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Esparta

A cidade de Esparta, localizada na Lacônia, foi uma das mais importantes pólis da Grécia Antiga. Conhecida por sua cultura militarista, essa pólis rivalizou com Atenas.

Ilustração de treinamento militar de Esparta, com crianças e adultos simulando combate.
O treinamento militar para a aristocracia em Esparta se iniciava aos sete anos de idade
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A cidade de Esparta foi uma das principais pólis da Grécia Antiga e fundada pelos dórios durante o Período Homérico. Ficou conhecida por sua cultura militarista e valorização do Exército, além de ter sido uma das mais poderosas cidades-estado gregas e rivalizado com Atenas pela hegemonia na Grécia.

A cidade de Esparta era uma pólis aristocrática, portanto, tinha apenas uma pequena aristocracia que participava da política local. Essa aristocracia era formada pelos esparciatas, classe que iniciava sua formação educacional e militar aos sete anos e, por isso, formava um grupo de elite do exército espartano. No século XIX, foi reconstruída uma cidade de Esparta moderna.

Confira no nosso podcast: E se os gregos não tivessem existido?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Esparta

  • A cidade de Esparta foi fundada por volta do século X a.C. pelos dórios.
  • Era uma cidade com forte cultura militar, e a educação militar da aristocracia se iniciava aos sete anos.
  • As três classes sociais presentes na cidade eram os esparciatas, periecos e hilotas.
  • A cidade se envolveu em grandes acontecimentos da história grega, como a Guerra do Peloponeso e as Guerras Médicas.
  • Ares, deus da guerra, era uma das divindades mais populares em Esparta.

Videoaula sobre Grécia Antiga – Esparta

Origem de Esparta

A cidade de Esparta se desenvolveu em uma região chamada Lacônia ou Lacedemônia e ficou conhecida por ser uma das principais pólis da Grécia Antiga. A presença humana naquela região remonta ao Período Neolítico, mas foi só no Período Homérico (da periodização da história grega) é que a cidade foi fundada.

Os espartanos acreditavam que a cidade havia sido fundada por Lacedemon, filho de Zeus. Na lenda, ele teria se casado com a filha do primeiro rei da Lacônia, um homem chamado Lélex. Essa filha se chamava Esparta, e a união dos dois fez com que a região e a cidade levassem os nomes de Lacedemônia e Esparta respectivamente.

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A historiografia diz que a cidade de Esparta foi fundada pelos dórios em algum momento do século X a.C. Os dórios foram um povo indo-europeu que chegou à Grécia Continental por volta de 1200 a.C., sendo um dos grandes responsáveis pelo declínio micênico. Com a fundação de Esparta, a cidade iniciou sua expansão, conquistando toda a Messênia, até o século VIII a.C.

Sociedade de Esparta

A cidade de Esparta era conhecida por ser uma das pólis com maior território sob seu controle, e isso fez com que um grande número de pessoas estivessem sob o comando espartano. Isso contribuiu para formação da sociedade espartana, uma vez que as populações controladas por Esparta durante a sua expansão foram transformadas em servas.

Esses servos formavam a maior classe social de Esparta: os hilotas. Além de numerosos, eles eram a classe mais baixa e viviam nas terras que pertenciam à aristocracia espartana, devendo cultivá-las e entregar parte de sua produção como impostos. Os hilotas viviam em um regime de terror, uma vez que a aristocracia espartana usava da violência para controlá-los.

Os membros da aristocracia eram os esparciatas, que detinham o status de cidadãos espartanos. Por isso, somente eles tinham o direito de participar da política local e da tomada de decisões na Assembleia. Reconheciam a si mesmos como homoioi, os “iguais”.

Os esparciatas também eram militares com alto treinamento e formavam a tropa mais bem preparada do exército espartano. Dedicavam sua vida ao treinamento militar, iniciado aos sete anos de idade e estendendo-se por toda a vida. Por isso eram tão rígidos com a classe dos hilotas.

