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Primeira Batalha do Marne

A Primeira Batalha do Marne foi um confronto que ocorreu no início da Primeira Guerra Mundial, em que os Aliados conseguiram deter o avanço alemão em direção a Paris.

Infantaria francesa na Primeira Batalha do Marne. A contraofensiva aliada frustrou a tentativa alemã de invadir Paris.
Infantaria francesa na Primeira Batalha do Marne. A contraofensiva aliada frustrou a tentativa alemã de invadir Paris.
Crédito da Imagem: commons
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A Primeira Batalha do Marne foi uma batalha travada na Primeira Guerra Mundial, em setembro de 1914. A unificação da Alemanha em 1871 desencadeou rivalidades na Europa, culminando na eclosão do conflito após o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand. As causas da batalha foram o Plano Schlieffen alemão, que visava a uma rápida vitória sobre a França através da Bélgica, e a mobilização eficiente das forças aliadas, que se reorganizaram para uma contraofensiva estratégica.

A batalha foi marcada por combates intensos, em que os Aliados, utilizando transporte motorizado e táticas de ataque coordenadas, conseguiram explorar falhas na linha alemã e deter o avanço inimigo em direção a Paris.

Leia também: Quais foram as principais batalhas da Primeira Guerra Mundial?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Primeira Batalha do Marne

  • A Primeira Batalha do Marne foi um confronto decisivo da Primeira Guerra Mundial, ocorrido em setembro de 1914.

  • Nessa batalha, os Aliados conseguiram deter o avanço alemão em direção a Paris.

  • As causas da Primeira Batalha do Marne estão ligadas ao Plano Schlieffen alemão e à mobilização eficiente das forças francesas e britânicas.

  • Os alemães visavam a uma rápida vitória sobre a França, passando pela Bélgica, mas a França e o Reino Unido se reorganizaram para uma contraofensiva.

  • Combates intensos aconteceram entre 5 e 12 de setembro de 1914.

  • Os Aliados conseguiram explorar as falhas na linha alemã e forçaram o recuo das tropas invasoras.

  • A vitória na Primeira Batalha do Marne foi dos Aliados, especialmente das forças francesas e britânicas, que conseguiram impedir a captura de Paris.

  • A vitória dos Aliados pôs fim à guerra de movimento e deu início à guerra de trincheiras na Frente Ocidental.

  • A guerra foi transformada em um conflito prolongado de trincheiras que trouxe impacto moral e estratégico significativo para ambos os lados, resultando em um impasse sangrento e uma guerra de desgaste.

Antecedentes históricos da Primeira Batalha do Marne

A Primeira Batalha do Marne, ocorrida entre 5 e 12 de setembro de 1914, foi um dos eventos cruciais no início da Primeira Guerra Mundial, marcada por um conflito de proporções sem precedentes e pela mobilização de vastos exércitos em toda a Europa. Os antecedentes históricos dessa batalha remontam ao ambiente político e militar do final do século XIX e início do século XX, um período caracterizado por rivalidades imperialistas, alianças complexas e uma corrida armamentista frenética.

A unificação da Alemanha em 1871, após a vitória na Guerra Franco-Prussiana, alterou significativamente o equilíbrio de poder na Europa. A nova nação alemã emergiu como uma potência industrial e militar, fomentando uma sensação de insegurança entre seus vizinhos, especialmente a França e a Rússia. Em resposta, esses países buscaram fortalecer suas alianças, culminando na formação da Tríplice Entente entre França, Rússia e Reino Unido.

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Paralelamente, a Alemanha, Áustria-Hungria e Itália formaram a Tríplice Aliança, criando um sistema de alianças que polarizou o continente. As tensões cresceram com a rivalidade naval entre Alemanha e Reino Unido e com os conflitos nos Bálcãs, onde o nacionalismo eslavo, apoiado pela Rússia, chocava-se com os interesses austro-húngaros.

