Guerra do Golfo

História Geral

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A Guerra do Golfo foi um conflito que se estendeu entre 1990 e 1991 e teve como causa a invasão do Kuwait por tropas do Iraque. Essa invasão aconteceu na segunda metade de 1990 e motivou que uma coalizão internacional fosse formada com o intuito de expulsar as tropas iraquianas do território do Kuwait. Por meio de bombardeios aéreos e ataques terrestres, a coalizão internacional conseguiu expulsar as tropas iraquianas do Kuwait.

Alguns historiadores entendem que essa ação militar encabeçada pelos Estados Unidos contra as forças de Saddam Hussein, o governante do Iraque, foi a primeira etapa de um conflito que se estendeu até 2003. Por isso que alguns entendem esse confronto como “Primeira Guerra do Golfo”, uma vez que novas ações dos Estados Unidos foram tomadas em 2003.

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Quais foram os motivos da Guerra do Golfo?

A invasão do Kuwait foi ordenada pelo governante do Iraque, Saddam Hussein, em 2 de agosto de 1990.[1]
A invasão do Kuwait foi ordenada pelo governante do Iraque, Saddam Hussein, em 2 de agosto de 1990.[1]

A Guerra do Golfo está inserida no contexto das relações diplomáticas entre as nações do Oriente Médio e foi motivada, sobretudo, pelo interesse do Iraque de se reafirmar, por meio de uma operação militar, ao Kuwait, uma nação vizinha. A invasão iraquiana teve início no dia 2 de agosto de 1990, mas as motivações retomam a sucessão dos acontecimentos que envolveram o Iraque na década de 1980.

Na década de 1980, o Iraque foi largamente utilizado como ferramenta para conter a influência do Irã, após a Revolução Islâmica de 1979, que entregou o país nas mãos de radicais islâmicos e fez com que os Estados Unidos perdessem um importante aliado naquela região. A rivalidade entre Irã e Iraque, nesse contexto, resultou em um conflito: a Guerra Irã-Iraque.

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Esse conflito começou em 1980, graças a um ataque surpresa realizado pelo Iraque, e estendeu-se por oito anos, resultando na morte de cerca de um milhão de pessoas. As forças iraquianas contaram com o auxílio de uma série de nações, entre as quais estão os Estados Unidos, França e Reino Unidos, que forneceu armamentos e treinamento militar aos soldados iraquianos.

Financeiramente, o Iraque recebeu empréstimos de nações vizinhas – Kuwait e Arábia Saudita – ambas interessadas em enfraquecer os xiitas que governavam o Irã. O conflito estendeu-se até 1988 e terminou com um impasse, uma vez que nenhuma das duas nações conseguiu impor-se militarmente.

Assim, o conflito encerrou-se sem conquistas significativas, mas com o Iraque enfraquecido economicamente, diplomaticamente e militarmente. Era necessário, portanto, recuperar a economia do país rapidamente, principalmente, porque Saddam Hussein ainda desejava colocar o Iraque em uma posição de supremacia no Oriente Médio e, para isso, ele precisava reconstruir o exército de seu país.

A recuperação econômica do Iraque seria realizada por meio da venda de barris de petróleo, a mercadoria mais valiosa do país. Era, portanto, do interesse do Iraque que o preço do petróleo estivesse elevado, mas a realidade era outra. Por influência do Kuwait e Emirados Árabes Unidos, o preço do petróleo, em 1990, tinha despencado de U$21,00 para U$11,00.

O Iraque sentia-se ultrajado com a atitude do Kuwait de vender petróleo em grande quantidade, o que barateava o barril no mercado internacional. Para agravar a situação, o Kuwait começou a cobrar do Iraque os empréstimos concedidos durante a Guerra Irã-Iraque. Saddam Hussein não queria pagá-los, pois entendia que tinha lutado naquela guerra para defender interesses em comum de Iraque e Kuwait.

A relação entre Iraque e Kuwait teve outras fontes de desgaste, como quando Saddam Hussein acusou o Kuwait de roubar petróleo iraquiano ao explorar poços em região de fronteira e passou a exigir indenização, e quando o Kuwait negou-se a ceder duas ilhas para que o Iraque pudesse ampliar o seu acesso ao Golfo Pérsico. Enquanto negociações para resolver todos os impasses aconteciam, Saddam Hussein ordenou o envio de tropas para a fronteira com o Kuwait.

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Invasão do Kuwait

As negociações entre Kuwait e Iraque tiveram mediação dos Estados Unidos, mas fracassaram. Com isso, Saddam Hussein ordenou a invasão do Kuwait e ela foi iniciada em 2 de agosto de 1990. O Kuwait foi rapidamente dominado por ser um país muito pequeno e ter defesas militares muito simples. Além disso, o Iraque era uma das maiores tropas do mundo naquela época, possuindo por volta de um milhão de soldados.

