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Aspartame

O aspartame é um composto químico muito utilizado como adoçante artificial em nosso cotidiano.

Amostra de aspartame, um composto químico muito utilizado como adoçante artificial em nosso cotidiano.
O aspartame é muito utilizado como adoçante artificial.
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O aspartame é um composto químico muito utilizado como adoçante artificial. Esse composto existe na forma de um pó cristalino quase branco, quase inodoro e com um forte sabor doce, tendo um potencial adoçante cerca de 200 vezes maior que do açúcar comum. Além de ser utilizado como adoçante artificial, o aspartame também é utilizado como encapsulante de alimentos e medicamentos.

Muitos são os estudos que buscam entender a relação do aspartame com a saúde. Um deles, publicado pela OMS no ano de 2023, demonstrou que tal composto é possivelmente cancerígeno para nós, seres humanos. O aspartame foi descoberto acidentalmente no ano de 1965 e teve sua comercialização em larga escala iniciada em 1981.

Leia também: Xilitol — uma substância orgânica muito utilizada como adoçante

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o aspartame

  • O aspartame é um composto químico muito utilizado como adoçante artificial.
  • Esse composto, formado por dois aminoácidos (ácido L-aspártico e L-fenilalanina), existe na forma de um pó cristalino quase branco, quase inodoro e com um sabor doce intenso.
  • O aspartame possui um poder adoçante de cerca de 200 vezes maior que o açúcar comum.
  • A ingestão do aspartame provê calorias insignificantes, uma vez que basta pouquíssima quantidade para atingir o efeito adoçante.
  • Além de ser utilizado como adoçante artificial, o aspartame também é aplicado como encapsulante de alimentos e medicamentos.
  • Muitos são os estudos que tentam investigar os riscos do aspartame à saúde. Em 2023, a OMS publicou resultados que o colocam como possivelmente cancerígeno para o ser humano.
  • O aspartame foi descoberto por acidente na década de 1960 e teve sua produção em larga escala iniciada no começo da década de 1980.

Propriedades do aspartame

  • Fórmula molecular: C14H18N2O5
  • Massa molar: 294,31 g.mol-1
  • Densidade: 1,347 g.cm-3
  • Ponto de fusão: 246-247 °C
  • Estrutura molecular:
Fórmula estrutural do aspartame.
Fórmula estrutural do aspartame.

Características do aspartame

O aspartame existe como um pó cristalino, em forma de agulha, quase branco (off white), quase inodoro e com um sabor doce intenso. É composto por dois aminoácidos, o ácido L-aspártico e a L-fenilalanina. Sob condições fortemente ácidas e alcalinas o aspartame é hidrolisado, e, quando em solução aquosa, apresenta máxima estabilidade em pH igual a 4,3.

Sua solubilidade varia de acordo com o pH e a temperatura, atingindo maior solubilidade em altas temperaturas e em soluções ácidas. Por exemplo, para o pH igual a 3 e temperatura ambiente, a solubilidade do aspartame em água é cerca de 0,03 mg.mL-1. Também apresenta uma pequena solubilidade em álcool.

Ao ser aquecido, é esperado que o aspartame perca a sua integridade e, por isso, não se recomenda a sua utilização em cozimentos ou outras técnicas culinárias.

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Aplicações do aspartame

A principal aplicação do aspartame, sendo também a mais conhecida, é como adoçante, já que seu poder adoçante é de cerca de 200 vezes o do açúcar comum (sacarose), ao mesmo tempo que seu valor calórico, nas concentrações em que já se percebe sua doçura, é praticamente zero. A única desvantagem é que seu gosto não é idêntico ao da sacarose: o sabor demora mais tempo a surgir e, tipicamente, possui um gosto residual.

Outro uso comum do aspartame é no processo de encapsulação de alimentos e medicamentos. Tal técnica é comum e propõe que uma substância ativa seja aprisionada dentro de outra substância, o que traz benefícios, tais como aumento da vida útil da substância encapsulada e maior proteção contra ações do meio ambiente, permitindo a manutenção do aroma, sabor e estabilização da substância, entre outros. Na indústria farmacêutica, o encapsulamento também auxilia na liberação do medicamento, permitindo que ele seja liberado de forma prolongada.

Mulher colocando adoçante artificial à base de aspartame em um copo de café.
O alto poder adoçante do aspartame faz com que ele seja utilizado como adoçante artificial em alimentos.

