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Inflação no Brasil

A inflação no Brasil é expressa por meio de diversos índices, sendo o principal deles o IPCA. Segundo o IBGE, o IPCA acumulado do Brasil em julho de 2023 foi de 3,99%.

Gráficos, moedas e cédulas de real em um carrinho em alusão à inflação no Brasil.
A inflação no Brasil passou por períodos de alta exacerbada e hoje apresenta relativo equilíbrio.
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A inflação no Brasil é marcada por períodos de altas e de baixas, o que se deve tanto a fatores conjunturais internos quanto externos, como crises políticas e econômicas, impasses diplomáticos e conflitos que afetam a oferta ou a procura por mercadorias e por serviços. Esse indicador econômico, a inflação, reflete o aumento no preço dos bens e serviços do território em determinado período de tempo, e atingiu seus valores máximos entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990.

Quem calcula o principal índice de inflação no Brasil, o IPCA, é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo essa instituição, a inflação acumulada no Brasil para julho de 2023 foi de 3,99%, valor baixo se comparado a anos anteriores. As estimativas apontam que a inflação brasileira ficará entre 3,25% e 4,9% no ano de 2023.

Leia também: Reforma tributária — o que é e qual seu impacto na economia brasileira em 2023

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a inflação no Brasil

  • A inflação é um indicador econômico que reflete o aumento no preço dos bens e dos serviços ofertados em um território.

  • A conjuntura política e econômica interna, políticas monetárias infrutíferas, crises internacionais, impasses diplomáticos, crises sanitárias e conflitos geopolíticos podem interferir na inflação de um país.

  • O Brasil vivenciou muitos períodos de alta inflação ao longo de sua história, como aconteceu em meados do século XX. Entre 1980 e 1990, o país passou pela hiperinflação.

  • A hiperinflação brasileira chegou a acumular quase 2.000% no final da década de 1980. Em abril de 1990, a inflação acumulada chegou a 6.821%.

  • A partir do Plano Real a flutuação dos preços dos bens e serviços entrou em relativa estabilidade, e o Brasil não experimentou novos períodos de hiperinflação desde então.

  • O IPCA é o principal índice de inflação utilizado no Brasil. Seu cálculo é feito pelo IBGE.

  • A inflação acumulada no Brasil era de 3,99% em julho de 2023, valor que demonstrou queda com relação ao mesmo período dos anos de 2022 e 2021.

  • Estima-se que a inflação brasileira em 2023 será de 3,25%, podendo oscilar até 4,9%.

O que é inflação?

A inflação é um indicador econômico que corresponde ao aumento no preço das mercadorias (bens) e dos serviços que são vendidos ou ofertados em um território durante um período de tempo determinado. As flutuações na inflação têm impacto direto sobre as atividades econômicas que são desenvolvidas em um país e, principalmente, sobre a vida da população, que percebe essas mudanças no seu dia a dia e pode ter o seu poder de compra diminuído. Para saber mais sobre esse tema, clique aqui.

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Histórico da inflação no Brasil

O histórico da inflação no Brasil é marcado por intervalos de grande oscilação nos preços, para mais ou para menos, e também de profundas crises econômicas e políticas decorrentes dessas variações. Fases de alta inflação não são incomuns quando se analisa a linha do tempo da inflação brasileira ao longo da história do país. Para nossa breve análise, entretanto, consideraremos o período que começa a partir da segunda metade do século XX.

Há quase seis décadas, durante os anos 1960, a inflação brasileira superou a marca de 90% ao ano, o que foi provocado por desequilíbrios nas contas do país, com aumento dos gastos, e pela conjuntura internacional.

A alta nos preços se repetiu durante a década de 1970, quando as políticas econômicas e de desenvolvimento internas fizeram ampliar a dívida pública, além de o setor produtivo ter experimentado um aumento na oferta sem demanda correspondente. No cenário externo, as crises no setor petrolífero refletiram negativamente na economia brasileira. Assim, durante os anos 1970, a inflação brasileira variou entre 20% e 80% aproximadamente.

Carrinho de supermercado derramando cédulas de real em alusão à inflação no Brasil.
Os períodos de alta na inflação brasileira afetaram principalmente a população, diminuindo seu poder de compra.

Embora as altas experimentadas nesse intervalo de 20 anos tenham sido acentuadas, nada se compara com o cenário econômico brasileiro dos anos 1980 e 1990.

