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Álvares de Azevedo

Literatura

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Álvares de Azevedo (Manuel Antônio Álvares de Azevedo) nasceu em 12 de setembro de 1831, na cidade de São Paulo. Ainda na infância, mudou-se, com a família, para o Rio de Janeiro. Mais tarde, voltou à cidade natal para estudar Direito. Entretanto, devido à tuberculose, não terminou o curso e voltou ao Rio de Janeiro, onde faleceu, em 25 de abril de 1852.

Pertencente à segunda geração do romantismo brasileiro, produziu textos caracterizados pelo tom melancólico, sofrimento amoroso, pessimismo, fuga da realidade e morbidez. Suas obras mais conhecidas são o livro de poesia Lira dos vinte anos, a peça teatral Macário e a novela Noite na taverna.

Leia também: Romantismo – movimento artístico que se apresentou em diversas partes do mundo

Biografia de Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo, desenho de M. J. Garnier.
Álvares de Azevedo, desenho de M. J. Garnier.

Álvares de Azevedo (Manuel Antônio Álvares de Azevedo) nasceu em 12 de setembro de 1831, na cidade de São Paulo. No entanto, a família logo se mudou para o Rio de Janeiro, onde o poeta viveu até 1848, quando começou a estudar na Faculdade de Direito em São Paulo e se entregou à romântica vida boêmia.

Nessa cidade, possivelmente, fez parte da Sociedade Epicureia, que promovia reuniões orgiásticas, inspiradas nos ideais libertários de Lord Byron (1788-1824). Contudo, tal sociedade ainda é cercada de mistérios e lendas. Se alguns estudiosos afirmam a participação do autor, outros a negam.

Em 1859, o escritor Couto de Magalhães (1837-1898) chegou a sugerir que “Álvares de Azevedo, na sua Noite na taverna, descreveu, em parte, uma dessas cenas”|1| ocorridas nessas reuniões. Assim, provavelmente, Álvares de Azevedo foi um dos integrantes dessa sociedade, ao lado de seus dois amigos, isto é, os escritores românticos Bernardo Guimarães (1825-1884) e Aureliano Lessa (1828-1861).

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Entretanto, em 1851, Álvares de Azevedo não pôde continuar em São Paulo e terminar a faculdade, pois estava com tuberculose. Para complicar ainda mais sua situação, sofreu um acidente de cavalo, em 1852, e precisou fazer uma cirurgia, mas não se recuperou dela, e morreu em 25 de abril do mesmo ano.

Não está claro, portanto, se seu falecimento foi causado pela tuberculose ou pelas complicações da cirurgia. Além disso, o fato de o poeta ter falado tanto da morte em seus versos criou em torno do seu fim uma aura de mistério, aumentada por seu poema Se eu morresse amanhã! ter sido escrito dias antes de o escritor falecer.

Assim, o poeta, que viveu apenas 20 anos, teve suas obras publicadas postumamente. O pouco que se sabe sobre sua vida se deve às cartas que deixou, além de referências a ele em textos de escritores que o conheceram, ou mesmo a suposições feitas com base na análise de suas obras literárias.

Leia também: Fagundes Varela – outro representante da segunda geração do romantismo

Características da obra de Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo foi o principal nome do ultrarromantismo ou segunda geração romântica. As obras dos poetas ultrarromânticos apresentam uma linguagem subjetiva, além do exagero sentimental. Portanto, os versos do escritor deixam transparecer a angústia de existir, às vezes causada pelo sofrimento amoroso.

Diante da realidade insuportável, o eu lírico foge dela, o que pode ocorrer por meio do amor, do sonho ou da morte. Assim, o tom mórbido de algumas obras do autor se deve à fascinação romântica pelo mistério, mas também a um desejo do eu lírico de fugir do sofrimento da existência.

Se o escritor realista opta pela realidade presente, o romântico prefere idealizar o passado e, desse modo, recorre ao saudosismo. Além disso, idealiza o amor, a mulher amada e a vida. Por isso, diante das imperfeições da realidade, o poeta busca, muitas vezes, o isolamento social, além de se entregar ao pessimismo.

