Atenas

História Geral

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Atenas foi uma das principais pólis da Grécia Antiga, conhecida como o lar da democracia, sistema político que surgiu no século VI a.C. A cidade de Atenas é um dos locais mais estudados da Grécia pela grande quantidade de escritos nela feitos durante o Período Clássico — uma demonstração de como a cidade era aberta à produção de conhecimento.

Atenas surgiu ainda no período da Civilização Micênica, segundo milênio a.C., e a sua evolução fez dela um lugar importante na Grécia. Dominava a região da Ática, assumiu papel de protagonismo durante a luta contra os persas, e entrou em declínio com a derrota na guerra contra os espartanos.

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Origens

Os mitos gregos narram que Atenas recebeu seu nome em homenagem à deusa Atena.
Os mitos gregos narram que Atenas recebeu seu nome em homenagem à deusa Atena.

Os historiadores apontam que a presença humana na região de Atenas remonta, mais ou menos, ao período de 5000 a.C., portanto, ao Período Neolítico. Essa constatação foi realizada porque escavações arqueológicas descobriram evidências de presença humana em regiões próximas da Ágora e da Acrópole atenienses.

Por volta de 1500 a.C., portanto, durante o período de existência da Civilização Micênica, acredita-se que Atenas já era uma pequena comunidade organizada. Desse período, os arqueólogos conseguiram encontrar evidências que apontam a possível existência de um palácio (centro de poder para os micênicos) e de algumas fortificações. As lendas gregas narram que Atenas foi nomeada em homenagem à deusa Atena.

A decadência micênica provavelmente contribuiu para o enfraquecimento da comunidade que existia em Atenas. Acredita-se que os povos do mar, grupos misteriosos que estiveram relacionados com a decadência micênica, passaram pela Ática (onde está Atenas), causando grande destruição lá. Já os dórios, acredita-se, não a atacaram.

Por volta do século X a.C., as perdas populacionais durante a decadência micênica começaram a ser revertidas e a população de Atenas voltou a crescer. A partir de então, o comércio ateniense começou a ganhar expressão, e, por volta dos séculos VIII a.C. e VII a.C., a cidade começou a formar as suas primeiras instituições administrativas.

Democracia ateniense

No século VI a.C., a Atenas transformou-se no berço da democracia por meio das reformas de Clístenes.
No século VI a.C., a Atenas transformou-se no berço da democracia por meio das reformas de Clístenes.

O desenvolvimento de Atenas deu-se por um processo de concentração de renda, o que fez com que um grupo de privilegiados, os eupátridas, detivessem a riqueza e controlassem a política da cidade. A cidade de Atenas era, portanto, um modelo de pólis oligárquica. Os historiadores apontam que, nessa fase, alguns debates a respeito do poder levaram a transformações profundas na cidade.

Havia muita insatisfação em Atenas porque camponeses empobrecidos estavam perdendo suas terras e sendo escravizados para pagar suas dívidas. Isso motivou muitos a iniciar a colonização grega, mas também levou a revoltas sociais que, no longo prazo, resultaram no surgimento da democracia.

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As reformas em Atenas começaram a ser feitas no final do século VII a.C., e o primeiro legislador a fazê-las foi Drácon. Esse político ateniense impôs uma série de leis puníveis com a morte se alguém não as cumprisse. As leis de Drácon foram consideradas muito rígidas, e, tempos depois, Sólon promoveu novas reformas.

As reformas de Sólon foram realizadas em 594 a.C. e responsáveis por lançar as bases do que se tornaria a democracia ateniense. Ele organizou os cidadãos da cidade em quatro tribos, definidas pelo critério de renda, e quanto mais rica a tribo, maiores os direitos políticos dela.

Sólon também criou a Eclésia, a assembleia popular, onde os cidadãos das quatro tribos poderiam reunir-se e tomar as decisões para a cidade. Outra instituição criada foi a Bulé, um conselho formado por 400 cidadãos, 100 de cada tribo, e a responsabilidade desse grupo era propor as leis que seriam debatidas na Eclésia.

As reformas empreendidas por Drácon e Sólon não foram suficientes para diminuir as tensões que existiam entre a aristocracia e os pobres atenienses. Isso fez surgir governos tirânicos, na concepção grega, que assumem o poder pela força. Esses governos ora atendiam os interesses dos pobres, ora atendiam os interesses dos aristocratas.

Os governos tirânicos tiveram fim com a escolha de Clístenes para a função de legislador ateniense. Durante seu governo, novas reformas aconteceram entre 510 a.C. e 507 a.C., fazendo com que a democracia ateniense fosse oficialmente criada. Clístenes entendeu que todos os cidadãos (homens que possuem direitos políticos) eram iguais perante a lei, independentemente de sua condição econômica.

As quatro tribos criadas por Sólon foram substituídas por 10 tribos estabelecidas conforme onde os cidadãos residiam. Além disso, a composição da Bulé foi reformulada, com ela sendo composta por 500 membros, 50 de cada tribo. Por fim, todos os cidadãos tinham direito de reunir-se na Pnyx, onde ficava a Eclésia.