O início do conflito

A crise dos Bálcãs e o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand da Áustria, em 28 de junho de 1914, desencadearam uma série de declarações de guerra, levando rapidamente a um conflito em larga escala. A Alemanha, antecipando uma guerra em duas frentes contra França e Rússia, implementou o Plano Schlieffen, que previa uma rápida ofensiva através da Bélgica para derrotar a França antes de virar suas forças contra a Rússia.

No entanto, a resistência belga, a mobilização mais rápida do que o esperado dos exércitos franceses e britânicos, e a necessidade de desviar tropas para a Frente Oriental complicaram essa estratégia, resultando em um avanço alemão que, apesar de inicialmente bem-sucedido, encontrou crescente resistência à medida que se aproximava de Paris.

Veja também: A vida nas trincheiras — os horrores vividos pelos soldados na segunda fase da Primeira Guerra Mundial

Causas da Primeira Batalha do Marne

As causas da Primeira Batalha do Marne estão intrinsecamente ligadas às estratégias militares adotadas no início da Primeira Guerra Mundial, particularmente ao Plano Schlieffen alemão. O plano, concebido pelo General Alfred von Schlieffen, pretendia evitar uma guerra prolongada em duas frentes ao esmagar a França rapidamente através de um movimento de flanco através da Bélgica, uma nação neutra cuja invasão trouxe o Reino Unido para o conflito.

À medida que as forças alemãs avançavam rapidamente pela Bélgica e pelo Norte da França, parecia que Paris poderia cair, ameaçando o coração do território francês. No entanto, a invasão belga, ao mesmo tempo que atrasava o avanço alemão, galvanizou a resistência dos Aliados. A violação da neutralidade belga também teve um impacto moral significativo, fortalecendo a determinação do Reino Unido de se engajar plenamente no conflito ao lado da França e da Rússia.

Soldados alemães na Primeira Batalha do Marne. Os combates foram intensos e em terrenos variados.
Soldados alemães na Primeira Batalha do Marne. Os combates foram intensos e em terrenos variados.

Outro fator crucial foi a mobilização rápida e eficiente dos exércitos franceses e britânicos. Sob o comando do General Joseph Joffre, os franceses reorganizaram suas forças, absorvendo o impacto inicial do avanço alemão enquanto recuavam estrategicamente para preparar uma contraofensiva. Simultaneamente, o Corpo Expedicionário Britânico, embora numericamente inferior, demonstrou tenacidade e capacidade de manobra, contribuindo para o esforço de retardar o avanço alemão.

A comunicação e a inteligência desempenharam papéis vitais. A interceptação de comunicações alemãs e o reconhecimento aéreo permitiram aos Aliados entender as intenções e fraquezas do inimigo. Quando as forças alemãs, estendidas e esgotadas, desviaram-se de sua rota planejada em direção ao Marne, os Aliados viram uma oportunidade para atacar um flanco exposto.

Como foi a Primeira Batalha do Marne?

A Primeira Batalha do Marne começou em 5 de setembro de 1914, com uma massiva contraofensiva aliada ao longo do rio Marne, a leste de Paris. O general Joseph Joffre, comandante-chefe do exército francês, coordenou um ataque envolvendo várias frentes, enquanto o Corpo Expedicionário Britânico, sob o comando de Sir John French, apoiava a manobra.

A batalha foi caracterizada por movimentos de larga escala e combates intensos em terrenos variados, incluindo cidades, vilas e campos abertos. Um dos elementos decisivos foi o uso inovador de transporte motorizado pelos franceses, incluindo táxis parisienses, para mover rapidamente tropas para a frente de batalha. Isso permitiu que as forças francesas se reposicionassem e reforçassem áreas críticas do campo de batalha de maneira eficiente.

Os combates foram ferozes e contínuos, com ataques e contra-ataques de ambos os lados. As linhas de frente oscilavam, mas os Aliados gradualmente conseguiram explorar as falhas na coordenação alemã. A disposição das tropas alemãs, alongadas e enfraquecidas após semanas de marcha e combate, tornava difícil para os comandantes manterem uma linha defensiva coesa.

