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José Sarney

José Sarney é um ex-político, sendo uma das figuras políticas mais importantes da história recente de nosso país. Assumiu a presidência, em 1985, com a morte de Tancredo Neves.

Fotografia de José Sarney.
José Sarney foi presidente do Brasil entre 1985 e 1990.[1]
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José Sarney é um ex-político brasileiro que teve como auge de sua trajetória política o período em que foi presidente do Brasil. Sarney é originário do Maranhão e ingressou na política desse estado na década de 1950. Ao longo de sua trajetória, foi deputado federal, governador do Maranhão, senador e presidente da república.

José Sarney foi membro do Arena durante o período da Ditadura Militar, mas participou da chapa que elegeu Tancredo Neves e finalizou esse regime. Assumiu a presidência devido aos problemas de saúde e eventual falecimento do político mineiro. Esteve na presidência entre 1985 e 1990, e seu governo foi marcado pela Constituição de 1988 e pela forte crise econômica.

Confira no nosso podcast: História das Constituições Brasileiras e sua evolução

Tópicos deste artigo

Resumo sobre José Sarney

  • José Sarney é um ex-político brasileiro e um dos políticos mais importantes da história recente do país.

  • Nasceu em uma família tradicional no Maranhão e ingressou na política local na década de 1950.

  • Ao longo de sua carreira política, foi deputado federal, senador por dois estados, governador do Maranhão e presidente do Brasil.

  • Assumiu a presidência do Brasil em 1985, mantendo-se no cargo até 1990.

  • Tem uma grande trajetória na literatura e é membro da Academia Brasileira de Letras desde 1980.

  • Aposentou-se da política em 1985.

Biografia de José Sarney

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa nasceu na cidade de Pinheiro, no interior do estado do Maranhão, em 24 de abril de 1930. Popularmente conhecido como José Sarney, ele recebeu a alcunha “Sarney” em referência ao seu pai, que se chamava Sarney de Araújo Costa. Este trabalhava na carreira jurídica, sendo promotor e depois desembargador. A mãe de Sarney se chamava Kyola Ferreira de Araújo Costa.

José Sarney teve acesso a uma boa educação, fazendo o primário em escolas do interior do Maranhão e o seu Ensino Médio em uma importante escola de São Luís, capital do estado. Na sua fase escolar, atuou no movimento estudantil, inclusive participando de protestos contra o governo Vargas. Ingressou no curso de Direito, concluindo seus estudos em 1953 pela Universidade Federal do Maranhão. Depois disso, Sarney deu início formal a sua carreira política.

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Carreira política de José Sarney

José Sarney ingressou no Partido Social-Democrático (PSD) em 1954, e, no ano seguinte, assumiu como deputado federal suplente. Entre 1955 e 1959, Sarney assumiu a vaga de deputado federal como suplente por sete vezes. Em 1958, ele mudou de partido, filiando-se à União Democrática Nacional (UDN).

Pela UDN, Sarney se candidatou novamente a deputado federal, conseguindo se eleger diretamente, dessa vez nas eleições de 1958 e 1962. Em 1964, foi realizado o Golpe Civil-Militar no Brasil e Sarney pertencia ao partido que atuou diretamente a favor do golpe. No entanto, ele é lembrado por ter se oposto à perseguição que os militares faziam contra parlamentares que não os apoiaram.

Ainda assim, José Sarney se adaptou rapidamente ao novo cenário político brasileiro e, em 1965, se filiou à Aliança Renovadora Nacional, o Arena, o partido dos militares no período da Ditadura Militar. Nesse mesmo ano, candidatou-se ao governo do Maranhão pelo Arena, sendo eleito.

O mandato de Sarney como governador se encerrou em 1970, e ele decidiu concorrer a uma posição no Senado Federal. Conseguiu se eleger para senador em dois mandatos, atuando de 1971 a 1985. Seu segundo mandato aconteceu no momento que a ditadura se enfraquecia e que a sociedade civil demandava a redemocratização do Brasil.

José Sarney, por sua vez, seguia atuando pelo partido dos militares, mas, em 1979, o Arena foi substituído pelo Partido Democrático Social (PDS). Sarney foi presidente desse partido, e quando a Emenda Dante de Oliveira foi derrotada no Congresso Nacional, o PDS mergulhou nos debates sobre a eleição presidencial de 1985.

José Sarney acabou liderando um racha no interior do PDS, uma vez que ele lutou pela realização de prévias para eleger o candidato do partido que disputaria a eleição. O presidente João Figueiredo, no entanto, não autorizou as prévias, escolhendo Paulo Maluf para ser o candidato do partido. Isso irritou José Sarney, que, junto de um grupo de membros do partido, se desfiliou do PDS.

