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Fome no Brasil

A fome no Brasil acomete atualmente 33,1 milhões de pessoas, evidenciando a profunda desigualdade socieconômica e outros problemas de ordem política e sanitária no país.

Mãos envelhecidas próximas a prato vazio
A fome é um problema que afeta hoje 33 milhões de brasileiros, 15,5% da população do país.
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A fome no Brasil é um problema histórico que, após uma queda considerável, voltou a crescer nos últimos anos e afeta hoje uma parcela de 15,5% da população do país. Convivem com escassez de alimentos 33 milhões de pessoas no território nacional, especialmente nas áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste.

As causas para a fome no Brasil compreendem desde questões sociais e econômicas até políticas, destacando-se as desigualdades sociais, a pobreza, as crises (política, econômica, sanitária) e a má distribuição de alimentos. Fatores naturais, a exemplo da secas severas, também contribuem para a ampliação da insegurança alimentar. A fome afeta drasticamente a qualidade de vida e a saúde física e mental dos indivíduos, causando a desnutrição e até mesmo a morte.

Leia também: Insegurança alimentar — grave problema que afeta 30% da população mundial

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a fome no Brasil

  • A fome no Brasil é causada por diversos fatores, como as desigualdades socieconômicas e a pobreza, pelas crises política e econômica, pela distribuição desigual de alimentos no território nacional, pela ausência ou redução de políticas públicas voltadas ao combate à fome, pelo manejo inadequado dos recursos naturais e por outros fatores.

  • Causas naturais também estão associadas à fome, como secas severas e baixa disponibilidade hídrica.

  • Nos últimos anos, a crise econômica decorrente da pandemia de covid-19 aprofundou as desigualdades no país e causou um aumento no número de pessoas que convivem com a insegurança alimentar grave.

  • A fome afeta atualmente 33,1 milhões de brasileiros, de acordo com uma pesquisa lançada em 2022. É o equivalente a 15,5% da população. As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas.

  • A subnutrição e a desnutrição são as principais consequências da fome, podendo causar doenças e levar até mesmo à morte.

Causas da fome no Brasil

Homem segura placa, em meio ao trânsito, sinalizando estar com fome.
A desigualdade socioeconômica e a má distribuição de renda contribuem para a fome no Brasil. [1]

A fome no Brasil, caracterizada pela privação de alimentos a que uma parcela da população está submetida, é um fenômeno que remonta à formação social e econômica do território nacional. Dentre suas principais causas estão a desigualdade socioeconômica e a má distribuição de renda que caracteriza a população do país, sendo essas também as maiores causas da fome em um contexto mundial.

Trata-se de um problema estrutural marcado pela concentração de renda em um pequeno estrato ou grupo social, enquanto uma parcela ampla da população detém poucos recursos. Esse mesmo aspecto é um dos causadores de outros dois outros fenômenos, que são a pobreza e a insegurança alimentar.

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Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que cerca de 25% da população brasileira vive abaixo da linha da pobreza.|1| Mais recentemente, um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que a parcela dos brasileiros que sobrevivem com uma renda mensal igual ou inferior a R$ 290 é de 13%, o que significa que 27,6 milhões de pessoas no Brasil vivem em uma situação de extrema pobreza.|2|

Outro motivo pelo qual a fome se faz presente no Brasil é a redução ou ausência de políticas públicas, elaboradas portanto pelo Estado, que têm como objetivo o combate à pobreza e à escassez de alimentos no país, as quais podem se voltar a áreas diversas, como a agricultura familiar (ou camponesa) e a transferência de renda, por exemplo.

As conjunturas econômica e política podem levar também a um agravamento da fome no país, especialmente quando há a ocorrência de crises em um ou ambos os setores. Em se tratando da estrutura econômica propriamente dita, o modelo de produção agroexportador que destina parte da produção ao mercado externo e a concentração fundiária também contribuem para a ampliação do problema.

Ainda em relação às causas antrópicas, podemos mencionar o manejo inadequado dos recursos naturais, como do solo e da água, e os elevados índices de desperdício de comida.

Em conjunto com os elementos apontados anteriormente, fatores de ordem natural também são responsáveis pelas causas da fome no Brasil, como os climas secos, longos períodos de estiagem (isto é, sem chuvas), que impedem ou dificultam a produção, e a ocorrência de pragas nas plantações ou doenças nos cultivos e criações, o que pode diminuir a produção de alimentos e elevar os preços dos produtos ao consumidor final.

Leia também: Pobreza menstrual — a falta de condições de realizar a higiene menstrual adequadamente

Dados da fome no Brasil

A fome é um problema que acomete 33,1 milhões de pessoas no Brasil, o que significa dizer que 15,5% da população brasileira não tem acesso à alimentação regular. Esses dados foram levantados pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), por meio do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado no ano de 2022.|3|

O número de pessoas sem ter o que comer aumentou significativamente no Brasil nas últimas duas décadas, especialmente quando se leva em conta que a parcela da população convivendo com a fome havia caído de 9,5% no início do presente século para 4,2% em 2013. Em função disso, no ano de 2014, o Brasil foi retirado do Mapa da Fome, que é elaborado e atualizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).|4| Fatores de ordem conjuntural, entretanto, fizeram com que a fome no país aumentasse mais uma vez, chegando então ao cenário atual.

Em números relativos, é na região Norte onde o problema da fome incide de forma mais grave e acentuada, acometendo 25,7% das famílias. A segunda região mais afetada é o Nordeste, onde 21% das famílias convive diariamente com essa condição.

