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Pagu

Literatura

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Pagu, também conhecida como Patrícia Galvão, foi uma artista brasileira que teve vínculos com o movimento modernista. Ela ficou reconhecida por inúmeros trabalhos nos campos das artes, produzindo ilustrações e charges, escrevendo poemas e romances, trabalhando no teatro, e foi jornalista. Teve vínculo com o comunismo e foi presa 23 vezes.

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Nascimento

Patrícia Rehder Galvão nasceu no dia 9 de junho de 1910, na cidade de São João da Boa Vista, no interior do estado de São Paulo. Ela pertencia a uma família de classe média alta, e seus pais se chamavam Thiers Galvão de França e Adélia Rehder. Quando tinha apenas dois anos, a família de Pagu decidiu mudar-se para a cidade de São Paulo.

São João da Boa Vista, cidade do interior de São Paulo onde Pagu nasceu, em 1910.[1]
São João da Boa Vista, cidade do interior de São Paulo onde Pagu nasceu, em 1910.[1]

Em São Paulo, ela conquistou o seu primeiro emprego, e, assim como seu pai, dedicou-se ao jornalismo, embora, ao longo de sua vida, tenha também se dedicado profundamente às artes. Esse primeiro emprego foi no Brás Jornal, e ela escrevia com o pseudônimo Patsy. Sua família, no entanto, chamava-a de Zazá.

Participação no modernismo

Pagu ficou gravada na história brasileira como um dos grandes nomes do modernismo, um movimento artístico que se manifestou em diversos campos artísticos e que procurava romper com tradições vigentes nas artes. Esse foi um dos movimentos artísticos mais importantes da história brasileira e teve enorme peso nas décadas de 1920 e 1930.

O envolvimento de Pagu com o movimento se deu no final da década de 1920, quando Raul Bopp, poeta que ela conhecia, apresentou-a a grandes nomes do modernismo. Pagu aproximou-se, em especial, de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, na época casados. Em 1929, ela passou a publicar alguns de seus desenhos para a revista Antropofagia.

Pagu foi um dos grandes nomes do movimento modernista e produziu ilustrações, charges, poemas e romances ao longo de sua vida.[2]
Pagu foi um dos grandes nomes do movimento modernista e produziu ilustrações, charges, poemas e romances ao longo de sua vida.[2]

O apelido pelo qual ela ficou conhecida, Pagu, foi obra de seu amigo Raul Bopp. Em 1928, ele criou um poema chamado “O coco de Pagu”, como forma de homenagem a jovem. No entanto, o apelido partiu de um erro de Bopp, que acreditava que seu nome fosse Patrícia Goulart. Apesar disso, o apelido foi usado para se referir a ela durante muitos anos.

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Em 1930, a proximidade de Pagu com Oswald de Andrade resultou no casamento deles, fato que os biógrafos apontam como um grande escândalo para os círculos modernistas. Acredita-se que, antes de casaram-se, Oswald e Pagu já eram amantes, e, para casar-se com a jovem, ele precisou colocar um fim no seu casamento com Tarsila do Amaral.

A cerimônia do casamento foi bastante inusitada e se deu no Cemitério da Consolação, próximo de um jazigo que pertencia à família do noivo. Nessa época, Pagu estava grávida de um filho com Oswald, chamado Rudá Poronominare Galvão de Andrade, que nasceu no dia 25 de setembro de 1930.

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Ativismo político

Logo após casarem-se, Pagu e Oswald de Andrade entraram para o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e se tornaram bastante engajados politicamente. Ambos decidiram filiar-se com o PCB após terem um encontro com Luís Carlos Prestes, importante comunista no começo da década de 1930. Esse encontro se deu no Uruguai, já que Prestes estava exilado.

O envolvimento de Pagu com o comunismo tornou-a bastante interessada na situação dos trabalhadores, e, em 1931, ela participou da organização de uma greve de estivadores em Santos, cidade onde ela residia com seu marido. Essa greve ficou marcada por um confronto violento dos trabalhadores com a polícia, o que resultou na primeira prisão de Pagu.

