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Guerra Civil na Síria

Geografia

A guerra civil na Síria já é considerada um dos maiores desastres humanitários dos últimos anos. Esse conflito travado desde 2011 não tem previsão para acabar.
Mulher caminhando pela cidade síria de Homs em setembro de 2013 *
Mulher caminhando pela cidade síria de Homs em setembro de 2013 *
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A Guerra Civil da Síria é um conflito que se estende desde 2011 entre vários grupos armados. O Observatório Sírio de Direitos Humanos já estimou como consequência do conflito mais de 470 mil mortos e mais de 11 milhões de refugiados sírios, dos quais 4,9 milhões migraram para fora do país. O conflito começou como consequência da repressão do governo sírio contra os protestos populares durante a Primavera Árabe e hoje tomou proporções de sectarismo religioso.

Causas do conflito

A Síria é governada pela família al-Assad desde a década de 1970 de maneira ditatorial. Bashar al-Assad só assumiu o país em 2000, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad. O governo de Bashar sofreu inúmeras críticas pela corrupção e pela falta de liberdade política. Essas críticas tomaram novas proporções com a Primavera Árabe.

A Primavera Árabe aconteceu quando a população de inúmeros países árabes manifestou-se exigindo democracia e melhores condições de vida em seus países. Os protestos iniciaram-se no final de 2010, na Tunísia, e espalharam-se por outros países, como Líbia e Egito. Na Síria, os protestos iniciaram-se em março de 2011, na cidade de Deraa, no sul da Síria. A resposta do governo sírio foi violenta, o que motivou novas rebeliões em diferentes partes da Síria, como na capital, Damasco, e Aleppo, a maior cidade da Síria.

À medida que a repressão do governo contra os protestos populares aumentava, formaram-se grupos de resistência. Esses grupos logo se transformaram em milícias armadas, que partiram ao ataque na tentativa de expulsar as tropas de Assad de suas regiões e derrubar o governo sírio. Esses exércitos rebeldes foram inicialmente formados por civis e militares desertores.

Crescimento da guerra civil

A ONU e a Liga Árabe movimentaram-se para buscar saídas diplomáticas ao conflito, entretanto, os cessar-fogos negociados nunca foram respeitados. Assim, a escalada da violência na Síria tomou proporções de guerra civil.

A principal força rebelde é o Exército Livre da Síria, que surgiu em julho de 2011. Esse grupo possui características seculares (não está sujeito a nenhuma ordem religiosa) e, portanto, é considerado um grupo rebelde moderado. A oposição rebelde, entretanto, passou a contar com grupos extremistas de tendência jihadista, como o Jabhat Fateh al-Sham, anteriormente conhecida como Frente Al-Nusra.

A partir de 2013, o Estado Islâmico, antigo braço armado iraquiano da Al-Qaeda, aproveitou-se da instabilidade da Síria e aderiu a grupos rebeldes de jihadistas sunitas. Entretanto, como o Estado Islâmico cresceu rapidamente, ele se autoproclamou um Califado em territórios na Síria e no Iraque. O califado é uma espécie de reino baseado na lei islâmica, a sharia. A guerra que havia começado por razões políticas tomou proporções religiosas.

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Outras frentes de guerra surgiram com pequenos grupos rebeldes, principalmente de tendências fundamentalistas. Outro grupo de destaque foi os curdos, que se mobilizaram ao conflito a partir de 2014, quando o Estado Islâmico passou a perseguir a minoria curda da Síria. As tropas curdas atualmente mantêm o controle das regiões ao norte da Síria, na região chamada de Rojava.

Com a guerra sendo travada entre diferentes grupos, o conflito espalhou-se por diversas frentes. Assim, mudanças e movimentações das tropas acontecem a todo momento na Síria.

Mobilização estrangeira

A guerra civil na Síria tomou as grandes proporções atuais, principalmente, em razão da interferência estrangeira no país. Diversos países envolveram-se direta ou indiretamente no conflito, financiando determinados grupos.

O governo sírio possui o apoio da Rússia e do Irã, que enviam, além de armas e dinheiro, tropas. O Exército Livre da Síria e o Exército curdo recebem o apoio dos Estados Unidos. Além disso, a Turquia também financia o Exército Livre da Síria, mas luta abertamente contra o Exército curdo (os curdos são uma minoria perseguida na Turquia). Outros países que atuam no conflito são Arábia Saudita, Reino Unido, França etc.

Recentemente, em virtude do ataque americano contra a base aérea do governo sírio na cidade de Homs, as relações entre Rússia e Estados Unidos ficaram abaladas. A Rússia e o Irã manifestaram sua insatisfação ao ataque feito pelos Estados Unidos ao governo sírio (aliado russo).

Os Estados Unidos realizaram essa intervenção porque atribuem a Bashar al-Assad o ataque químico que aconteceu em abril de 2017 contra a cidade de Khan Sheikhoun. As armas químicas usadas em Khan Sheikhoun resultaram em 86 mortes pelo altamente tóxico gás sarin.

Conclusão

Não há previsão de quando a guerra civil síria chegará ao fim. Em virtude da alta complexidade dos grupos que lutam entre si e da alta interferência estrangeira na região, o conflito segue sendo alimentado. Além disso, a existência do Estado Islâmico deu uma nova dimensão ao conflito.

A guerra que se estende por seis anos e já resultou em 470 mil mortes gerou uma crise internacional de refugiados. Estima-se que mais de 11 milhões de sírios sejam refugiados e que aproximadamente 5 milhões estejam fora do país. Após seis anos de conflito, a população civil é quem mais sofre, principalmente as crianças.

Atribuem-se crimes de guerra a todas as partes do conflito, como genocídios de civis, além de dois ataques com armas químicas. A guerra resultou na destruição de grande parte do acervo histórico existente no país, principalmente pela ação do Estado Islâmico.

*Créditos da imagem: Art Production e Shutterstock 

Por Daniel Neves
Graduado em História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Guerra Civil na Síria"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/conflito-na-siria-primavera-que-nao-consegue-se-estabelecer.htm. Acesso em 18 de julho de 2019.

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