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O que é sujeito?

O sujeito da oração é aquele que realiza ou sofre a ação expressa pelo verbo. O sujeito pode ser simples, composto, oculto ou indeterminado. Há, ainda, orações sem sujeito.

As orações podem ter diferentes tipos de sujeito ou mesmo não apresentarem um sujeito.
As orações podem ter diferentes tipos de sujeito ou mesmo não apresentarem um sujeito.
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O sujeito de uma oração é o elemento que realiza ou sofre a ação expressa pelo verbo naquele enunciado. O sujeito pode ser classificado como simples, composto, oculto ou indeterminado, mas, em alguns casos, é possível que a oração não tenha sujeito.

Leia também: Sujeito x predicado: qual é a diferença?

Tópicos deste artigo

O que é o sujeito?

O sujeito é um dos termos essenciais da oração. É o elemento que realiza ou que sofre a ação expressa pelo verbo no enunciado.

O núcleo do sujeito é a base do sujeito, ou seja, o termo central sem o qual não seria possível entender o enunciado. Geralmente, é um substantivo, um pronome ou uma palavra ou expressão substantivada, isto é, que pertenceria originalmente a outra classe gramatical, mas que, no enunciado, é usada com função de substantivo. Veja os exemplos:

O berro foi muito agudo.

Nesse enunciado, “o berro” é o sujeito do verbo “foi”, sendo “berro” um substantivo, o núcleo do sujeito.

Ele deu um berro agudo.

Nesse outro exemplo, o pronome pessoal “ele” é o sujeito do verbo “deu”.

O “ai” dele foi muito agudo.

Nesse último enunciado, o sujeito “o ‘ai’ dele” corresponde ao verbo “foi”. O núcleo do sujeito é “ai”, originalmente uma interjeição que indica dor, mas que foi substantivada no enunciado, usada como sinônimo de “berro”.

Videoaula sobre o sujeito

Tipos de sujeito

O sujeito pode ser classificado em uma oração como:

  • simples ou composto;

  • expresso ou oculto;

  • agente, paciente ou agente e paciente;

  • indeterminado.

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  • Sujeito simples

Quando há apenas um núcleo no sujeito.

Meu filho estuda muito.

Nessa oração, o sujeito “meu filho” tem apenas um núcleo: “filho”.

  • Sujeito composto

Quando há mais de um núcleo no sujeito.

Meu filho e minha filha estudam muito.

Nessa oração, o sujeito “meu filho e minha filha” tem mais de um núcleo: “filho” e “filha”, tratando-se de um sujeito composto.

  • Sujeito expresso

Quando aparece explicitamente no enunciado.

Nós chegamos cedo para a festa.

O sujeito expresso desse enunciado é o pronome pessoal “nós”.

  • Sujeito oculto

Quando aparece implicitamente no enunciado, ou seja, não está expresso no enunciado, mas é possível identificá-lo.

Chegamos cedo para a festa.

Nesse enunciado, o sujeito “nós” está oculto. Porém, é possível identificá-lo pela conjugação do verbo (“chegamos”).

  • Sujeito agente

Quando executa a ação do verbo.

Ela feriu o colega na brincadeira.

O sujeito “ela” é agente ao executar a ação do verbo “ferir”.

  • Sujeito paciente

Quando sofre a ação do verbo.

O colega foi ferido por ela na brincadeira.

O sujeito “o colega” é paciente por sofrer a ação do verbo (“foi ferido”).

  • Sujeito agente e paciente

Quando executa e sofre a ação do verbo ao mesmo tempo.

Ela se feriu na brincadeira.

O sujeito “ela” executa a ação do verbo, mas também sofre essa ação, já que fere a si mesma.

  • Sujeito indeterminado

Na oração com sujeito indeterminado, não se sabe quem é o sujeito. Embora haja um sujeito, não é possível determiná-lo nem pelo contexto (diferentemente do que acontece quando há sujeito oculto, que é determinado pelo contexto).

O sujeito indeterminado pode ocorrer de duas formas:

1. Verbo conjugado na 3ª pessoa do plural sem referência a qualquer agente expresso anteriormente na oração:

Fizeram de tudo para nos impedir.

Nesse enunciado, não é possível identificar quem é o sujeito do verbo “fazer”. Não se trata de sujeito oculto “eles”, já que não foi determinado em momento anterior quem seriam esses agentes.

2. Verbo em voz ativa, conjugado na 3ª pessoa do singular, acompanhado de pronome “se” como índice de indeterminação do sujeito:

Quando se fala muito, os detalhes se perdem.

Precisa-se de materiais de construção.

Na oração “quando se fala muito”, não é possível determinar o sujeito do verbo “falar”. Tampouco na oração “precisa-se de materiais de construção” é possível identificar o sujeito. Nesses casos, o pronome “se” é empregado justamente para tornar o sujeito indeterminado, daí o nome “índice de indeterminação do sujeito”.