Isso fez dela a primeira mulher ativista a ser presa no Brasil desde que o país conquistou a sua independência, em 1822. Seu envolvimento com a greve rendeu críticas a ela por parte do PCB, um primeiro sinal da conturbada relação que ela teria com o partido. Ainda em 1931, ela e seu marido lançaram a revista O Homem do Povo.

Era uma publicação voltada para os trabalhadores que contou com imenso envolvimento de Pagu, que elaborava ilustrações, os títulos das publicações etc. Ela usava de pseudônimos para suas publicações, tais como Irmã Paula e K. B. Luda. A revista teve circulação curta e publicou apenas oito volumes porque o governo de Getúlio Vargas ordenou seu fechamento.

Ao todo, Pagu foi presa 23 vezes. A polícia política, que monitorava grupos opositores no Brasil, aumentou seu assédio sobre a artista depois que ela publicou Parque industrial, em 1933. Esse é considerado um dos primeiros romances proletários da história brasileira e foi publicado depois que ela saiu da prisão. A perseguição da polícia fez com que ela abandonasse o Brasil por um período.

Durante essa viagem, ela passou pelos Estados Unidos, Japão e China. As viagens foram a trabalho, e Pagu fazia a cobertura jornalística para diversos jornais no Brasil. Durante esse período, ela fez a cobertura da coroação de Pu-Yi, imperador fantoche coroado na Manchúria pelos japoneses.

Ela também conheceu Sigmund Freud, passou pela União Soviética e foi para a França, estudando um período na Sorbonne e filiando-se ao Partido Comunista Francês. Na França ela foi descoberta com documentos falsos e acabou sendo deportada para o Brasil, em 1935. De volta ao Brasil, ela se separou de Oswald de Andrade devido às traições do marido.

Ainda em 1935, a Intentona Comunista — levante armado organizado pelos comunistas em três grandes cidades brasileiras — deu início a uma forte repressão contra os comunistas no governo de Getúlio Vargas. Por conta disso, Pagu foi presa, torturada e permaneceu na cadeia por cinco anos.

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Últimos anos

Depois que saiu da prisão, em 1940, Pagu rompeu com o PCB e assumiu uma posição trotskista (o PCB na época era stalinista). O período na prisão deixou sequelas no emocional de Pagu, que teve de lidar com a depressão. Nessa década ela retomou seus trabalhos como jornalista, trabalhando em uma publicação chamada Vanguarda Socialista e sendo correspondente da France-Presse no Brasil.

Nessa fase de sua vida, ela conheceu Geraldo Ferraz, com quem casou-se em 1941. No mesmo ano, nasceu seu segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz, e ela passou a cuidar de seus dois filhos. Apesar do nascimento de seu segundo filho e de seu trabalho como jornalista, Pagu não abandonou as artes e seguiu publicando poemas e romances.

Na década de 1950, ela tentou entrar na política candidatando-se à deputada estadual pelo Partido Socialista, mas fracassou. Nessa mesma época, ela se dedicou ao teatro, estudando na Escola de Arte Dramática de São Paulo e produzindo alguns espetáculos teatrais. Chegou a coordenar o Teatro Universitário Santista.

Na década de 1960, descobriu que estava com câncer de pulmão e mudou-se para Paris para fazer uma cirurgia que poderia livrá-la da doença. Na França ela continuou seu tratamento com quimioterapia, mas não houve avanços. Durante esse período, Pagu tentou cometer suicídio, mas seu marido interveio a tempo.

No final de 1962, ela recebeu a notícia de que seu câncer estava em um estágio irreversível e, então, retornou ao Brasil. Seu falecimento aconteceu no dia 12 de dezembro e 1962.

Principais obras

Pagu foi reconhecida como escritora, jornalista, desenhista, poetisa, tradutora etc. Suas contribuições para a arte no Brasil foram inúmeras, mas, dentre as obras produzidas por ela, destacam-se seus romances:

  • Parque industrial (1933)

  • A famosa revista (1945)

Além disso, como vimos, ela produziu inúmeras ilustrações e charges para diversas publicações ao longo de sua vida, escreveu poemas também para diferentes publicações, traduziu obras estrangeiras etc.

Créditos das imagens

[1] Luiz Giope e Shutterstock

[2] Commons

 

Por Daniel Neves
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Pagu"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/pagu.htm. Acesso em 06 de dezembro de 2021.

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