A utilização do aspartame na indústria alimentícia possui limitações, muito por conta de sua instabilidade: é degradado em soluções, principalmente em maiores temperaturas ou pH acima de 6. O aspartame também perde seu sabor adocicado após reagir com alguns flavorizantes presentes, como as cetonas e os aldeídos.

Obtenção do aspartame

Possuindo dois carbonos quirais (assimétricos), a molécula do aspartame dá origem a quatro isômeros ópticos. Destes, apenas um apresenta sabor adocicado e, por isso, os métodos sintéticos tentam evitar a formação dos isômeros que não apresentam a propriedade adoçante.

Dessa forma, é comum utilizar protetores de grupos, a fim de evitar a produção dos isômeros não adoçantes, o que diminuiria o rendimento da molécula adoçante. A síntese química tem como alternativa o processo enzimático, já que pelo fato de as enzimas serem estereosseletivas, há a produção única do isômero adoçante.

O aspartame consegue ser produzido em quantidades comerciais de forma bem simples, que é por meio da incubação do ácido L-aspártico e o éster de metila da fenilalanina com alguns microrganismos.

Benefícios do aspartame

O aspartame acaba sendo útil para pessoas que sofram com a diabetes tipo 2 por não possuir carboidratos e não alterar os níveis de glicose no sangue. Assim sendo, permite que tais pacientes possam consumir alimentos adoçados, trazendo uma maior variedade de consumo.

Ele é pouco calórico (cerca de 4 kcal por grama). Dentro da sua utilização (uma pequena quantidade para dar o efeito adoçado), podemos dizer que sua contribuição calórica para a refeição é ínfima. Isso auxilia pessoas que estão buscando uma alimentação menos calórica em seu dia a dia.

A American Dental Society (Associação Odontológica Americana, em tradução livre) afirma que o aspartame é um bom substituinte para o açúcar no que diz respeito à prevenção de cáries.

Riscos do aspartame à saúde

Um dos riscos do aspartame à saúde humana é em relação à desordem metabólica, congênita e genética conhecida como fenilcetonúria. Tal condição, apesar de rara, impede que o fígado consiga transformar adequadamente a fenilalanina (um aminoácido essencial) em outro aminoácido, a tirosina. Como consequência, os níveis de fenilalanina aumentam consideravelmente no organismo, trazendo alterações no cérebro.

Outro risco associado ao aspartame é pelo fato de essa molécula, no organismo, ser transformada não só em fenilalanina, mas também em metanol e ácido aspártico. O metanol é uma toxina para nosso corpo, capaz de causar estresse oxidativo. Além disso, o metanol pode ser convertido em formaldeído, que é capaz de danificar o DNA, pela ação da enzima álcool desidrogenase (ADH).

→ Relação entre algumas situações/condições e o aspartame

A tabela a seguir mostra a relação entre algumas situações/condições e o aspartame.

Situação/Condição

Influência do aspartame

Impacto em crianças e fetos

Alguns relatos associaram parto prematuro e doenças alérgicas na criança com o consumo de bebidas com adoçantes sintéticos. Estudos com ratos lactantes associaram o consumo de aspartame à obesidade nas proles masculinas, além de um efeito prejudicial na tolerância à glicose e à insulina. De forma similar, ratos adultos cujas mães consumiram aspartame durante a gestação demonstraram um maior ganho de massa corporal, além de maiores níveis de glicose no sangue, níveis de LDL e colesterol total fora do padrão. Também se concluiu que exposição pré-natal ao aspartame poderia afetar na capacidade de aprendizagem.

Genetoxicidade

O aspartame pode ter propriedades genotóxicas. A decomposição do aspartame leva à formação de formaldeído e metanol. O formaldeído pode danificar o DNA por conta de sua capacidade de ligação em rede com as proteínas. Como o aspartame é uma fonte exógena de formaldeído, seu consumo pode desencadear genotoxicidade.

Distúrbios do comportamento

O aspartame pode causar alterações em longo prazo no comportamento.

Neurodegeneração

O aspartame causa estresse mental, afetando também a capacidade de aprendizagem e a memória.

Prejuízo à neurotransmissão

O aspartame pode reduzir os níveis de catecolamina. As catecolaminas são importantes controladoras do sistema nervoso central. Ao ingerir aspartame, os altos níveis de fenilalanina no plasma sanguíneo impedem a tirosina e triptofano hidroxilase, sendo esta última necessária para a produção de catecolaminas.

