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Demência

A demência agrupa diversas doenças neurodegenerativas que afetam a memória, o raciocínio e as relações interpessoais. Não há cura definitiva para alguns tipos de demência.

Cérebro se deteriorando, em alusão à demência.
A demência é resultado de danos nas células nervosas do cérebro.
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Demência é um termo “guarda-chuva” para um conjunto de doenças e sintomas que afetam a cognição e, consequentemente, as atividades diárias de milhões de pessoas em todo o mundo. A demência pode se manifestar de várias formas, sendo a doença de Alzheimer a mais comum delas.

Os sintomas da demência incluem a perda de memória, dificuldade na tomada de decisões, confusão mental e a deterioração das habilidades motoras e de comunicação. À medida que a doença progride, a independência e a qualidade de vida dos pacientes diminuem, tornando o apoio de familiares e cuidadores ainda mais essencial.

Apesar dos avanços, ainda não há cura definitiva para a maioria das demências. O tratamento com medicamentos consiste em reduzir a velocidade da progressão da doença, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e aliviar os desafios enfrentados pelos cuidadores.

Leia também: Afasia — outro tipo de distúrbio associado a danos cerebrais

Tópicos deste artigo

Resumo sobre demência

  • A demência engloba diversas doenças e sintomas que levam ao declínio gradativo da cognição.

  • Os principais sintomas incluem perda de memória, confusão mental, dificuldade de comunicação e habilidades motoras prejudicadas.

  • A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, mas há diversas outras condições neurodegenerativas que podem levar à demência.

  • A demência é progressiva e piora com o tempo.

  • O diagnóstico é realizado a partir da combinação entre avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem, além de testes neuropsicológicos.

  • Não há cura, mas os medicamentos disponíveis ajudam a controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

  • Familiares e cuidadores desempenham um papel crucial no apoio às pessoas com demência.

O que é demência?

A demência é um termo geral utilizado para descrever um conjunto de doenças caracterizadas pelo declínio gradual das funções cognitivas, interferindo nas atividades diárias de uma pessoa. As funções cognitivas abrangem nossa capacidade de interagir com o ambiente, coletar informações dele e tomar decisões adequadas para cada momento, e incluem o pensamento, a memória, o raciocínio, as emoções, os comportamentos e os relacionamentos.

A demência afeta aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo, e espera-se que esse número aumente para 131 milhões até 2050. Essa condição é mais comum em idosos, e aproximadamente um terço dos indivíduos com mais de 85 anos apresenta alguma forma de demência.

Devido a essa alta incidência, a demência é também denominada como “senilidade” ou “demência senil”. Entretanto, é importante destacar que o uso desses termos é incorreto e perpetua a crença de que o declínio mental é um acontecimento natural do envelhecimento. Essa noção não é verdadeira, uma vez que muitas pessoas conseguem atingir a idade de 90 anos ou mais sem demonstrar sinais de demência.

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O que causa a demência?

A demência é resultado de danos nos neurônios (células nervosas) que prejudicam a comunicação entre eles, impossibilitando o desempenho de suas funções normais. Esses danos podem ocorrer devido ao bloqueio do fluxo sanguíneo para o cérebro, privando-o do oxigênio e nutrientes necessários, o que leva à morte e deterioramento do tecido cerebral.

Os danos neuronais podem ser localizados em regiões específicas do cérebro, e como cada área é responsável por funções distintas, diferentes tipos de demência estão associados a danos específicos. Um exemplo é a doença de Alzheimer, em que as primeiras células danificadas estão no hipocampo, centro de aprendizagem e memória do cérebro. Isso explica a perda de memória como um dos primeiros sintomas associados a essa doença.

Ilustração de um cérebro com danos causados pelo Alzheimer, doença associada à demência.
Corte transversal de um cérebro normal e outro com Alzheimer, mostrando os danos causados pela doença.

Tipos de demência

As demências podem ser classificadas em três grupos:

→ Grupo primário

São doenças em que a demência é a condição principal. Geralmente são irreversíveis e progressivas. Exemplos incluem:

  • Doença de Alzheimer: a forma mais comum de demência em idosos, causada por alterações cerebrais como o acúmulo anormal de proteínas, conhecidas como placas de amiloide e emaranhados de tau.

  • Demência frontotemporal: uma forma rara que tende a ocorrer em pessoas com menos de 60 anos, associada a quantidades anormais de proteínas tau e TDP-43.

  • Demência vascular: resulta de danos nos vasos sanguíneos cerebrais ou interrupção do fluxo de sangue e oxigênio para o cérebro.

  • Demência mista: é uma combinação de dois ou mais tipos de demência.

→ Grupo secundário

A demência ocorre como consequência de outras doenças ou condições, geralmente quando estas estão já em seu estágio avançado. Exemplos incluem a doença de Huntington, doença de Parkinson e traumas cerebrais.

