; não, são figuras de rancho ensaiando para Carnaval; ou palhaços de circo, descansando. Fugiram do hospício; são doidos mansos; pois sim, experimenta bulir com eles. Desceram do foguete interplanetário, numa praia fluminense. Marcianos? Isso não: uniformes russos, meu velho.

Marcos trabalhou o dia todo com o pensamento naqueles três homens diferentes que, sem nada falar, lhe insinuaram muitas coisas. Não eram propriamente nobres, se bem que na poeira das vestes se entremostrasse nobreza. Em seu entendimento singelo, Marcos apreendia o recolhimento deles, sentia-os empenhados numa busca infatigável e serena, que não se faz por meio de perguntas. Eram ridículos talvez, exatamente porque não tinham qualquer relação com o lugar por onde passavam, não se serviam de nada que hoje em dia se usa para viajar. De onde vinham, por que vinham, o empregado de um posto de gasolina seria incapaz de saber. Mas sabia intuitivamente que levavam consigo uma alta obrigação.

No dia seguinte, Marcos leu no jornal que foram presos na Penha três indivíduos trajados de modo grotesco, ao atravessarem a linha férrea. Pareciam estrangeiros, nada carregavam, nada souberam responder. O delegado solicitara um intérprete da Polícia Técnica, mas não fora atendido porque era meio-feriado, com expediente suspenso para que toda gente fosse assistir, no Maracanã, com a presença das autoridades, à festa da recepção simbólica aos Três Reis Magos.

Carlos Drummond de Andrade


O texto acima é uma crônica narrativa. Perceba que ela apresenta alguns dos elementos básicos tratados anteriormente: é um texto curto com os cinco elementos da narrativa. Além disso, temos uma história corriqueira que parte da desconfiança de Marcos, o protagonista, diante de algumas pessoas estranhas que ele encontrou. A narrativa parte de uma situação cotidiana, isto é, possível de acontecer com qualquer um no dia a dia.

Exemplo de uma crônica argumentativa

Ciclofaixas e ciclovias, já!

Recentemente, tornei-me ciclista. Passei por um ritual, como todos passam, escolhi a bike ideal e adquiri todos os equipamentos de proteção. Apesar de resumir toda a situação, o processo demorou longos meses. Finalmente, montado em meu veículo, fui desbravar as ruas. Eis que, em uma de minhas aventuras, surge o problema: carros reclamando de sua presença no trânsito e atitudes agressivas com fechamentos e intimidações.

O fato que ocorreu comigo é comum com todos aqueles que se pretendem ciclistas. Os motoristas das cidades brasileiras ainda não aprenderam a respeitar o ciclista. De acordo com a Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), os acidentes com ciclistas nas cidades espalhadas pelo Brasil aumentou cerca de 30% em 2021 em relação ao ano anterior. Além disso, o estudo aponta a falta de estruturas nas vias que apresentam buracos que podem ser fatais para os ciclistas.

As ciclofaixas e ciclovias são soluções adequadas para o problema. Afinal, elas garantem um espaço seguro para que os ciclistas possam transitar sem serem ameaçados pelos carros ou sem prejudicarem os pedestres. Em outros termos, cada um no seu “quadrado” ou cada um ocupando o seu espaço. Porém, as ciclovias e ciclofaixas ainda não são uma realidade nas cidades brasileiras. Aquelas que possuem a maior quantidade de km de extensão, como é o caso de São Paulo, ainda não conseguem abarcar toda a cidade. Há ciclistas em todas as regiões e que se deslocam por toda a cidade. Portanto, é importante que as ciclovias e as ciclofaixas tenham o maior alcance possível.


O trecho acima é uma crônica argumentativa. Ela possui introdução, desenvolvimento e conclusão e elementos que embasam sua argumentação. Nela, o autor apresenta, no início, uma breve descrição e narração de sua jornada enquanto ciclista. Na sequência, é apresentada uma série de fatores que envolvem o problema da mobilidade dos ciclistas devido a problemas de infraestrutura nas cidades.

Ele defende, portanto, a tese de que existem as ciclofaixas e ciclovias, que correspondem ao espaço reservado ao ciclista, e reforça a importância de que elas estejam presentes cidades. Para validar seus argumentos, ele traz a informação da Abramet e do aumento dos acidentes envolvendo ciclistas. Ao final, ele reforça a importância de haver ciclovias e ciclofaixas nas cidades.

 

Por Rafael Camargo de Oliveira
Professor de Redação 

Escritor do artigo
Escrito por: Rafael Camargo de Oliveira Escritor oficial Brasil Escola

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

OLIVEIRA, Rafael Camargo de. "Tipos de crônica"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/redacao/a-cronica.htm. Acesso em 18 de maio de 2024.

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