Esse modelo ateniense foi levado para a Ática, uma região muito grande que esteve sob o controle de Atenas. Essa foi uma das diferenças de Atenas com sua maior rival, Esparta, pois os atenienses impuseram o seu domínio sobre a Ática, e algumas ilhas do mar Egeu, concedendo direitos políticos a quem estivesse sob seu controle. Esparta, por sua vez, impôs esse domínio, mas sem conceder direito político algum.

Embora inovador, o sistema ateniense tinha limitações, uma vez que a cidadania ateniense era limitada a um grupo muito pequeno de homens atenienses, filhos de pais atenienses. De toda forma, foi um ganho para as classes pobres dessa pólis porque lhes permitiu envolver-se com as decisões políticas. Para saber mais sobre esse importante e influente sistema político, leia: Democracia ateniense.

Guerras

Como Atenas tinha uma posição privilegiada na Grécia Antiga, é natural que a cidade tenha tido papel central em algumas guerras que aconteceram na região. No começo do século V a.C., Atenas enviou tropas à região da Ásia Menor para ajudar cidades gregas que estavam se rebelando contra o domínio persa.

O envolvimento ateniense na Revolta Jônica irritou o rei persa, Dario, fazendo com que ele organizasse uma expedição para invadir a Grécia Continental e punir Atenas, em 490 a.C. Esse foi o início das Guerras Médicas, dois conflitos travados entre gregos e persas, na Antiguidade.

Atenas e muitas outras cidades gregas, incluindo Esparta, uniram-se para fazer frente à invasão persa. Nas duas Guerras Médicas, Atenas foi invadida e saqueada duas vezes, mas teve participação fundamental nas vitórias que aconteceram em Maratona, Salamina e Plateia. Após a derrota dos persas, Atenas saiu fortalecida, pois tinha uma poderosa frota naval e possuía a liderança da Liga de Delos.

O grego Tucídides foi responsável por registrar os acontecimentos da Guerra do Peloponeso, travada em 431-404 a.C.
O grego Tucídides foi responsável por registrar os acontecimentos da Guerra do Peloponeso, travada em 431-404 a.C.

Essa liga foi uma associação de cidades gregas que formaram um fundo para ser usado contra os persas. Como Atenas ocupava a liderança da liga, começou a usar os fundos dela para investir em seu próprio desenvolvimento e em seus próprios interesses. O fortalecimento de Atenas via Liga de Delos fez com que Esparta e outras cidades gregas se mobilizassem contra os atenienses, e isso levou à Guerra do Peloponeso.

A Guerra do Peloponeso estendeu-se de 431 a.C. a 404 a.C. e foi travada por Esparta e seus aliados contra Atenas e os aliados da Liga de Delos. Um conflito entre as duas cidades já havia acontecido entre 460 a.C. e 446 a.C. No entanto, tradicionalmente, a Guerra do Peloponeso é entendida como o embate do período 431-404 a.C.

As causas imediatas para a guerra foram a intervenção ateniense em um conflito entre duas colônias de Corinto (aliada de Esparta) e o bloqueio econômico de Atenas sobre Mégara (também aliada de Esparta). Ao longo do ambate, os espartanos conseguiram o apoio dos persas, impediram a chegada de grãos à cidade e cercaram-na por terra. Essas ações enfraqueceram Atenas e forçaram as lideranças da cidade a render-se em 404 a.C.

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Era de ouro

Péricles foi um governante de Atenas no século V a.C., e credita-se a ele um período de grande desenvolvimento econômico e cultural na cidade.[1]
Péricles foi um governante de Atenas no século V a.C., e credita-se a ele um período de grande desenvolvimento econômico e cultural na cidade.[1]

A Guerra do Peloponeso foi colocou fim no domínio ateniense sobre a Grécia, e, durante esse conflito, a era de ouro ateniense teve fim. Esse período aconteceu durante a administração de Péricles. Ele foi um dos grandes políticos atenienses, levando a cidade ao seu momento de maior desenvolvimento econômico e cultural.

Durante a era de ouro, Atenas viveu um grande desenvolvimento cultural e abrigou diversos eruditos que ficaram marcados na história da Grécia Antiga. Entre eles estão Heródoto, conhecido por fazer registros de importantes acontecimentos históricos dos gregos; Sócrates, um dos grandes nomes da filosofia grega; Hipócrates, conhecido como o “pai da medicina”; Aristófanes, um dos mais conhecidos dramaturgos gregos etc.

Péricles também fez uso da Liga de Delos com o intuito de fortalecer a cidade, e muitos atribuem a derrota grega na Guerra do Peloponeso como uma consequência da morte de Péricles (embora ele tenha morrido 25 anos antes). Péricles faleceu vítima da Peste de Atenas, um surto epidêmico que atingiu a cidade em 430-427 a.C.

Créditos da imagem

[1] Ligankov Aleksey e Shutterstock

 

Por Daniel Neves
Professor de História

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SILVA, Daniel Neves. "Atenas"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/atenas.htm. Acesso em 20 de outubro de 2020.