Leia também: Vozes verbais — as formas como o verbo se expressa numa oração

Oração sem sujeito

Algumas orações não apresentam sujeito, pois não há um elemento executando ou sofrendo a ação verbal. Isso ocorre com verbos impessoais, isto é, verbos que não apresentam sujeito. Há três casos em que isso ocorre:

  • Verbo “haver” com sentido de “existir”

sujeito

predicado

-

" uma gota de sangue em cada poema." (Mário de Andrade)

-

Havia tantas rosas naquele jardim...

-

Ainda haverá muitas pessoas nessa cidade.

  • Verbos “fazer”, “passar”, “ser”, “estar” e “ter” com referência a tempo decorrido ou a clima

sujeito

predicado

-

Faz três dias que não nos falamos.

-

passa das dez da noite!

-

Era 30 de outubro de 1991.

-

Está muito frio hoje...

-

Tem muitos meses até lá.

  • Verbos que indicam fenômenos meteorológicos

sujeito

predicado

-

Choverá muito amanhã.

-

Escureceu rapidamente.

-

Aqui, venta muito nessa hora do dia.

Como identificar o sujeito?

É possível identificar o sujeito de uma oração analisando, primeiramente, se o termo em questão está realizando e/ou sofrendo a ação do verbo. Nesse caso, deve haver concordância verbal, ou seja, o sujeito deve concordar em número (singular ou plural) com o verbo do enunciado. Vale também verificar se esse elemento é um pronome ou pode ser substituído por um pronome.

Nas orações sem sujeito, por exemplo, não é possível identificar um elemento que possa ser substituído por um pronome para concordar com o verbo (já que se trata de um verbo impessoal no enunciado).

Posição do sujeito na oração

Na língua portuguesa, a posição padrão costuma ser:

sujeito + predicado

Enunciados que seguem essa lógica costumam ser mais facilmente compreendidos em português. Veja os exemplos:

O homem bateu em minha porta.

Pedro e Flávio têm uma coleção imensa de gibis juntos.

(Nós) Temos grande variedade de produtos em nossa loja.

Porém, é muito comum haver mudanças sintáticas, ou seja, mudanças na ordem do enunciado, especialmente na língua oral, mas também na língua escrita e formal. Veja, nos exemplos a seguir, como o sujeito pode aparecer depois do predicado ou até no meio dele.

No muro de tijolo vermelho passeavam lagartixas.” (Graciliano Ramos)

Juntos, Pedro e Flávio têm uma coleção imensa de gibis.

Bateu em minha porta o homem.

Sujeito x predicado

O predicado é outro termo essencial da oração. Se o sujeito é o elemento que realiza ou sofre a ação do verbo, o predicado é o elemento que apresenta a própria ação verbal, o objeto e os demais complementos para o enunciado.

Lembrando que orações sem sujeito são compostas exclusivamente do predicado. Nesses casos, o predicado não depende de um sujeito, sendo inteiramente compreensível sem ele.

  • Oração com sujeito: Eu me levanto bem cedo todos os dias.

  • Oração sem sujeito: Clareia cedo nesta região.

Leia também: Predicativo do sujeito — parte da oração que expressa qualidade, estado ou condição do sujeito

Exercícios resolvidos sobre sujeito

Questão 1

(Enem)

Gripado, penso entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.

RODRIGUES, S. Sobre palavras. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011.

Para entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:

A) “[...] a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas.”

B) “Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe [...].”

C) “O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava ‘influência dos astros sobre os homens’.”

D) “O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper [...].”

E) “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.”

Resposta

Alternativa E

A elipse é uma figura de linguagem que omite um termo no enunciado. O termo omitido foi o sujeito, ou seja, trata-se de sujeito oculto em “Supõe-se que [ela/a forma nominal] fizesse referência [...]”.

Questão 2

(UFPR)
Dê a soma da(s) alternativa(s) que apresente(m) sujeito indeterminado.

01 – Alugaram-se muitos apartamentos na praia.

02 – Neste estado há muitos desempregados.

04 – Ontem fecharam a loja bem cedo.

08 – Trabalhou-se muito na última eleição.

16 – Espera-se você no próximo feriado.

32 – Duvidou-se de sua palavra.

Resposta

A soma é 4 + 8 + 32 = 44

Nos demais itens, temos:

01 – Sujeito “muitos apartamentos na praia”.

02 – Oração sem sujeito.

16 – Sujeito “você”, já que há um pronome apassivador no enunciado, que pode ser substituído, na voz ativa, por “você é esperado(a)”.

  

Por Guilherme Viana
Professor de Português

Escritor do artigo
Escrito por: Guilherme Viana Escritor oficial Brasil Escola

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

VIANA, Guilherme. "O que é sujeito?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-e-sujeito.htm. Acesso em 29 de fevereiro de 2024.

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