As décadas finais do século XX no Brasil foram marcadas pela hiperinflação ocasionada pela ampliação da dívida externa, pela crise econômica mundial que provocou o desequilíbrio na balança comercial|1| e pelas sucessivas políticas monetárias que não obtiveram os resultados esperados. No final da década de 1980, a inflação chegou a quase 1800%. A instabilidade era tamanha que os preços nos mercados eram reajustados diariamente, às vezes mais de uma vez ao dia.

O controle da hiperinflação no Brasil começou a ser realizado mediante a implantação do Plano Real, em 1994, que tornou o real a moeda oficial do país. Nos períodos subsequentes, o país experimentou novas altas da inflação motivadas por questões diversas, como crises políticas, crises econômicas nacionais e internacionais, desvalorização da moeda com altas do dólar, como no início dos anos 2000, e até mesmo uma crise sanitária, como foi a pandemia da covid-19 em 2020. Entretanto, nenhum aumento chegou perto do que aconteceu na década de 1980.

Veja também: Como se calcula a renda per capita

Quais são os índices de inflação no Brasil?

  • IPCA: é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, considerado o índice oficial de inflação pelo governo federal brasileiro. O IPCA mede a variação de preços dos serviços e dos produtos que são consumidos por famílias brasileiras que recebem entre um e 40 salários-mínimos. O cálculo desse índice é realizado pelo IBGE, e é utilizado na determinação das metas de inflação.

  • INPC: é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Seu cálculo é feito da mesma maneira que o IPCA, porém abrange um público-alvo muito menor. No INPC, o levantamento dos preços e dos serviços é feito de acordo com as famílias que recebem de um a cinco salários-mínimos, que é a faixa da população que mais sente os efeitos das altas inflacionárias.

  • IPA: é o Índice de Preços ao Produtor Amplo. Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IPA reflete a variação dos preços dos produtos industriais e agrícolas antes da sua destinação ao consumidor final.

  • IGP: é o Índice Geral de Preços, também calculado pela FGV. É obtido a partir da média ponderada entre o IPCA, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção Civil) e o IPA, sendo, portanto, um indicador bastante abrangente da flutuação dos preços no Brasil, tanto de produtos quanto de serviços industriais, agrícolas e da construção civil. Como descreve a FGV, esse índice abarca diferentes atividades econômicas e etapas distintas de produção e comercialização.

Como é feito o cálculo da inflação no Brasil?

O cálculo da inflação no Brasil é feito a partir dos diversos índices que vimos anteriormente. O principal deles é o IPCA, utilizado tanto para medir a alteração no índice inflacionário quanto para estabelecer metas de inflação a curto e médio prazo.

Então, a inflação no Brasil é calculada a partir da variação nos preços de produtos e serviços em um período determinado, que tende a ser um intervalo de tempo curto: um mês. Todos os meses o IBGE realiza a coleta de dados e calcula a média de preços dos bens e serviços ofertados para famílias que ganham entre um e 40 salários-mínimos em lugares pré-selecionados, fazendo um comparativo com os preços obtidos no mês anterior. A variação encontrada é, portanto, a inflação registrada para aquele período.

Além da variação mensal do IPCA, o IBGE fornece também o IPCA acumulado para o período de 12 meses (um ano). Por exemplo: no mês de julho de 2023 a variação nos preços foi de 0,12%. Considerando o IPCA acumulado, tem-se uma inflação de 3,99% anuais, considerando a mesma data de referência, segundo o IBGE.

Qual a maior e a menor inflação registrada no Brasil?

O Brasil registrou os seus maiores índices de inflação entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990. O valor anual mais alto já atingido foi no início do ano de 1990, quando a inflação anual superou a marca de 2.000% ao ano. Considerando somente o mês de abril de 1990, a inflação anual atingiu 6.821%|2|. Vale ressaltar que esses valores não foram mais observados para a inflação brasileira.

Os índices inflacionários brasileiros começaram a cair a partir da segunda metade dos anos 1990, tendo chegado a 3% ao ano em determinados períodos entre 1998 e 1999. O mesmo aconteceu a partir da década de 2010, e, em 2017, a inflação acumulada chegou a 2,95% no mês de dezembro. A tendência atual é a de retomada de queda da inflação e repetição desses valores.