→ Problemas de saúde com sintomas semelhantes à demência

Essas são condições tratáveis e reversíveis com sintomas que se assemelham à demência, como efeitos colaterais de medicamentos, tumores cerebrais, condições metabólicas e endócrinas, deficiência de vitaminas (principalmente B6, B1 e B12) e infecções (HIV, sífilis e doença de Lyme, por exemplo).

Veja também: Câncer de cérebro — causas e principais sintomas

Sintomas da demência

Sintomas da demência.
Os sintomas da demência se agravam com a progressão da doença.

Os sintomas da demência são progressivos, o que significa que os sinais de comprometimento cognitivo começam lentamente e pioram gradualmente ao longo do tempo. Além disso, eles podem variar de acordo com a área do cérebro comprometida.

Alguns sintomas gerais iniciais da demência são:

  • esquecimento de eventos ou informações recentes;

  • dificuldade em encontrar as palavras certas;

  • repetição de comentários ou perguntas em um curto período;

  • posicionamento de itens comuns em lugares incomuns;

  • mudança no humor, comportamento ou interesses.

O avanço da doença traz outros sintomas mais graves, como:

  • declínio adicional na capacidade de lembrar e tomar decisões;

  • dificuldade motora em realizar tarefas diárias como escovar os dentes, tomar banho, se alimentar, operar um controle remoto de tv, cozinhar e pagar contas;

  • diminuição do pensamento racional e da capacidade de solucionar problemas;

  • alterações no padrão de sono;

  • infecções múltiplas;

  • aumento ou agravamento de ansiedade, frustração, confusão, agitação, tristeza e/ou depressão;

  • perda de apetite;

  • presença de alucinações;

  • incontinência urinária e fecal.

Diagnóstico da demência

O diagnóstico da demência é um processo complexo e que exige um conjunto de informações para determinar o tipo exato de demência, uma vez os sintomas e as alterações cerebrais de diferentes tipos de demência podem se sobrepor. Em alguns casos, um médico pode diagnosticar "demência" sem especificar o tipo. Geralmente, utilizam-se os seguintes recursos:

  • Histórico médico: um histórico médico detalhado é fundamental, abordando informações sobre sintomas anteriores e histórico familiar de doenças neurológicas.

  • Avaliação comportamental: os médicos observam as mudanças características no pensamento, função diária e comportamento associadas a cada tipo de demência.

  • Exames laboratoriais: exames de sangue são importantes para descartar outras condições clínicas que podem causar sintomas semelhantes à demência, como infecções, inflamações e deficiência de vitamina B12. Às vezes, é necessário realizar testes de líquido cerebrospinal para avaliar condições autoimunes e doenças neurodegenerativas.

  • Exames de imagem: tomografias, ressonâncias magnéticas e raio X podem ser solicitados para verificar a possibilidade de derrames, tumores e outras anormalidades estruturais no cérebro que podem contribuir para a demência.

  • Testes neurocognitivos: são aplicados testes para avaliar habilidades mentais, incluindo resolução de problemas, aprendizado, memória, raciocínio e linguagem.

  • Avaliação psiquiátrica: utilizada para avaliar a presença de depressão ou outras condições que possam afetar a memória e o comportamento.

É importante destacar que diversos sintomas da demência aparecem de forma gradual e, muitas vezes, além de pouco perceptíveis, são atribuídos como manias e mau-humor de pessoas idosas pela própria família. Isso contribui para o retardo na busca por atendimento médico e, consequentemente, na obtenção de um diagnóstico e início de tratamento. Dessa forma, a conscientização sobre a existência dessas doenças é crucial para a obtenção de um diagnóstico precoce.

Demência tem cura?

Infelizmente, a maioria dos casos de demência não tem cura. No entanto, existem tratamentos que visam retardar sua progressão e melhorar a qualidade de vida do paciente. Os medicamentos aprovados podem ajudar a gerenciar os sintomas, permitindo que o paciente mantenha sua autonomia para realizar algumas atividades diárias.

Alguns tipos de demência, como a doença de Alzheimer, são progressivos e irreversíveis, enquanto outros, como aqueles causados por medicamentos ou deficiência de vitamina B12, podem ser tratados e até revertidos.

Como lidar com uma pessoa com demência?

Cuidar de alguém com demência é uma tarefa desafiadora que requer planejamento e atenção especial. Alguns cuidados a serem tomados são:

  • Buscar informações sobre a doença: entender a doença e suas possíveis evoluções ajuda a enfrentar o futuro com mais preparação, reduzindo a frustração e mantendo expectativas realistas. Além disso, contribui para integrar o paciente em decisões futuras importantes antes de atingir os estágios mais graves da doença.

