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Crônica narrativa

Redação

Crônica narrativa é um gênero do discurso narrativo em que o narrador, personagem ou não, reflete sobre fatos e cenas do cotidiano em um breve espaço de tempo.
A crônica narrativa reflete sobre fatos do cotidiano seguindo uma breve ordem cronológica
A crônica narrativa reflete sobre fatos do cotidiano seguindo uma breve ordem cronológica
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A crônica é um gênero discursivo que tem relação com a ideia de tempo e consiste no registro de fatos do cotidiano em linguagem literária (conotativa). A origem da palavra 'Crônica' é grega, chronos, e significa 'tempo'.

A crônica pode receber diferentes classificações de acordo com o tipo de texto com o qual está relacionada. De maneira geral, podemos dizer que a crônica pode ser da tipologia narrativa ou da tipologia argumentativa. Neste artigo, vamos discutir a respeito da crônica narrativa.

Crônica narrativa

    A crônica narrativa pode ser definida como sendo uma história breve na qual são retratados fatos e reflexões a respeito de acontecimentos do cotiano, em determinada época ou tempo, a partir do uso de linguagem literária e coloquial.

    De maneira geral, os cronistas (escritores de crônicas) relatam os acontecimentos sociais a partir de sua visão crítica sobre os fatos, suas impressões pessoais. Em grande parte das crônicas narrativas, é possível encontrar muitas sequências de discurso direto (diálogo).

    Muitas vezes, de maneira inusitada e/ou bem-humorada, a crônica narra breves fatos cotidiano e outros assuntos relacionados à arte, esporte, ciência, relacionamentos interpessoais, entre outros. Os suportes de circulação das crônicas narrativas são jornais, revistas e livros (coletâneas de crônicas, livros didáticos etc.).

    Leia um exemplo de crônica narrativa do escritor brasileiro Luis Fernando Verissimo:

    Bom mesmo

    Tem uma crônica do Paulo Mendes Campos em que ele conta de um amigo que sofria de pressão alta e era obrigado a fazer uma dieta rigorosa. Certa vez, no meio de uma conversa animada de um grupo, durante a qual mantivera um silêncio triste, ele suspirou fundo e declarou:

    - Vocês ficam ai dizendo que bom mesmo é mulher. Bom mesmo é sal!

    O que realmente diferencia os estágios da experiência humana nesta Terra é o que o homem, a cada idade, considera bom mesmo. Não apenas bom. Melhor do que tudo. Bom MESMO.

    Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um sobre as melhores coisas do mundo e no fim decretaria:

    - Conversa. Bom mesmo é mãe.

    Depois de uma certa idade, a escolha do melhor de tudo passa a ser mais difícil. A infância é um viveiro de prazeres. Como comparar, por exemplo, o orgulho de um pião bem lançado, o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, o cheiro da terra úmida e o cheiro de caderno novo?

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    - Bom mesmo é o cheiro de Vick VapoRub.

    Mas acho que, tirando-se uma média das opiniões de pré-adolescentes normais brasileiros, se chegaria fatalmente à conclusão de que nesta fase bom mesmo, melhor do que tudo, melhor até do que fazer xixi na piscina, é passe de calcanhar que dá certo.

    Mais tarde a gente se sente na obrigação de pensar que bom mesmo é mulher (ou prima, que é parecido com mulher), mas no fundo ainda acha que bom mesmo é acordar na segunda-feira com febre e não precisar ir à aula.

    Depois, sim, vem a fase em que não tem conversa. Bom mesmo é sexo!

    Esta fase dura geralmente até o fim da vida, mesmo quando o sexo precisa disputar a preferência com outras coisas boas (“Pra mim é sexo em primeiro e romance policial em segundo, mas longe”). Quando alguém diz que bom mesmo é outra coisa, está sendo exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.

    - Bom mesmo é figada com queijo.

    - Melhor do que sexo?

    - Bom... Cada coisa na sua hora.

    Com a chamada idade madura, embora persista o consenso de que nada se iguala ao prazer, mesmo teórico, do sexo, as necessidades do conforto e os pequenos prazeres da vida prática vão se impondo.

    - Meu filho, eu sei que você aí, tão cheio de vida e de entusiasmo, não vai compreender isto. Mas tome nota do que eu digo porque um dia você concordará comigo: bom mesmo é escada rolante.

    E esta é a trajetória do homem e seu gosto inconstante sobre a Terra, do colo da mãe, que parece que nada, jamais, substituirá, à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecido. E que bom, mas bom MESMO, é nunca mais ser obrigado a ir a lugar nenhum, mesmo sem febre.

    (VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias da vida privada. L&PM, 1994.)

    Leia também a respeito da crônica argumentativa.


    Por Ma. Luciana Kuchenbecker Araújo

    Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

    ARAúJO, Luciana Kuchenbecker. "Crônica narrativa"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/redacao/cronica-narrativa.htm. Acesso em 24 de agosto de 2019.

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