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Rui Barbosa

Biografia

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Orador, jurista, jornalista, abolicionista e homem público brasileiro nascido em Salvador, Bahia, fundador da Academia Brasileira de Letras, escolhendo Evaristo da Veiga como patrono da Cadeira n. 10 da ABL, ficou famoso ao traduzir a obra O papa e o concílio (1877), de Doelinger, contra o dogma da infalibilidade do papa. Filho do médico, político e educador João José Barbosa de Oliveira, homem voltado para os problemas da educação e da cultura e que por vários anos dirigiu a Instrução Pública de sua província, e de dona Maria Adélia, que lhe deram ainda uma irmã mais nova, Brites Barbosa. Iniciou (1865) o curso jurídico em Recife e, conforme tradição da época, transferiu-se (1868), para a Faculdade de Direito de São Paulo.

Lá foi proposto sócio, juntamente com Castro Alves, do Ateneu Paulistano, então sob a presidência de Joaquim Nabuco. Formado em direito (1870) fez da introdução do livro um libelo contra a chamada questão religiosa. Em seguida mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou a carreira na tribuna e na imprensa, abraçando como causa inicial a abolição da escravatura. Casou-se (1876) com Maria Augusta Viana Bandeira, que lhe acompanharia a partir de então por todos os momentos da vida. Eleito deputado provincial pela Bahia (1878) e reeleito deputado geral nas duas eleições seguintes, participou da reforma eleitoral (1881) e da reforma do ensino (1882-1883).

Preconizou, juntamente com Joaquim Nabuco, a defesa do sistema federativo, por isso, quando convidado para ministro do Gabinete Afonso Celso, pouco antes da proclamação da República, recusou o cargo, por ser este incompatível com suas idéias federativas. Destacou-se na defesa da abolição, mas não se mostrou um batalhador da República, embora criticasse as falhas da monarquia e ajudasse em sua derrocada. Ministro da Fazenda no primeiro governo provisório, recorreu à inflação para financiar o crescimento econômico. Liberal, ajudou a redigir a nova Constituição (1891). Oposicionista no governo de Floriano Peixoto, foi obrigado a se exilar (1893-1894), passando por Buenos Aires, Lisboa e Londres, onde escreveu, então, as famosas Cartas da Inglaterra para o Jornal do Commercio, tornando-se a primeira voz no mundo a se levantar contra o famoso Processo Dreyfus.

Voltando ao Brasil (1895) ocupou uma cadeira no Senado, pela Bahia à Assembléia Constituinte. Permaneceria como Senador da República até à morte, sendo sucessivamente reeleito. Ganhou fama internacional quando o czar da Rússia convocou a 2aConferência da Paz, em Haia (1907). O Barão do Rio Branco, no Ministério das Relações Exteriores, escolheu primeiramente Joaquim Nabuco para chefiar a delegação brasileira, mas a imprensa e a opinião pública lançaram o seu nome e o próprio Joaquim Nabuco recusou a nomeação em benefício da nomeação do senador. Investido de uma categoria diplomática não desfrutada até então por nenhum país da América Latina, defendeu o princípio da igualdade jurídica das nações soberanas, enfrentando irredutíveis preconceitos das chamadas grandes potências.

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Além de nomeado Presidente de Honra da Primeira Comissão, teve seu nome colocado entre os Sete Sábios de Haia. Os outros eram o Barão Marshall, Nelidoff, Choate, Kapos Meye, Léon Bourgeois e o Conde Tornielli. Em virtude de seu discurso defendendo os direitos dos pequenos países e propondo a igualdade entre todas as nações, ganhou o epíteto de Águia de Haia. Candidatou-se à Presidência em oposição ao marechal Hermes da Fonseca, liderando a Campanha Civilista (1910). Derrotado, depois (1913) fundou o Partido Liberal, sendo mais uma vez indicado para a presidência da República, candidatura que desistiu. Novamente levantada sua candidatura à presidência da República (1919), numa campanha radical nas questões sociais, percorreu vários Estados, em campanha contra a decadência dos nossos costumes políticos. Novamente foi derrotado, desta vez por Epitácio Pessoa.

Foi eleito (1921) juiz da Corte Internacional de Justiça, como o mais votado, recebendo as mais significativas homenagens do Brasil e de todo o mundo. Proferiu o último discurso no Senado (1922), concedendo o estado de sítio ao governo para dominar o movimento revolucionário. Faleceu em Petrópolis, RJ, deixando uma obra vasta, que incluiu escritos e discursos sobre todas as questões da época, embora pessoalmente não se considerasse um escritor. Foi um político radical e de idéias, sob certos ângulos, muito discutíveis como sua oposição a vacinação obrigatória contra a febre amarela no Rio de Janeiro e sua criação e aprovação da lei pela eliminação de todos os documentos que registravam a era da escravidão no Brasil.

Na sua obra citam-se: Alexandre Herculano, discurso (1877); Castro Alves, discurso (1881); Reforma do ensino secundário e superior, pareceres (1882); O Marquês de Pombal, discurso (1882); Reforma do ensino primário, pareceres (1883); Swift, ensaio (1887); Cartas da Inglaterra, ensaios (1896); Parecer e Réplica acerca da redação do Código Civil, filologia (1904); Discursos e conferências (1907); Anatole France, discurso (1909); Páginas literárias, ensaios (1918); Cartas políticas e literárias, epístolas (1919); Oração aos moços, discurso (1920) e depois editado em livro (1921); Queda do Império, história, 2 vols. (1921); Orações do Apóstolo, discursos (1923); Obras completas, organizadas pela Casa de Rui Barbosa, 125 vols.
Obs: Segundo Rejane M.M. de A. Magalhães, Chefe do Setor Ruiano da Fundação Casa de Rui Barbosa (fcrb@rb.gov.br), nunca constou em seu nome completo o sobrenome "de Oliveira", como aparece em alguns sites da Internet, ou seja, seu nome completo era Rui Barbosa.

Figura copiada do site RUI BARBOSA, 150 ANOS
http://www.projetomemoria.art.br/RuiBarbosa/

Fonte: Biografias - Unidade Acadêmica de Engenharia Civil / UFCG

Ordem R - Biografia - Brasil Escola

Rui Barbosa, fundador da Academia Brasileira de Letras
Rui Barbosa, fundador da Academia Brasileira de Letras

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PERCíLIA, Eliene. "Rui Barbosa"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/rui-barbosa.htm. Acesso em 14 de outubro de 2019.

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