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Guerra dos Seis Dias

A Guerra dos Seis Dias foi um conflito travado por Israel contra Egito, Síria e Jordânia em junho de 1967. Em seis dias, Israel avançou e conquistou vários territórios.

Tanques israelenses avançando sobre as Colinas de Golã em junho de 1967, no contexto da Guerra dos Seis Dias.[1]
Tanques israelenses avançando sobre as Colinas de Golã em junho de 1967, no contexto da Guerra dos Seis Dias.[1]
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A Guerra dos Seis Dias foi um conflito travado por Israel contra Egito, Síria e Jordânia entre 5 e 10 de junho de 1967. Esse embate foi mais um capítulo da tensão entre árabes e israelenses que aconteceu desde a fundação de Israel. A guerra se iniciou quando Israel realizou um ataque surpresa contra o Egito.

Posteriormente, o conflito envolveu a Síria e a Jordânia, mas as forças armadas de Israel se impuseram contra os três adversários, conquistando diversas regiões. Nessa batalha, Israel conquistou a Faixa de Gaza, Península do Sinai, Jerusalém Oriental, Cisjordânia e as Colinas de Golã. Alguns desses territórios são ocupados por Israel até hoje.

Leia também: Guerra do Yom Kippur — outro combate armado envolvendo árabes e israelenses

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Guerra dos Seis Dias

  • A Guerra dos Seis Dias foi um conflito que Israel travou contra Egito, Síria e Jordânia em 1967.

  • Esse entrevero se iniciou quando Israel atacou o Egito de surpresa.

  • Existe um dissentimento de narrativas na explicação das causas desse prélio.

  • Em seis dias, Israel se impôs, forçando seus inimigos a assinar um cessar-fogo no sexto dia do certame.

  • Após essa guerra, Israel conquistou a Faixa de Gaza, Península do Sinai, Jerusalém Oriental, Cisjordânia e as Colinas de Golã.

O que foi a Guerra dos Seis Dias?

A Guerra dos Seis Dias foi um recontro travado por Israel contra Egito, Síria e Jordânia durante os dias 5 a 10 de junho de 1967. Este foi mais um da série de conflitos árabe-israelenses que aconteceram desde que o Estado de Israel foi fundado em 1948. Esse certâmen ficou marcado pela sua curta duração e expressiva vitória que Israel obteve.

Essa guerra está inserida dentro dos conflitos entre os árabes palestinos e os israelenses pelo controle da região da Palestina. A Guerra dos Seis Dias foi marcada por ser uma grande vitória israelense e que ainda tem repercussão nos dias de hoje. Uma série de territórios foram conquistados por Israel nesse lide.

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Contexto histórico da Guerra dos Seis Dias

A Guerra dos Seis Dias foi um dos entreveros entre árabes e israelenses envolvendo a questão da Palestina. Importante lembrar que o Estado de Israel foi criado a partir do sionismo, movimento nacionalista judaico que defendia a formação de um Estado Nacional para os judeus na Palestina. A grande questão é que a região já era ocupada pelos árabes palestinos.

A tensão entre palestinos e israelenses foi aumentando entre as décadas de 1920 e 1940, até que na década de 1940 as condições políticas para a fundação de Israel estavam consolidadas. A questão foi entregue para a Organização das Nações Unidas, que aprovou, por meio de uma resolução, a criação de Israel.

A fundação de Israel acirrou os ânimos com os países árabes, que entendiam que a Palestina deveria permanecer sob o domínio dos palestinos. As tensões levaram à Primeira Guerra Árabe-Israelense, travada entre os anos de 1948 e 1949, causando um enorme exílio de palestinos. O conflito reforçou a aliança entre os países árabes contra Israel.

Em 1956, houve uma tensão entre Egito e Israel, na que ficou conhecida como Guerra de Suez ou Crise de Suez. Esse embate reforçou a tensão entre as nações vizinhas, deixando a Península do Sinai sob controle militar das forças de segurança da ONU. Nesse contexto, o Egito era o líder da Liga Árabe, a liga de países árabes que cooperavam entre si econômica e politicamente e que se opunham à existência de Israel.

Essa decisão de promover a destruição de Israel tinha sido externada na Conferência do Cairo, em 1964. A tensão entre Israel com os países árabes já estava em alta porque Israel ameaçava e atacava países árabes que abrigavam os guerrilheiros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o Fatah, dois grupos que lutavam pela independência palestina. Assim, o país que assumia a posição de liderar as nações árabes decidiu agir.

Leia também: Hamas — organização que se coloca como grupo de resistência palestino contra Israel

Principais causas da Guerra dos Seis Dias

Todo o contexto previamente apresentado nos traz uma série de motivos que explicam o início da Guerra dos Seis Dias. Vejamos as principais causas para esse conflito:

  • formação de guerrilhas palestinas que lutavam contra Israel;

  • escalada na tensão entre Israel e os países árabes por sucessivos ataques israelenses;

  • desejo do presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, de conduzir a união de países árabes contra Israel.