Um momento crucial ocorreu quando o Sexto Exército francês, sob o comando do general Michel-Joseph Maunoury, atacou o flanco direito do Primeiro Exército alemão. Esse ataque forçou os alemães a recuarem para evitar o cerco, criando uma brecha que foi rapidamente explorada pelos Aliados. As forças alemãs tentaram reagir e estabilizar suas linhas, mas o ímpeto estava do lado dos Aliados.

Quem venceu a Primeira Batalha do Marne?

A Primeira Batalha do Marne foi uma vitória decisiva para os Aliados, especificamente para os exércitos franceses e britânicos. Apesar da resistência obstinada das forças alemãs e da intensidade dos combates, os Aliados conseguiram deter o avanço inimigo e forçá-lo a recuar. O resultado da batalha impediu a captura de Paris e interrompeu o plano alemão de uma rápida vitória na Frente Ocidental.

O recuo alemão marcou o fim da guerra de movimento no Oeste, dando lugar a uma guerra de trincheiras que caracterizaria grande parte do restante do conflito. As tropas alemãs estabeleceram posições defensivas fortificadas ao longo do rio Aisne, onde o front se estabilizou. A incapacidade da Alemanha de alcançar uma vitória rápida e decisiva significou que o conflito se transformaria em uma guerra prolongada de desgaste, com enormes perdas humanas e materiais para ambos os lados.

A vitória no Marne elevou o moral das tropas aliadas e reforçou a crença de que a guerra poderia ser vencida, apesar das adversidades. Foi um momento crucial que redefiniu a dinâmica da guerra, estabelecendo o palco para um conflito prolongado e brutal que duraria mais quatro anos.

Consequências da Primeira Batalha do Marne

Soldados em trincheiras na Primeira Guerra Mundial, após a Primeira Batalha do Marne.
Soldados em trincheiras na Primeira Guerra Mundial, após a Primeira Batalha do Marne.

A Primeira Batalha do Marne teve consequências profundas e duradouras, tanto no contexto imediato da guerra quanto em termos de seu impacto histórico mais amplo. No curto prazo, a batalha estabilizou a Frente Ocidental e marcou o início da guerra de trincheiras, que se estenderia ao longo de centenas de quilômetros, desde o Canal da Mancha até a fronteira suíça. Essa mudança na natureza do combate resultou em um impasse sangrento, com ambos os lados buscando novas formas de romper as linhas inimigas.

Estrategicamente, a falha do Plano Schlieffen forçou os alemães a ajustar suas expectativas e preparativos para um conflito prolongado. A incapacidade de vencer rapidamente na Frente Ocidental significava que a Alemanha teria que lutar em duas frentes, enfrentando pressões contínuas tanto no Oeste quanto no Leste. Isso colocou uma enorme tensão nos recursos militares e econômicos do país.

Para os Aliados, a vitória no Marne foi um impulso moral significativo e demonstrou a viabilidade de resistir à máquina de guerra alemã. No entanto, também ficou claro que a guerra seria longa e custosa. As nações envolvidas começaram a mobilizar seus recursos em uma escala sem precedentes, e a guerra total passou a definir o esforço militar e civil.

A nível humano, a batalha teve um custo devastador. Centenas de milhares de soldados foram mortos ou feridos, e as áreas de combate, incluindo vilas e campos agrícolas, foram devastadas. As populações civis sofreram com deslocamentos, destruição de propriedades e interrupções na vida cotidiana. A Primeira Batalha do Marne simbolizou a brutalidade e o horror da guerra moderna, com seu uso intensivo de artilharia, metralhadoras e outras formas de tecnologia militar avançada.

