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Mobilidade urbana no Brasil

Geografia

A busca pela mobilidade urbana é um desafio enfrentado pela maioria das grandes cidades no Brasil, que esbarram em problemas como o privilégio aos transportes individuais.
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A mobilidade urbana refere-se às condições de deslocamento da população no espaço geográfico das cidades. O termo é geralmente empregado para referir-se ao trânsito de veículos e também de pedestres, seja através do transporte individual (carros, motos, etc.), seja através do uso de transportes coletivos (ônibus, metrôs, etc.).

Nos últimos anos, o debate sobre a mobilidade urbana no Brasil vem se acirrando cada vez mais, haja vista que a maior parte das grandes cidades do país vem encontrando dificuldades em desenvolver meios para diminuir a quantidade de congestionamentos ao longo do dia e o excesso de pedestres em áreas centrais dos espaços urbanos. Trata-se, também, de uma questão ambiental, pois o excesso de veículos nas ruas gera mais poluição, interferindo em problemas naturais e climáticos em larga escala e também nas próprias cidades, a exemplo do aumento do problema das ilhas de calor.

A principal causa dos problemas de mobilidade urbana no Brasil relaciona-se ao aumento do uso de transportes individuais em detrimento da utilização de transportes coletivos, embora esses últimos também encontrem dificuldades com a superlotação. Esse aumento do uso de veículos como carros e motos deve-se:

a) à má qualidade do transporte público no Brasil;

b) ao aumento da renda média do brasileiro nos últimos anos;

c) à redução de impostos por parte do Governo Federal sobre produtos industrializados (o que inclui os carros);

d) à concessão de mais crédito ao consumidor;

e) à herança histórica da política rodoviarista do país.

Foto de 2013 registrando o trânsito caótico na cidade do Rio de Janeiro *
Foto de 2013 registrando o trânsito caótico na cidade do Rio de Janeiro *

Entre os anos de 2002 e 2012, segundo dados do Observatório das Metrópoles, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, o número de veículos registrou um crescimento de 138,6%. Há cidades no país que apresentam uma média de menos de dois habitantes para cada carro presente, o que inviabiliza quase todas as medidas para a garantia de um sistema de transporte mais eficiente. Confira a tabela a seguir:

Tabela das capitais brasileiras com a maior quantidade de carros por habitante
Tabela das capitais brasileiras com a maior quantidade de carros por habitante

Na tabela acima temos alguns exemplos de capitais que contam com uma grande quantidade de veículos para cada habitante. Esses dados, no entanto, são apenas um indicativo geral e não uma realidade em si, haja vista que leva em consideração apenas o número de carros registrados e não o total de veículos que realmente circulam nessas cidades. Tal indicador, não inclui, dessa forma, aqueles carros registrados em cidades vizinhas e que também circulam nessas capitais.

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Entre as principais soluções para o problema da mobilidade urbana, na visão de muitos especialistas, seria o estímulo aos transportes coletivos públicos, através da melhoria de suas qualidades e eficiências e do desenvolvimento de um trânsito focado na circulação desses veículos. Além disso, o incentivo à utilização de bicicletas, principalmente com a construção de ciclovias e ciclofaixas, também pode ser uma saída a ser mais bem trabalhada.

Outra questão referente à mobilidade urbana que precisa ser resolvida é o tempo de deslocamento, que vem aumentando não só pelos excessivos congestionamentos e trânsito lento nas ruas das cidades, mas também pelo crescimento desordenado delas, com o avanço da especulação imobiliária e a expansão das áreas periféricas, o que contrasta com o excessivo número de lotes vagos existentes. Se as cidades fossem mais compactas, os deslocamentos com veículos seriam mais rápidos e menos frequentes.

Muitas outras soluções, além do incentivo aos transportes de massa e ao uso de bicicletas, são mencionadas por especialistas em Urbanismo e Geografia Urbana. Uma proposta seria a adoção dos chamados “rodízios”, o que já é empregado em várias cidades, tais como São Paulo. Outra ideia é a adoção dos pedágios urbanos, o que faria com que as pessoas utilizassem, em tese, menos os veículos para deslocamentos.

Outra proposta é a diversificação dos modais de transporte. Ao longo do século XX, o Brasil foi essencialmente rodoviarista, em detrimento do uso de trens, metrôs e outros. A ideia é investir mais nesses modos alternativos, o que pode atenuar os excessivos números de veículos transitando nas ruas das grandes cidades do país.

De toda forma, é preciso ampliar os debates, regulamentando ações públicas para o interesse da questão, tais como a difusão dos fóruns de mobilidade urbana e a melhoria do Estatuto das Cidades, com ênfase na melhoria da qualidade e da eficiência dos deslocamentos por parte das populações.

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* Créditos da imagem: Celso Pupo / Shutterstock


Por Me. Rodolfo Alves Pena

A mobilidade urbana é um problema a ser enfrentado no Brasil
A mobilidade urbana é um problema a ser enfrentado no Brasil

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PENA, Rodolfo F. Alves. "Mobilidade urbana no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/mobilidade-urbana-no-brasil.htm. Acesso em 22 de novembro de 2019.

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Lista de Exercícios
Questão 1

A falta de mobilidade urbana no Brasil, um problema recorrente nas grandes metrópoles do país, vem se tornando uma questão com soluções cada vez mais difíceis. Dentre suas principais causas, podemos destacar, EXCETO:

a) o crescimento desordenado das grandes cidades brasileiras.

b) a precarização dos sistemas públicos de transporte urbano.

c) as políticas urbanas e sociais que privilegiaram o uso do automóvel.

d) a falta de investimentos públicos em políticas de mobilidade.

e) o excesso de ciclovias e faixas exclusivas de ônibus nos grandes centros citadinos. 

Questão 2

“O sistema de rodízio de veículos está esgotado em São Paulo. Entendo que chegou a hora do pedágio urbano”, decretou Candido Malta, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, anteontem durante o Fórum de Mobilidade Urbana.

Para ele, o pedágio é uma medida de contenção de congestionamentos melhor do que o aumento do preço da gasolina, que criaria um aumento no custo dos transportes como um todo, fosse na cidade, no Estado ou no país.

(Folha de São Paulo, 12/10/2013. Adaptado).

Além do sistema de rodízio e do pedágio urbano, citados na reportagem acima, uma outra medida possível para promover a mobilidade urbana nas cidades é:

a) a melhoria nos padrões de qualidade dos veículos automotores.

b) a redução da passagem para estimular o deslocamento por meio de ônibus e metrôs.

c) o incentivo ao uso de meios de transportes alternativos e de massa.

d) a realização de ações públicas de conscientização no trânsito.

e) a delimitação de, no máximo, um carro para cada habitante.

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