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Como diferenciar o sujeito do vocativo?

Gramática

A confusão entre sujeito e vocativo é frequente. No entanto, definir a função sintática, analisar a pontuação e os efeitos de sentido ajudam a não errar.
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Todos sabem que a linguagem oral possui recursos que não são possíveis na escrita, tais como tom de voz, expressões fisionômicas etc. Por isso, quando nos deparamos com a língua escrita, muitas vezes, temos dificuldade em discriminar funções tão corriqueiras como reconhecer o sujeito e o vocativo.

O que é o sujeito? Que função exerce na oração? E o vocativo? É possível diferenciá-los? Como distingui-los visualmente? Eles podem apresentar a mesma classe gramatical? Os questionamentos são muitos, mas vamos começar analisando o conceito de sujeito e de vocativo.

Sujeito é uma função sintática que algumas classes gramaticais (substantivo e pronome substantivo) podem exercer. É considerado como um termo essencial da oração, embora possam existir orações sem sujeito.

Dentro do sintagma nominal, o sujeito é considerado o núcleo, ou seja, a parte mais importante.  Pode fazer a ação (sujeito agente) ou recebê-la (sujeito paciente). Em alguns momentos, será simples, em outros, composto, podendo ser ainda indeterminado.

Em contrapartida, o vocativo indica um chamamento e é denominado um termo acessório da oração. Quando pensamos no significado dessa palavra, entendemos o porquê dessa função sintática receber essa classificação. O que é um acessório? Um objeto que usamos por opção, não por necessidade. O som do carro, por exemplo, é um acessório, sua presença fará com que a viagem seja melhor, passe mais rápido, mas o carro não deixará de andar, caso ele não exista.

O vocativo é considerado um acessório porque sua presença traz destaque, enfatiza, transmite um chamamento, mas sua ausência não implica na desconstrução da oração. Entretanto, na linguagem escrita, o desconhecimento da diferença entre esses termos pode trazer problemas para a comunicação, a ponto de comprometê-la severamente. Analise o exemplo a seguir.

Estava se aproximando do dia das mães e a professora pediu que as crianças fizessem, em casa, uma redação. O título e o tema eram correspondentes e deveria ser: Mãe só tem uma.  

Terminado o final de semana, Pedro chegou todo feliz querendo ler a redação para toda turma. A professora permitiu e ele começou:

Meu final de semana foi maravilhoso. Minha tia e os meus primos foram lá pra casa e brincamos bastante.

Tomamos muito refrigerante, comemos bolo, foi maravilhoso. Só fiquei triste, no final do dia, porque minha mãe me pediu para ir à geladeira e pegar as latas de refrigerante para bebermos. Quando cheguei lá, mal pude acreditar e gritei:

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“Mãe, só tem uma!”

Como minha mãe é muito legal e prestativa foi ao mercado e comprou mais. Fizemos aquela algazarra.

O humor do texto está presente na má intepretação do tema da redação pelo aluno, que além de modificar a mensagem, transformou a função sintática do termo “Mãe”. Em “Mãe só tem uma”, o termo destacado exerce a função de sujeito da oração; mas na construção feita pelo aluno (“Mãe, só tem uma”), a função sintática é de vocativo, e não de sujeito.

Para diferenciar o sujeito do vocativo, algumas questões precisam ser observadas, mas a principal delas é realmente entender a função sintática que cada um exerce. De forma bem simplificada, o sujeito pode ser entendido como quem pratica a ação verbal, enquanto o vocativo serve como termo de chamamento.

A outra questão a ser considerada é a pontuação. Seja na hora de reconhecer a função sintática ou no momento de pontuar um texto, lembre-se de que não se separa por vírgula o sujeito do predicado, quem faz isso comete um “pecado mortal” contra as regras da gramática normativa. Em contrapartida, o vocativo deve vir isolado por vírgula ou seguido por ponto de exclamação.

Existe, também, a questão semântica envolvendo vocativo e sujeito. Voltemos aos exemplos:

  •  “Mãe só tem uma”.
  •  “Mãe, só tem uma”.

Em que eles se diferem? Alguns podem destacar a “diferença visual”, ou seja, um possui vírgula e o outro não. Não resta dúvida, essa pode ser considerada uma diferença estrutural, mas que implicações trazem para o sentido da frase? No exemplo I, a mensagem transmitida é de homenagem às mães; enquanto em II, o filho simplesmente chama a mãe para avisá-la a respeito de algo.

Em síntese, para diferenciar o sujeito do vocativo, é preciso analisar sua função sintática, a presença ou ausência da vírgula e o efeito de sentido estabelecido. Aplicando essas observações, diferenciar o sujeito do vocativo deixará de ser um problema para ser uma solução.


Por Mayra Pavan
Graduada em Letras

O sujeito e o vocativo são marcados pela elocução. Entretanto, na língua escrita, eles geram algumas dúvidas. Vale a pena aprender a diferenciá-los
O sujeito e o vocativo são marcados pela elocução. Entretanto, na língua escrita, eles geram algumas dúvidas. Vale a pena aprender a diferenciá-los

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PAVAN, Mayra Gabriella de Rezende. "Como diferenciar o sujeito do vocativo?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/como-diferenciar-sujeito-vocativo.htm. Acesso em 20 de setembro de 2019.

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