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Conflitos no Leste Europeu

Disputas étnicas e territoriais caracterizam os conflitos na região do Leste Europeu. Eles ganharam novas dimensões com o fim da União Soviética, e muitos seguem sem solução.

A imagem mostra o resultado de um ataque russo à Kiev, capital da Ucrânia. [1]
A imagem mostra o resultado de um ataque russo à Kiev, capital da Ucrânia. [1]
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Os conflitos no Leste Europeu se intensificaram a partir do fim da União Soviética, oficializada no ano de 1991, e da sua consequente fragmentação territorial. A maior parte deles se concentra nas regiões dos Bálcãs e do Cáucaso. Essas disputas são causadas por questões de ordens geopolítica, territorial e étnica, por meio das quais povos minoritários buscam a independência e o reconhecimento de seus territórios.

Leia também: Questão curda — a maior nação sem um Estado territorial

Tópicos deste artigo

Resumo sobre os conflitos no Leste Europeu

  • Os conflitos no Leste Europeu são causados por disputas geopolíticas, questões econômicas e pelo reconhecimento de territórios onde vivem determinados grupos étnicos independentes.

  • Essas questões se intensificaram após a dissolução da União Soviética no ano de 1991.

  • Os principais conflitos no Leste Europeu acontecem nas regiões dos Bálcãs e do Cáucaso.

  • O mais recente deles é a guerra na Ucrânia, território invadido pela Rússia em fevereiro de 2022. Esse conflito se desenvolve, entretanto, desde pelo menos o ano de 2014.

  • Em países como Azerbaijão, Armênia, Geórgia e Moldávia há conflitos envolvendo territórios separatistas que buscam conquistar a sua independência.

  • Chechênia e Daguestão são as duas repúblicas russas que concentram conflitos de ordem separatista e onde decorreram duas guerras durante a década de 1990.

  • Algumas das consequências desses conflitos são o aprofundamento das desigualdades, crises econômica e política, isolamento diplomático, refugiados e cidadãos feridos ou mortos nos casos em que há enfrentamento direto.

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Causas dos conflitos no Leste Europeu

Os conflitos no Leste Europeu têm como causas questões étnicas e territoriais que remontam o período em que grandes impérios se formaram na região, especialmente o Império Russo, o Império Turco-Otomano e o Império Austro-Húngaro. Após a sua dissolução, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) agregou muitos dos territórios e países que hoje constituem a região oriental do continente europeu e alguns dos países da região do Cáucaso. Nesse contexto, se formaram ainda países como a Iugoslávia, na região dos Bálcãs, cujo desmembramento deu origem a sete outros Estados independentes, alguns dos quais entraram em conflito posteriormente.

Com o fim da organização político-territorial da URSS, formalizada no ano de 1991, muitas nações se declararam independentes e soberanas, enquanto povos pertencentes a algumas das várias etnias que formam a população do Leste Europeu reivindicaram o reconhecimento de seus territórios e a independência com relação aos países em que eles se encontram inseridos. Fatores de ordem geopolítica, como a existência de áreas estratégicas, a exemplo da Crimeia, e interesses econômicos podem igualmente ser citados como causas dos conflitos na região.

Leia também: Questão palestina — o conflito geopolítico em torno do território palestino

Quais os principais conflitos no Leste Europeu?

A região do Leste Europeu é marcada por uma série de conflitos que tiveram início antes mesmo da dissolução do território da União Soviética e sua formalização em 1991. Muitos deles permanecem em curso até o presente e sem expectativas para uma solução de curto prazo. Outros, entretanto, são mais recentes e se agravaram mediante a ação bélica de um território sobre o outro. Abaixo, vamos entender um pouco melhor sobre os principais conflitos que ocorrem na região.

  • Rússia e Ucrânia

As tensões entre Rússia e Ucrânia se agravaram no final de 2021 e escalaram rapidamente nos primeiros meses de 2022, culminando na invasão russa do território ucraniano em 24 de fevereiro de 2022 e na eclosão de uma guerra que se encontra em curso. Vários ataques ocorreram próximo de Kiev, capital ucraniana, e de outras grandes cidades em todas as regiões do país, como Kharkiv, Mariupol e Odesa, bem como o avanço de veículos militares russos.

Refugiados no leste da Ucrânia
Refugiados do leste da Ucrânia buscam abrigo em outras regiões do país, como na cidade de Lviv, próximo da fronteira com a Polônia. [2]

As Nações Unidas estimam que 549 civis morreram em decorrência dos ataques, e quase 1.000 pessoas ficaram feridas. Os refugiados ucranianos já são mais de 2,5 milhões de pessoas que buscam abrigo em outros países europeus, como a Polônia.