  • Manter o contato social: fomentar o contato do paciente com amigos e familiares ajuda a evitar o isolamento e a solidão, que podem agravar as perdas cognitivas.

  • Estabelecer uma rotina e envolver o paciente nela: manter horários regulares para as tarefas do cotidiano ajuda a evitar a confusão mental.

  • Adaptar a casa: guardar objetos cortantes, medicamentos e remover tapetes derrapantes pode ajudar a evitar acidentes e promover a autonomia do paciente.

  • Ajustar a comunicação: deve-se usar frases simples e curtas, falar de forma calma e devagar, e evitar desafiar o paciente a lembrar coisas recentes ao se comunicar com o paciente.

  • Buscar suporte pessoal: é importante cuidar do próprio bem-estar ao cuidar de alguém com demência. Nesse sentido, buscar apoio físico e emocional, como participar de grupos de suporte e manter uma rotina de exercícios físicos, pode contribuir para não ocorrer uma sobrecarga física e psicológica.

Prevenção da demência

Embora a demência não possa ser completamente evitada, na maioria dos casos, e alguns fatores como idade e histórico familiar sejam inalteráveis, existem medidas conhecidas que podem contribuir para reduzir os riscos de desenvolver ou retardar o progresso de demência. A maioria dessas medidas está relacionada à adoção de um estilo de vida saudável, que visa manter um fluxo adequado de nutrientes e oxigênio para o cérebro.

Pesquisadores continuam a investigar fatores que podem influenciar o desenvolvimento da demência. Algumas ações que podem ser adotadas incluem:

  • evitar o consumo de tabaco;

  • praticar exercícios físicos;

  • estimular o cérebro cognitivamente, como através da resolução de quebra-cabeças e palavras cruzadas;

  • manter uma vida social ativa, interagindo com outras pessoas e mantendo o cérebro em constante atividade;

  • manter níveis adequados de colesterol e açúcares no organismo.

Pessoa fazendo palavras-cruzadas, uma forma de prevenir a demência.
Estimular o cérebro com atividades cognitivas pode ajudar a prevenir ou retardar os sintomas de demência.

Fatores de risco para desenvolver demência

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da demência são:

  • idade, uma vez que o risco de desenvolver demência aumenta com o avançar da idade, sendo a maioria dos casos observada em pessoas com mais de 65 anos;

  • histórico familiar de demência;

  • tabagismo;

  • altos níveis de colesterol, pressão alta e diabetes, condições que afetam os vasos sanguíneos, causando danos que podem, por sua vez, reduzir o fluxo sanguíneo e a oxigenação do cérebro;

  • danos cerebrais.

Saiba mais: Convulsões — o que causa esses distúrbios?

Qual a diferença entre Alzheimer e demência?

A demência é um termo abrangente usado para descrever um conjunto de sintomas relacionados a várias doenças neurodegenerativas que resultam no declínio das funções cognitivas e, consequentemente, afetam o desenvolvimento de atividades diárias de uma pessoa. A doença de Alzheimer é uma condição que se enquadra nesse conceito amplo, representando uma das formas mais comuns de demência.

Expectativa de vida de uma pessoa com demência

Devido à diversidade de doenças neurodegenerativas abrangidas pelo termo "demência", cada uma com seu próprio curso de desenvolvimento, é difícil determinar a expectativa de vida de uma pessoa com demência. Além disso, mesmo dentro de uma mesma doença, a expectativa de vida pode variar, uma vez que as pessoas têm diferentes estados de saúde, algumas saudáveis e outras com condições médicas preexistentes.

Por exemplo, a doença de Alzheimer tem uma média de sobrevida de cerca de oito anos a partir do início dos sintomas. Entretanto, algumas pessoas podem viver até 20 anos após o diagnóstico da doença.

Fontes

ALZHEIMER'S ASSOCIATION. What Is Dementia? Disponível em: https://www.alz.org/alzheimers-dementia/what-is-dementia

ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. World Alzheimer Report 2015: the Global Impact of Dementia. An Analyses of Prevalence, incidence, Cost and Trends. Disponível em: https://www.alz.co.uk/research/WorldAlzheimerReport2015.pdf

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EMMADY, P.D. et al. Major Neurocognitive Disorder (Dementia). In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557444/

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VARELLA, D. O que é demência? | Comenta #81. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/videos/o-que-e-demencia-comenta-81/

‌VARELLA, D. Demência | Artigo. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/demencia-artigo/

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Dementia. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dementia

Escritor do artigo
Escrito por: Heloísa Fernandes Flores Bacharela, licenciada e mestre em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é doutoranda em Entomologia e cursa uma especialização em Gestão Escolar na mesma instituição. Desenvolve pesquisas com análise de conteúdo de livro didático e evolução de insetos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FLORES, Heloísa Fernandes. "Demência"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/doencas/demencia.htm. Acesso em 17 de julho de 2024.

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