Alteração nos hormônios

O aspartame é um estressor químico, já que após a ingestão deste, os níveis dos hormônios cortiscoterona e adrenocorticotrópico no plasma aumentam. Níveis elevados de esteroides adrenais corticais levam à diminuição da função da 5-hidroxitriptamina, o que pode acarretar um estado depressivo. Ademais, a elevação de nível de corticosterona reduz significativamente o peso e o tamanho do baço e do timo.

Alergias e problemas de pele

O aspartame pode induzir a dermatite de contato se consumido em excesso diariamente.

Veja também: Quais são os riscos do consumo exagerado de açúcar?

OMS e o aspartame

Em 13 de julho de 2023, a OMS divulgou os resultados da avaliação de perigo e risco do aspartame. As avaliações foram realizadas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) e pelo Comitê Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares da Organização para a Agricultura e Alimentação (JECFA), chegando à conclusão de que o aspartame poderia ser classificado como possivelmente carcinogênico para humanos, ou seja, capaz de causar câncer (grupo 2B).

Contudo, a avaliação garantiu que o limite de ingestão diária para essa substância (40 mg/kg de massa corporal) é aceitável. Para se ter noção, caso um adulto de 70 kg queira exceder o limite de ingestão diária para essa substância, ele deverá ingerir mais de 9 a 14 latas de refrigerante diet por dia (as quais contêm de 200 a 300 mg de aspartame).

Lista de alguns produtos que possuem aspartame

Seção de refrigerantes, produtos que são uma grande fonte de aspartame.
Os refrigerantes dietéticos são uma grande fonte de aspartame. [1]

Estima-se que o aspartame esteja presente em mais de 5 mil produtos, sendo os principais os que se listam a seguir:

  • refrigerantes dietéticos (diet e light);
  • chicletes;
  • sucos em pó;
  • produtos lácteos (como o iogurte);
  • adoçantes de mesa;
  • gelatinas;
  • sobremesas congeladas;
  • pastilhas para a tosse;
  • cereais;
  • cremes dentais;
  • pães.

História do aspartame

O químico James Schlatter descobriu o aspartame de forma acidental no ano de 1965. Em mais um dia de trabalho em laboratórios de pesquisa da companhia G. D. Searle, o químico realizava uma reação de preparação de inibidor de gastrina, quando, acidentalmente, gotas da solução foram parar em sua mão. Não seguindo as recomendações de segurança, Schlatter acabou lambendo os dedos e percebeu o forte sabor doce do composto químico.

Os cientistas Cloninger e Baldwin sugeriram a utilização dessa substância como adoçante artificial em 1970, em um artigo que publicaram na revista Science, um das principais revistas científicas que existem.

Depois de alguns obstáculos em sua legalização, o aspartame começou a ser produzido em larga escala no ano de 1981.

Crédito de imagem

[1]  ValeStock / Shutterstock

Fontes

ANVISA. OMS divulga resultados da avaliação de perigo e risco do aspartame. Anvisa, 14 jul. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2023/oms-divulga-resultados-da-avaliacao-de-perigo-e-risco-do-aspartame.

CZARNEKA, K.; PILARZ, A.; ROGUT, A.; MAJ, P.; SZYMANSKA, J.; OLEJNIK, L.; SZYMANSKI, P. Aspartame – True or False? Narrative Review of Safety Analysis of General Use in Products. Nutrients, v. 13, n. 6, 1957 (jun. 2021).

ESTADO DE MINAS. Aspartame está presente em mais de 5 mil produtos. Como consumir? Estado de Minas, 20 jul. 2023. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/saude-e-bem-viver/2023/07/20/interna_bem_viver,1522646/aspartame-esta-presente-em-mais-de-5-mil-produtos-como-consumir.shtml.

PRANKERD, R. J. Aspartame. Analytical Profiles of Drug Substances and Excipients, v. 29, p. 7-55, 2002.

REDAÇÃO. Quais produtos têm aspartame? Entenda a decisão da OMS sobre o adoçante possivelmente cangerígeno. Exame, 14 jul. 2023. Disponível em: https://exame.com/mundo/quais-produtos-tem-aspartame-entenda-a-decisao-da-oms-sobre-o-adocante-possivelmente-cancerigeno/.

ZAFAR, T.; NAIK AB, Q.; SHRIVASTAVA, V. K. Aspartame: effects and awareness. MOJ Toxicology, v. 3, n. 2, mar. 2017.

Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

NOVAIS, Stéfano Araújo. "Aspartame"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/os-isomeros-aspartame-suas-propriedades-adocantes.htm. Acesso em 15 de abril de 2024.

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