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Dadaísmo

Artes

O Dadaísmo foi o movimento cultural que ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial na Europa e nos EUA e pregava a “antiarte”.
Na Feira de Berlim (1920), os satíricos dadaístas colocaram um manequim suspenso vestido como oficial alemão. (Imagem de Domínio Público¹)
Na Feira de Berlim (1920), os satíricos dadaístas colocaram um manequim suspenso vestido como oficial alemão. (Imagem de Domínio Público¹)
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 O Dadaísmo, ou Dada (cavalinho de pau, em francês), foi um movimento e fenômeno cultural que ocorreu de 1916 a 1922 em alguns países da Europa e nos Estados Unidos (EUA). Diferente de outros estilos artísticos que contemplavam a arte e a estética pictórica, o Dadaísmo questionava qual era o objetivo da arte e o seu valor cultural.

Considerado um movimento de vanguarda que propunha a antiarte, o Dadaísmo teve como representantes artistas e intelectuais de diversas nacionalidades, em especial alemães, franceses e romenos. A forma de expressão dos dadaístas era ilógica, destrutiva e, ao mesmo tempo, engraçada e infantil.

Como começou o Dadaísmo?

O Dadaísmo começou no final da Primeira Guerra Mundial, na Europa, como um movimento literário e artístico. Porém, ao longo do tempo, tomou outros rumos, seguindo a linha de arte de protesto.

No pós-guerra, a Europa encontrava-se em um momento delicado, haja vista os acontecimentos repletos de horrores e absurdos que marcaram a guerra. Como forma de crítica e contestação às consequências da Primeira Guerra Mundial, em especial ao que era considerado arte na época, alguns artistas criaram, assim, a ideologia Dada.

Integraram o movimento Dada artistas plásticos, escritores, atores, pintores, músicos, poetas, médicos, entre outros. Em comum, eles tinham sentimentos de raiva, cinismo e decepção com os acontecimentos da época.

O fenômeno Dada começou a tomar forma em Zurique, na Suíça. Depois se espalhou em algumas cidades europeias, como Berlim, Hanover e Colônia, na Alemanha; e Paris, na França. Também teve representatividade em Nova York, nos Estados Unidos, com Marcel Duchamp e Francis Picabia.

Segundo Stephen Farthing, no livro Tudo sobre Arte, durante a Primeira Guerra Mundial, muitos artistas foram para o exílio. Em maio de 1916, o escritor e performer alemão Hugo Ball abriu a casa noturna Cabaret Voltaire, em Zurique. O local passou a abrigar outros artistas expatriados, os quais, cansados de tudo que tinham visto nos últimos tempos, poderiam extravasar seus sentimentos de fúria em relação à guerra, considerada por eles sem sentido.

Eles tinham raiva da sociedade europeia, que, na opinião deles, permitiu que a guerra aflorasse, então, apreciavam desafiar o nacionalismo, o racionalismo, o materialismo e qualquer outro “-ísmo”.

Hugo Ball e o romeno Tristan Tzara são considerados os fundadores do Dadaísmo. Tanto é que Ball leu o primeiro manifesto dadaísta em 14 de junho de 1916. Ambos diziam que Dada era uma nova tendência de arte.

A ideia do alemão e do romeno era convidar artistas e intelectuais para fazer apresentações e leituras diárias no Cabaret Voltaire.

Os dadaístas tinham em comum seus ideais. Eles queriam ir em direção oposta ao que a sociedade pensava na época, inclusive contra as tradições. Para isso, resolveram ir contra as expressões artísticas do momento, criando a “não arte”. Os dadaístas achavam que a arte havia traído a humanidade.

Veja também: A arte após a Primeira Guerra Mundial

Obra dadaísta feita na Holanda entre 1922 e 1923.
Obra dadaísta feita na Holanda entre 1922 e 1923.
(Crédito: Domínio Público / Wikimedia)

O que significa Dadaísmo?

Segundo especialistas, a intenção do movimento era criar uma nova forma de arte, como se fosse uma criança desenvolvendo as suas primeiras falas. Tendo isso em vista, a palavra Dada também é uma referência ao primeiro balbucio de um bebê. Estudos mostram ainda que a palavra Dada tinha outros significados. Veja alguns:

  • Francês: “cavalo de pau”.

  • Alemão: “não me chateies”; “faz favor”; “adeus”; “até a próxima”.

  • Romeno: “certamente”; “claro”; “tem toda razão”; “assim é”; “sim senhor”; “realmente”; “já tratamos disso”.

Conceito de Dadaísmo

Segundo estudos, o Dadaísmo tem como conceito ser um movimento composto por arte caprichosa, colorida, espirituosamente sarcástica e, às vezes, totalmente tola.

Quem seguia a linha do Dada era contra a sociedade e, acima de tudo, contra a arte. Eles queriam destruí-la a partir de uma postura ilógica. No Dadaísmo, celebrava-se a infantilidade. Não havia preocupação com a estética visual, mas com a ideia. A falta de sentido era o próprio significado.

O Dadaísmo tinha como estilo o “Shock Art”, ou seja, arte para chocar as pessoas. Com esse foco, os artistas expressavam-se falando obscenidades, apresentavam humor escatológico, faziam trocadilhos visuais, entre outros.