As disputas políticas e territoriais entre os dois países, entretanto, são mais antigas e configuram parte dos motivos pelos quais a situação atual se instalou. No passado, o território ucraniano já integrou a Rússia, tanto durante a era imperial quanto na formação da União Soviética, obtendo um breve período de independência. O país se tornou oficialmente uma nação soberana em 1991. Diversas análises do conflito atual remontam à origem em comum dos povos russo e ucraniano e à formação territorial de ambos nas raízes das disputas, mas existem outras razões de caráter geopolítico e econômico que explicam melhor a conjuntura atual da guerra.

Ao sul da Ucrânia fica a península da Crimeia, parcela de terras que representa um ponto estratégico de acesso ao mar Negro e comunicação com o Leste Europeu e com o continente asiático. A Crimeia foi transferida da Rússia para o território ucraniano no ano de 1954 como uma forma de estreitar os laços entre si. Apesar disso, a Rússia manteve sua base naval na cidade de Sevastopol, instalada ainda no século XVIII.

Com uma crise política ocorrida na Ucrânia a partir de 2014, o presidente ucraniano alinhado com o governo russo foi deposto, e houve uma escalada de tensões internamente com grupos separatistas pró-Rússia no leste ucraniano, favoráveis ao desmembramento das regiões de Donetsk e Lugansk, que se tornariam independentes da Ucrânia.

Pouco antes do início da atual guerra, em 21 de fevereiro de 2022, a Rússia reconheceu ambas como repúblicas independentes. Além das questões políticas, as regiões são importantes economicamente devido às atividades de mineração e metalurgia.

No contexto de instabilidades na Ucrânia, a Rússia anexou a península da Crimeia ao seu território em 2014, alegando proteção aos cidadãos russos que viviam naquela região, o que aprofundou a crise política e diplomática entre os países. A questão da Crimeia, como ficou conhecida a crise na região, foi ampliada após um referendo realizado na península ter aprovado a sua incorporação ao território russo.

A possibilidade de a Ucrânia ingressar formalmente na Otan, o que acarretaria em um maior apoio militar ao país e na ampliação da sua capacidade bélica, é listada também como um dos motivos pelos quais houve a invasão de 2022. Em um contexto geral, a aproximação ucraniana tanto com a Otan quanto com a União Europeia não foi percebida de maneira positiva pelo país vizinho.

Videoaula sobre a Guerra na Ucrânia

  • Armênia e Azerbaijão

A Armênia e o Azerbaijão são ambos países transcontinentais situados no Leste Europeu e na Ásia, na região denominada de Cáucaso. O conflito ocorre pelo domínio do território de Nagorno-Karabakh, um enclave de 4,4 mil km² localizado dentro dos limites do Azerbaijão.

Mapa com a localização do território de Nagorno-Karabakh na região do Cáucaso.

As disputas começaram ainda na primeira metade do século XX, quando a reivindicação do território foi feita por parte de ambos os países. À época, a maioria da população que vivia na região era de origem armênia e azeri (etnia de origem turca).

O território permaneceu sob o domínio do Azerbaijão até a eclosão de uma guerra em 1988, período de declínio da União Soviética. O conflito direto se estendeu até 1994 e culminou na declaração da independência do território de Nagorno-Karabakh, que passou a ser chamado de República de Artsakh. Apesar do reconhecimento da Armênia, a nova república não foi reconhecida pela comunidade internacional.

Uma guerra foi desencadeada na região no final de 2020, e o seu encerramento ocorreu mediante a assinatura de um acordo de paz entre o Azerbaijão, a Armênia e a Rússia no dia 10 de novembro daquele mesmo ano. O número de mortos por causa dos conflitos chegou a 2.800, a maioria soldados.

  • Chechênia e Daguestão

A Chechênia e o Daguestão são duas repúblicas autônomas que fazem parte da Rússia, localizadas no extremo sudoeste do país, e buscam conquistar a sua independência do restante do território russo desde pelo menos o fim da União Soviética no ano de 1991. A população chechênia e daguestanesa é de maioria muçulmana.

Durante a formação da União Soviética, a Chechênia e a Inguchétia, também um território russo, foram unidas e incorporadas ao domínio soviético, porém se separaram tão logo a URSS chegou ao fim. Nesse período, vários movimentos separatistas chechenos surgiram na região, e o território declarou por duas vezes a sua independência em relação à Rússia. Na segunda vez, em 1994, eclodiu a Primeira Guerra da Chechênia, que se estendeu até 1996.

