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Alphonsus Guimaraens

Literatura

Alphonsus Guimaraens foi considerado o autor místico do Simbolismo pela evidência de um triângulo em sua obra: misticismo, amor e morte.
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Afonso Henriques da Costa Guimarães nasceu em 24 de julho de 1870, em Ouro Preto, Minas Gerais.

Cursa a Escola de Minas de Ouro Preto quando perde sua noiva Constança, em 28 de dezembro de 1888, filha do romancista Bernardo Guimarães, o escritor de Escrava Isaura.

Pouco tempo depois, transfere-se para São Paulo, onde cursa a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na qual se forma em 1894. Logo após formar, o autor exerce sua profissão no cargo de promotor em Minas Gerais. Durante esse período já havia colaborado para os jornais Diário Mercantil, Comércio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S. Paulo e A Gazeta.

Casa-se com Zenaide de Oliveira em 1897 e em 1906 passa a ser juiz da cidade de Mariana, ainda em Minas, lugar de onde não saiu mais e criou 14 filhos!

Alphonsus Guimaraens é considerado o autor místico do Simbolismo, pela evidência de um triângulo em sua obra: misticismo, amor e morte.

Seu primeiro livro publicado em 1899 é em forma de poemas, chamado Dona Mística. Neste mesmo ano, também foi a publicação de Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara ardente. Um tempo depois, em 1902, escreve e publica Kyriale sob o pseudônimo consagrado de Alphonsus Guimaraens.

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A vida do autor norteia sua obra através dos marcos da morte da noiva e da devoção à Maria, envoltos em um clima de misticismo exacerbado, no qual a morte é vista como o meio de aproximação do amor (Constança) e de Maria (figura religiosa).

O autor morreu em 15 de julho do ano de 1921, conhecido como “O solitário de Mariana”, por ter vivido isolado dos acontecimentos.

Veja um trecho do famoso poema “Ismália”, personagem de fim trágico:

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Obras: Poesia: Setenário das dores de Nossa Senhora (1899); Câmara ardente (1889); Dona Mística (1889); Kyriale (1902).
Prosa: Mendigos (1920)

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras

Cidade de Mariana – o refúgio do autor Alphonsus de Guimaraens
Cidade de Mariana – o refúgio do autor Alphonsus de Guimaraens

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

VILARINHO, Sabrina. "Alphonsus Guimaraens"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/alphonsus-guimaraens.htm. Acesso em 15 de novembro de 2019.

Lista de Exercícios
Questão 1

(Mack-2001)

Ficávamos sonhando horas inteiras,
Com os olhos cheios de visões piedosas:
Éramos duas virginais palmeiras,
Abrindo ao céu as palmas silenciosas.

As nossas almas, brancas, forasteiras,
No éter sublime alavam-se radiosas.
Ao redor de nós dois, quantas roseiras…
O áureo poente coroava-nos de rosas.

Era um arpejo de harpa todo o espaço:
Mirava-a longamente, traço a traço,
No seu fulgor de arcanjo proibido.

Surgia a lua, além, toda de cera…
Ai como suave então me parecera
A voz do amor que eu nunca tinha ouvido!

Alphonsus de Guimaraens

O texto exemplifica o seguinte princípio estético:

a) Sempre haverá uma poesia popular sem arte, e poetas populares sem apuro gramatical e métrico, versejando com o falar da gente rústica.

b) … jamais se deve arriscar o emprego de qualquer locução ambígua; sigo, como de costume, na esteira de Quintiliano (…)

c) Movimento de oposição à ordem estabelecida do Iluminismo, reúne um grupo de escritores para o qual o “gênio” se torna a palavra de ordem capaz de possibilitar a rejeição à disciplina e à tradição importada.

d) A busca de vagas sensações, dos estados indefinidos de alma, fazendo que a poesia se aproxime da música, tem como intuito “traduzir” um mundo de essências, um mais além, ora conhecido como o Ideal, ora como o Mistério, intraduzível por si mesmo.

e) Porém declaro desde já que não olhei regras nem princípios, que não consultei Horácio nem Aristóteles, mas fui insensivelmente depós o coração e os sentimentos da Natureza, que não pelos cálculos da arte e operações combinadas do espírito.

Questão 2

Alphonsus de Guimaraens e Cruz e Sousa são os principais representantes de um movimento literário cujas principais características são, exceto:

a) Interesse pelas zonas profundas da mente humana e pela loucura.

b) Linguagem vaga, fluida, que busca sugerir em vez de nomear.

c) Antimaterialismo, antirracionalismo.

d) Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte.

e) Descrições e adjetivação objetivas, tentando captar o real como ele é.

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