José Sarney acabou se aliando a Tancredo Neves, candidato a presidente pelo PMDB. O grupo de políticos que se desfiliou do PDS recebeu o nome de Frente Liberal. Esse grupo ingressou no PMDB, assim como Sarney, apoiando a candidatura de Tancredo Neves. Os acordos políticos costuraram o convite de José Sarney para a vice-presidência do Brasil.

  • Governo de José Sarney

A chapa formada por Tancredo Neves e José Sarney foi eleita indiretamente com 480 votos contra 180. A posse de ambos estava marcada para o dia 15 de março de 1985, mas uma tragédia mudou os rumos do país. Tancredo Neves sofria de dores abdominais havia meses, mas escondia o problema.

No dia 14 de março, sua condição de saúde se agravou e ele foi levado às pressas para o hospital, onde foi submetido a uma cirurgia emergencial. Tancredo Neves sofria de problemas intestinais — um tumor benigno infeccionado. A infecção gerou uma obstrução intestinal no presidente eleito. Ao todo, Tancredo Neves passou por seis cirurgias e faleceu no dia 21 de abril de 1985.

A situação deixou o país incrédulo e motivou um acordo político que resultou na posse temporária de José Sarney como presidente. O primeiro governo após o fim da Ditadura Militar tinha caído nas mãos de um antigo apoiador desse regime. Quando Tancredo Neves morreu, José Sarney foi efetivado na função de presidente do Brasil.

O governo de José Sarney ficou marcado pelas iniciativas do presidente em barrar qualquer tipo de investigação e punição de agentes da ditadura que haviam cometido crimes no Brasil. Além disso, teve a formação de uma Assembleia Constituinte para a elaboração de uma nova Constituição.

Essa Constituinte elaborou a Constituição Federal que foi promulgada em 1988, mas a relação de José Sarney com a Assembleia não foi das melhores. A Constituinte, de todo modo, definiu que Sarney seria presidente do Brasil por cinco anos, portanto, até 1990. A reconstrução da democracia no Brasil foi lenta, mas se iniciou no governo de Sarney.

No campo da economia, José Sarney sofreu com a crise econômica e a alta inflacionária. Em 1986, ele lançou o Plano Cruzado, marcado por congelamento de preços como forma de combater o aumento da inflação. Além disso, esse plano aumentou os salários dos trabalhadores em 15% com mais alguns acréscimos, e uma nova moeda — o Cruzado — foi criada.

O Plano Cruzado era insustentável, fazendo com que muitas mercadorias deixassem de ser produzidas, e muitas outras só eram adquiridas mediante o pagamento de um acréscimo. Sarney segurou esse plano econômico até a realização de eleições estaduais, em 1986. Depois dessas eleições, Sarney anunciou o Plano Cruzado II, e enormes reajustes de preços aconteceram.

A população sentiu-se enganada por Sarney, e a inflação saiu do controle, chegando a quase 2000% ao ano. O seu governo, além disso, foi marcado por inúmeros esquemas de corrupção.

Após sair da presidência, Sarney candidatou-se ao Senado pelo Amapá, sendo eleito diversas vezes e permanecendo na função de 1991 a 2015. Em 2014, anunciou sua aposentadoria e concluiu seu último mandato em 2015. Caso queira saber mais sobre o mandato presidencial de Sarney, clique aqui.

Carreira literária de José Sarney

Além da política, José Sarney teve uma longa carreira na literatura, produzindo romances, crônicas, contos, poemas etc. Ele participou da edição de revistas literárias e foi um dos representantes do pós-modernismo no Maranhão. Entre as obras de Sarney, estão: Norte das águas (1969), Marimbondos de fogo (1978), Saraminda (2000) e A duquesa vale uma missa (2007).

  • José Sarney na Academia Brasileira de Letras

Em 17 de julho de 1980, José Sarney foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira de número 38. Ele é o sexto ocupante dessa cadeira, ocupando-a desde então e sendo o membro mais antigo da ABL atualmente. Foi recebido pelo acadêmico Josué Montello na ocasião de sua eleição.

Leia mais: Rui Barbosa — político brasileiro formado em Direito e membro fundador da Academia Brasileira de Letras

Curiosidades sobre José Sarney

  • José Sarney é o membro mais antigo da Academia Maranhense de Letras, ocupando uma cadeira desde 1952.

  • Durante o Plano Cruzado, Sarney incentivou que a população atuasse como fiscal, denunciando os aumentos de preços irregulares.

Créditos da imagem

[1]Marcos Oliveira/Agência Senado

Fontes

SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 484.

FERREIRA Jorge. O presidente acidental: José Sarney e a transição democrática. In.: FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (orgs.). O Brasil Republicano: o tempo da Nova República – da transição democrática à crise política de 2016. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

RIBEIRO, José Augusto. Tancredo Neves: a noite do destino. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "José Sarney"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/jose-sarney.htm. Acesso em 14 de abril de 2024.

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