O Iraque conseguiu conquistar o Kuwait em cerca de 12 horas e forçou a família real kuwaitiana a refugiar-se na Arábia Saudita. A ação militar iraquiana alarmou as grandes potências ocidentais, sobretudo os Estados Unidos, porque por meio dela o Iraque passava a controlar cerca de 20% das reservas de petróleo do mundo|1| e passava a representar uma ameaça real para a Arábia Saudita, a grande aliada dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Assim, EUA e Reino Unido passaram a ser favoráveis a uma intervenção estrangeira para forçar as tropas iraquianas a retirarem-se do Kuwait. A primeira ação, no entanto, ocorreu por meios diplomáticos a partir da atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, a ONU.

Por meio da Resolução 660, em 2 de agosto, a ONU reprovou a invasão do Iraque e exigiu a retirada imediata das tropas iraquianas. Quatro dias depois, foi emitida a Resolução 661, impondo embargos ao Iraque e, assim, o país ficava proibido de receber importações por vias aérea e marítima. Como as resoluções da ONU não tiveram o efeito desejado, o presidente norte-americano, George Bush, ordenou o envio de tropas para a Arábia Saudita.

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Intervenção norte-americana

A invasão do Kuwait motivou o então presidente norte-americano, George Bush, a ordenar uma intervenção militar contra o exército iraquiano.[2]
A invasão do Kuwait motivou o então presidente norte-americano, George Bush, a ordenar uma intervenção militar contra o exército iraquiano.[2]

O envio de tropas norte-americanas para o Iraque foi iniciado no dia 7 de agosto de 1990 e tinha como objetivo resguardar a soberania saudita e impedir um eventual ataque iraquiano. A resposta iraquiana ocorreu com o anúncio de anexação do Kuwait, transformando-o na 19ª província do Iraque.

Tropas de outros países começaram a ser enviadas para a Arábia Saudita, e uma coalizão internacional começou a ser formada com soldados de 34 países e que contou com aproximadamente 750 mil soldados|2|, sendo a maioria deles de soldados enviados pelos Estados Unidos. A liderança das tropas estacionadas na Arábia Saudita foi entregue ao general Norman Schwarzkopf.

Negociações com o Iraque estenderam-se pelos meses seguintes, mas como não houve acordo, o Conselho de Segurança da ONU, no dia 29 de novembro de 1990, emitiu a Resolução 678, que autorizava intervenção militar internacional caso as tropas iraquianas não saíssem do Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991.

Como as tropas iraquianas não foram retiradas do Kuwait até a data limite, os Estados Unidos iniciaram a intervenção na Guerra do Golfo por meio da Operação Desert Storm. A partir do dia 17 de janeiro de 1991, os Estados Unidos deram início a uma sucessão de ataques aéreos que se estenderam durante 42 dias e foram responsáveis por prejudicar severamente o poderio dos iraquianos.

Durante esse período, os ataques liderados pelos norte-americanos conseguiram destruir a força aérea iraquiana, assim como destruiu as defesas antiaéreas desse país. A última etapa dos ataques aéreos consistiu em enfraquecer o poder de fogo terrestre dos iraquianos por meio de ataques frequentes. Esses acontecimentos aconteceram em três etapas que se estenderam de 17 de janeiro ao dia 23 de fevereiro de 1991.

  • Ataque terrestre

O ataque norte-americano forçou as tropas iraquianas a fugirem desorganizadamente do Kuwait em fevereiro de 1991.
O ataque norte-americano forçou as tropas iraquianas a fugirem desorganizadamente do Kuwait em fevereiro de 1991.

A última etapa da Operação Desert Storm teve início em 24 de fevereiro e ocorreu por meio do ataque terrestre das tropas da coalizão internacional que contavam com o apoio fundamental do ataque aéreo. Nesse momento, parte considerável da infraestrutura do exército iraquiano tinha sido severamente danificada pelos ataques aéreos e isso facilitou o sucesso da campanha por terra.

A campanha terrestre da coalizão internacional estendeu-se por menos 100 horas. Esse foi o período necessário para as tropas lideradas por Schwarzkopf conseguirem forçar as tropas iraquianas a retirarem-se do Kuwait. As tropas que sobreviveram aos ataques iniciaram uma fuga desorganizada de volta para seu país.

Isso forçou o Iraque a aceitar as resoluções da ONU e, assim, o presidente dos Estados Unidos, George Bush anunciou o fim da campanha militar contra o Iraque no dia 28 de fevereiro de 1991.

As tropas iraquianas enquanto se retiravam do território kuwaitiano acabaram incendiando cerca de 700 poços de petróleo. Os incêndios estenderam-se por todo o ano de 1991, e o último incêndio só foi apagado no dia 6 de novembro. Ao final dos incêndios, o Kuwait perdeu cerca de 1 bilhão de barris de petróleo, o que correspondia até 2% das reservas do país|3|.

Créditos das imagens

[1] Georgios Kollidas/Shutterstock

[2] Mark Reinstein/Shutterstock

Notas

|1| FARO, Miguel Coldron de Tovar. A Guerra do Golfo de 1991. Para acessar, clique aqui.

|2| IRAQ: U.S. Deployments at the War’s Height. Para acessar, clique aqui [em inglês].

|3| Oi Well Fires. Para acessar, clique aqui [em inglês].

 

Por Daniel Neves
Professor de História

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SILVA, Daniel Neves. "Guerra do Golfo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/guerra-golfo.htm. Acesso em 02 de dezembro de 2020.

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