Os esparciatas ocupavam-se exclusivamente da política e de seus treinamentos militares, então dedicavam seu tempo para produzir nenhuma riqueza e por isso exploravam a vida e o trabalho dos hilotas para que estes a produzissem. A violência era a forma pela qual eles controlavam essa população, forçando-a a trabalhar.

O outro grupo que compunha a sociedade espartana era o dos periecos, formado por homens livres que não tinham direitos políticos. Os periecos tinham liberdade sobre suas vidas, locomovendo-se livremente, além de trabalharem em diferentes ofícios, como comerciantes e artesãos. Tanto periecos como os hilotas poderiam ser parte do exército espartano, se convocados.

Política de Esparta

Como mencionado, os esparciatas eram os únicos que participavam da política espartana, sendo assim, eram eles que opinavam e tomavam as decisões. Os espartanos afirmavam que o sistema político da cidade havia sido estabelecido por um legislador chamado Licurgo. Os historiadores, no entanto, não sabem dizer se Licurgo de fato existiu.

Como somente a aristocracia participava do sistema político espartano, a cidade foi classificada como uma pólis aristocrática, isto é, seu sistema permitia a participação somente dos esparciatas, negando direito ao restante da população. Por isso, uma minoria muito exclusiva era cidadã em Esparta.

A cidade de Esparta era também uma diarquia, ou seja, governada por dois reis que mantinham a posição por direito hereditário. Eram chefes religiosos e poderiam participar dos conflitos, quando necessário. Os reis tinham papel religioso, também sendo sacerdotes de Zeus, um dos principais deuses gregos.

A política espartana também era formada por outras três instituições:

  • Apela: era a Assembleia espartana e o local que reunia todos os esparciatas. Para participar dela, era necessário ter mais de 30 anos de idade. Era Apela que as principais decisões eram tomadas, além de ser seus membros que elegiam os membros da Gerúsia.
  • Gerúsia: era um conselho de anciãos formado por 28 esparciatas com mais de 60 anos e pelos dois reis. Era responsável pela elaboração das leis e dos projetos que seriam encaminhados para aprovação ou rejeição na Apela. Os membros da Gerúsia eram chamados de gerontes, e, uma vez nomeados para a posição, permaneciam nela de maneira vitalícia.
  • Conselho dos Éforos: era formado por cinco esparciatas, que detinham grandes poderes, administrando tanto a Apela quanto a Gerúsia. Os membros desse conselho eram eleitos para ocupar sua posição pelo prazo máximo de um ano.

Religião de Esparta

A religião espartana era a mesma praticada em outras pólis na Antiguidade. Os espartanos acreditavam nos deuses gregos, nos olímpicos e naqueles que não residiam no Monte Olimpo. Eram politeístas e realizavam importantes festivais para homenagear os seus deuses. Era bastante comum, por exemplo, que sacrifícios fossem feitos aos deuses antes e após batalhas.

Caso houvesse algum festival religioso em curso, a mobilização militar para envolvimento em algum conflito poderia ser interrompida. Um dos festivais religiosos mais importantes de Esparta era a Carneia, realizada em homenagem ao deus Apolo. Um deus muito importante para os espartanos era Ares, deus da guerra.

Leia mais: Mitologia grega — o conjunto de mitos e crenças da cultura e da religiosidade dos gregos antigos

Educação de Esparta

O sistema de educação em Esparta era conhecido como agogê, sendo obrigatório para os homens nascidos em famílias esparciatas. Nesse sistema, os homens iniciavam a sua educação aos sete anos de idade e só a encerravam aos 30 anos, quando eram considerados adultos e aptos para formar suas próprias famílias.

Esse processo formava os jovens espartanos em exímios soldados. Iniciava-se aos sete anos e incluía também a formação intelectual desses jovens, embora ela não fosse a prioridade. O mais importante na educação era o treinamento das táticas militares, o desenvolvimento do vigor físico e a formação dos jovens com um senso de coletividade com o seu colega de batalha.

Acontecimentos importantes em Esparta

O auge da cidade de Esparta se iniciou a partir do século VI a.C., estendendo-se até o século seguinte. Chegou a ser uma das cidades mais poderosas da Grécia e liderou uma importante aliança militar chamada Liga de Peloponeso.