Levando em conta as formas moderada e grave de insegurança alimentar, os índices para ambas as regiões são ainda mais alarmantes. De acordo com o estudo da Rede Penssan, 45,2% das famílias do Norte convive com a insegurança alimentar moderada ou grave, enquanto no Nordeste a parcela é de 38,4%.

Quando se analisa a distribuição da fome no Brasil por meio de números absolutos, a região Nordeste aparece como a área com a maior população carente de alimentos no país, com 12 milhões de pessoas. Na sequência vem o Sudeste, com 11,7 milhões.

O Centro-Oeste é a região do Brasil com o menor número de pessoas acometidas pela fome: 2,15 milhões. No Norte e no Sul, os números são respectivamente de 4,85 milhões e três milhões de pessoas.|5| Ainda em termos espaciais, temos que a incidência da fome é maior na população rural do que na população das cidades.

Outro aspecto da fome no Brasil que é importante de ser destacado diz respeito ao perfil da população que é mais atingida por esse problema. A insegurança alimentar grave é maior naqueles lares chefiados por pessoas que se autodeclaram negras (que compreendem pretos e pardos, de acordo com o IBGE). Além disso, as famílias chefiadas por mulheres apresentam maior índice de insegurança alimentar grave do que aquelas que possuem homens como responsáveis.|6|

Pandemia e a fome no Brasil

A pandemia de covid-19 se instalou no Brasil no início do ano de 2020, espalhando-se de forma alarmante por todo o território nacional e rapidamente se transformando em uma crise sanitária. Essa crise afetou a economia de diversos países, como o Brasil, gerando problemas como o aumento da inflação e do preço de produtos básicos, como os alimentos, e causando transformações no perfil socioeconômico da população.

Dentre as transformações ocasionadas podemos citar a diminuição da renda e do poder de compra e o aumento da pobreza e das desigualdades sociais no território nacional. Além disso, houve o aprofundamento de problemas que já estavam em curso, como foi o caso do desemprego.

Todos esses fatores em conjunto contribuíram para a ampliação da parcela da população em situação de insegurança alimentar grave, que caracteriza a fome. No início da pandemia, 9% da população convivia com os efeitos da escassez de alimentos. Essa parcela, como vimos, saltou para 15,5% apenas dois anos mais tarde.|7|

Leia também: Pobreza no Brasil — dados sobre esse grave problema socieconômico em território brasileiro

Insegurança alimentar no Brasil

A insegurança alimentar é definida como a falta de acesso regular a alimentos saudáveis e em quantidade suficiente para atender às demandas nutricionais de um indivíduo. Essa condição pode ser leve, moderada ou severa. Esse último caso ocorre quando uma pessoa fica completamente sem ter o que comer, passando um dia inteiro ou períodos do ano sem se alimentar, o que a coloca em uma situação de fome.

Pouco mais da metade da população brasileira, mais precisamente 58,7% ou 125,2 milhões de pessoas, convive com a insegurança alimentar. Desses, como vimos, 15,5% sofre com o grau mais grave desse problema, que configura a fome.

A insegurança alimentar aumentou nos últimos anos e atinge principalmente a população de baixa renda, que recebe menos do que um salário mínimo por mês. As formas moderada e grave de insegurança alimentar estão presentes em maior escala nas famílias que vivem no campo, bem como nas populações das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Consequências da fome no Brasil

A fome implica graves consequências para os indivíduos, afetando diretamente a sua qualidade de vida e a saúde física e mental.

Uma dessas consequências é subnutrição, descrita como a falta de nutrientes, como vitaminas e proteínas, importantes para a manutenção do organismo. Nos casos de maior gravidade, há a ocorrência da desnutrição, que pode desencadear outras doenças associadas ou não à deficiência de nutrientes, uma vez que ela diminui as defesas do corpo e pode gerar consequências a longo prazo para o organismo.

A desnutrição pode afetar ainda o desenvolvimento infantil e, em uma situação mais severa, ocasionar a morte dos indivíduos pelo longo tempo sem a ingestão de alimentos apropriados ou pela perda de capacidade do organismo de absorver os nutrientes necessários.

Notas

|1| AMORIM, Daniela; NEDER, Vinícius. IBGE: Mesmo com auxílio, 1 em cada 4 viveu abaixo da linha da pobreza em 2020. UOL Economia, 03 dez. 2021. Disponível aqui.

|2| LIMA, Bianca; SILVESTRE, Vanessa; GERBELLI, Luiz Guilherme; Globo News; G1. Quanto custa acabar com a extrema pobreza no Brasil? G1 Economia, 29 abr. 2022. Disponível aqui.

|3| REDE PENSSAN. 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. Rede PENSSAN, 2022. Disponível aqui.

|4| LUPION, Bruno. Fome cresce e supera taxa de quando Bolsa Família foi criado. DW, 13 abr. 2021. Disponível aqui.

|5| MADEIRO, Carlos. Número de brasileiros com fome dispara e atinge 33,1 milhões, diz pesquisa. UOL Notícias, 08 jun. 2022. Disponível aqui.

|6| REDE PENSSAN. 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. Rede PENSSAN, 2022. Disponível aqui.

|7| Idem.

Créditos da imagem

[1] Joa Souza / Shutterstock

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Fome no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/fome-no-brasil.htm. Acesso em 02 de julho de 2022.

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