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Macunaíma

Literatura

“Macunaíma” é um romance modernista do escritor Mário de Andrade. Conta a história de Macunaíma, um índio que viaja até São Paulo para recuperar sua muiraquitã.
Capa do livro “Macunaíma”, de Mário de Andrade, publicado pela editora Companhia das Letras.[1]
Capa do livro “Macunaíma”, de Mário de Andrade, publicado pela editora Companhia das Letras.[1]
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Macunaíma, de Mário de Andrade, é um livro modernista, publicado, pela primeira vez, em 1928. Conta a história de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Índio nascido na Floresta Amazônica, depois de perder a muiraquitã dada por sua companheira, Ci, a Mãe do Mato, ele decide viajar até a cidade de São Paulo para recuperar o amuleto.

Na trajetória do herói, elementos da cultura indígena e afro-brasileira são mostrados ao leitor e à leitora. Desse modo, a obra se configura em uma narrativa nacionalista, mas de caráter crítico, já que os personagens são apresentados sem nenhuma idealização. Além disso, a língua portuguesa é mostrada em sua rica variedade.

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Resumo da obra Macunaíma

  • Macunaíma, de 1928, é um romance modernista de Mário de Andrade.

  • Além do herói Macunaíma, a obra também apresenta o seu antagonista, Piaimã.

  • A narrativa possui tempo cronológico e está situada no início do século XX.

  • A ação da obra se passa, principalmente, na Floresta Amazônica e em São Paulo.

  • A história está centrada na busca de Macunaíma por um amuleto perdido.

  • A principal característica do livro é a diversidade cultural brasileira.

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Videoaula sobre Macunaíma

Análise da obra Macunaíma

  • Personagens da obra Macunaíma

    • Cambgique: “formiguinha sarará”
    • Capei: boiuna, a Lua

    • Ceiuci: companheira de Piaimã

    • Chuvisco: curumi

    • Ci: a Mãe do Mato

    • Currupira

    • Denaquê: irmã de Imaerô

    • Imaerô

    • Iriqui: companheira de Jiguê

    • Jiguê: irmão do herói

    • Maanape: irmão do herói

    • Macunaíma: o herói sem nenhum caráter

    • Mãe de Macunaíma

    • Oibê: o minhocão temível

    • Olelê Rui Barbosa: ogã tocador de atabaque

    • Sofará: companheira de Jiguê

    • Suzi: companheira de Jiguê

    • Taína-Cã: estrela

    • Tia Ciata: mãe de santo

    • Titçatê: guerreiro

    • Uiara

    • Vei: a Sol

    • Venceslau Pietro Pietra: o gigante Piaimã

    • Zlezlegue: carrapato

    • Zozoiaça: pai de Imaerô

  • Tempo da obra Macunaíma

Tudo indica que a história se passa no início do século XX, já que o narrador se refere à “máquina telefone” e à “máquina automóvel”. Além disso, ele se utiliza do tempo cronológico para narrar a história do herói sem nenhum caráter.

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  • Espaço da obra Macunaíma

A narrativa acontece, principalmente, na Floresta Amazônica e na cidade de São Paulo, mas Macunaíma também faz uma visita ao Rio de Janeiro.

  • Enredo da obra Macunaíma

Macunaíma, “herói de nossa gente”, nasceu no “fundo do mato-virgem”. Ele era “preto retinto e filho do medo da noite”. Assim é apresentado o herói no início do livro. Quando criança, “fez coisas de sarapantar” e ficou os primeiros seis anos de vida sem querer falar, pois sentia muita preguiça. Contudo, quando “deram água num chocalho pra ele”, Macunaíma passou a falar como todo mundo.

E pediu que a mãe o levasse para passear no mato. Ela não quis, e Macunaíma chorou até a noite. No dia seguinte, Sofará, companheira de Jiguê, levou o menino para passear. Então, quando “deitou o curumim nas tiriricas, tajás e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num átimo e ficou um príncipe lindo”, e os dois “brincaram” (tiveram relações sexuais).

