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Tipos de violência

A violência é um problema social e de saúde pública que pode ser classificado em três tipos: autoinfligida, interpessoal (doméstica e comunitária) e coletiva.

Investigação de cena de crime — perito, com luvas, coleta arma de fogo.
A violência é um problema social e de saúde pública classificado pela OMS em autoinfligida, interpessoal e coletiva.
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Os tipos de violência são diferentes categorias que nos auxiliam na compreensão desse complexo problema social. Uma das tipologias utilizadas foi proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que compreende a violência também como um problema de saúde pública que se classifica em: autoinfligida, coletiva e interpessoal. Esta última categoria se divide em violência doméstica (ou familiar) e violência comunitária. É possível classificar a violência, conforme a natureza, em: psicológica, física, sexual, moral e por negligência.

Leia também: Violência urbana — problema crescente que afeta cidades em todo o mundo

Tópicos deste artigo

Resumo sobre os tipos de violência

  • Os tipos de violência, de acordo com a OMS, são: violência autoinfligida, violência interpessoal e violência coletiva.

  • A violência interpessoal se divide em doméstica ou comunitária, e pode ser classificada, de acordo com a natureza, em física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e por negligência.

  • Entende-se a violência como um problema social e de saúde pública.

  • No Brasil, a interpessoal é o tipo mais comum de violência, com altos números de mortes violentas intencionais e casos de violência doméstica.

  • A alta taxa de homicídio registrada no país coloca o Brasil na oitava colocação entre os 10 países mais violentos do mundo.

Quais são os tipos de violência?

Existem várias classificações que procuram tornar menos complexo o processo de entendimento do que seja a violência, que pode ser compreendida tanto como um problema social quanto como um problema de saúde pública. Assim sendo, uma das tipologias mais utilizadas é aquela elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que identifica três tipos de violência:

→ Violência autoinfligida: como o nome indica, é a violência que uma pessoa comete contra si própria. Não há a participação de terceiros nos atos. Exemplos: automutilação e suicídio.

→ Violência interpessoal: são os atos de violência cometidos por uma pessoa contra outra. Esse tipo de violência é subdividido em outras três formas:

  • Violência íntima ou familiar: os atos violentos são cometidos entre membros de uma família, entre cônjuges ou entre parceiros que mantêm um relacionamento íntimo ou estável. Classificada também como violência doméstica. Exemplos: violência contra a mulher, feminicídio, maus-tratos contra crianças e idosos.
  • Violência comunitária: os atos violentos são cometidos contra ou entre pessoas desconhecidas, ou seja, que não possuem nenhum grau de parentesco e que não mantêm relação de qualquer natureza. Exemplos: agressão a estranhos na rua, crimes contra a propriedade, violência do trabalho.

→ Violência coletiva: os atos violentos são cometidos por um grupo organizado de indivíduos por razões específicas, que podem ser de ordem social, política ou econômica. Exemplos: atos terroristas, guerras, genocídio de etnias ou grupos sociais.

Como é possível notar, a violência interpessoal apresenta diversas naturezas, seja ela cometida contra membros da família, seja contra terceiros. A OMS identifica os seguintes tipos de violência interpessoal: física, sexual, psicológica e por negligência. Além dessas quatro formas, o Instituto Maria da Penha (IMP) destaca a violência moral (calúnia, difamação, injúria) e a violência patrimonial (furto, estelionato, roubo de objetos, controle do dinheiro e do patrimônio etc.) como tipos de violência doméstica cometida por parceiro íntimo.

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O que é violência?

A violência é um fenômeno complexo que pode ser entendido como um problema social de natureza histórica que persiste em função das desigualdades socioeconômicas e espaciais, da negligência do Estado para com as populações mais vulneráveis e sobretudo pela existência de um sistema judiciário falho que não consegue impedir ou punir de maneira rígida os atos violentos e criminosos. No caso da violência contra a mulher, não é incomum que se tome conhecimento de relatos indicando problemas no atendimento e no acolhimento às vítimas e denunciantes.

Analisa-se a violência também do ponto de vista sanitário, sendo considerada um problema de saúde pública que gera uma série de consequências para o corpo e para o emocional daqueles que são vítimas de atos violentos de qualquer natureza. Nesse sentido, podemos utilizar também a definição da OMS para o conceito de violência, em tradução livre:

Uso intencional do poder ou da força física, em ameaça ou real, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resulta ou pode resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência no desenvolvimento ou privação.

Leia também: O que é um crime contra a humanidade?

Quais são os tipos de violência mais comuns no Brasil?

O Brasil figura na oitava posição no ranking dos países mais violentos do mundo produzido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), levando-se em conta a taxa de mortes violentas que ocorreram no território nacional. Essa informação e os dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), indicam que a violência interpessoal física é um dos tipos de violência mais comuns no Brasil.

O relatório anual do FBSP mostra que o país registrou 47.503 mortes violentas intencionais no ano de 2021, das quais 20.500 aconteceram na região Nordeste, concentrando-se principalmente no estado da Bahia. Destaca-se que as principais vítimas são adolescentes e jovens (15 a 29 anos) e negros. De acordo com o Atlas da Violência, a chance de uma pessoa negra ser assassinada no Brasil é 2,6 vezes maior do que uma pessoa não negra.

Dados mais recentes levantados pelo G1 indicam que a tendência de queda nas mortes violentas intencionais continua, e, entre os meses de janeiro e setembro de 2022, o total foi de 30,2 mil mortes. Apesar da queda, alguns estados registraram alta no número de mortes, como foi o caso de Rondônia.|1|

A violência doméstica é outro tipo de violência comum no Brasil. O crime de feminicídio fez 1341 vítimas no país em 2021, enquanto quase 221 mil mulheres foram vítimas de agressões e lesão corporal. No mesmo ano, 463 mil medidas protetivas de urgência foram emitidas pelos Tribunais de Justiça em todo o território nacional, conforme mostra o anuário do FBSP publicado em 2022.

A violência contra crianças e adolescentes, que abrange agressões e negligência, também entra nessa categoria. Nos últimos anos, cresceu também a violência física e psicológica contra grupos específicos, como a população LGBTQIA+ e a população negra.

Nota

|1| VELASCO, Clara. Assassinatos caem 3% nos primeiros nove meses de 2022 no Brasil; queda desacelera no 3º trimestre. G1, 02 dez. 2022. Disponível aqui.

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia 

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Tipos de violência"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/tipos-de-violencia.htm. Acesso em 21 de maio de 2024.

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