Primeira Batalha do Marne e a Guerra de Trincheiras

A vitória dos Aliados pôs fim à guerra de movimento e deu início à guerra de trincheiras na Frente Ocidental. A guerra foi transformada em um conflito prolongado de trincheiras que trouxe impacto moral e estratégico significativo para ambos os lados, resultando em um impasse sangrento e uma guerra de desgaste.

A longo prazo, a batalha contribuiu para o desgaste das forças combatentes e a exaustão dos recursos econômicos das nações envolvidas. A guerra de trincheiras, caracterizada por ofensivas dispendiosas e defensivas formidáveis, resultou em uma estagnação que durou até as ofensivas finais de 1918. A Primeira Batalha do Marne, portanto, foi um ponto de inflexão que transformou a Primeira Guerra Mundial em um conflito de resistência e resiliência, marcando o início de um novo tipo de guerra que definiria o século XX.

Saiba mais: Qual foi a batalha mais sangrenta da Primeira Guerra Mundial?

Exercícios resolvidos sobre Primeira Batalha do Marne

1. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Primeira Batalha do Marne desempenhou um papel crucial na estratégia militar. Marcada por uma série de antecedentes históricos e causas específicas, a batalha teve consequências significativas que moldaram o curso do conflito. Dentre os fatores que levaram ao início dessa batalha, destaca-se o Plano Schlieffen alemão, que tinha como objetivo uma vitória rápida sobre a França antes de enfrentar a Rússia. Além disso, a mobilização eficiente das forças aliadas, incluindo o uso de transporte motorizado, foi essencial para a contraofensiva bem-sucedida. Com base nessas informações, qual das alternativas abaixo melhor descreve a principal consequência da Primeira Batalha do Marne?

A) O desenvolvimento de novas estratégias de guerra submarina.

B) A estabilização da Frente Oriental e a retirada das tropas russas da guerra.

C) O início da guerra de trincheiras na Frente Ocidental.

D) A implementação de um armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial.

E) A invasão bem-sucedida de Paris pelas tropas alemãs.

Resposta correta: C) A Primeira Batalha do Marne resultou na estabilização da Frente Ocidental e no início da guerra de trincheiras, um aspecto crucial que caracterizou o conflito nas áreas de combate da França até o final da guerra.

2. Os antecedentes históricos da Primeira Batalha do Marne remontam à unificação da Alemanha em 1871 e às tensões crescentes na Europa durante o período anterior à Primeira Guerra Mundial. A formação de alianças complexas como a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança contribuiu para o ambiente de rivalidade entre as potências europeias. Além disso, o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand em 1914 desencadeou uma série de eventos que culminaram na eclosão do conflito. Com base nessas informações, qual das alternativas abaixo melhor descreve a causa imediata da Primeira Batalha do Marne?

A) A decisão das potências europeias em favor de uma guerra preventiva.

B) O avanço bem-sucedido das tropas alemãs através da Bélgica em direção à França.

C) O surgimento de novas táticas de guerra aerotransportadas.

D) A resistência belga à invasão alemã e a rápida mobilização dos exércitos franceses.

E) A implementação de políticas de neutralidade na região dos Bálcãs.

Resposta correta: D) A resistência belga à invasão alemã e a rápida mobilização dos exércitos franceses foram fatores determinantes que atrasaram o avanço alemão e permitiram a organização de uma contraofensiva que culminou na Primeira Batalha do Marne.

Fontes

HOBSBAWN, E. A Era dos Extremos: o breve século XX (1914 – 1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

SONDHAUS, L. A Primeira Guerra Mundial: História Completa. São Paulo: Contexto, 2013.

Escritor do artigo
Escrito por: Tiago Soares Campos Bacharel, licenciado e doutorando em História pela USP. Bacharel em Direito e pós-graduado em Direito pela PUC. É professor de História e autor de materiais didáticos há mais de 15 anos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

CAMPOS, Tiago Soares. "Primeira Batalha do Marne"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/guerras/batalha-marne-guerra-trincheiras.htm. Acesso em 19 de julho de 2024.

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