Em uma ocasião, o menino perguntou ao Currupira qual era o caminho para o mocambo dos Tapanhumas. Como o Currupira tinha a intenção de devorar o herói, ensinou o caminho errado. No entanto, Macunaíma conseguiu escapar, e, então, encontrou a cotia, que “pegou na gamela cheia de caldo envenenado de aipim e jogou a lavagem no piá”.

Por isso, Macunaíma espirrou, “botou corpo” e “ficou do tamanho dum homem taludo”, mas, como a cabeça não tinha sido atingida pela lavagem, ela “ficou pra sempre rombuda e com carinha enjoativa de piá”. Já em outra ocasião, Macunaíma conheceu Ci e, apesar da resistência da Mãe do Mato, deu um jeito de “brincar” com ela.

Aproximadamente seis meses depois, Ci teve um filho do herói. O “pecurrucho tinha cabeça chata e Macunaíma inda a achatava mais batendo nela todos os dias” e falando para a criança: “Meu filho, cresce depressa pra você ir pra São Paulo ganhar muito dinheiro”. O menino acabou morrendo, e a Mãe do Mato “tirou do colar uma muiraquitã”, deu-a para o companheiro e “subiu pro céu por um cipó”.

Entretanto, Macunaíma perdeu a muiraquitã e ficou “desinfeliz”. Um tracajá comeu o amuleto, e “o mariscador que apanhara a tartaruga tinha vendido a pedra verde pra um regatão peruano se chamando Venceslau Pietro Pietra”. Assim, este, o gigante Piaimã, se tornou o grande inimigo do herói, que decidiu ir a São Paulo para enfrentá-lo e ter de volta o talismã.

Venceslau Pietro Pietra “morava num tejupar maravilhoso rodeado de mato no fim da rua Maranhão olhando pra noruega do Pacaembu”. Contudo, o herói Macunaíma não estava sozinho, seus irmãos, Jiguê e Maanape, estavam com ele, para enfrentar não só o gigante, mas também sua companheira, Ceiuci.

Antes de recuperar o amuleto, Macunaíma se viu envolvido pelas três filhas de Vei, a Sol, que “andava matinando fazer Macunaíma genro dela”. Mas, para isso, ele tinha “de ser fiel e não andar assim brincando com as outras cunhãs por aí”. Macunaíma prometeu essa fidelidade e a jurou pela memória da mãe dele, porém logo foi “brincar” com uma cunhã.

Então, nenhum casamento se realizou, e o herói continuou buscando um meio de recuperar sua muiraquitã de Venceslau Pietro Pietra, o gigante Piaimã, comedor de gente. Por fim, ao conseguir o amuleto, Macunaíma e seus irmãos voltaram para a floresta. No entanto, o herói foi seduzido pela Uiara:

“Quando Macunaíma voltou na praia se percebia que brigara muito lá no fundo. Ficou de bruços um tempão com a vida dependurada nos respiros fatigados. Estava sangrando com mordidas pelo corpo todo, sem perna direita, sem os dedões, sem os cocos-da-baía, sem orelhas sem nariz sem nenhum dos seus tesouros. Afinal pôde se erguer. Quando deu tento das perdas teve ódio de Vei. A galinha cacarejava deixando um ovo na praia. Macunaíma pegou nele e chimpou-o no carão feliz da Sol. O ovo esborrachou bem nas bochechas dela que sujou-se de amarelo pra todo o sempre. Entardecia.”

  • Narrador da obra Macunaíma

No epílogo da obra Macunaíma, o narrador observador se transforma em personagem e afirma que a história foi contada a ele por um papagaio. Dessa forma, ele apenas está narrando uma história que lhe foi contada. Portanto, o observador acaba sendo o papagaio.

  • Características da obra Macunaíma

O romance Macunaíma, publicado, pela primeira vez, em 1928, possui 17 capítulos e um epílogo. Faz parte da primeira fase do modernismo brasileiro. Desse modo, apresenta nacionalismo crítico e, portanto, faz uma releitura do passado histórico, ao contrariar a imagem idealizada do índio romântico do século XIX e criar um índio sem nenhum caráter para simbolizar o povo brasileiro.