O objetivo era provocar o público, o qual, por vezes, sentia-se revoltado com as formas de antiarte propostas. A intenção dos dadaístas era causar choque e indignação com as suas expressões.

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O Dadaísmo sofreu influências da Abstração e do Expressionismo. Também teve pitadas do Cubismo (técnicas de colagem) e, em menor parte, do Futurismo (autopublicidade).

Leia também: Semana de Arte Moderna de 1922

Obras do Dadaísmo

Uma das principais obras do Dadaísmo é “A Fonte”, de Marcel Duchamp. (Crédito da imagem: emka74 / Shutterstock.com)
Uma das principais obras do Dadaísmo é “A Fonte”,
de Marcel Duchamp.
(Crédito da imagem: emka74 / Shutterstock.com)

No Dadaísmo, eram usados materiais como tapeçarias geométricas a vidro, gesso e relevos de madeira. Além disso, são famosas as assemblages (no francês, colagens com materiais) e fotomontagens.

Uma das expressões mais famosas do Dadaísmo eram as fotomontagens. Artistas como Hans Arp, Raoul Hausmann, George Grosz e Hannah Höch foram alguns dos nomes que adotaram a técnica, que consistia em recortar fotografias de jornais e revistas para criar colagens absurdas e satíricas.

Esses artistas colocavam recortes de palavras dentro de um saco, balançavam-no e tiravam-nas uma a uma. Em seguida, escreviam frases aleatórias.

Uma das principais obras do Dadaísmo chama-se “A Fonte”, criada em 1917 por Marcel Duchamp. A obra é um mictório, sem encanamento, de porcelana branco.

Outra obra famosa de Duchamp foi uma cópia da Mona Lisa – mais famosa pintura do italiano Leonardo da Vinci – com um bigode. No quadro, foram rabiscadas obscenidades.

Leia também: Mona Lisa, vizinha de Da Vinci

(Crédito da imagem: emka74 / Shutterstock.com)

O crítico de arte”, de Raoul Hausmann, é outra obra importante do Dadaísmo (1919). Ela continha características das fotomontagens do Dadaísmo: crítica contra o sistema, imagem irônica, autorreferência e uso da tipografia.

O Dada influenciou inúmeras revistas literárias, como a Chemarea, editada por Tristan Tzara, e Der Dada, por Hausmann. O movimento também inspirou correntes das artes visuais, como o Construtivismo. O principal movimento artístico influenciado pelo Dadaísmo foi o Surrealismo.

Cabaret Voltaire

O Dadaísmo não é lembrado somente pelas suas obras, mas também pelas apresentações barulhentas e provocativas que foram realizadas no Cabaret Voltaire.

Os artistas subiam no palco do Cabaret e faziam apresentações nonsense (absurdas), tais como bater no piano, dançar, fazer fantasias, declamar poemas sem sentido, entre outros. Os dadaístas eram muito performáticos.

Algumas apresentações faziam críticas ferozes à guerra. Poemas eram lidos em três idiomas, o que, conforme estudos, representavam homens de nacionalidades distintas morrendo ao mesmo tempo, no mesmo lugar.

Uma das apresentações memoráveis foi quando Hugo Ball vestiu-se com um traje de metal brilhante e um chapéu em formato de cone para declamar poesias com sílabas e sons. Alguns consideram Ball o precursor da poesia fonética.

Feira de Berlim

Em Berlim, em 1920, foi realizada a “Erste Internationale Dada Messe”, Primeira Feira Internacional Dadaísta. No total, foram expostas 174 obras. O foco do evento era fazer uma paródia das feiras comerciais.

Um dos destaques da Feira foi um manequim de alfaiataria suspenso no centro da sala e vestido com uniforme de oficial alemão e com uma cabeça de porco feita de papel machê.

Veja também: Poesia Marginal

Fim do Dadaísmo

Considera-se que o Dadaísmo morreu em 1922, depois que um dos seus precursores, Tristan Tzara, realizou uma palestra dizendo que, como tudo na vida, o Dadaísmo era inútil. Em 1924, o Dadaísmo converteu-se ao Surrealismo com o manifesto de André Breton.

O Dadaísmo não teve representação no Brasil, mas estudos indicam que o livro Macunaíma, de Mario de Andrade, contém características desse movimento.

Principais nomes do Dadaísmo

É importante destacar que o Dadaísmo não é um estilo de arte como o Cubismo, Futurismo e Surrealismo. Além disso, não foi formado apenas por artistas. Confira abaixo os principais nomes:

  • Tristan Tzara (poeta romeno)

  • Hans Arp (pintor e poeta alemão)

  • Hugo Ball (poeta, escritor e filósofo alemão)

  • Francis Picabia (pintor e poeta francês)

  • Marcel Duchamp (pintor e escultor francês)

  • Man Ray (pintor, fotógrafo e cineasta americano)

  • Max Ernst (pintor alemão)

  • Kurt Schwitters (artista plástico alemão)

  • Hans Richter (artista plástico alemão)

  • Richard Huelsenbeck (poeta, músico e médico alemão)

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¹Crédito da imagem: Domínio Público / Wikimedia 


Por Silvia Tancredi
Equipe Brasil Escola

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

TANCREDI, Silvia. "Dadaísmo"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/artes/dadaismo.htm>. Acesso em 20 de maio de 2019.

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