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José de Anchieta

Literatura

José de Anchieta, juntamente aos demais padres, chegou ao Brasil propondo-se ao intento catequético.
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Compreender um pouco mais acerca dos fatos que se fizeram presentes, sobretudo em se tratando dos estudos literários, estabelece forte ligação com o ato de contextualizar o panorama em que se demarcaram fatos ora em questão. Subsidiados então nesse propósito, falar sobre José de Anchieta significa fazer referência à época em que as terras brasileiras foram descobertas pelos colonizadores. Assim, procurando nos ater mais às produções literárias que nessa época se materializaram – denominadas de literatura de informação -, compuseram esse cenário as obras dos cronistas e viajantes, bem como os escritos dos missionários jesuítas.

Eles, por sua vez, representavam os missionários da Companhia de Jesus, uma organização fundada por Ignácio de Loyola, em 1534, cujo intuito era recuperar o poder e o prestígio que a Igreja Católica vinha perdendo desde a Reforma Protestante. Participaram dessa integração os padres Manuel da Nóbrega, Fernão Cardim e, ele, José de Anchieta.

Dessa forma, como afirmado anteriormente, toda essa produção, sobretudo a do autor em questão, tinha por finalidade a intenção catequética, assim, chegando ao Brasil em 1553, juntamente aos demais padres, também já citados, fundou no Planalto de Piratininga um colégio que se tornou o núcleo da futura cidade de São Paulo. Assim, entre os textos que Anchieta escrevera, munidos de intenções pedagógicas, estão vários poemas, hinos, canções, autos (caracterizados como um gênero teatral oriundo da Idade Média) e cartas, as quais se definiam como verdadeiros relatos acerca do andamento da catequese aqui firmada e da criação de uma gramática escrita na língua tupi.

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Com base nessas informações, vale ressaltar que foi com o teatro que Anchieta se deu por satisfeito quanto às suas intenções catequéticas. Para comemorar datas religiosas, escrevia e levava até ao público os autos, os quais pregavam de forma agradável a fé e os mandamentos religiosos, procedimento esse que fazia distinguir dos sermões, proferidos de forma discursiva e,  consequentemente, cansativa. Vale lembrar também que o público que assistia aos autos era constituído de forma distinta, entre eles estavam indígenas, soldados, marujos, colonos e comerciantes - fato que o levou a escrevê-los de forma polilíngue. Contudo, mais uma vez demonstrando sua intenção religiosa, Anchieta tinha como alvo principal o índio. Assim, vendo no nativo o gosto por danças, festas, representações e músicas, fez dessa preferência seu campo fecundo, haja vista que ao mesmo tempo em que entretinha, também alcançava seus verdadeiros propósitos.

Créditos da imagem**: Shutterstock e rook76


Por Vânia Duarte
​Graduada em Letras

Selo impresso pela Espanha mostra Retrato do Padre José de Anchieta, por volta de 1965.**
Selo impresso pela Espanha mostra Retrato do Padre José de Anchieta, por volta de 1965.**

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. "José de Anchieta"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/jose-anchieta.htm. Acesso em 18 de setembro de 2019.

Lista de Exercícios
Questão 1

São características da poesia do Padre José de Anchieta:

 a) Tinha como principal objetivo orientar os jovens jesuítas que desembarcavam no Brasil com a missão de catequizar os índios.

b) No teatro de José de Anchieta estão presentes a paródia, cujo objetivo é fazer rir dos tipos sociais estereotipados, e a preocupação didático-religiosa, cuja intenção era transmitir a doutrina da Igreja Católica.

c) função pedagógica; temática religiosa; expressão em redondilhas, o que permitia que fossem cantadas ou recitadas facilmente.

d) Em sua obra não é possível notar a predominância de uma temática, porém, pode-se afirmar que essa não apresenta qualquer função pedagógica ou catequética.

e) Seu talento dramático para criar personagens e situações permitiu-lhe criar formas teatrais diversas através da observação da sociedade.

Questão 2

(UFV) Leia a estrofe abaixo e faça o que se pede:

Dos vícios já desligados

nos pajés não crendo mais,

nem suas danças rituais,

nem seus mágicos cuidados.

(ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço [tradução e adaptação de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.]p. 110)

 Assinale a afirmativa verdadeira, considerando a estrofe acima, pronunciada pelos meninos índios em procissão:

a) Os meninos índios representam o processo de aculturação em sua concretude mais visível, como produto final de todo um empreendimento do qual participaram com igual empenho a Coroa
Portuguesa e a Companhia de Jesus.

b) A presença dos meninos índios representa uma síntese perfeita e acabada daquilo que se convencionou chamar de literatura informativa.

c) Os meninos índios estão afirmando os valores de sua própria cultura, ao mencionar as danças rituais e as magias praticadas pelos pajés.

d) Os meninos índios são figuras alegóricas cuja construção como personagens atende a todos os requintes da dramaturgia renascentista.

e) Os meninos índios representam a revolta dos nativos contra a catequese trazida pelos jesuítas, de quem querem libertar-se tão logo seja possível.

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