A Segunda Guerra da Chechênia, chamada também de Guerra do Daguestão, aconteceu em 1999, sucedendo a invasão de rebeldes chechenos na capital russa, Moscou, e também na região do Daguestão, onde pretendia-se criar um Estado Islâmico independente.|1|

A região apresenta um grande valor estratégico devido ao acesso ao mar Cáspio, além de abrigar oleodutos e gasodutos russos. As hostilidades não cessaram definitivamente, e nos últimos anos houve o registro de diversas ações de grupos rebeldes chechenos contrários à dominação russa.

  • Ossétia do Sul e Geórgia

A Ossétia do Sul é um território localizado na Geórgia. Sua população é de maioria osseta (ou alanos), uma etnia originária da região da Ossétia, no Cáucaso, com raízes compartilhadas com o povo russo.

Um movimento separatista surgiu naquela área no final da década de 1980, e os conflitos diretos com a Geórgia eclodiram no ano de 1990. Quase nesse mesmo período, outra região separatista do país entrou em guerra civil, que é a Abecásia. No ano de 2004, o recém-eleito presidente da Geórgia abriu diálogo com a Ossétia do Sul, negociando a autonomia da região sob a condição de se manterem como parte do território georgiano.|2|

Com grande apoio vindo da Rússia, ambas as regiões declararam a sua independência. Apesar disso, elas não foram reconhecidas pela Geórgia ou pela comunidade internacional. No ano de 2008, ocorreu a chamada Guerra da Ossétia do Sul, com a atuação direta da Geórgia na tentativa de frear o movimento separatista, mas a intervenção russa impôs fim ao conflito. A Geórgia perdeu o controle de parte de ambos os territórios, mas não houve o reconhecimento formal de independência.

Em destaque no mapa da Geórgia estão os territórios separatistas da Abecásia, no extremo-oeste, e da Ossétia do Sul, no centro-norte.
Em destaque no mapa da Geórgia estão os territórios separatistas da Abecásia, no extremo-oeste, e da Ossétia do Sul, no centro-norte.
  • Transnístria

A Transnístria é uma república separatista localizada entre os territórios da Moldávia e da Ucrânia, tendo uma população formada por ucranianos, russos e moldavos. A região declarou a sua independência da Moldávia logo após a dissolução da União Soviética, depois de uma guerra entre os países que é chamada de Guerra da Transnístria, ocorrida no ano de 1992.

Um referendo realizado no ano de 2006 demonstrou o desejo de independência da Transnístria e de uma possível incorporação à Rússia. A comunidade internacional reconhece o território como parte da Moldávia, e as disputas na região permanecem até o presente.

Edifício na cidade de Tiraspol, considerada capital da Transnístria. [3]
Edifício na cidade de Tiraspol, considerada capital da Transnístria. [3]

Outros importantes conflitos que ocorreram na região foram a Guerra da Bósnia (1992–1995) e o conflito que, em 17 de fevereiro de 2008, culminou na independência de Kosovo. Apesar disso, da mesma forma como aconteceu em outras nações, esse território não foi plenamente reconhecido como um país pela Sérvia, do qual constituía província, nem por grande parte da comunidade internacional.

Leia também: Movimentos separatistas da Espanha: bascos e catalães

Consequências dos conflitos no Leste Europeu

Os conflitos nos países e territórios do Leste Europeu repercutem diretamente em sua população, na economia e na diplomacia. Dentre as suas consequências, podemos citar:

  • crises econômicas e políticas;

  • isolamento diplomático;

  • sanções diretas impostas por organismos internacionais;

  • aprofundamento das desigualdades socioespaciais;

  • saída de pessoas das áreas conflituosas na condição de refugiadas;

  • pessoas feridas e mortas, no caso de conflitos bélicos;

  • surgimento de novos conflitos;

  • oscilações na economia internacional, como no caso dos conflitos em países produtores e exportadores de commodities como petróleo, trigo e grãos.

Notas

|1| LUCCI, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado: ensino médio, 3. São Paulo, SP: Saraiva, 2016, 3 ed., 281p.

|2| BBC. Entenda o conflito envolvendo Rússia e Geórgia na Ossétia do Sul. BBC Brasil, 08 ago. 2008. Disponível aqui.

Créditos da imagem

[1] Drop of Light / Shutterstock

[2] Bumble Dee / Shutterstock

[3] Julian Worker / Shutterstock

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Conflitos no Leste Europeu"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/conflitos-no-leste-europeu.htm. Acesso em 08 de agosto de 2022.

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