Importantes acontecimentos que marcaram a história da cidade de Esparta foram os seguintes conflitos:

Esparta x Atenas

Depois das Guerras Médicas, travadas entre as cidades gregas contra os persas, a rivalidade entre Atenas e Esparta cresceu de maneira acentuada. A rivalidade entre as duas cidades se explica pelas diferenças entre elas, pois Esparta era uma pólis aristocrática, mas Atenas era democrática.

Além disso, havia uma disputa pela hegemonia política sobre a Grécia travada pelas duas cidades. A disputa resultou em um grande conflito que afetou toda a Grécia — o Guerra do Peloponeso, entre 431 a.C. e 404 a.C. O estopim foram os desentendimentos entre Atenas e Corinto, cidade aliada de Esparta. Esse conflito se encerrou quando Atenas foi cercada e conquistada pelos exércitos espartanos em 404 a.C.

Leia mais: Guerra do Peloponeso — Atenas e Esparta lutando pela hegemonia na Grécia no final do século V a.C.

Principais cidadãos espartanos

Algumas das principais pessoas nascidas em Esparta, no período da Grécia Antiga, foram:

  • Anaxândrides II;
  • Brásidas;
  • Cleômenes I.
  • Gilipo;
  • Leônidas I;
  • Pausânias.

Onde fica Esparta na atualidade?

A moderna cidade de Esparta se desenvolveu no século XIX e foi reconstruída no mesmo local onde ficava a antiga cidade de Esparta. Localiza-se na Lacônia e tem cerca de 35 mil habitantes. A cidade é conhecida pela grande quantidade de sítios arqueológicos que possui, embora a quantidade de turistas que a frequentam seja considerada baixa.

Curiosidades sobre Esparta

  • Os esparciatas promoviam caçadas a hilotas como forma de amedrontar essa classe.
  • A estátua de Ares ficava acorrentada em Esparta para evitar que o espírito da vitória e da guerra abandonasse a cidade.
  • Um boato sobre Esparta diz que os espartanos jogavam vinho sobre os bebês recém-nascidos e aqueles que chorassem eram descartados.
  • Os laços familiares eram rompidos quando a criança dava início ao agogê.
  • A educação dos esparciatas incluía ensiná-los a serem furtivos e capazes de garantir a própria sobrevivência.

Exercícios sobre Esparta

Questão 01

(Consulplan – adaptado) A Grécia Antiga alcançou um alto grau de desenvolvimento em diversos campos, com destaque para política, filosofia e economia. Porém nem mesmo este alto desenvolvimento impediu a ocorrência de crises e a derrocada desta civilização. São considerados fatores responsáveis pelo declínio da Grécia Antiga:

a) A Liga de Delos conquistou a Grécia e impôs um novo modelo político-econômico liderado por Esparta.

b) As Guerras Médicas realizadas contra os persas foram as últimas grandes batalhas travadas pelos gregos.

c) A rivalidade entre as pólis de Atenas e Esparta, na Guerra do Peloponeso, e as invasões persas e macedônicas.

d) A ocorrência de uma grande peste que dizimou boa parte dos gregos, impedindo-os de resistir contra os invasores.

e) nenhuma das alternativas acima.

Resposta: Alternativa C

Questão 02

Rei espartano que liderou 300 soldados na Batalha das Termópilas, durante as Guerras Médicas:

a) Anaxândrides II

b) Cleômenes I

c) Pausânias

d) Leônidas I

e) Péricles

Resposta: Alternativa D

Fontes

CARTWRIGHT, Mark. Sparta. Disponível em: https://www.worldhistory.org/sparta/

GUARINELLO, Norberto Luiz. História Antiga. São Paulo: Contexto, 2020.

MARK, Joshua J. Agoge, the Spartan Education Program. Disponível em: https://www.worldhistory.org/article/342/agoge-the-spartan-education-program/

MARK, Joshua J. Spartan Women. Disponível em: https://www.worldhistory.org/article/123/spartan-women/

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Esparta"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/esparta.htm. Acesso em 15 de abril de 2024.

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