Há também a valorização da linguagem coloquial, além da presença de termos de origem indígena. Assim, a cultura dos índios é enaltecida por meio de figuras míticas, como o Currupira, e de lendas, como a transformação do boiuna Capei na Lua. No mais, ciente da diversidade cultural do país, o narrador também abre espaço para a cultura afro-brasileira.

Veja também: Vanguardas europeias – conjunto de tendências artísticas que inspirou os modernistas

Mário de Andrade

Mário de Andrade, em 1928.
Mário de Andrade, em 1928.

Mário de Andrade nasceu em 09 de outubro de 1893, na cidade de São Paulo. Mais tarde, a partir de 1911, estudou piano, no Conservatório Dramático e Musical, e também canto. Assim, em 1922, tornou-se professor de estética e história da música nessa instituição. Nesse mesmo ano, foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna.

O autor, que faleceu em 25 de fevereiro de 1945, em São Paulo, escreveu para periódicos como o Diário de S. Paulo e trabalhou no Departamento de Cultura dessa cidade. Além disso, no Rio de Janeiro, ocupou os seguintes cargos:

  • diretor do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal; e

  • professor de filosofia e história da arte.

Para saber mais sobre a vida e a obra desse autor modernista, leia o texto: Mário de Andrade.

Contexto histórico

Os movimentos tenentistas, de cunho militar, e a Coluna Prestes, de ideologia comunista, marcaram o início da década de 1920 e abalaram a República Velha. Contudo, esse período da história brasileira, oficialmente, só chegou ao fim depois da quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, que afetou a economia do Brasil, dependente da exportação de café.

Em 1930, Getúlio Vargas (1882-1954) subiu ao poder, após um golpe de estado, e iniciou a Era Vargas. Desse modo, em 1937, o presidente instituiu o Estado Novo, um regime ditatorial que durou até 1945 e empreendeu forte perseguição política contra comunistas e artistas brasileiros.

Crédito da imagem

[1] Companhia das Letras (reprodução)

 

Por Warley Souza
Professor de Literatura

Listagem de Artigos

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Lista de Exercícios
Questão 1

Os modernistas trouxeram para a Literatura uma nova concepção de linguagem, desvinculando-se da estética parnasiana e apresentando ao público e à crítica inovações formais que denotavam um interesse pela experimentação. Em Macunaíma, Mário de Andrade apresenta o que chamou de língua brasileira, uma mistura do português com as variações encontradas nos diversos falares do povo brasileiro, além de influências estrangeiras e alterações advindas da criatividade popular. Tal afirmação pode ser confirmada nos seguintes trechos da obra de Mário de Andrade:

I. “ No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. [...]”.

II. “[...] Ele dava risadas chatas, se espremendo de cócegas e gostando muito. Quando elas paravam pedia mais estorcendo já de antegozo. Vei pôs reparo na senvergonhice do herói, teve raiva. [...]”

III. “[…] O corpo dele relumeava de ouro cinzando nos cristaizinhos do sal e por causa do cheiro da maresia, por causa do remo pachorrento de Vei, e com a barriga assim mexemexendo com cosquinhas de mulher. [...]”.

IV. “[...] No outro dia Macunaíma não achou mais graça na capital da República. Trocou a pedra Vató por um retrato no jornal e voltou pra taba do igarapé Tietê. [...]”.

a) Apenas I está correta.

b) Todas estão corretas.

c) Apenas IV está correta.

d) II e III estão corretas.

e) I e IV estão corretas.

Questão 2

(FUVEST) A presença da temática indígena em Macunaíma, de Mário de Andrade, tanto participa _________________, quanto representa uma retomada, com novos sentidos, _________________.

Mantida a sequência, os trechos pontilhados serão preenchidos corretamente por:

a) do movimento modernista da Antropofagia/do Regionalismo da década de 30.

b) do interesse modernista pela arte primitiva/do Indianismo romântico.

c) do movimento modernista da Antropofagia/do Condoreirismo romântico.

d) da vanguarda estética do Naturalismo/do Indianismo romântico.

e) do interesse modernista pela arte primitiva/do Regionalismo da década de 30.

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