Obras de Álvares de Azevedo

Capa do livro “Macário”, de Álvares de Azevedo, publicado pela editora L&PM.[1]
Capa do livro “Macário”, de Álvares de Azevedo, publicado pela editora L&PM.[1]

As obras do escritor Álvares de Azevedo foram publicadas após sua morte, são elas:

  • Lira dos vinte anos

  • O poema do frade

  • Macário

  • Noite na taverna

  • O conde Lopo

  • O livro de Fra Gondicário

  • Poemas irônicos, venenosos e sarcásticos

Poemas de Álvares de Azevedo

No poema “Se eu morresse amanhã!”, do livro Poemas irônicos, venenosos e sarcásticos, o eu lírico pensa em como seria se ele “morresse amanhã”. Se isso acontecesse, seus olhos seriam fechados por sua “triste irmã” e a mãe morreria de saudades. Além disso, ele não amaria nem experimentaria a glória futura. No entanto, apesar de ser privado da glória e do amor, sua morte também traria algo positivo, pois ele não sentiria mais a “dor da vida que devora”:

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar os olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos,
Se eu morresse amanhã!

Já “Soneto”, poema publicado no livro Lira dos vinte anos, fala de amor e morte. Nele, o eu lírico se refere a uma mulher pálida, que, idealizadamente, é comparada a um anjo. Essa mulher dorme “à luz da lâmpada sombria”, sobre “o leito de flores reclinada”, e, pela descrição, parece até estar morta.

No entanto, ele afirma que ela dormia entre “as nuvens do amor” e era “um anjo entre nuvens”, o que sugere a idealização do amor e da mulher e, portanto, a inexistência real de ambos, já que estão entre nuvens, sem nenhuma concretude. Ao mesmo tempo, a mulher parece viva, já que, eroticamente, o eu lírico fala de seu “seio palpitando...” e de suas formas nuas resvalando no leito.

No final, a ideia de que a amada existe apenas na imaginação do eu lírico se fortalece quando ele se dirige a essa mulher (real ou fruto de sua fantasia) e lhe diz que, por ela, ele chorou durante as noites e que, por ela, ele morrerá, sorrindo, “nos sonhos”:

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada...
— Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti — as noites eu velei chorando
Por ti — nos sonhos morrerei sorrindo!

Veja também: 5 poemas de Alphonsus de Guimaraens

Frases de Álvares de Azevedo

A seguir, vamos ler algumas frases de Álvares de Azevedo, retiradas de sua obra Macário:

  • “Não te ama quem não te entende!”

  • “Amo as mulheres e odeio o romantismo.”

  • “Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.”

  • “Meu peito tem batido nesses vinte anos tantas vezes como o de um outro homem em quarenta.”

  • “É no lodo do oceano que se encontram as pérolas.”

  • “Há flores sem perfume, e perfume sem flores.”

  • “Acho que uma taça vazia pouco vale, mas não beberia o melhor vinho numa xícara de barro.”

  • “A maior desgraça deste mundo é ser Fausto sem Mefistófeles...”

  • “A mais doce embriaguez é a que resulta da mistura dos vinhos.”

Nota

|1| Citado por Jefferson Donizeti de Oliveira, em sua dissertação Um sussurro nas trevas.

Crédito da imagem

[1] LP&M Editores (reprodução)

 

Por Warley Souza
Professor de Literatura

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Álvares de Azevedo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/alvares-de-azevedo.htm. Acesso em 24 de outubro de 2021.

Lista de Exercícios
Questão 1

(Enem -2010)

Soneto 

Já da morte o palor me cobre o rosto, 
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!… já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto! 

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

(AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000)

O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é

a) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte. 
b) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.
c) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade.
d) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.
e) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.

Questão 2

(FUVEST)

Teu romantismo bebo, ó minha lua,

A teus raios divinos me abandono,

Torno-me vaporoso ... e só de ver-te

Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.

(Álvares de Azevedo, “Luar de verão”, Lira dos vinte anos)

Nesse excerto, o eu lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu lírico manifesta a:

a) ironia romântica.

b) tendência romântica ao misticismo.

c) melancolia romântica.

d) aversão dos românticos à natureza.

e) fuga romântica para o sonho.

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