  • desejo de expansão territorial de Israel.

Como ocorreu a Guerra dos Seis Dias?

No que se refere ao início desse conflito, existe uma disputa de narrativas. Uma delas atribui o início da guerra a uma ação israelense, e outra o atribui a uma série de ações egípcias.

No começo de 1967, como resposta a ataques israelenses contra países árabes que abrigavam guerrilheiros palestinos, o Egito solicitou que as tropas se segurança da ONU se retirassem da península do Sinai. Logo após, Gamal Abdel Nasser autorizou que as tropas egípcias entrassem na região e se aglomerassem na fronteira com Israel.

Em seguida, Nasser autorizou o fechamento do Estreito de Tiran, tirando a saída dos israelenses para o oceano Índico. Muitos historiadores argumentam que esses movimentos hostis do presidente egípcio teriam motivado o início do conflito. Importante frisar que, embora a tensão estivesse elevada, o Egito não havia atacado Israel militarmente.

O início da guerra, propriamente falando, se deu em 5 de junho de 1967, quando a força aérea israelense iniciou a Operação Foco, cujo objetivo era neutralizar a força aérea egípcia. O ataque israelense foi realizado de surpresa, pegando a já enfraquecida força aérea egípcia indefesa. O resultado foi a destruição de mais de 330 aeronaves de guerra do Egito.

Sírios e jordanianos tentaram intervir e também se tornaram alvos dos ataques aéreos israelenses. No dia seguinte (2º dia do conflito), as forças de Israel invadiram o território egípcio, adentraram na Península do Sinai e conquistaram a Faixa de Gaza (na época território egípcio). No terceiro dia, Israel conquistou a porção de Jerusalém que estava sob o controle da Jordânia – Jerusalém Oriental.

Ainda nesse dia, Israel conseguiu liberar o Estreito de Tiran ao identificar que a fortaleza egípcia no local estava abandonada. No quarto dia, as tropas de Israel avançaram no Deserto do Sinai, estabelecendo controle total sobre a região. Além disso, Israel conquista toda a Cisjordânia, território que havia sido anexado pela Jordânia desde a guerra de 1948-1949.

No quinto dia, Israel atacou a Síria, invadindo e conquistando as Colinas de Golã. No dia seguinte, o sexto dia, Síria e Egito já haviam estabelecido um armísticio com Israel, encerrando o conflito. Israel ampliou consideravelmente o seu território.

Consequências da Guerra dos Seis Dias

A Guerra dos Seis Dias é um conflito que repercute nos dias de hoje porque suas consequências ainda são vividas por muitos. Primeiramente, a guerra contribuiu para o enfraquecimento do pan-arabismo, um movimento que defendia a unidade política e cultura do povo árabe a partir de repúblicas seculares. Muitos historiadores entendem que o enfraquecimento do pan-arabismo contribuiu para o fortalecimento do fundamentalismo religioso.

O conflito causou aproximadamente a morte de 5 mil soldados, uma enorme destruição da capacidade bélica de Egito, Síria e Jordânia, além de cerca de 400 mil refugiados que se estabeleceram em diversos países vizinhos, sobretudo o Líbano. Além disso, a Península do Sinai e as Colinas de Golã, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza foram anexadas ao território israelense.

A Península do Sinai foi devolvida ao Egito somente em 1982, e as colinas de Golã até hoje não foram devolvidas à Síria pelo governo de Israel. A ocupação israelense na região é considerada ilegal pela comunidade internacional e pela Organização das Nações Unidas. Por fim, a partir dessa guerra, Israel deu início à ocupação ilegal da Cisjordânia, território que faria parte da Palestina, segundo a divisão territorial desenvolvida pela ONU.

Infográfico sobre a Guerra dos Seis Dias

Infográfico com os principais acontecimentos da Guerra dos Seis Dias. (Créditos: Paulo José Soares Braga | Brasil Escola).
Infográfico com os principais acontecimentos da Guerra dos Seis Dias. (Créditos: Paulo José Soares Braga | Brasil Escola).

Créditos da imagem

[1] Wikimedia Commons

Fontes

ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: uma cidade, três religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

CAMARGO, Cláudio. Guerras Árabe-israelenses. In.: MAGNOLI, Demétrio (org.). História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2013.

NPR. Timeline: The Six Day War. Disponível em: https://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=10694216.

BBC Brasil. Os seis dias que já duram 50 anos: a guerra que mudou para sempre o Oriente Médio. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-40200042.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Guerra dos Seis Dias"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/guerra-dos-seis-dias-poder-israelense.htm. Acesso em 25 de julho de 2024.

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