Causas da alta e da baixa inflação no Brasil

A alta e a baixa inflação no Brasil estão associadas a fatores conjunturais internos e externos. Isso significa que tanto a situação política e econômica do território brasileiro interferem nos índices inflacionários quanto os eventos externos, que fogem do controle direto dos governantes e das autoridades brasileiras. Diante disso, podemos dizer que a oscilação da inflação no Brasil tem como causa:

  • políticas monetárias e financeiras nacionais;

  • aumento ou queda da dívida externa;

  • oscilação no preço do dólar, o que altera o comportamento da moeda brasileira;

  • crises políticas internas;

  • crises econômicas, sejam elas nacionais ou globais;

  • impasses diplomáticos entre o Brasil e outras nações;

  • guerras e conflitos internacionais, a exemplo da recente guerra entre Rússia e Ucrânia.

Muitos dos condicionantes acima citados afetam a oferta e a procura por produtos e serviços, o que provoca flutuações nos preços. Eventos climáticos como chuvas muito volumosas, ondas de calor intensas, frio extremo ou secas severas também poder interferir na inflação, uma vez que a produção de alimentos e a oferta de insumos primários são diretamente afetadas.

Uma questão, também recente, que fez oscilar os preços no Brasil foi a pandemia de covid-19, uma crise sanitária global que transformou a vida das pessoas e obrigou a implementação de mudanças no sistema e no ritmo de produção em escala mundial.

Saiba mais: Qual é o PIB do Brasil?

Inflação acumulada no Brasil

A inflação acumulada mede o quanto os preços dos produtos e serviços variaram em determinado período de tempo, que é, normalmente, de 12 meses. O dado mais recente para a inflação acumulada no Brasil é de julho de 2023. De acordo com o IBGE, o IPCA acumulado em 12 meses é de 3,99%, valor mais baixo para o período nos últimos anos. Em julho de 2022 a inflação acumulada em 12 meses era de 10,07%, enquanto no mês de julho de 2021 esse dado era de 8,99%.

O IBGE disponibiliza, também, a série histórica da inflação acumulada no Brasil desde a implementação do plano real. Confira, a seguir, a evolução desse indicador desde 1994:

Inflação acumulada no Brasil no mês de dezembro

Ano de referência

IPCA acumulado (12 meses)

1995

22,41%

1996

9,56%

1997

5,22%

1998

1,65%

1999

8,94%

2000

5,97%

2001

7,67%

2002

12,53%

2003

9,3%

2004

7,6%

2005

5,69%

2006

3,14%

2007

4,46%

2008

5,9%

2009

4,31%

2010

5,91%

2011

6,5%

2012

5,84%

2013

5,91%

2014

6,41%

2015

10,67%

2016

6,29%

2017

2,95%

2018

3,75%

2019

4,31%

2020

4,52%

2021

10,06%

2022

5,79%

Inflação no Brasil em 2023

A inflação acumulada no Brasil em julho de 2023, conforme vimos, é de 3,99%. A meta para o ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,25%. Existe, no entanto, uma margem de tolerância dentro da qual a oscilação da inflação pode ser considerada normal, que é de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, a inflação do Brasil em 2023 pode variar entre 1,75% e 4,75%, embora o mercado preveja uma taxa de até 4,9%|3|.

Notas

|1| REDAÇÃO. Histórico da inflação no Brasil: o que foi feito nas últimas décadas. E-Investidor, 28 mar. 2022. Disponível em: https://einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/historico-inflacao-brasil-ultimas-decadas/

|2| REDAÇÃO. Em abril de 1990, índice superou os 6.821% ao ano. Estadão, 09 set. 2011. Disponível em: https://www.estadao.com.br/economia/em-abril-de-1990-indice-superou-os-6821-ao-ano-imp-/

|3| VERDÉLIO, Andreia. Mercado eleva previsão da inflação de 4,84% para 4,9% este ano. Agência Brasil, 21 ago. 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2023-08/mercado-eleva-previsao-da-inflacao-de-484-para-49-este-ano

Fontes

BCB. O que é inflação. Banco Central do Brasil (BCB), [S.I.]. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/oqueinflacao.

FGV IBRE - Instituto Brasileiro de Economia. Disponível em: https://portalibre.fgv.br/.

GARCIA MUNHOZ, Dercio. Inflação brasileira: os ensinamentos desde a crise dos anos 30. Revista de Economia Contemporânea, v. 1, n. 1, jan/jun 1997. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rec/article/view/19574.

IBGE. IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo: Séries históricas. IBGE, [2023]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo?=&t=series-historicas.

ROSSI, Pedro; CARMO, Heron; MARÇAL, Emerson; SILBER, Davi Simão; SCHWARTSMAN, Alexandre. G1 explica a inflação, [S.I.]. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/inflacao-o-que-e/platb.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Inflação no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia/inflacao-no-brasil.htm. Acesso em 24 de maio de 2024.

De estudante para estudante


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